Mostrando postagens com marcador Maternidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maternidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de março de 2011

Moderna... mas sempre mulher!


“Ela conquistou o mundo, o poder político e o mercado de trabalho. Está mais estudada e dispõe de recursos financeiros, mas ainda é insegura quanto ao próprio corpo, sonha com o príncipe encantado e sofre com o drama da maternidade.”


[parte do texto “Sempre mulher”, da revista Vida e Saúde, edição de Março de 2011, pags. 10-17]


“É a hora de dizer que a independência feminina custou muito caro. Sim, para as mulheres. É claro que ela tem inúmeros benefícios com a independência que conquistou, mas é preciso olhar também para os prejuízos que são muitos, a começar pela jornada que era uma, antes de trabalhar fora, virou duas, e agora já se fala em tripla jornada. Afinal, continuam sendo das mulheres os deveres com os filhos, o marido e a casa, mesmo que tenha empregados. Vinda do trabalho com uma grande carga de pressão, é natural que, ao chegar em casa, ela não tenha a mesma candura e paciência para lidar com os filhos. Até que se desligue do ambiente de trabalho, os filhos já foram dormir sem conseguir a mãe suave de que precisavam.

“É bom considerar que filhos de mães que trabalham fora tiveram que aprender na marra a se virar mais sozinhos, ser independentes e, por conta da renda extra dos pais, têm mais possibilidades financeiras. Contudo, isso tem um custo. Acredito que essa independência financeira da mulher é diretamente ligada ao aumento assustador no número de divórcios, já que, com a possibilidade de se virar bem sozinha, ela não se prende a relacionamentos que não a satisfazem”, analisa a psicóloga Telma Vitzig, que enxerga um fenômeno curioso: “Filhos de pais separados, quando convivem com a guarda compartilhada, ao sair da casa de um dos pais, ficam algumas horas sem pertencer a ninguém, para que a própria mente se ajuste a quem é a autoridade naquele momento. Daí as revoltas, incompreensões. É muito duro para a criança”, explica a especialista. Sim, pois a independência da mulher alterou a configuração social.

Telma argumenta que “trabalhar fora faz com que a mulher gaste uma energia muito grande e desnecessária para se adaptar aos papéis. O natural da mulher é ser flexível e gerar harmonia no lar. Ela é talhada pra isso. No mercado de trabalho, essas características precisam sumir para dar lugar à rigidez, austeridade e se assemelhar ao homem. Mandar e ditar ordens aos filhos como aos subordinados não funciona, então ela tem todo um trabalho de desconstruir aquela personagem do trabalho e assumir outro papel em casa. Isso desgasta e confunde a mulher”.

O curioso é que, por mais independente que seja, a mulher moderna ainda sonha com coisas simples e gentilezas que eram típicas de suas avós, como ter um homem que lhe abra a porta, traga flores e dê segurança e proteção. Entretanto, não ter mais isso é o preço que ela paga pelo feminismo. Uma revisão dos livros de história vai explicar pra você, leitora, que a pretensão feminista lá no século 19 ainda era por condições salubres de trabalho e direitos básicos.
Todavia, com o passar do tempo e algumas conquistas, o feminismo que se colheu em meados do século 20 acabou virando uma guerra dos sexos sem sentido e pregação de igualdade de gêneros. Igualdade improvável, a começar pelo fato de que homens e mulheres são diferentes na essência. E ponto.

O homem também sofre com essa realidade, pois ele também não foi preparado para esse tipo de mulher. Se estava acostumado com o padrão da mãe e da avó, será mesmo um choque para ele conviver com os novos moldes que sua mulher terá. [...]

Não se pode negar a pressão da sociedade para que a mulher trabalhe fora e alcance sucesso em sua profissão. Mesmo sem se dar conta, muitas assumem esse posto contra sua própria vontade, mais para não serem excluídas do grupo e das expectativas sociais. Junto com isso vem a culpa por não dar conta de tudo com perfeição, como se espera e se alardeia. [...]

Levando em conta o estilo de vida da mulher atual, temos a chamada janela estrogênica, ou seja, a produção hormonal muito maior, já que menstruam cedo e têm filhos bem mais tarde, além de ter poucos, ficando à mercê dos hormônios que, sim, são o gatilho para câncer de mama e de endométrio. Segundo o Dr. Fernandes, “a amamentação precoce, antes dos 30 anos, aumenta os fatores de proteção contra o câncer de mama. Efeito contrário acontece quando a gestação e amamentação acontecem depois dos 30”, orienta.”


[Por Fabiana Nertotti, colaboradora especial da revista Vida e Saúde. Trecho das páginas 13, 14 e 16]

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os filhos que deixaram de sonhar...

[*Em homenagem à minha mamusca linda que me indicou este tão belo texto!
Te amo, mãezinha! ^^]

.............................................................


A Lua que não dei

[Cecilio Elias Neto]


"Compreendo pais – e me encanto com eles – que desejariam dar o mundo de presente aos filhos. E, no entanto, abomino os que, a cada fim de semana, dão tudo o que filhos lhes pedem nos shoppings onde exercitam arremedos de paternidade. E não há paradoxo nisso. Dar o mundo é sentir-se um pouco como Deus, que é essa a condição de um pai. Dar futilidades como barganha de amor é, penso eu, renunciar ao sagrado.

Volto a narrar, por me parecer apropriado à croniqueta, o que me aconteceu ao ser pai pela primeira vez. Lá se vão, pois, 45 anos. Deslumbrado de paixão, eu olhava a menina no berço, via-a sugando os seios da mãe, esperneando na banheira, dormindo como anjo de carne. E, então, eu me prometia, prometendo-lhe: ‘Dar-lhe-ei o mundo, meu amor.’ E não lho dei. E foi o que me salvou do egoísmo, da tola pretensão e da estupidez de confundir valores materiais com morais e espirituais.

Não dei o mundo à minha filha, mas ela quis a Lua. E não me esqueço de como ela pediu, a Lua, há anos já tão distantes. Eu a carregava nos braços, pequenina e apenas balbuciante, andando na calçada de nosso quarteirão, em tempos mais amenos, quando as pessoas conversavam às portas das casas. Com ela junto ao peito, sentia-me o mais feliz homem do mundo, andando, cantarolando cantigas de ninar em plena calçada. Pois é a plenitude da felicidade um homem jovem poder carregar um filho como se acariciando as próprias entranhas. Minha filha era eu e eu era ela. Um pai é, sim, um pequeno Deus, o criador. E seu filho, a criatura bem amada.

E foi, então, que conheci a impotência e os limites humanos. Pois a filhinha – a quem eu prometera o mundo – ergueu os bracinhos para o alto e começou a quase gritar, assanhada, deslumbrada: 'Dá, dá, dá...’. Ela descobrira a Lua e a queria para si, como ursinho de pelúcia, uma luminosa bola de brincar. Diante da magia do céu enfeitado de estrelas e de luar, minha filha me pediu a Lua e eu não lha pude dar.

A certeza de meus limites permitiu, porém, criar um pacto entre pai e filhos: se eles quisessem o impossível, fossem em busca dele. Eu lhes dera a vida, asas de voar, diretrizes, crença no amor e, portanto, estímulo aos grandes sonhos. E o sonho da primogênita começou a acontecer, num simbolismo que, ainda hoje, me amolece o coração. Pois, ainda adolescente, lá se foi ela embora, querendo estudar no Exterior. Vi-a embarcar, a alma sangrando-me de saudade, a voz profética de Kalil Gibran em sussurros de consolo:

“Vossos filhos não são vossos, mas são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. (...) Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.”

Foi o que vivi, quando o avião decolou, minha criança a bordo. No céu, havia uma Lua enorme, imensa. A certeza da separação foi dilacerante. Minha filha fora buscar a Lua que eu não lhe dera. E eu precisava conviver com a coerência do que transmitira aos filhos: ‘O lar não é o lugar de se ficar, mas para onde voltar’.

Que os filhos sejam preparados para irem-se, com a certeza de ter para onde voltar quando o cansaço, a derrota ou o desânimo inevitáveis lhes machucarem a alma. Ao ver o avião, como num filme de Spielberg, sombrear a Lua, levando-me a filha querida, o salgado das lágrimas se transformou em doçura de conforto com Kalil Gibran: como pai, não dando o mundo nem a Lua aos filhos, me senti arqueiro e arco, arremessando a flecha viva em direção ao mistério.

Ora, mesmo sendo avós, temos, sim e ainda, filhos a criar, pois família é uma tribo em construção permanente. Pais envelhecem, filhos crescem, dão-nos netos e isso é a construção, o centro do mundo onde a obra da criação se renova sem nunca completar-se. De guerreiros que foram, pais se tornam pajés. E mães, curandeiras de alma e de corpo. É quando a tribo se fortalece com conselheiros, sábios que conhecem os mistérios da grande arquitetura familiar, com régua, esquadro, compasso e fio de prumo. E com palmatória moral para ensinar o óbvio: se o dever premia, o erro cobra.

Escrevo, pois, de angústias, acho que angústias de pajé, de índio velho. A nossa construção está ruindo, pois feita em areia movediça. É minúsculo o mundo que pais querem dar aos filhos: o dos shoppings. E não há mais crianças e adolescentes desejando a Lua como brinquedo ou como conquista. Sem sonhos, os tetos são baixos e o infinito pode ser comprado em lojas. Sem sonhos, não há necessidade de arqueiros arremessando flechas vivas.

Na construção familiar, remos erguido paredes. Mas, dentro delas, haverá gente de verdade?"


[Publicado em 01/08/2008, no “Correio Popular” – Campinas]

*Obs: isto não é um texto teológico, portanto favor desconsiderar aspectos teológicos ou doutrinários.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quando meninos aprendem (ou não) a ser Homens

Compartilho com vocês esse excelente texto postado originalmente no blog Julio Severo e, posteriormente, no Pensadores Brasileiros.

Ainda que o Mulheres Virtuosas seja voltado para as mulheres, e este texto fale principalmente acerca dos rapazes, ele trata da importância de homens e mulheres assumirem suas funções dentro da família, e de meninos e meninas serem criados com a definição correta de quem eles devem ser quando crescerem. Para nós, que um dia pretendemos ser mães, entender que meninos e meninas precisam ser criados de maneiras diferentes é essencial.

Então, mais um texto para nos ajudar.

O Senhor continue a nos guiar.

......................................................

Rapazes revoltados

[Patrice Lewis]

Recentemente, li um artigo extraordinário sobre o assunto do motivo por que tantos rapazes estão revoltados, chateados e rebeldes. A escritora desse artigo (Tiffani) tem cinco filhos, inclusive dois meninos com as idades de 14 e 2 anos. No laboratório de uma vida familiar feliz, estável e caótica, ela criou essa louca teoria: de que os meninos precisam de homens para lhes ensinar a ser homens. Loucura, não é?

À medida que Tiffani observava os padrões morais, atitudes, ética profissional e senso de responsabilidade da sociedade se deteriorarem, ela não conseguia deixar de especular se a falta de um homem forte na vida dos meninos os transforma de “doces, amorosos menininhos corados” em adolescentes monstruosos. E ela ficou pensando… será que a rebelião na adolescência é uma fase natural da vida, ou será que é causada por algo de que os meninos têm falta?

A premissa da teoria de Tiffani é que as mães precisam saber quando se retirar e deixar seus filhos do sexo masculino aprenderem a ser homens sob a tutela de seus pais (ou figuras paternas). Como todas as mães, Tiffani quer proteger seus meninos de ferimentos. Mas isso é bom a longo prazo? Talvez não. Tiffani está aprendendo quando afastar-se e deixar seu marido assumir a orientação de seus meninos.

À medida que amadurecem, os meninos nem sempre vão querer — ou precisar — proteção. Eles precisam de desafios, aventuras e atos de cavalheirismo. Os pais — os pais fortes — sabem quando afastar a proteção das mães e começar a treinar seus filhos a serem homens. A palavra-chave é treinamento.

O treinamento é decisivo. Meninos sem treinamento crescem e se tornam monstruosos: fora de controle, predatórios em cima das mulheres, irresponsáveis, incapazes ou indispostos a limitar seus impulsos movidos à testosterona para agressão ou sexo. Nossa atual sociedade está toda encardida com os prejuízos que sobraram dos meninos que nunca aprenderam o que é necessário para ser um homem. Lamentavelmente, esses “meninos adultos” muitas vezes procriam indiscriminadamente e despreocupadamente, então se recusam a ser pai para os filhos que eles produzem.

Mas homens treinados transformam a sociedade. Eles trabalham duro. Eles movem coisas pesadas. Eles constroem abrigos. Eles protegem, defendem e resgatam. Eles providenciam provisão para suas famílias. Eles fazem todas as coisas assustadoras, feias e sujas que as mulheres não conseguem (ou não querem) fazer. Homens treinados são, nas palavras do colunista Dennis Prager, a glória da civilização.

Conforme aponta Tiffani, os meninos precisam de homens para ajudá-los a estabelecer sua masculinidade de modo apropriado. Os homens entendem que os meninos precisam de experiências e desafios definidores para cumprir seus papéis biologicamente programados. As mulheres não entendem isso, mas não tem problema. Pais fortes (ou figuras paternas fortes) instintivamente intervirão e começarão a treinar os meninos como domar a testosterona, como trabalhar, como respeitar as mulheres, como liderar e defender e como eliminar ameaças.

O problema começa quando não há um modelo de papel masculino para um menino imitar. Se os homens estão ausentes, enfraquecidos ou indispostos a ensinar os meninos como se conduzir, então os meninos não aprendem como ser homens. É simples assim.

As mães não têm a capacidade de ensinar os meninos a ser homens. Não importa quanto amemos nossos filhos do sexo masculino, não temos essa capacidade. As mães querem ser mães porque, afinal, é o que fazemos. Protegemos, cuidamos e beijamos as feridas dos nossos meninos. Mas chega uma hora na vida de todo menino em que ele precisa se erguer acima dos beijos nas feridas e ser um homem.

Os homens não dão beijos nas feridas. É assim que eles se tornam guerreiros e protetores.

Lembro-me de quando o filho de 13 anos de nosso vizinho andou de bicicleta até nossa casa, uma distância de um quilometro e meio em difícil estrada de terra. Ele levou um tombo desagradável e chegou coberto de arranhões e sangue. Quando lhe perguntei o que havia acontecido, ele explicou sobre o tombo… então acrescentou um sorriso radiante: “Mas não tem problema. Sou menino”. Não é preciso dizer mais nada.

Se eu tivesse me descabelado com a situação dele, falando carinhosamente, agindo de forma excessivamente preocupada e beijando seus machucados, eu teria roubado dele a aventura de ter sobrevivido de seu acidente. Ele se orgulhou das cicatrizes de sua batalha, e a última coisa que ele queria era cobri-las com ataduras infantis.

O que acontece quando os meninos não têm um homem forte para lhes ensinar? Os resultados variam de indivíduos fracos e covardes a totais brigões. Dou um exemplo em meu blog sobre uma mulher dominadora com um marido fraco criando dois filhos do sexo masculino. Esses meninos estão crescendo num lar torcido e desordenado que vai contra a natureza humana e a programação biológica, e os meninos vão virar homens abrutalhados.

Meninos que crescem com nada senão a “proteção” de suas mães — sem nenhum homem forte para lhes dar a chance de acabarem com as ameaças — se tornam revoltados e cheios de amargura. Eles sabem que algo está errado. Eles sabem que têm de defender as mulheres, mas eles guardam tanto ressentimento de suas mães por “protegerem” a eles de todos os desafios que o modo como eles veem as mulheres fica distorcido.

Se o marido dessa mulher tivesse desempenhando seu papel como cabeça da casa, esses meninos poderiam ter se tornado homens diferentes. Se ele tivesse resgatado seus filhos do perpétuo amor protetor de sua esposa, seus filhos poderiam ser Homens em Treinamento em vez de Futuros Abrutalhados. Mas temo que seja tarde demais.

Creio que uma parte de criar filhos fortes e equilibrados vem de meninos observando suas mães honrarem seu pai. O lar em que a mãe e o pai respeitam um ao outro por suas várias forças biológicas cria os filhos da forma mais estável e equilibrada possível.

Meu marido e eu não temos filhos para criar e se tornarem homens. Mas nossas meninas estão aprendendo a admirar a verdadeira masculinidade, não potenciais abrutalhados ou fracos e covardes. Ajuda tremendamente que, em nossa vizinhança, estejamos cercados de pais responsáveis que estão criando excelentes rapazes — fortes, prontos para ajudar, protetores das mulheres, ansiando serem heróis.

Com que tipo de homem você pensa que quero que minhas filhas casem algum dia? O Homem de Verdade que assume seu papel biológico de protetor e guerreiro? Ou o Rapaz Revoltado que xinga a mãe e despreza o pai? Qual lhe parece o homem mais equilibrado e firme?

Nada disso é difícil demais de entender — ou, pelo menos, não devia. Infelizmente na cultura andrógina feminista de hoje, esse conceito se tornou motivo de desprezo e zombaria.

Patrice Lewis é uma escritora independente e autora do livro “The Home Craft Business: How to Make it Survive and Thrive” (Empresa Doméstica de Artesanato: Como Fazê-la Sobreviver e Prosperar). Ela é cofundadora (com seu marido) de uma empresa doméstica de artigos de madeira. O casal Lewis vive em Idaho, educando em casa suas duas filhas e cuidando de seu gado. Visite o blog dela: http://www.patricelewis.blogspot.com/

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: WND

sábado, 29 de maio de 2010

As Mulheres (Anônimas) da História da Igreja



Incrível como várias coisas, durante essa semana, acabaram me direcionando e ministrando na minha vida a respeito desse assunto.

Nesses últimos dias, voltei a ler um livro que trata da história da Igreja e da Reforma Protestante. Na verdade, já há algum tempo venho lendo, ouvindo mensagens e buscando aprender sobre as coisas que Deus tem feito no decorrer da história da igreja Cristã, através da Reforma, dos Avivamentos, e através de grandes homens de Deus e pregadores defensores da fé. Tem sido algo maravilhoso. Viver uma fé sobre a qual conhecemos a história, as lutas em sua defesa, os preços que foram e têm sido pagos, os altos padrões de vida cristã é algo essencial, uma fonte enorme de crescimento quando direcionada pelo Espírito Santo.

E, nesses dias, voltei a ler sobre os reformadores. Estive lendo sobre a vida de Lutero, Zuínglio e Calvino, em especial, e o preço que esses homens pagaram pra que vivêssemos, hoje, a fé cristã como vivemos. E, entre muitas e muitas coisas, fiquei pensando como é possível que uma pessoa se disponha a fazer o que eles fizeram. Eles eram homens que viviam em épocas totalmente fechadas a críticas, onde a igreja católica romana e o poder papal controlavam tudo, não apenas a vida religiosa, mas também estavam intimamente relacionadas aos poderes políticos, imperiais, sociais. Mas, mesmo assim, estes homens se levantaram contra o maior poder de sua época e o combateram. Lutaram pela Verdade da Palavra em detrimento de suas próprias vidas. Deram tudo que tinham. E eu fiquei pensando de onde vinha toda essa coragem.

E, então, me lembrei de cada pessoa usada por Deus para escrever a história da Sua Igreja no mundo. Os Profetas, Jesus, os Discípulos e Apóstolos, os Mártires, os primeiros Missionários e Evangelistas, os Avivalistas... tudo o que vivemos hoje em nossas igrejas cristãs, devemos a eles (em Deus) e seus sacrifícios.

No entanto, vocês já pararam pra observar e pensar como que essas pessoas que têm escrito a história da Igreja, desde o princípio, foram HOMENS? Noé, Abraão, Moisés, Davi, Isaias, Jeremias, Daniel, Jesus, Paulo, Pedro, João, Lutero, Zuinglio, Agostinho, Jonathan Edwards, John Wesley, e lá vamos nós...

E, de repente, durante minhas meditações sobre as vidas destes homens tão poderosamente usados por Deus para MUDAR A HISTÓRIA DO MUNDO, eu parei. Parei mesmo, e uma única questão explodiu no meu coração:

“Onde estavam as mulheres de Deus durante todo esse tempo?”

E comecei a pensar sobre isso. Pensei na Bíblia. Quão pouco se fala sobre as mulheres piedosas e cristãs da igreja primitiva na Bíblia, especialmente após a morte e ressurreição de Jesus. Onde estava Maria, a mãe de Jesus, onde estava Maria Madalena, Marta e sua irmã Maria, a mulher Samaritana e todas as mulheres que seguiam Jesus? O que houve com elas? O que elas estavam fazendo? Havia tanta coisa acontecendo naquele momento da história da Igreja e nós, simplesmente, não mais ouvimos falar sobre estas, sem dúvida, tão grandes mulheres...

Depois parei e pensei num fato alarmante (pra mim, pra essa reflexão): grande parte, pra não dizer a maioria, destes homens que construíram a história de Deus no mundo era CASADA! Eles eram homens CASADOS! Noé foi casado, Moisés foi casado, Davi foi casado, Pedro foi casado, João foi casado, Lutero, Zuinglio, Calvino, J. Edwards foram casados! E, então, mais uma vez, e de forma ainda mais intensa, meu coração gritou perguntando: “Onde estavam essas mulheres, Senhor?!”

Pare e pense: nós sequer sabemos o NOME da esposa de Noé, de Pedro, de João ou dos demais Apóstolos! Não sabemos quem foram suas MÃES. Dentre todas as mulheres de Deus que houve na história, de quantas nós sabemos os nomes? E, dentre essas cujos nomes são citados, de quantas nós conhecemos as histórias? Se a Bíblia nos fala de um ou outro acontecimento de suas vidas, com algumas poucas exceções, é muito. Até mesmo Maria, a mulher escolhida por Deus para ser a MÃE DO SALVADOR, quão poucas vezes ela é mencionada, ou sua vida cotidiana, ou sua colaboração para a difusão do Evangelho, após, e mesmo durante, a vida ministerial de seu Filho! Nós nem sabemos o que houve com ela depois que Jesus morreu, com raríssimas informações... e quantas outras mães, esposas, auxiliadoras que nunca chegaremos a conhecer? Quantas outras mulheres virtuosas, piedosas e verdadeiramente cristãs...

Eu olhei, e olho, pras vidas destes homens que ficaram tão conhecidos por participarem da Reforma, de novos conceitos e entendimentos para a Fé Cristã, de grandes Avivamentos mundiais, e fico pensando em como esses homens podem ter casado! Que mulheres eram essas?! Eu nem consigo imaginar a grandeza destas mulheres e quanto suas vidas deveriam ser devotadas a Deus! Mas ninguém sabe seus nomes. A maioria de nós nem sabemos que elas existiram nas vidas desses homens. Enquanto seus maridos estavam lá fora revolucionando o mundo... onde estavam essas mulheres?

E eu simplesmente parei. Porque eu sabia onde elas estavam. Meu coração sabia disso. Elas estavam no ANONIMATO, nos “bastidores”, “por trás das cortinas”, lá onde ninguém as podia ver... e era lá que elas estavam lutando pelo Reino! Talvez elas soubessem, ou não, que, um dia, os nomes de seus maridos seriam mundialmente reconhecidos, de geração a geração, mas que seus nomes comumente sequer seriam mencionados. Mas elas estavam lá. Ninguém falou das dores que elas sentiam ao ver seus maridos, ou seus filhos, sendo perseguidos, maltratados, injustiçados e assassinados por defender o Evangelho. Ninguém falou da batalha que elas precisavam lutar todos os dias pra criar seus filhos, pra apoiar seus maridos em suas lutas, pra ser o conforto, o refúgio no meio da guerra. Ninguém falou dos momentos de solidão que elas viveram, do quanto elas sentiram falta da presença ou do afeto de seus esposos, do quanto elas ficaram sós. Mas... elas estavam lá. E essas eram apenas algumas de suas lutas. Seus maridos e filhos estavam lá fora, lutando. E elas estavam lá dentro, mas também lutando.

Li, hoje, pela primeira vez, um texto de Noel Piper, a esposa de John Piper, um dos maiores pregadores cristãos de nosso século. Que grande e admirável homem! Mas quantos dos cristãos que conhecem tão bem os textos de John Piper nunca conheceram a vida de Noel? ... Penso na vida de Liza Fromholz, a esposa do Jeff Fromholz, um grande e admirável homem de Deus no Brasil... quão pouco Liza aparece! Não ouvimos falar sobre ela, não a ouvimos pregar ou escrever grandes reflexões, não vemos suas fotos ou comentários sobre qualquer coisa... E como eu admiro essas mulheres!

E eu fico pensando em quanta sabedoria eu mesma preciso receber de Deus pra aprender a ser assim. Quantas vezes, ao ler todas essas histórias, eu sinto um desejo tão grande de ser como esses HOMENS – quero ir pra frente de batalha, empunhar a espada e lutar ardentemente! Eu quero fazer parte desses “heróis” cujos nomes todo mundo conhece, cujas ações todos estarão vendo e sobre os quais todos se lembrarão! Mas... e se Deus me chamar para ser uma dessas mulheres ANÔNIMAS? Será que eu aceito? Será mesmo que eu quero? Será que, se o chamado de Deus pra mim for este, eu aceito de coração nunca ser reconhecida por ninguém, nunca ter o meu nome lembrado e ser, aos olhos do mundo, apenas uma “sombra do meu esposo”?

Isso não é romântico, não é lindo e maravilhoso como nossos sonhos femininos de esposas super amadas e valorizadas e vistas em todos os aspectos. Mas é real. Houve, na Bíblia, UMA Sara, UMA Raquel, UMA Rebeca, UMA Ester, UMA Rute, UMA Débora. Mas quantas centenas e milhares de grandes mulheres cujas histórias nós jamais conheceremos? Sem dúvida, foram GRANDES mulheres! Mulheres que suportaram toda a dor de ver seus maridos morrendo por amor ao Evangelho de Cristo. As “Mulheres dos Heróis”. Mas elas estavam lá. E não é diferente hoje...

Portanto, eu pergunto a mim mesma, e pergunto a cada uma das Mulheres Virtuosas que o Senhor tem levantado nessa geração: estamos dispostas a sermos as Mulheres ANÔNIMAS da História da Igreja?

Eu quero muito, em Cristo e Sua soberana Graça, aprender com estas mulheres que nunca conheci. Aprender a regozijar-me no silêncio, na sombra, no anonimato, onde ninguém me vê. Aprender a deixar a honra ao herói que o Senhor escolher para que eu apóie e ajude, assim como a Igreja deve deixar toda a honra para Cristo. Mas sei que isso não é fácil. Não, nem um pouco! Não é utópico e romântico como eu costumo imaginar... mas é, sim, sem dúvida, lindo, como foi linda a atitude de Jesus em lavar os pés de seus discípulos e, assim, nos ensinar a servir e não a sermos servidos.

Buscando aprender...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Indicação: Site "Bom Caminho Mulher"

Pessoal, acabei de descobrir um site maravilhoso voltado para nós, mulheres cristãs!! Acho mesmo que este é um dos melhores espaços voltados para a edificação da Mulher Bíblica que encontrei até aqui. Portanto, gostaria de indicar esse site a vocês com muito entusiasmo e felicidade, para que continuemos a crescer e aprender a viver todos os planos que Deus tem para nossa feminilidade.

Com vocês, Bom Caminho - Mulher:



quinta-feira, 6 de maio de 2010

Apresento-vos MEU FILHO (e minhas lições de Auxiliadora e Mãe!) xD

Hey, girls!!! :D (and guys too!! =P)

Poxa, quanto tempo que não escrevo aqui! Não por falta de vontade, mas um pouco por falta de tempo, outro pouco por não ter havido nenhum direcionamento específico de Deus durante esse tempo. Mas, pela Graça do Pai, nos últimos dias tenho tido tantas coisas pra escrever aqui! Coisas sobre nós e para nós, mulheres, sobre as quais gosto tanto de falar! Me faz muito bem mesmo falar sobre o que tenho aprendido no meu caminhar rumo ao propósito de Deus pra minha feminilidade.

Quero falar sobre Pureza e Romance, sobre Modéstia e Feminilidade, sobre Família, sobre Minha Vida na Cozinha (hehehe) e muitas coisas mais. Mas, como não dá pra escrever sobre tudo ao mesmo tempo, resolvi selecionar dois temas muito importantes, que estão interligados, e que representam dois acontecimentos especiais dessa semana: os temas são Missão de Auxiliadora e Maternidade, e os acontecimentos são o Aniversário de meu Dad-Príncipe (que foi dia 04 de Maio agora) e o Dia das Mães, é claro.

E, para falar sobre isso, apresento a vocês a maior novidade da minha vida nos últimos meses: MEU FILHO! Pois é, agora eu tenho um filho! E é através dele, principalmente, que o Senhor tem ministrado tão fortemente sobre esses dois assuntos na minha vida.

Aí está o meu bebê: Pingo Silva Ramos!!! rsrsrs.. Meu mozão, o Dálmata mais lindo do mundoo!! xD


Então, na verdade o Pingo já é parte da Família Ramos há quase 13 anos (é, meu amor tá velhinho!! :( Mas nem parece, né?), mas durante a maior parte desse tempo eu nunca tive quase nenhum contato com ele. Provavelmente tem uns 11 anos que eu não tinha nenhum contato com ele, a não ser pela janela da cozinha, porque tinha medo dele. Sempre foram meu irmão e meu pai que cuidavam dele, e mais ninguém. Ele tinha uma "esposa" (nem sei se dá pra dizer isso! rsrs) e um filhote, mas os dois morreram e ele ficou só. Até então, o Pingo não fazia nenhuma diferença pra mim, ainda que eu "gostasse" dele, já que ele só ficava no quintal de casa e eu nunca ia lá quando ele tava solto.

Porém, há uns 2 a 3 meses, o Pingo ficou doente. Ele já estava doente há mais tempo, com dificuldade pra andar sozinho, mas nos últimos 3 meses isso piorou muito. E ele parou de andar, por vários motivos. Ele não consegue mais levantar sozinho, e nem andar sem a ajuda de alguém. E vocês podem imaginar como tem sido a vida dele desse jeito: ele faz xixi deitado e fica todo molhado, esperando alguém pra levantá-lo, sente dor nas patas em função de ficar muito tempo sem se movimentar, não consegue ir atrás de água ou comida quando tem sede ou fome, e só come ou bebe se alguém colocar comida e água pra ele, não consegue se virar sozinho, enfim. E foi exatamente isso o que me aproximou do Pingo!

Creio mesmo que isso foi coisa de Deus! Na verdade, não tenho dúvida disso. Digo a Deus que Ele me deu uma chance de aprender com o último dos nossos cachorros, quando os outros dois morreram e eu não pude sentir nada, nem um pouco da dor de perdê-los, como meu irmão sentiu e chegou a ficar deprimido. Mas Deus me deu mais uma oportunidade - uma oportunidade de me ensinar tantas coisas através do Pingo.

Uma das primeiras coisas que aprendi com ele foi sobre simplicidade. Tenho percebido o quanto os cachorros (não sei se todos, mas o meu bebê sem dúvida! xD) são parecidos com as crianças. Logo quando me aproximei do Pingo e passei a cuidar dele, fiquei pensando sobre o quanto nunca dei bola pra ele durante 11 anos, e como, quando resolvi me aproximar, ele nunca me tratou mal ou ficou desconfiado comigo por causa disso. Parece uma coisa tão boba de pensar, não é? rs. Mas devia ser o Espírito Santo querendo me ensianar sobre como eu tenho dificuldades de perdoar, de esquecer o mal que as pessoas me fazem e dar uma nova chance - de verdade - a elas. Eu levei 11 anos pra descobrir o Pingo, mas ainda assim não houve restrições em sua recepção a mim. (Desculpem se eu sou tão sensível assim, mas não é exagero, realmente essa experiência tem feito muita diferença na minha vida! heheh). A verdade é que o carinho que um animal nos passa, tão desinteressado, sincero, livre de julgamentos e de cobranças é tão diferente do carinho que a maioria das pessoas costuma passar. Isso é tão triste. Nós que nos achamos tão superiores a todas as criaturas da terra deveríamos parar e aprender um pouco mais com eles.

A segunda experiência, linda, que tenho tido com o Pingo é sobre ser Mãe. Taí outra coisa na qual acredito profundamente: que o Senhor está me ensinando um pouquinho do que é ser mãe através da doença do meu cachorro. Hoje, sou eu, e meu pai, quem mais cuida do Pingo em casa. Até mesmo meu irmão, que cuidou dele a vida inteira, não está mais cuidando dele. E quantas coisas tenho aprendido com isso. A situação do Pingo hoje é exatamente como a de uma criança recém-nascida: tudo que ele quer ele chora, tudo que ele precisa tem que pedir dos outros (chorando), e a gente (eu e meu pai) precisando aprender a decifrar cada um de seus choros e suas necessidades. Cada vez que o Pingo está chorando e eu preciso ir lá com ele, descobrir o que ele quer, fico pensando em como, um dia, vou passar por isso com cada um dos meus filhos, aflita por vê-los chorando e não saber porquê, não saber o que fazer, e do como vou acabar aprendendo cada uma dessas coisas. Eu não sei explicar a ligação que acabei criando com o Pingo, só sei que é algo forte demais. Por isso acho que estou aprendendo a ser mãe. Fico arrasada quando ele tá com dor e fica a noite toda chorando. Fico arrasada quando as pessoas não tem paciência e ficam brigando com ele. Fico arrasada de vê-lo molhado de xixi, sem conseguir levantar e, muitas vezes, sem ninguém pra ajudá-lo. Sofro com ele. Deve ser porque ele é tão lindo!!! xD (Digam a verdade, ele não é o Dálmata mais lindo que vocês já viram? Sempre achei que ele tinha cara de cachorro de capa de revista!! heheh). Mas, além de lindo, ele é também tão amigo, tão fofo, meigo, dengoso... #) Não sei, é meu filho mesmo!! rsrs. E uma coisa incrível que aconteceu nesses 2 a 3 meses que tenho cuidado dele é que, hoje, eu já sei identificar com tanta facilidade o que ele quer, porquê está chorando! Sei quando ele está com fome ou sede, quando ele quer fazer xixi ou cocô, quando quer virar de lado, quando quer ir pro canto dele. Isso é incrível! Outra coisa incrível é como me faz bem cuidar dele. Às vezes chego do trabalho super cansada, muitas vezes já 22h e pouco, mas nunca falta energia pra cuidar dele! Normalmente chego do trabalho, às vezes troco logo de roupa, como alguma coisa, mas logo vou ver como ele está. Numa época em que ele tava chorando muito, quase o dia inteiro, eu já chegava da rua procurando ouvir se ele tava chorando ou não. Eu dormia atenta pra ver quando ele chorava, se estava chovendo ou não pra ele não se molhar, etc e tal. E quantas vezes fiquei horas sentada ao lado dele, quando ele tava com dor e ficava chorando, sem conseguir dormir, só fazendo carinho e conversando com ele. Eu ia dormir 01 e pouco da manhã, só xixi do Pingo (rsrs), mas feliz por estar cuidando dele!! E como agradeço a Deus por essa experiência! Sei que não será fácil ser mãe, mas que também será extremamente prazeroso! Se é possível amar dessa forma um cachorro, como será com meus próprios filhos?!

E a terceira grande lição que tenho aprendido é sobre meu papel como Auxiliadora. Antes de tudo isso acontecer, eu estava lendo um livro "Conte Comigo", da Wanda de Assumpção, que fala exatamente sobre o papel de Ajudadora das mulheres. E Deus me deu a oportunidade de viver isso na prática, hoje mesmo, ainda que eu não seja casada. Tenho tido a honra, o prazer, a dádiva de ser a Ajudadora de meu pai! Puxa, como isso tem me feito bem! Eu já falei muitas vezes do quanto meu pai é uma pessoa incrível! Admiro tanto meu pai, como pessoa, como homem, como marido, filho, irmão, pai! E, como mencionei, quam sempre cuidou dos cachorros de casa foram meu pai e meu irmão. Mas, nesse período que o Pingo ficou doente, meu irmão começou a trabalhar e, com a faculdade, passa o dia inteiro fora de casa, então, todo o peso da responsabilidade com o Pingo ficou sobre o meu pai. E, pensando na situação em que o pingo se encontra hoje, não é uma responsabilidade pequena! Até uns 15 dias atrás, o pingo estava tão mal que passava quase o dia inteiro chorando - e ninguém sabia exatamente o porquê. Ele chorava a madrugada inteira, e o choro dele não é nem um pouco discreto, é extremamente escandaloso! Foi um tempo muito difícil! Meu pai estava esgotado, sem saber mais o que fazer, principalmente porque ninguém em casa tinha paciência com a situação, e todos acabavam jogando a culpa de "não dormir direito", ou de ter que ficar ouvindo o pingo latir o dia todo, nele. Foi quando o Senhor fez o que fez comigo e, graças a Ele, pude começar a ajudar o meu pai. Existe algo que eu sempre vi no meu pai, no meio de toda essa situação: a paciência que ele tinha com o pingo, a preocupação com o sofrimento dele e o carinho por ele. A situação chegou a um nível que todos em casa se reuniram e decidiram que deveríamos sacrificar o pingo! Todos diziam que deveríamos fazer isso "porque ele estava sofrendo muito", mas a verdade é que nenhum deles tinha paciência de aguentar os choros dele, que os estavam incomodando demais. Meu pai também chegou a aceitar a idéia de sacrificá-lo, mas ele era a única pessoa que realmente tinha paciência com o pingo e se importava com o sofrimento dele. Quantas vezes meu pai passou a madrugada inteira levantando pra cuidar do pingo, e eu nunca o vi tratando-o mal, gritando com ele ou se estressando! Meu pai será um grande avô! :D E eu recebi a missão, e o prazer, de poder lhe ajudar em toda essa pressão com o pingo. A idéia de sacrificar o Pingo foi terrível pra mim! Nunca imaginei que poderia me apegar tanto e sofrer tanto com a idéia de matar um animal! Mas eu já chorei tanto por causa disso! E meu pai, lindo como sempre, não simplesmente tomou a decisão por estar sendo pressionado por todo mundo, ele se preocupou comigo, com minha dor, e somente disse que não tinha mais condições de fazer qualquer coisa pelo pingo, que estava cansado e precisando de ajuda. E passamos a ser uma dupla. Temos trabalhado juntos, e estamos lutando juntos agora pela vida e saúde do pingo. Já o levamos em vários veterinários, e os melhores disseram que existe a possibilidade dele voltar a andar! Como meu pai está mais aliviado, mais satisfeito e feliz por ver a recuperação do pingo, e probabilidades dele melhorar ainda mais. Nós passamos o dia inteiro trabalhando juntos nisso - decidimos o que ele vai comer, discutimos sobre o porquê dele estar chorando, saímos pra levá-lo no veterinário juntos, fazemos planos sobre as "sessões de fisioterapia" dele, compramos ração pra ele juntos, e tantas coisas mais.

Então, sim, eu não tenho dúvidas de que Deus tem muitos propósitos por ter colocado o Pingo no meu coração neste momento da vida dele - e da minha. Tenho podido ver, pessoalmente, a necessidade que um homem tem de ter uma mulher que o apoie, o incentive, diga a ele do quanto seu empenho está sendo importante, do quanto o admira por sua dedicação, ajude-o nas pequenas tarefas, converse com ele e seja realmente sua AUXILIADORA. Tenho visto isso de forma tão clara na vida do meu pai. E também tenho experimentado o quanto é bom, satisfatório e lindo ser essa Ajudadora! Me sinto TÃO FELIZ por poder ajudar meu pai! Isso já vinha acontecendo em algumas outras coisas, como fazer o supermercado de casa, providenciar almoço quando falta ou no fim de semana, pagar contas de casa, e outras coisas que sempre sobravam só pra ele fazer, mas essa experiência com o pingo tem sido algo maravilhoso na minha relação com ele. E, acima de tudo, tem me feito admirá-lo ainda mais do que sempre o admirei - que grande homem meu pai é! Agradeço muito a Deus por poder diminuir um pouco o fardo que sempre esteve sobre as costas dele, e poder ser algo bom em sua vida. Espero que ele também sinta assim.

Assim, essas são algumas das coisas que tenho aprendido, pela Graça do Pai, nesses últimos meses "in off". Agradeço infinitamente ao Senhor por estar me ensinando tanto sobre os papéis tão importantes que receberei no futuro - de Mãe e de Auxiliadora. Que todas essas experiências possam resultar em frutos de benção e honra ao Senhor unicamente! Não deixemos de nos preparar para o que Deus está preparando para nosso futuro!

Com carinho e saudades daqui... =P

Aline! ;)