Dividida entre a raiz e as asas. Esse amor tão grande pelo ninho construído: meu aconchego, meu porto seguro, minha história de afetos, minha certeza de pertencimento, meus laços, meus tesouros conquistados e guardados com tanto zelo, ano após ano, luta após luta, superação após superação, entre dores e prazeres, lágrimas e risos, sonhos e insônias - meu lugar para chamar de meu, para saber quem sou. E, ao mesmo tempo, essa vontade louca de voar, essa certeza tão convicta de que há mais, há mais de mim mesma para descobrir, há mais de mim mesma para viver, há mais para construir, há mais histórias de amor, há mais desafios a vencer, lágrimas a chorar, risos para rir, aventuras para desbravar, gente para abraçar, força para desenvolver, espaço para preencher, horizontes para contemplar, sonhos para sonhar, há mais... há muito mais. E esse mesmo coração que quer ir, quer ficar, nessa briga eterna aqui dentro, triste e feliz, cheio e incompleto, pleno e insatisfeito, lutando, guerreando, procurando encontrar um caminho, um lugar, um equilíbrio, tentando descobrir como ser pássaro com raízes fincadas ao chão, ou como ser árvore frondosa com asas abertas ao vento. Ah, coração! Aonde iremos nós assim? Como nos resolveremos? Não sem dores: seja por cortar asas, seja por cortar raízes - nessa dança doída de não poder ter tudo que se ama e que se é nessa vida. Porque uma vida só é pequena demais para tanto amar. Voa e permanece. Ama hoje e amanhã. Vai e volta. E tenta. E não desiste. Um dia, ah um dia!, haverá algum lugar em que contradições poderão conviver pacificamente. E, então, se ser feliz.
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segunda-feira, 19 de março de 2018
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Ele continua sendo bom...
Se estivermos atentos, se houver em nós uma pequena centelha
de atenção, um pequeno intervalo de paciência para parar e contemplar em meio
aos dias maus, em meio aos dias de ventos parados, quando parece que o Senhor
calou e esqueceu, como se tivesse resolvido sair do jogo e deixar pra lá todas
as promessas... nós ainda O ouviremos. Ele ainda nos falará, no meio da brisa
suave, no meio de uma discreta luz brilhante, como aquela flor escondida,
solitária, no meio de pedras e cachoeiras... Ele ainda falará.
Falará que continua sendo Deus, e que continua sendo bom. E
que, diferente de nós, Ele não esquece e não desiste. Ele não volta atrás e não
abandona. E Ele ainda sabe o caminho mais bonito para nós, aquele que
precisamos trilhar pra descobrirmos o melhor que podemos ser. Ele ainda tem o
plano sob controle e sabe exatamente aonde quer nos levar. Ele ainda tem o
plano perfeito – e Seus planos continuam sendo belos, plenos e cheios de
alegria e paz.
Ele ainda escreve histórias bonitas e, revelando Sua infinita
graça, as coloca em nossas vidas para nos fazer lembrar – e não desistir. Para
não nos deixar achar que eram apenas fábulas contadas pelos antigos, apenas
sonhos infantis ou aspirações utópicas. Então, Ele nos lembra e nos revela Seu
imensurável poder. Porque Ele continua sendo Deus, e continua sendo bom. Porque
todo o poder está em Suas mãos, e Ele realmente – REALMENTE – nos ama. Ele
conhece cada anseio dos nossos corações, Ele conhece cada uma das nossas
lágrimas, Ele mesmo plantou sonhos em nossas almas, desde a eternidade, e é
fiel e justo para completar em nós a obra que Ele mesmo começou.
Então, coração, espera nEle. Confia nEle. Para, contempla,
respira fundo e confia. Seu Deus continua sendo Deus – e Ele continua sendo
bom. Você pode descansar. Ele ainda está lá, Ele ainda vê você, Ele ainda te
conhece e te ama e continua contigo. Não desanima, não! Ainda há muito para
acontecer. Ainda há muito para se surpreender. Caminha, continua a caminhar. Olha
para o alto, olha para o Pai, coloca nEle seu amor, e Ele te guiará.
Sonha, coração! Nunca deixe de sonhar! Pois para as alturas
fostes criado, para os ares, para os céus, para as montanhas, para muito
mais... continua a crer, abre tuas asas e recomeça o teu voar – pois lá no fim,
na plenitude do mais belo horizonte, está Seu Criador e Pai – sempre Deus, e
sempre bom – a te esperar...
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Alma de passarinho...
Ela tem alma de passarinho. Nasceu para as alturas, para a
liberdade, para o doce soprar do vento, para abrir as asas e plainar. Nasceu
para a plenitude do horizonte, para o contemplar de belas paisagens, para o
despertar e o pôr do sol, para a sombra da lua nos rios, para a vida da
natureza. Seu coração anseia por voar, pelo que está além, pelo que ainda não
se descobriu. Sua alma caminha na simples confiança de quem se entrega, de quem
sabe que o amanhã virá e trará consigo a provisão do Criador. Alma livre, alma
de aventuras, de emoções, de intensidades. Sempre criança, sempre abraço,
sempre amor. Ela não tem vergonha de ser feliz. Nasceu para a vida, para o
alto, para o profundo, para o porvir, para muito mais...
segunda-feira, 21 de março de 2016
Quaresma – Dia 34 – Vocação de Jesus, nossa Vocação
“[...] lembra-te de que recebeste
os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui,
ele está consolado; tu, em tormentos” (Lucas 16. 25)
Quanto mais eu leio o Evangelho
de Lucas, mas vejo como este ensino de Jesus se repete, vez após vez: Jesus
veio para os desprezados deste mundo. Isso é tão claro. Capítulo após capítulo,
lá está Jesus e os fariseus opondo-se um ao outro: Jesus aproximando-se dos
excluídos, ensinando sobre misericórdia, compaixão e amor; e os fariseus,
odiando-O por isso, e nos ensinando sobre orgulho, autojustiça e discriminação.
De tudo o que tenho aprendido do estudo deste Evangelho, isso tem se destacado.
E, neste domingo, pude perceber ainda mais a profundidade, a extensão, a
relevância desse ensino.
Fui visitar uma igreja nesse
domingo, onde estava acontecendo o Musical de Páscoa deles, com coral, teatro e
dança. Foi lindo. É sempre um privilégio poder VER a história das Boas Novas
sendo encenada. Pensar em Jesus como um homem de “carne e osso”, vivendo no
meio de homens “de carne e osso”, e imaginá-Lo, por meio daquele homem que O
encenava, fazendo todas as coisas que a Bíblia nos diz que Ele fazia. Isso me
toca profundamente. Abre minha mente, meus olhos. E senti isso naquele dia. E,
particularmente, em um momento da encenação: Jesus reunido com Seus discípulos,
alegre, sorridente, e aproximando-se dEle os coxos, os cegos, os
endemoninhados... e Jesus aproximando-se de cada um deles com amor, e
libertando-os – e, talvez pela primeira vez na vida de algumas daquelas
pessoas, AMANDO-OS. Como isso foi profundo pra mim. E entendi que essa era a
vocação de Jesus, ou fazia parte de Sua vocação: AMAR. E amar exatamente
aqueles que não eram amados – os excluídos, os rejeitados, os desprezados.
A gente, com certeza, não tem
ideia de quanto a exclusão de aleijados, endemoninhados, leprosos, doentes,
pecadores, etc, era algo forte no tempo e na sociedade em que Jesus viveu. Mas
a Lei falava para o povo de Israel separar de seu meio os “impuros”, para não
se contaminarem. E o povo transformou essa “separação dos impuros” em exclusão
mesmo. E nós não temos como imaginar como se sentiam os leprosos, a mulher do
fluxo de sangue, os doentes (que eram considerados pecadores), os samaritanos,
os publicanos, as prostitutas, os pobres, etc, no meio daquele povo que se
considerava tão santo que não poderia nem se aproximar deles. Não podemos
imaginar quanto eles se sentiam impuros, indignos, sujos, lixo naquela
sociedade. Porque, provavelmente, eles haviam sido tratados assim durante toda
ou quase toda sua vida. E eles também já deviam ter sido convencidos de que
eram o que todo mundo afirmava que eles eram.
E aí chega Jesus. Nossa! Isso é
tão forte! A gente já tá acostumado com o fato de Jesus se aproximar dessas
pessoas, a ponto de não percebermos o significado disso. Mas NINGUÉM se
aproximava dessas pessoas. NINGUÉM se importava com elas. Elas eram NINGUÉM. E
lá está nosso Mestre: não apenas aproximando-se delas, mas estendendo a mão,
tocando, curando, AMANDO. E é por isso que, cada dia mais, eram essas pessoas
que se aproximavam de Jesus. Ele quebra todos os protocolos e todos os
paradigmas. Descontrói tudo, para, então, reconstruir. Tudo. Estava eu lendo os
capítulos 15 em diante do livro de Lucas e percebendo de quantos rejeitados
Jesus fala até o capítulo 18: o pecador (representado pelo Filho Pródigo, em
Lc. 15.11-32), o pobre (representado por Lázaro, em Lc. 16.19-31), o doente
(representado pelos 10 leprosos, de Lc. 17.11-19), o que está fora do nosso
círculo religioso (representado pelo publicano, de Lc. 18.9-14), os inúteis
(representados pelas crianças, de Lc. 18.15-17), e continua nos capítulos
seguintes – o cego de Jericó, Zaqueu. Os desprezados. Até as crianças! Hoje,
vivendo numa sociedade que entende seu dever de proteger as crianças, por serem
indefesos, não entendemos quanto as crianças eram desprezadas naquela
sociedade. Mas muitas sociedades patriarcais, ainda hoje, como no Oriente,
ainda as trata assim – não podem contribuir com nada, não tem nada para
oferecer, então só tornam-se “alguém” quando crescem e podem participar da “vida
da sociedade e da família”. E vem Jesus abraça-las e dizer que para entrar no
Reino dEle é preciso receber o Reino como elas.
E, diante de tudo isso, diante do
Evangelho lido e visto naquela encenação, entendo que esta é a nossa vocação. Foi
para estes que Jesus veio. De tantas formas, a Sua Palavra tenta nos mostrar
isso. Foi para os pequenos, os invisíveis, os que são “nada” que Ele olhou. E é
para eles que devemos olhar também. Eu olhava para aquele homem, encenando
Jesus, curando aquelas pessoas com um sorriso no rosto, e pensava: eu quero ser
isso neste mundo também! Quero ser aquela que irá olhar para aqueles a quem
ninguém olha, aqueles que se acham ninguém, aqueles que não tem mais esperança,
os rejeitados, os sem voz, os esquecidos... quero ser Jesus para eles. Quero
fazê-los saber que Deus se importa com eles, que Jesus veio ao mundo para eles
e que Ele tem vida nova, plena, eterna para lhes oferecer. Que Jesus tem identidade
e propósito para suas vidas. Que eles são importantes, são especiais, são
amados por Deus – e que Ele nunca os esquece. Quero ser a presença viva e
palpável de Deus nas vidas dessas pessoas. Ir àqueles a quem ninguém vai. Levar
amor aonde não existe amor. A vocação de Jesus como minha vocação. A vocação de
amar – aqueles que já nem acreditam mais em amor.
Vocação de Jesus, nossa vocação.
E que nossas vidas possam ser como a vida do nosso Mestre. Sua missão, nossa
missão. Seu chamado, nosso chamado. Sua vida, nossa vida. Que seja assim. Que
Ele nos ensine. Que Ele nos ajude. E que possamos ser Seus verdadeiros
embaixadores e representantes, fiéis e perseverantes, em amor, neste mundo.
Para que Seu Nome seja glorificado. Que assim seja. Amém e amém.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Reflexões sobre casamento...
Hoje tive a maravilhosa oportunidade de sentar à mesa com minha vó e ouvi-la contando histórias e histórias dela com meu avô e dos meus pais, e as tantas coisas que eles passaram para que estejamos hoje vivendo as coisas que estamos. E fiquei aqui pensando nos casamentos de antigamente e nos casamentos de hoje, e como antes os casamentos duravam tanto tempo e hoje se desfazem tão rapidamente. E refletindo sobre essa nossa geração que foi (é) tão protegida dos conflitos, tão poupada, tão mimada, tão acostumada a ter tudo com facilidade e a não precisar pagar o preço e sofrer pra conseguir seus objetivos... e na gerações passadas, que conseguiram tudo com tanta luta, batalhas e verdadeiras histórias de superação.
Como hoje, nessa teoria do "o que importa é ser feliz", todos dizem aos jovens que só devem casar quando a vida estiver totalmente estabilizada, quando não houver risco nenhum, quando já houver uma linda casa com 6 cômodos preparada para recebe-los, quando ambos já tiverem empregos estáveis e que paguem muito bem, enfim, quando todas as possibilidades de dificuldades houverem sido sanadas, os jovens se casam nessas condições mas, por nunca terem precisado construir nada juntos, sofrer pagando o preço juntos, dar o suor juntos, conquistar o sofrido pão de cada dia juntos, não aprenderam a ser uma equipe e, ao segundo ou terceiro sinal de dificuldade, pulam fora do barco.
Aí escuto histórias de casais que enfrentaram tantas dificuldades para construir sua primeira casinha, de madeira, num terreno afastado de tudo e sem nem ter vizinhos; que precisaram correr atrás de empregos, que primeiro foram temporários e depois foram estabilizando; que deram duro para criar os seus filhos, levando-os por longos períodos na garupa de uma bicicleta pra poderem estudar, costurando algumas folhas para que eles tivessem cadernos, reformando as roupas para que elas durassem mais um pouco, e precisando se privar de tantas coisas para que eles tivessem oportunidades... e ainda assim os filhos aprenderam a valorizar o pouco, a não reclamar, a correr atrás; e os pais aprenderam a enfrentar os temporais e descobriram esse jeito de relacionar-se por fidelidade e companheirismo. Descobriram-se uma equipe. E continuam até hoje.
E eu fico aqui, pensando e pensando, tentando entender essa época em que minha própria história está sendo construída, e como construi-la, no desejo de que ela possa se parecer mais com as que escuto meus pais e meus avós contarem do que com as que vejo ao meu redor. E tentando assimilar tantas lições quantas forem possíveis, pois um dia meus filhos estarão enfrentando seus próprios tempos, e como eu temo por como estes tempos hão de ser. Mas tenho esperanças. E espero poder estar preparada para vive-los e ajuda-los a viver. Que Deus me ajude. Que Deus nos ajude.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Quaresma – Dia 10: Quando Deus nos frustra
“Ao que replicou Simão: Mestre,
tendo trabalhado durante a noite toda, não pegamos nada...” (Lucas 5.5)
Eu gostei muitíssimo do vídeo
devocional do Dia 8, desse tempo de Quaresma da Cidade Viva Pb, sobre esse
texto da experiência da “pesca maravilhosa” de Simão com Jesus. “Diante de Deus
não há especialistas”. Eu me identifiquei tanto com ele. E me identifico muito
com Simão nessa história. O Simão pescador experiente que havia se esforçado
tanto para cumprir sua missão, sem êxito, e tudo o que Jesus faz a partir
disso. Eu sou tão assim. Me acho tão esperta, sempre bolando os planos
perfeitos para resolver todos os problemas e chegar em todas as soluções. Digo
que é minha personalidade “Cebolinha”. Mas, repetidamente, tenho visto todos os
meus “planos infalíveis” falindo. Tenho feito tudo “tão certinho”, tenho me
preparado, tenho me esforçado, tenho seguido todos os passos... mas não tem
dado certo. Tenho buscado me tornar uma mulher virtuosa, alguém que vá ser uma
boa esposa e mãe, uma boa administradora do lar, uma boa auxiliadora, tenho
estado nos ambientes certos, nas companhias de bons jovens cristãos, tentando
aproveitar as oportunidades para conhecer rapazes do coração de Deus, mas
continuo solteira. Tenho estado envolvida em tudo que é coisa que diz respeito
ao chamado ministerial transcultural, participado de conferências, recebido
convites para capacitação, lido coisas, ajudado em tudo que posso, procurado
fechar os ciclos abertos para estar disponível para o “ide” de Deus, mas
continuo aqui na minha Jerusalém. Tenho feito tudo que se deveria fazer para
que desse certo. Mas os peixes desapareceram. Foi o que aconteceu com Pedro. A
Nova Versão Internacional da Bíblia diz: “Mestre,
esforçamo-nos a noite inteira e não pegamos nada”. Esse era Pedro. Essa sou
eu. A frustração de ver seus maiores esforços sem nenhum resultado.
E aí, a história continua, como
sabemos. Jesus havia falado para Pedro fazer o que ele tinha passado a noite
toda tentando fazer. E Pedro pode ter pensado: não vai adiantar, Mestre! Eu já
passei a noite inteira jogando essa rede aí e não veio nada! Fico imaginando
quão cansado e quão frustrado Pedro estaria naquele momento, depois de uma
noite inteira tentando pescar, sem resultado nenhum. E, no meio de seu cansaço
e de sua frustração, depois de Jesus ficar segurando o seu barco por um tempão,
para ficar conversando com a multidão que havia se aglomerado ali (v.3), Jesus
diz pra Pedro e seus companheiros jogarem a rede novamente. E é quando Pedro
fala a Ele sobre sua noite frustrante. Mas ele conclui: “Mas, porque és tu quem está dizendo isto, vou lançar as redes”
(v.5b). Que coisa linda! Isso é fé. A fé que falávamos ontem. Provavelmente,
Pedro nem entendia porque Jesus estava dando aquela ordem. Não fazia nenhum
sentido. Talvez, ele nem acreditasse que aquilo daria certo. Mas, ele
acreditava em Jesus. Ele confiava no Mestre. E, por causa disso, por causa
dAquele que havia dado a ordem, ele obedeceria. Fé. E Pedro viveu o milagre da
pesca maravilhosa.
E haveria tanta coisa pra falar a
partir dessa história, além do que já foi falado. Contudo, é sobre os tempos de
frustração que eu gostaria de falar hoje. Quando Deus nos frustra. E foi Deus
quem frustrou a pesca de Pedro naquele dia. Pedro era pescador experiente, ele
sabia como e onde deveria pescar. Ele provavelmente fez as coisas certas, como
deveriam ser feitas para que a pesca desse certo. Foi Deus quem fez dar errado
naquela noite. E sabemos que foi porque não cai uma folha de uma árvore sem o
controle do Poderoso Deus, não é? Naquele dia, Deus escolheu frustrar os planos
de Pedro. E a parte bonita disso é que, por mais mau que pudesse parecer um
Deus escolhendo frustrar os planos de um filho Seu, havia um grande propósito
por trás daquela frustração. Deus queria que Pedro vivenciasse aquele milagre.
Jesus queria revelar-se a Pedro naquela noite. Mas, para isso, era necessário
que os planos de Pedro tivessem dado errado. Foi necessário que Pedro estivesse
cansado e frustrado naquele dia. Sem isso, não teria sido escrito que “à vista da pesca que fizeram, a admiração se
apoderou dele e de todos os seus companheiros” (v.9). E esta pesca
maravilhosa era apenas uma preparação para uma pesca ainda maior e melhor para
a qual Jesus convidaria Simão, logo após: “Então
Jesus disse a Simão: "Não tenha medo; de agora em diante você será
pescador de homens”” (v.10). E tudo isso só foi possível em função da
experiência frustrante de pesca daquele discípulo.
E nós precisamos lembrar disso.
Quantas vezes nossos esforços tem sido frustrados. Quantas vezes estamos
fazendo tudo certo, mas não alcançamos os resultados que gostaríamos. Damos
nosso melhor para ser os filhos perfeitos, mas nossos pais nunca estão
satisfeitos. Nos esforçamos para honrar nossos líderes e ajudar em nossas
igrejas, mas eles nunca estão satisfeitos conosco. Estudamos para alcançar um
sonho que Deus tem colocado em nosso coração, mas não passamos. Enfim. Temos
dado nosso melhor, mas não tem dado certo. E isso é tão cansativo. Isso é tão
duro, é tão decepcionante, é tão cheio de sofrimentos. Ficamos cansados, como
Pedro estava depois daquela noite inteira tentando fazer aquela pesca dar
certo. E é quando chegamos nesse estágio, em que não temos mais nada pra fazer
a não ser sentar na areia daquela praia onde estávamos jogando as nossas redes,
e parar, que Deus quer revelar-se a nós. Nossos recursos acabaram. Nossa
esperteza, nossa inteligência, nosso carisma, nossa força, nosso tudo. Não
temos mais o que fazer. E é nessa hora que Jesus se aproxima pra nos mostrar
Quem Ele é e nos permitir viver Seus milagres.
Eu tenho uma dificuldade muito
grande de parar. Simplesmente parar. Ficar sem fazer coisas. Quando não estou
fazendo planos e estipulando metas e traçando mapas e me esforçando para fazer cada
meta dar certo no tempo estipulado, me sinto perdida. Quase fracassando. Me
agonia. É tão estranho. Porque sinto minhas mãos vazias. Como eu posso
simplesmente não fazer nada? Mas tenho aprendido, pela força dessas frustrações
que Deus tem me concedido, que há “tempo
de estar calado e tempo de falar” (Eclesiastes 3.7b). Tempo de trabalhar e
tempo de deixar Deus trabalhar. Que, enquanto
todos os meus planos dão certo, sou convencida de que o sucesso dependeu de
minhas capacidades. Mas quando, apesar da minha falta de capacidades, vejo o
sucesso acontecer, então me lembro que é Deus quem faz a semente dar frutos. Marta
e Maria. Minha eterna batalha para aquietar essa Marta que há em mim. Sempre
tão atarefada, cheia de coisas para fazer para agradar ao Mestre. Enquanto há
momentos em que só o que devemos é sentar aos Seus pés para escutá-Lo. E é
interessante pensar que, antes de Jesus operar o milagre da pesca maravilhosa,
Ele entrou no barco de Pedro e falou à multidão. E Pedro precisou ficar ali,
parado, escutando-O. E só então, depois disso, o milagre aconteceu.
Haverá tempos de frustração em
nossas vidas. Frustrações enviadas por Deus. E glórias a Ele por elas! Porque
elas são manifestação de Sua graça e misericórdia, de Sua bondade para conosco.
Dos esforços de um Pai que quer revelar-Se a Seus filhos e, para isso, muitas
vezes precisa dizer Não. Mas seus “nãos” são cheios de amor. E, se tivermos os
olhos e corações atentos à voz do Seu Espírito, perceberemos que, por mais que
doa ouvir esses “nãos”, eles sempre vêm acompanhados das revelações do nosso
Pai. Que é nessas horas, quando fomos humilhados e forçados a perceber que não
somos suficientemente capazes, não somos suficientemente bons, não temos
qualidades suficientes e que não temos as condições necessárias para fazer o
plano dar certo, que o milagre pode ser experimentado por nós. Não há espaço
para dois comandantes em nossas vidas. Ou somos nós no controle, ou é nosso
Senhor. E que seja Ele. Que seja Ele! Que Ele nos tire do trono quando
quisermos toma-lo para nós. Que Ele nos humilhe quando começarmos a achar que
somos mais do que somos. Que Ele nos diga “Não”. Que Ele nos frustre. Mas que
Ele cresça e nós diminuamos. Porque somente assim poderemos viver a plenitude
de vida que Jesus veio nos oferecer. A partir daquela pesca desastrosa –
comandada por Pedro, Jesus o fez viver a pesca maravilhosa – comandada por
Jesus, e depois convidou aquele pobre homem pecador para tornar-se PESCADOR DE
VIDAS. Aleluia! Eu desejo todas as frustrações oriundas de Deus, se este for o
caminho para tornar-me aquilo que Ele deseja que eu seja. E que seja para a Sua
glória – e não a minha! Que Ele cresça. Para sempre. Amém.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Quaresma - Dia 5: Como Simeão...
O vídeo devocional de hoje pulou
do texto acerca da revelação do nascimento de Jesus aos pastores, em Lucas 2,
para o texto sobre a pregação de João Batista, em Lucas 3. Porém, li o texto de
Lucas 2.25-32 – “O Cântico de Simeão” – e não poderia deixar de falar sobre
ele.
Simeão. Que grande homem! O que
surge em meu coração ao ler sobre este homem de fé é um profundo desejo de ser como ele. Quantas qualidades de um verdadeiro filho de Deus este homem
tinha: “homem justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito
Santo estava sobre ele” (v.25). Que vida bonita ele parece ter tido. Justiça e
piedade são duas virtudes tão belas. E cheio do Espírito Santo. E sensível ao
Espírito Santo, pois foi por crer na revelação do Espírito que ele esperava o
dia de conhecer o Salvador de Israel (v.26), e foi movido pelo Espírito que ele
foi ao templo, onde encontraria o menino Jesus (v.27). Homem de fé. Recebeu uma
promessa de Deus e perseverou em esperar por ela, vivendo uma vida agradável ao
Seu Senhor enquanto o fazia.
Porém, o que mais impacta minha
vida na vida de Simeão é o seu cântico (v.29-32). Tendo encontrado Jesus, e
tomando-o em seus braços, Simeão louva a Deus, dizendo:
“Agora, Senhor, podes despedir em
paz o teu servo, segundo a tua palavra;
porque os meus olhos já viram a
tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos:
luz para revelação aos gentios, e
para glória do teu povo de Israel”
Que palavras esplêndidas!
Palavras de um homem que entendeu a coisa mais importante desta vida: Cristo é
nosso maior tesouro! Simeão entendeu. “Podes levar-me agora, Senhor, pois já
recebi o maior tesouro que esta vida poderia me dar. Estou pronto!”. Aleluia! E
é, especialmente, nisto que eu gostaria de ser como Simeão. Espero chegar lá.
Esse estágio tal de minha vida em que meu coração, minha alma, minha mente
tenham, finalmente, compreendido que minha vida já contemplou o que de mais
precioso e perfeito ela poderia contemplar: o Messias, Salvador, me alcançou e
resgatou! Eu O conheci! Ah, alma minha, que maior tesouro poderias querer do
que este?
Quanto de nossas vidas nós gastamos
desejando e correndo atrás de felicidade. Achamos que vamos encontra-la em um
casamento, em um trabalho, em filhos, em um determinado sonho... achamos que
nosso melhor tesouro ainda está por vir. Procuramos em tantos lugares, de
tantas formas, pelo tesouro que irá saciar nossa alma, quando ele já nos foi
dado e podemos ergue-lo com as nossas mãos, como Simeão fez! Por que demoramos tanto para
entender isso? Luz que alcançou a nós, gentios, e glória prometida a nós, que
fomos chamados a fazer parte do Israel de Deus! O que poderia haver de mais
maravilhoso nesse mundo?
E a minha oração é que o Espírito Santo de Deus nos
ajude a ver. Que Ele nos encha de tal forma, que nossa vida ande tão próxima da
voz do Espírito, que nossos olhos possam ser abertos e, finalmente, possamos
perceber, como Simeão percebeu, o inefável valor que há em contemplar o
Salvador do mundo e fazer parte da Sua Salvação! E que a alegria desta
revelação seja tão grande em nós a ponto de levar-nos, verdadeiramente, a dizer como
Simeão: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo [...] porque os meus
olhos já viram a tua salvação”! Ele é o nosso melhor! Que assim seja. Amém e Amém.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Quaresma - Dia 1: Tempo de Espera
Ontem, quarta-feira de cinzas,
uma amiga escreveu um texto sobre o significado e importância desse tempo
chamado de Quaresma – negligenciado no meio protestante. Me fez refletir. E
perceber quanto preciso disso. Tempo de silêncio, de contrição, de reflexão a
respeito do sacrifício feito pelo meu Senhor e Salvador, e de prática das
disciplinas cristãs. Depois ela me marcou numa publicação que divulgava uma
série de vídeos-devocionais que serão lançados, diariamente, durante esse
período da Quaresma, e decidi acompanha-los e utilizá-los para meu tempo
devocional. E aproveitar esse período de reflexão para voltar a registrar aqui,
neste canto que o Pai me deu, alguns pensamentos desta caminhada. A leitura bíblica
se dará no Evangelho de Lucas, e o primeiro dia trata do texto do capítulo 1,
versos 5 a 17.
..........................................................................................................
“Disse-lhe, porém, o anjo:
Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te
dará à luz um filho, a quem darás o nome de João.” (Lc. 1.13a)
Logo que ouvi, no vídeo
devocional, a leitura desse trecho do texto, pensei em como é bom ouvir algo
desse tipo: “a tua oração foi ouvida”. Mas logo meus pensamentos foram
remetidos a todo o contexto ao redor deste momento. Não tenho certeza se a
oração de Zacarias era para ter um filho. O comentário da minha Bíblia diz que
possivelmente era um pedido pela vinda do Messias. Porém, ao ver as menções de
Lucas a respeito da vida de Zacarias, de que ele e sua esposa não tinham filhos
e eram avançados em dias, e do questionamento de Zacarias ao anjo (“Como
saberei isto? Pois eu sou velho, e minha mulher, avançada em dias”, v.18), e
sabendo da importância que gerar um filho, deixar um descendente tinha para o
povo judeu, me permito acreditar que sua oração poderia ser por um filho. E foi
sobre esse ponto minha reflexão.
Por quanto tempo Zacarias teria
feito suas orações? Desde quando ele teria começado a pedir uma resposta para seu
Deus? Quanto deve ter sido difícil para ele esperar por essa resposta? Terá ele
desanimado e deixado de acreditar em algum momento? Terá ele tido vontade de
parar de orar por este sonho? Terá ele ficado cansado? Terá ele imaginado que
essa resposta ainda poderia chegar, mesmo já avançado em idade com sua esposa?
Mas a resposta chegou. Depois de
anos e anos de espera, sua resposta chegou. Um dia, um anjo enviado do seu
Senhor veio dizer-lhe que sua oração havia sido ouvida e sua mulher lhe daria
um filho! Posso entender que sua resposta tenha sido de questionamento (v.18). Depois
de tanto tempo! Seria possível que aquilo fosse verdade? E, apesar de já ser
suficientemente maravilhoso saber que ele não morreria sem o seu descendente,
as palavras do anjo não pararam ali, havia mais. Muitos se regozijariam com o
nascimento de seu filho (v.14), ele seria grande diante do Senhor, separado para Deus e
cheio do Espírito Santo já desde o ventre (v.15), converteria muitos dos filhos
de Israel ao Senhor (v.16), iria à frente do Senhor no espírito e poder de
Elias, para cumprir a antiga promessa de converter os corações dos pais aos
filhos e converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar ao
Senhor um povo preparado (v.17). Que palavras mais tremendas eram essas! Como
crer? Aquele homem velho com sua mulher idosa... e promessas tão grandes feitas
a si!
Os longos tempos de espera muitas
vezes amortecem nosso coração. Adormecem nossa fé. Nos tiram as forças para
continuar aguardando com o mesmo fervor. É duro esperar e esperar e ver as
possibilidades esvaindo de suas mãos, enquanto nada sugere a chegada de seu
sonho. E mais ainda quando, como era com Zacarias e Isabel: “Ambos eram justos
diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos
do Senhor” (v.6). Às vezes, dói ouvir a voz do Inimigo de nossas almas nos
dizendo “é esse o pagamento por ser fiel ao seu Deus?”. E, às vezes, quase
acreditamos nisso. Nos perguntamos se realmente vale à pena manter-se fiel
quando a resposta que você tanto espera não vem. Quando já se passaram dez
anos. Quando nunca dá certo. Quando todos recuam e abrem mão. Por que manter-se
fiel?
Mas Zacarias e Isabel
permaneceram. Não porque esperassem uma recompensa de Deus. Provavelmente, nem
esperassem mais. Não de verdade. Tanto que a dúvida assombrou o coração de
Zacarias, assim que sua resposta chegou. Eles permaneceram fiéis porque era
isso que eles eram, era no que criam. Permaneceram por causa de QUEM SEU DEUS
ERA. Não pelas coisas que Ele poderia fazer-lhes. Não havia como voltar atrás,
pois eles conheciam o Deus a quem serviam e sabiam que nenhum outro jeito de
viver satisfaria suas almas sedentas pela glória do seu Deus.
E a resposta poderia nunca ter
vindo. Poderia. Mas ela veio. Já quando parecia ser improvável – na verdade,
impossível. Deus permitiu que todo aquele tempo passasse. Deus permitiu todo
aquele tempo de espera. E só Ele sabe os motivos para isso. Porém, no tempo
certo, para a glória de Seu Nome, a resposta às orações daqueles filhos chegou –
e foi MUITO ALÉM, MUITO MELHOR, MUITO MAIOR do que eles poderiam pedir, pensar
ou imaginar.
Que seja assim conosco. Quando o
tempo passar, quando as orações parecerem perdidas, quando as chances parecerem
esgotadas, quando o cansaço bater e as possibilidades deixarem de existir,
lembremos quem é o nosso Deus. Deus do impossível, Todo-Poderoso. E que,
qualquer que seja a Sua resposta para nossas orações, Seus planos continuam
sendo totalmente bons, e Sua vontade boa, perfeita e agradável. Permaneçamos
fiéis.
sábado, 5 de abril de 2014
Continuo por aqui! ^^
Olá, meninas queridas, companheiras fiéis do Mulheres Virtuosas! (E aos rapazes também! ;])
Resolvi passar para dar notícias a vocês, muitos dos quais se tornaram verdadeiros companheiros dessa jornada cheia de mistérios e desafios que é ser um jovem cristão! Eu ainda nem posso vislumbrar o fim do caminho, e quanto mais acho que já sei algo, mais percebo quanto há infinitamente mais pra aprender! Mas isso também é bom demais de viver.
Bom, hoje quero dizer pra vocês que continuo aqui: os 27 anos se aproximando, meu coração de passarinho sempre sonhando com romper os limites e voar rumo ao horizonte ou à montanha mais alta, ainda esperando para ver o que o Senhor está reservando para os próximos capítulos dessa história e em qual virada de página o cavalo branco aparecerá (rs), mas confesso pra vocês que estou em um tempo bem gostoso da vida.
Gostaria de dizer a vocês que estão enfrentando aqueles anos "maravilhosos" em que a ansiedade pelo futuro vive puxando a beira da nossa saia e pedindo toda a nossa atenção: há esperança para vocês! Mantenham a calma, respirem fundo e continuem caminhando! rs.
Talvez muitas moças, ao se aproximarem dos 30, fiquem ainda mais ansiosas e amedrontadas com o porvir, parecendo que a areia do reloginho está acabando e nada da cena mudar... mas afirmo a vocês que não precisa ser, necessariamente, assim. Pessoalmente, tenho vivido um tempo bem diferente.
Como muitas de vocês, acredito eu, já tentei resolver essa equação matemática quase impossível - encontrar o cônjuge ideal - com minhas próprias pernas e minha "super-hiper-mega inteligência" muitas vezes, mas tenho um Pai tão perfeito e amoroso que Ele sempre corta minhas asinhas antes que alguma tragédia aconteça. Ele é tão cuidadoso conosco! Então, depois de tanto tempo, acho que a gente vai aprendendo mesmo. Louvo ao meu amado Senhor pela paciência em me ensinar. E esse tempo de ver que o coração está aprendendo é um tempo tão agradável!
Aprender a descansar, de verdade, sempre foi um desejo muito forte em meu coração, e um desafio também, tamanha sempre foi minha ansiedade de ver as coisas acontecendo. Mas acho que, finalmente, a coisa está se consolidando. No entanto, devo compartilhar com vocês aquilo que eu acredito ser a chave - ou uma das - para esse momento de maior quietude: descobrir, no fundo do coração, que existem coisas ainda maiores de Deus para nossas vidas do que um casamento.
Ah, meninas, como é bom descobrir isso! Como compartilhei no penúltimo post, em novembro do ano passado fiz minha primeira viagem missionária, para o Senegal/África, e como isso modificou minha maneira de ver a vida! Relembrei que temos uma missão nesse mundo, não estamos a passeio e, mais do que nunca, compreendi que viver isso é a coisa de maior valor que podemos ansiar para essa vida. Muito, muito mais do que ansiar por um casamento!
Desde então, o Senhor tem colocado meus olhos em lugares mais altos, em sonhos mais altos: representa-Lo, sinalizar Seu amor e fazer parte do estabelecimento do Seu Reino nessa terra! E, por mais que eu continue sonhando ardentemente com aquele com quem dividirei esse caminho, tenho plena convicção de que participar da Missão que Deus está realizando nesse mundo é infinitamente melhor do que ter alguém ao meu lado. Hoje falo com toda a sinceridade que, se precisasse escolher entre um e outro, por mais difícil que fosse tomar essa decisão, eu não hesitaria em abrir mão de um casamento. Ainda sonho com ele, com o companheiro que sonhará e viverá esses sonhos junto comigo, e ainda creio que ele chegará - mas seguir a voz de Deus que me chama para trabalhar em Sua Seara, hoje, aqui onde estou, e no futuro, nos confins da terra, enchem muito mais o meu coração de alegria!
Então, talvez esse seja um dos segredos que precisamos aprender para lidar com as expectativas de nosso coração pela chegada do tão esperado casamento: descobrir, ou relembrar, que existem sonhos ainda mais elevados e ainda mais belos! Nosso tempo solteiros não é à toa e, de maneira nenhuma, é tempo perdido! Como tenho louvado ao Senhor por ainda estar solteira, desde que voltei da África, pois sei que não poderia estar investindo minha vida nas direções que o Senhor tem me dado hoje, da maneira como tenho feito isso hoje, se eu estivesse casada. Infelizmente, tenho visto amigas que sonhavam a missão junto comigo e que, hoje, casadas e com filhos - com um de meus grandes sonhos realizados - deixaram o chamado do Pai se perder e se acomodaram. E como agradeci a Deus porque isso não aconteceu comigo! Graça infinita dEle. Tenho percebido tão claramente o valor de estar solteira, e como Paulo estava certo quando falou que, estando solteiros, podemos nos dedicar mais fervorosamente a Deus! Que verdade! Por isso devemos usar da maneira mais profunda possível, com a maior entrega possível, o tempo que o Senhor ainda tem nos dado como solteiros!
Se essa ainda é a sua situação, não se queixe por isso - aproveite! Viaje, estude, se capacite pra obra que o Senhor tem pra tua vida, rompa barreiras, invista tempo na obra do Senhor, dedique seus dons a Ele e dedique-se a aperfeiçoa-los. Chegará o tempo em que precisaremos, necessariamente, desacelerar, para investir em outras coisas. Que, quando este tempo chegar, não tenhamos do que nos arrepender, por não termos dado o melhor de nossas energias enquanto jovens e solteiros, ao Pai!
Espero ter notícias de vocês também! Nosso MV caminha em seu 5º ano, e quantas coisas mudam em nossas vidas em 5 anos! Sinto-me extremamente feliz por ver que o Senhor continua usando esse espaço para Sua glória e a edificação de Sua Noiva, e que os sonhos que Ele plantou há mais de 5 anos neste coraçãozinho aqui continuam cheios de vida e também amadurecidos. Espero que assim esteja sendo com vocês também! Espero vocês por aqui, para esse compartilhar de experiências, de como está sendo a caminhada, das dúvidas, dos medos, das alegrias e vitórias, dos aprendizados. Isso é ser Corpo. E espero que este lugar continue a ser benção em nossas vidas. Obrigada por compartilharem dele comigo!
Que a Face de Cristo continue a resplandecer sobre nossas vidas - e através das nossas vidas - cada dia mais!
Ah, e aos cariocas de plantão (ou os das proximidades!), fica o convite para um super evento sobre Vocação aí no Rio de Janeiro/RJ, nos dias 01 a 03 de Maio/14: SIM, TODOS SOMOS VOCACIONADOS - VOCAÇÃO 4D, na PIB do RJ. Quem sabe não nos encontramos por lá, não é? :D \o/ [http://www.vocacao4d.com.br/]
Paz e amor do Pai reinem sempre em nossas vidas!
Com amor, esta irmã de sempre... ^^
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Outra visão sobre a missão...
Meus queridos amigos e irmãos companheiros do Mulheres Virtuosas, quanto tempo! É com tristeza e pedidos de perdão (a vocês e a Deus!) que lembro que já faz quase 1 ano desde minha última publicação aqui no blog, mas também com alegria e esperança que posso dizer que o Senhor continua falando e ensinando a esta sua irmã aqui dos extremos do Brasil.
Aqueles que acompanham o blog com alguma frequência e há algum tempo devem lembrar de minhas menções sobre meus sonhos com o chamado missionário e minhas reflexões sobre missões. Pois é com todo louvor e gratidão a Deus que venho compartilhar com vocês um grande passo na realização destes sonhos antigos e ainda tão presentes: minha primeira viagem missionária.
Em novembro de 2013, participei de uma caravana de voluntários da Junta de Missões Mundiais (JMM) da Convenção Batista Brasileira (CBB), denominada Com.Vocação JMM. Eu e mais 5 jovens profissionais das áreas da saúde, educação e esportes fomos apoiar um trabalho missionário realizado em Dakar, capital do Senegal (noroeste da África), chamado Fábrica de Esperança. Durante 12 dias, realizamos atendimentos à comunidade através da fisioterapia, odontologia, orientação para professores pré-escolares, orientação vocacional a filhos de missionários e escolinha comunitária de futebol, conhecemos a Igreja de Cristo naquele lugar e nos alegramos com nossos irmãos e a fé tão forte e fiel a Cristo, contemplamos o poder e fidelidade do nosso Senhor aos Seus filhos naquele lugar de tantos desafios espirituais, e tivemos o privilégio, proveniente apenas da graça do Pai, de participar do que Ele tem feito ao redor deste mundo. Foram dias inesquecíveis!
Eu tenho tantas coisas que gostaria de compartilhar com cada um sobre o que vivi e aprendi nesses 12 dias, coisas que até hoje ainda estão se revelando mais à minha mente e coração e aprendizados que ainda estão se aperfeiçoando, depois destes quase 3 meses, mas é sobre a visão a respeito da obra e vida missionárias que gostaria de falar mais especificamente hoje.
Acho que um dos maiores presentes que recebi de Deus nestes dias de viagem ao Senegal foi a forma como Deus me fez enxergar missões de uma maneira diferente. Uma outra visão sobre a missão. Muito disso me chocou bastante, no início, mas cada dia mais tenho entendido que esse é um choque necessário para cada cristão genuíno. No decorrer destes 3 meses, juntando tudo o que vivi lá em Dakar com tudo o que tenho podido conversar com outras pessoas que viveram experiências cristãs transculturais e tudo o que continuo lendo, ouvindo, vendo sobre a obra missionária, tenho percebido que missão não é sempre igual.
Historicamente, temos sido "ensinados" (ou habituados) a ver e pensar a obra missionária transcultural a partir dos campos mais sofridos, das tragédias, das histórias de mais pobreza ou violência físicas, dos missionários que são perseguidos e arriscam suas vidas diariamente para levar Cristo a um povo fechado, enfim, de um panorama pesado e triste. Temos entendido que "isso é missão", de tal maneira que dificilmente se pensa num missionário rindo, descansando, contando piada, tirando férias, comendo um churrasco, andando de carro próprio ou morando numa boa casa. Quase posso ouvir alguém pensando: "Isso não é vida missionária!".
Essa visão que construímos a respeito de missões tem gerado, na maioria das pessoas, uma resistência muito grande à vida missionária. Basta um jovem falar para alguém que quer "ser missionário na África" para ver as caras de espanto se multiplicando e as expressões de "Como assim, meu filho? Por que você iria querer uma coisa dessas pra sua vida?". É como se apenas pessoas meio "loucas" pensassem em uma vida "tão dura" como a vida de um missionário. E talvez seja por isso que temos a ilusão do missionário como um quase "super-herói": somente os mais espirituais, os mais fortes, os mais tudo podem seguir essa vida.
E tenho entendido que, de muitas maneiras, talvez essa visão histórica sobre missões tenha muito a ver com a necessidade de comover o povo de maneira que este se levante para contribuir e sustentar a obra missionária. É como conquistar o apoio do povo de Deus através da pena por aqueles que estão morrendo lá "nos campos" pois, sem essa "pena", sem esse cenário árduo, ninguém contribuiria. É verdade que, no passado, nos primórdios da obra missionária mundial, as histórias deveriam ser prioritariamente duras e repletas de riscos de todos os tipos, porém não acredito que podemos continuar dizendo o mesmo em nossos dias atuais. De certo, ainda há inúmeros campos missionários com este perfil, de povos que são abertamente contrários ao Evangelho e imersos em necessidades físicas gritantes, porém tem-se entendido cada vez mais que não são apenas lugares assim que necessitam da obra missionária, o que tem ampliado bastante o campo de missões. No entanto, a abordagem acerca do assunto continua sendo praticamente a mesma: convencer através do sofrimento. E acho que a justificativa disso ainda ser assim não tem a ver apenas com as agências missionárias e os próprios missionários que constroem sua publicidade em cima disso, mas tem a ver com a própria igreja, com nós mesmos, que realmente aprendemos a só nos importar com o sofrimento aparente e extremo - e ignorar o sofrimento escondido e interior.
E estar no Senegal me fez ver o outro lado de missões. É claro que a vida no campo transcultural é muitas vezes extremamente difícil e os desafios externos são inimagináveis aos que estão distantes, porém não é sempre assim. Não precisa ser sempre assim. Conheci uma África que não é só miséria, apesar das grandes dificuldades financeiras de grande parte da população. E, nesta África, descobri o peso da escravidão espiritual - muito maior do que o peso da fome física. Vi com meus próprios olhos que a vida missionária não é uma tragédia, que o missionário não precisa passar fome para ser missionário, que ele não precisa andar sempre de semblante pesado para ser missionário, que ele não precisa ter sempre lágrimas nos olhos. Conheci os missionários dos quais sempre ouvi falar e descobri que eles são, simplesmente, gente, como eu e você, que não são super-heróis nem super-espirituais, que eles riem como nós rimos, contam piadas como nós contamos, sentem cansaço, fome, alegrias e tristezas como qualquer ser humano sente... descobri que somos iguais. Que eles precisam, sim, de férias, de uma boa cama pra dormir, de dar uma boa educação para seus filhos, de ir pra academia cuidar do corpo, de uma roupa nova para se vestir, de fazer supermercado, de um fogão, uma geladeira e (pasmem!) até mesmo de uma boa internet! Assim como eu e você precisamos.
Foi quando Deus me fez entender que a obra missionária não é apenas dar comida ao que está morrendo de fome, ou dar um remédio ao que está morrendo enfermo sem nenhuma assistência médica, ou alguma dessas outras circunstâncias emergenciais e trágicas às quais associamos a vida missionária. É muito além disso. A missão é sinalizar Quem é Deus ao mundo, e ensinar ao mundo o Seu amor, Sua graça, Sua misericórdia, Seu caráter, através da pessoa de Jesus Cristo. Dar o alimento, a educação, a assistência em saúde e todos os outros tipos de apoios às comunidades são maneiras de realizar isso, de sinalizar o Reino e o Amor do Pai pelo ser humano. Porém, não são apenas os que estão morrendo nas situações mais críticas que precisam disso: todas as nações, povos, tribos, lugares precisam conhecer a Deus e ao Seu amor, em Cristo. E, assim, a missão acontece em todo lugar. E não é por ser "menos sofrida" (aparentemente), que ela é "menos importante".
Finalmente, entendi que não existem "vários mundos" para Deus. Ele não vê o mundo dividido, como nós vemos: "A África", "A Ásia", "A América", "A Europa"... sempre achando que um lugar é mais importante para Deus do que o outro. Entendi que a África não é mais importante para Deus do que o Brasil, assim como o Rio de Janeiro (e suas cracolândias) não é mais importante para Ele do que o Amapá (e nossas cracolândias!). Ele não vê lugares, Ele vê pessoas - e elas estão em todos os lugares, precisando da manifestação de Cristo de todas as maneiras possíveis. Como somos egoístas ao pensar que um missionário que está na China é mais importante do que um missionário que está na Europa - somente porque as comunidades isoladas da China passam mais fome do que os italianos ou espanhóis. Como nossa visão é estreita e superficial. Olhamos o exterior, enquanto Deus olha tão além.
É certo que existem milhares de lugares em nosso mundo hoje que estão esquecidos de nossas igrejas e clamando por uma voz que lhes possa anunciar as Boas Novas de salvação, enquanto continuamos anunciando essas Boas Novas aos mesmos lugares e às mesmas pessoas durante décadas a fio. É uma urgência sair da nossa zona de conforto e ir ao encontro dessas pessoas. Porém, esses lugares não precisam, necessariamente, estar do outro lado do mundo. Eles podem estar bem pertinho de nós. A grande questão é somente uma: onde Deus nos quer. Qual a minha missão? Qual o meu lugar dentro do Projeto de Deus para a humanidade? Onde devo trabalhar? O que devo fazer? Essa é a questão. Ouvir a voz de Deus dando a direção e segui-la. Glórias ao Senhor por Ele chamar cada um de nós para assumir um lugar estratégico em cada canto deste mundo: a uns Ele chama para cuidar de Sua Igreja local, fortalecendo e amadurecendo a fé dos crentes, de maneira que eles possam ser os sustentadores da obra mundial; a outros, Ele leva para as periferias de sua própria cidade ou estado; a outros, Ele chama para a "África e a Ásia brasileiras": nosso sertão nordestino, nossos ribeirinhos, nossos indígenas; a outros, Ele chama para nossa "Europa brasileira": os ricos e "autossuficientes" de nossa própria nação; e a outros, Ele chama para os confins da terra, os lugares mais distantes, sejam eles ricos ou pobres.
Que o Espírito Santo nos ajude a compreender, da forma correta, o que o Senhor pensa a respeito da missão, e nos faça enxergar a cada um de nós como os MISSIONÁRIOS que somos chamados a ser. Que, com Sua ajuda, possamos descobrir qual a nossa missão pessoal e a lutar para viver essa missão. Ele abra nossos olhos e corações e transforme nossos entendimentos, cada dia mais, para aprender e ensinar o Seu jeito de trabalhar neste mundo, de maneira que nossas vidas sejam úteis em Sua mãos e vividas para glória de Deus. Abramos nossas mentes para a visão dEle sobre a missão.
Enfim, que possamos entender a obra missionária de Deus nesse mundo a tal ponto de poder dizer apenas uma coisa a respeito dela, seja onde for que ela esteja acontecendo: quão grande privilégio é poder fazer parte disso! Seja orando, seja ofertando, seja doando seu tempo e talentos nos mais diversos cantos deste mundo, que cada um de nós possa chegar ao ponto de só poder sentir e expressar: "Não mereço participar de algo tão grande e tão esplêndido - os Planos Eternos de Deus para a humanidade - mas que grande honra é fazer parte disso!". Que não seja mais por pena, mas por amor - a Deus, em primeiro lugar, e ao nosso próximo em seguida. Com alegria, com júbilo, com gratidão, como os verdadeiros missionários certamente vivem - quer na tranquilidade ou na tribulação. Cada um de nós missionários: descobrindo nosso campo, descobrindo nosso chamado e vivendo para glória de Cristo!
Enfim, que possamos entender a obra missionária de Deus nesse mundo a tal ponto de poder dizer apenas uma coisa a respeito dela, seja onde for que ela esteja acontecendo: quão grande privilégio é poder fazer parte disso! Seja orando, seja ofertando, seja doando seu tempo e talentos nos mais diversos cantos deste mundo, que cada um de nós possa chegar ao ponto de só poder sentir e expressar: "Não mereço participar de algo tão grande e tão esplêndido - os Planos Eternos de Deus para a humanidade - mas que grande honra é fazer parte disso!". Que não seja mais por pena, mas por amor - a Deus, em primeiro lugar, e ao nosso próximo em seguida. Com alegria, com júbilo, com gratidão, como os verdadeiros missionários certamente vivem - quer na tranquilidade ou na tribulação. Cada um de nós missionários: descobrindo nosso campo, descobrindo nosso chamado e vivendo para glória de Cristo!
Compartilho com vocês um vídeo com alguns momentos desse tempo lindo vivido no Senegal. Que um pouco da alegria que o Senhor me proporcionou através de tudo o que aconteceu lá possa alcançar suas vidas também! Paz, graça e amor do Mestre!
sexta-feira, 29 de março de 2013
O valor de um sonho...
Me disseram que sonhos são bobagens, que não existe felicidade sem dinheiro, que viver para ajudar os outros é idealismo inocente, que é para si que se deve viver.
Me disseram que tudo isso é romantismo, e que nada disso existe na "vida real".
Acho que queriam dizer que procurar felicidade também é utopia, vale mais procurar comprar um carro e uma casa nova.
Vale mais conseguir um trabalho novo, para ganhar melhor, do que poder sorrir com o trabalho simples de ensinar uma criança a ler, enquanto ela demonstra seu amor por você.
Vale mais poder comprar roupas novas e caras, do que sentir aquela vontade gostosa de voltar a encontrar a gente simples que é beneficiada com seu trabalho comum e cotidiano, aquela gente que enche da alegria dos bons relacionamentos o seu coração.
Vale mais ser olhado como superior pelos outros, do que compartilhar seu tempo pra fazer alguém feliz, mesmo que isso nunca vá lhe trazer o reconhecimento social desta nossa sociedade do capital.
Mas, eu ainda prefiro o sorriso humilde, a alegria pura, a paz dentro do peito ao deitar de noite e relembrar as sementes que se semeou durante suas últimas 24 horas de vida.
Ainda prefiro que as sementes que lanço cresçam para o mundo, para contribuir com algo novo para a vida, do que para contribuir com minha vida pessoal, trazendo-me o grande risco de me ver aprisionada por meu individualismo.
Ainda prefiro ter os pés descalços no chão, mesmo que as pedras venham fazê-lo sangrar e tirar lágrimas dos meus olhos, a nunca viver a liberdade que a simplicidade traz.
Não, querido senhor dinheiro, não desejo tornar-me sua serva, muito menos sua escrava. Prefiro viver no meio de gente, a viver no meio de luxo.
E, talvez, tudo isso seja sonho, sim. Utopia, fantasia, ilusão. Mas, no fim, a gente só tem uma vida para viver, não é? E, se é pra faltar alguma coisa, prefiro que falte o pão a faltar o abraço, o afago, a risada bonita de quem entendeu o que realmente tem valor nessa vida.
Quero descobrir que valor é esse, aquele que a televisão não mostra, que não se vê estampado em outdoor nem em capa de revista. Aquele valor que só se vê nos olhos de uma criança que parece que ganhou tudo ao receber pequenos 10 minutos da sua atenção.
E, então, quando eu morrer, poderei dizer se valeu ou não à pena semear amor, ao invés de semear dinheiro.
Se é para morrer, seja hoje ou daqui a 50 anos, que algo de mim possa permanecer vivo nesta vida. E que seja mais do que casas, diplomas, cédulas e contas bancárias. Que sejam histórias, carinhos, auxílios, toques na alma.
Meu palpite é que, assim, se pode ser feliz. Nessa vida e na porvir.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Um dia...
Um dia, vai ser calmo, vai ser simples, vai ser real. Um
dia, vai haver certeza, descanso, encontro. Um dia, nos reconheceremos, seja lá
como for. Ele nos fará ver, e simplesmente será. Sonhos que serão um, caminhos
que serão um, mãos unidas “por Ele, para Ele e dEle”. Um dia, vamos viver. Já
não mais medo, já não mais insegurança, já não mais ansiedade ou preocupação.
Ele terá feito em nós aquilo que precisaremos ser para o desafio a assumir. Não
estaremos completos, jamais perfeitos, mas preparados. Prontos para encontrar
um ao outro sem perder a Ele. Prontos para olhar um ao outro sem tirar os olhos
dEle. Prontos para amar um ao outro sem entregar o centro de nossos corações
para outro alguém que não seja Ele. Prontos para servi-Lo e amá-Lo mais e mais,
através do nós. Assim é que espero. Um dia...
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Sonhos...
Fotografia.
Balé clássico.
Inglês avançado.
Outro idioma.
Morar em outro lugar.
Corel draw e photoshop.
Cinematografia.
Escrever um livro.
Umas dezenas de filhos adotivos.
Trabalhar como babá.
Um instrumento clássico.
Paraquedas ou asa-delta.
Mergulhar.
Virar um passarinho.
E você? Com o que anda sonhando?
^^
sábado, 11 de agosto de 2012
O que eu queria...
Muito interessante como, com o
tempo, já não precisamos mais de tantas luzes e holofotes compondo nosso
vislumbre de felicidade. Ao invés do furacão que esperávamos chegar e balançar
todas as nossas bases, uma brisa suave enquanto deitamos num jardim tranquilo
passa a parecer incomparavelmente mais desejável.
É como vejo meus sonhos hoje. O
que eu queria mesmo? Simplicidade. Ah, sem dúvida, este é meu grande sonho
hoje. Como gostaria de não precisar estar tão imersa em todas as cobranças
deste mundo materialista, com tantas preocupações desnecessárias e sem sentido
que fazem nossos olhos sempre perderem de vista a verdadeira essência. Queria
viver, simplesmente, a essência. Conseguir aquele estado de silêncio no
espírito tal que fosse possível compreender com mais facilidade a voz do Pastor
guiando. Poder estar seguindo-O tão de perto a ponto de só ir aonde Ele
mandasse. E viver assim: para seguir a Sua voz.
Descobrir aquele sonho que o
Grande Autor escreve no coração de cada um de Seus filhos e vive-lo.
Simplesmente. Se possível, encontrar aquele companheiro para o caminho, que
esteja afim de construir um sonho junto comigo e andar ao meu lado. E caminhar
juntos. Não mais para “ter um romance, mas (para) escrever uma história”, como
certa vez citou Ed René Kivitz. E caminhar. Para Deus, para os outros, para
plantar para a eternidade.
Não precisar me preocupar em ser “a
profissional que todos esperam” ou em ganhar “o salário que todos esperam” ou
em ter “a casa, o carro, a roupa, o cabelo, o corpo que todos esperam”... Me
preocupar somente com o que meu Salvador espera de mim. Ah! No fim, o que
realmente tem sentido nessa vida é tão simples, tão delicado quanto aquela flor
pequenina, cujo valor só percebemos se paramos para contemplá-la com o coração
por algum tempo especial. Quando crianças (aqueles que realmente foram crianças),
acho que sabíamos escolher melhor como viver.
A verdade é que todas as
exigências bobas e sem sentido deste mundo me cansam. Não posso mentir, dizendo
que elas nunca me atraem, porque a triste verdade é que muitas vezes (bem mais
do que eu gostaria) meu coração (que também é mau) deseja suas ofertas. Mas,
sempre vem aquele momento no dia em que paramos tudo e pensamos. E é quando
avaliamos se nossa vida tem valido a pena, se é como deveria ser. E é quando o
cansaço aparece e toda a luminosidade das luzes deste mundo se apaga – e eu
desejo simplicidade. Desejo a essência – que tantas e tantas vezes tem se
perdido no meio desse alvoroço de exigências terrenas.
Quero o eterno. O que não perece.
O que não satisfaz a este mundo, mas satisfaz a um espírito regenerado por
Cristo.
Confesso que às vezes parece que
a vontade é de fugir – como se as garras da vaidade, do orgulho, do ego não nos
alcançassem em qualquer lugar. Mas a vontade, no fim, acho, é de quebrar esse
paradigma que me cerca, romper com ele e viver de um modo radicalmente
diferente.
Que o Senhor assim me conceda um
dia, se assim for para maior glorificação ao Nome de Jesus e ao bem de meus
irmãos. Até lá, que Ele possa me amadurecer e firmar meu coração para não me
deixar amoldar a tantas vozes. E que Ele me ajude a honrá-Lo e engrandece-Lo o
mais que eu puder aqui, e agora. Simplesmente.
Assim seja.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Vai valer à pena!
Sou uma jovem de quase 25 anos,
considero-me bonita, legal, tentando aprender a ser uma verdadeira cristã, e...
SOLTEIRA. Não, isso não é um anúncio! É apenas uma bate-papo com vocês, moças
jovens, sobre essa coisa tão difícil de esperar pelo romance.
Se você já está se distanciando
dos 20 e se aproximando dos 30, como eu, deve também estar sentindo uma certa
“nuvenzinha” nublando o sol sobre a sua cabeça durante um tempo que vai se
tornando progressivamente maior sempre que você pensa sobre casamento. rs. Não
é fácil! Para cada uma de vocês, meninas, que hoje me leem, quero dizer: não é
fácil! Especialmente se você foi selecionada por Deus para fazer parte daquela
espécie de mulheres sonhadoras, românticas, choronas, bobonas e com um instinto
materno que aflora por todos os lados (como eu)! Aí entramos numa área crítica!
rs.
Não é fácil, meninas, sonhar com
o futuro, como toda menina em algum momento sonha ou sonhará, e não ver, diante
de você, nenhum vislumbre de como ele será, de quando ele chegará, de como
acontecerá e, em contrapartida, ver o tempo passando apressadamente. De
verdade, normalmente é bastante difícil. Posso dizer pra vocês que passamos a
pensar em tantas coisas quando chegam os 21 anos, os 22, os 23, os 24... chegar
nos 25, então, é barra! (E eu estou quase lá! rs) Pensamos sobre quanto tempo
vai levar até conhecermos aquele cara que conquistará nosso coração,
construirmos uma amizade pura e verdadeira, esperar pela declaração e o pedido
de compromisso, depois o noivado, a preparação para o casamento, para, ENTÃO
(Uffa!), chegar o grande dia! Isso sem falar do “quase desespero” que dá quando
pensamos em quanto vai demorar pra chegar o primeiro filho!! rsrs.
É engraçado falar sobre essas
coisas, mas, se você já passou dos 24 ou está chegando lá, sabe como essas
coisas vão passando a “fazer morada”, lentamente, em nossos pensamentos! rs. E
isso é natural! Deus colocou em nós esse desejo de formar família, de começar
uma nova história – a NOSSA história! É algo dEle em nós, então, é natural que
ansiemos por isso.
Mas, infelizmente, toda essa
situação é algo que tem levado MUITAS moças, inclusive moças cristãs, a se
desesperar e começar a abrir mão dos padrões e valores de Deus para sua vida
emocional e relacional. Tenho visto tantas moças que antes estavam esperando
por um verdadeiro homem de Deus, o seu “cavaleiro de armadura brilhante”,
começar a se preocupar tanto com o tempo passando que passaram a diminuir o seu
padrão, a acreditar que não vale mesmo à pena esperar por um relacionamento do
coração de Deus, em pureza, em santidade. Quantas moças, ansiosas que estavam
por encontrar a pessoa certa, acabam se iludindo com caras errados e tentando
fingir que são os certos, somente pelo “quase desespero” para não ficarem
sozinhas, ou porque se permitiram ficar tão frágeis emocionalmente que aceitam
o primeiro “bom” que aparece para suprir a sua carência emocional.
E isso é triste. Muito triste!
Nossos sonhos, aqueles que Deus mesmo plantou em nossos corações, começam a
parecer tão bobos, inocentes, sem sentido. Na verdade, nós começamos a nos
deixar convencer por aquelas vozes, que sempre estiveram presentes, tentando
destruí-los, de que eles não tem sentido nenhum. Deixamo-nos convencer porque
manter nosso padrão elevado parece diminuir ainda mais nossas chances de
encontrar alguém e ter nossa tão esperada “história de amor”.
Se você tem passado por isso,
seja que idade você tenha hoje, quero lhe dizer: não se deixe enganar! Não se
deixe enganar pelo tempo passando diante dos seus olhos. Não se deixe enganar
pelas vozes que querem roubar o tesouro que o Senhor tem lhe dado. Não se deixe
enganar por seu próprio coração que tem esquecido de que nossa vida deve ser
vivida pela FÉ, e a FÉ é a “certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas
que não vemos” (Hb. 11.1). Fé é CERTEZA de que receberemos o que esperamos,
porque sabemos de quem e em quem estamos esperando. É uma PROVA, mesmo de
coisas que não podemos ver, porque sabemos que podemos confiar nAquele que
prometeu. E assim deve ser também em nossa espera por nosso futuro casamento.
Eu poderia estar pensando em
desistir, em abrir mão, me desesperar e dizer “não deve ser nada daquilo que eu
estive pensando até aqui! Acho que preciso mesmo diminuir meu padrão, senão
nunca vou encontrar a pessoa certa!”. Eu teria muitos motivos para querer
voltar atrás, de maneira especial o fato de que nunca namorei e já tive várias
oportunidades de relacionamento que nunca foram pra frente (sem falar da
pressão que é ver minhas amigas noivando, casando e tendo filhos! rs). Eu
poderia ser uma pessoa carente por nunca ter me envolvido com ninguém, poderia
aceitar a opinião de todo mundo de que “se eu não tentar, nunca saberei”,
poderia querer me aventurar em alguma coisa meio “legal” pra ver se daria
certo... eu poderia – se não fosse essa Voz ressoando em meu espírito,
testemunhando com ele de que eu conheço os padrões DE DEUS, e são esses padrões
que eu devo seguir.
Mas, mesmo quando bate a carência
e a solidão (porque, sim, elas batem!), mesmo quando fico cansada de estar
esperando durante todo esse tempo, mesmo quando perco as forças ao ver como é
difícil essa coisa de se envolver e relacionar, mesmo quando fico mal cada vez
que acho que encontrei “a pessoa certa” e descubro (mais uma vez) que “ainda
não é ele”... mesmo com todos esses momentos, no fim, às vezes após muito choro
e muita briga com Deus, meu coração sempre acaba acalmando, aquietando, como
uma criança que fez birra durante um tempão, se cansou e ficou quieta, e sempre
conclui: mas AINDA VALE À PENA ESPERAR! Eu SEI que VALERÁ À PENA!
Sei que valerá à pena quando
penso na história que poderei contar um dia – para minhas filhas e meus filhos,
para as crianças e adolescentes de uma geração que diz ser impossível se manter
puro, virgem e separado para o casamento, para as gerações que virão e nas
quais será cada vez mais comum o divórcio, os casais que se “juntam” mas nunca
se casam, os adolescentes que iniciam e mantem vida sexual ativa cada vez mais
cedo, gerações nas quais as palavras PUREZA e SANTIDADE serão quase extintas, e
nas quais quase nunca se falará ou acreditará em AMOR VERDADEIRO!
Sim, quando em penso em todas
essas coisas, e em poder falar para essas gerações, meus filhos, meus netos,
seus amigos, e para minha própria geração ou os adolescentes de hoje que, em
pleno século 21, quando quase ninguém mais acreditava em casamento, família,
honra, valores, eu ESPEREI PELO MEU FUTURO ESPOSO, isso enche meu coração de
alegria e expectativas! Como será lindo dizer que guardei para aquele com quem
me casei não apenas a minha virgindade, mas também meu coração, meus sonhos,
meus beijos, meus carinhos, tudo somente para ele! Como será lindo dizer para
ELE o quanto eu o esperei, o quanto abri mão de todos os outros, porque eu
estava esperando por ELE! Como isso será um presente para nosso matrimônio e
para nossos descendentes!
Sim, ainda vale à pena esperar!
Eu não tenho dúvidas disso! Vale à pena porque, através das lutas que
enfrentamos, meninas, das dificuldades e dos nossos momentos de solidão, quando
gostaríamos de estar com alguém mas decidimos continuar sozinhas porque a Voz
do Senhor ainda não ressoou aquele “Sim, é este que eu estava preparando para
você!”, através de tudo isso estamos permitindo que Deus escreva uma história
que O honrará e O testemunhará num mundo que necessita urgentemente disso!
Precisamos ser não apenas as vozes que falam de pureza, santidade e vida
rendida aos pés do Senhor – precisamos ser os EXEMPLOS de uma vida assim! E
isso tem um preço, que nós sabemos quão caro custa, se optamos por pagá-lo. Mas
a recompensa por fazer essa opção um dia chegará, e a maior de todas será ver
Deus usando nossa história para o SEU LOUVOR!
Por favor, meninas cristãs,
convoco vocês a não desistirem! Continuem firmes nos propósitos que o Espírito
Santo tem plantado em seus corações, continuem firmes na Palavra de Deus,
continuem firmes na direção do Pai! Este mundo precisa de vocês. Este mundo
precisa de nós!
Com amor, sua irmã que tem lutado
este duro, mas ainda assim Bom Combate junto com vocês!
Aline.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Gente como a gente...
Hoje comecei a ler o livro "Mulheres fiéis e seu Deus Maravilhoso", da Noël Piper, editora Fiel. O livro conta as histórias de 5 mulheres de Deus, que viveram em épocas diferentes, com vidas diferentes e usadas por Deus de formas diferentes, porém todas com uma coisa principal em comum: o seu Deus Maravilhoso!
Nessa manhã, li a história de Sarah Edwards, esposa de Jonathan Edwards, e os relatos de sua vida como esposa, mãe, dona de casa, hospedeira e exemplo de mulher. Ela foi esposa do maior teólogo cristão da história da América do Norte, um dos grandes Avivalistas da história do Cristianismo, mas sua vida não foi assim tão cheia de "holofotes" quanto de seu marido.
Sarah não foi uma missionária que fez grandes trabalhos sociais, não foi uma líder de multidões, uma pessoa famosa por grandes feitos públicos ou algo assim. Sua grande missão foi ser Auxiliadora de alguém que viria marcar cada futura geração até os nossos dias. Ela dedicou-se a construir um lar cheio da paz, alegria, conforto e segurança espiritual que seria o ambiente adequado para as profundas reflexões e estudos de seu marido, as quais têm contribuído há séculos para a prática do verdadeiro Cristianismo, de maneira coletiva e pessoal, até hoje; dedicou-se a criar filhos no amor e temor do Senhor, guiando-os ao conhecimento de Cristo e ao desejo de honrá-Lo em todas as coisas; e viveu uma vida pessoal dedicada a honrar ao seu Deus de todas as formas, tendo sido reconhecida como uma mulher com aquele "espírito mando e agradável que é típico das mulheres que professam ser piedosas", por seu cuidado com os outros, amabilidade, gentileza, humildade.
Sarah foi uma mulher simples, comum, que se dedicou a coisas simples, enfrentou grandes lutas, mas com uma coisa que lhe fez diferente e que mudou toda a sua história: cujo desejo era honrar e servir a Deus da melhor maneira que lhe fosse possível. Nas pequenas coisas. No demonstrar a grandeza de Deus em cada gesto de júbilo, cuidado, amor, em cada palavra e pensamento.
Como a história de Sarah Edwards despertou meu coração e renovou em mim a compreensão do que importa na vida e de como devo viver - e também o desejo de viver assim. Ainda falarei mais sobre ela, com certeza. Mas, de início, sua história, como a de Jonathan Edwards, me fez parar e ver que essas pessoas, que hoje tendemos a enxergar como "heróis", são simplesmente pessoas - gente, como a gente. Mas gente que decidiu confiar suas vidas a Deus e viver por Ele e para Ele.
É esse o desejo que se renova em meu coração nesse dia. Ter essa determinação queimando em minha vida: de viver para honrá-Lo, para agradá-Lo, para glorificá-Lo... De aprender a amar mais e mais e mais a Cristo e ter esse anseio por Ele pulsando em cada dia da minha vida! E viver isso nas pequenas coisas: nos pensamentos, nas palavras, gestos, olhares, sorrisos, reações, motivações, naquilo que as pessoas vêem em mim onde quer que eu esteja, no domínio das minhas vontades, das minhas condições físicas e emocionais, de cada um dos meus passos.
É um desafio, grande. Mas é o desafio que quero viver. Ser apenas gente, mas totalmente rendida e dependente deste DEUS MARAVILHOSO!
Que Ele me ajude a honrá-Lo mais a cada dia.
sábado, 10 de setembro de 2011
Dia "cor-de-rosa" *-*
"Felicidade não conhece o tempo. Ela chega com um sorriso, no começo da manhã ou na chegada das primeiras estrelas. Felicidade se acomoda no fundo da alma. Cria um canto onde te faz encontrar com primaveras, setembros, passarinhos, crianças e todas as coisas que te faz sorrir." | Vanessa Leonardi |
{Blog Caixa Mágica - caixamgica.blogspot.com}
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Dias "Cor-de-Rosa"...
A verdade é que precisamos deles! Que não sejam muitos (para não cegar-nos acerca das realidades que precisam ser enfrentadas na vida), mas também que não sejam raros (para não nos tornarmos endurecidos e acinzentados)...
Aqueles dias cheios de inspiração, estrelinhas, passarinhos cantando, palavras cantadas e poesias... Assistir a um filme bobo, ler palavras românticas, suspirar pensando no futuro...
Precisamos deles porque somos mulheres, e em toda mulher Deus plantou essa natureza "rosa". Por mais que racionalizemos, e que precisemos muito da razão em nossa caminhada por aqui, essa natureza está lá! Como disseram John e Stasi Eldredge, em seu livro "Em busca da alma feminina": "três anseios que regem a natureza feminina [...]: revelar beleza, desempenhar um papel insubstituível em uma grande aventura e viver um romance". Isso é verdade.
Então, que tiremos dias para reencontrar nossa natureza feminina e amá-la! Amá-la porque ela vem do Criador e é isso o que a torna tão bela!
Alimentá-la com rimas e flores, música, imaginação, sonhos... porque também foi Deus quem deu o dom de romantizar às pessoas e o dom de expressar sentimentos em palavras. E a capacidade que as palavras podem ter de ir tão fundo ao coração!
Tudo isso faz parte de nós, "seres femininos" da criação. E não podemos deixar essa beleza permanecer muito tempo distante de nossos olhos - e de nossos corações.
Por isso, estou tendo um "dia cor-de-rosa". E isso é muito bom!
Não, não acho que devemos viver por emoções e tenho absoluta compreensão de que coração sem consciência é um perigo latente. Mas as emoções existem, e devem existir. Precisam. Elas também são companheiras, abrem horizontes, renovam os sorrisos, revigoram esperanças, trazem novas cores...
Precisamos delas tanto quanto precisamos de sonhos - mesmo os mais bobos. Olhar as estrelas e desejar alcançá-las, ainda que saibamos, lá na mente, que elas estão longe demais dos nossos braços. A graça de termos um "coração emocional" é que ele pode chegar onde os braços não chegam. É o sopro do infinito de Deus habitando em nós. Ele nos deu!
Sempre penso em Deus, lá em cima, rindo de minhas "bobices" (como diz uma amiga! =P). Aqueles momentos "flutuantes", sonhos de criança e toda essa manifestação "cor-de-rosa" típica de uma "mulher sonhadora". rs. Não sei se posso estar "teologicamente" errada nisso, mas essa imagem sempre me vem à mente. E falo com Deus: "Pai, o Senhor deve ficar somente rindo de mim, hein? E falando: ' - Essa minha filha é mesmo uma boba!' ". Mas até isso é engraçado, porque parece simplesmente "fazer parte".
No fim, a conclusão é sempre que precisamos aprender o equilíbrio. Dias cheios de razão e, algumas vezes, até mesmo do peso que ela pode trazer. Mas também dias que dêem espaço à nossa "alma feminina" e ao coração. E equilibrá-los. Saber apreciar a beleza que há em ambos - e a necessidade que temos de ambos. E, assim, ir andando.
"Quero tua risada mais gostosa,
esse seu jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa..."
{Vitoriosa, Ivan Lins}
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