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terça-feira, 8 de março de 2016

Especial Dia das Mulheres: As Mulheres no Novo Testamento - Parte 1 – Os Evangelhos


No mês das Mulheres, resolvi fazer algumas postagens especiais retomando o tema que deu origem a este blog: a vida de Mulher Cristã. Foi por isso que este blog foi criado, para tratarmos de assuntos relacionados a essa temática, então é fácil de imaginar o quanto eu gosto desse assunto. E gosto dele por um motivo bem específico: sou mulher. E sou cristã. Portanto, PRECISO descobrir como ser uma Mulher Cristã, segundo a Palavra do meu Deus, e compreender tudo aquilo que Deus deseja ensinar a respeito disso nas Sagradas Escrituras.

Semana passada, fui convidada para ir a uma igreja conduzir um estudo sobre o Panorama da Mulher no Antigo Testamento, iniciando as comemorações deles do mês da mulher. E foi muito bom. Porém, o estudo está estruturado em tópicos, em forma de pregação, por isso ainda será necessário transforma-lo em texto para compartilhar aqui no MV. Contudo, hoje eu gostaria de falar sobre a segunda etapa do assunto: As Mulheres no Novo Testamento, exatamente porque minha meditação foi interrompida, na semana passada e nesta, no contexto do Antigo Testamento. Então, senti o desejo de continuar refletindo sobre o que o Novo Testamento nos ensina sobre a figura da mulher e fazer esse registro acerca das reflexões, antes que elas se percam (rs). E eu quero dividir essa reflexão, esse estudo, em duas partes: as mulheres nos Evangelhos e as mulheres nas cartas apostólicas. Hoje focaremos na primeira parte.

1) As mulheres nos evangelhos
Nessa parte, quero abordar três tópicos: combate ao preconceito; anonimato e liderança masculina (porque, sinto muito, mas não dá pra falar de mulher sem falar do homem, na Bíblia!).

a) Combate ao preconceito: no estudo sobre as mulheres no Antigo Testamento, fiz questão de ressaltar (descreverei aqui em breve) que Deus mostra o valor da mulher no Antigo Testamento sim! Muitos ainda têm reproduzido a falsa verdade de que o Antigo Testamento denigre as mulheres, as menospreza, as desvaloriza, que elas não tinham valor nenhum nos escritos do A.T. Mas isso não é verdade. Ainda que vejamos muitas histórias difíceis de compreender em relação à forma como as mulheres eram tratadas naquela cultura, também vemos Deus protegendo as mulheres de muitas maneiras: colocando homens para cuidarem delas e as protegerem do perigo e de outros homens mal intencionados (e aí vemos pais – homens, e irmãos – homens defendendo a honra das mulheres a ponto de matar pessoas; vemos muitas leis voltadas para a proteção da honra da mulher, de sua pureza; vemos Deus mesmo cuidando de muitas mulheres); além de colocar, como parte dos Sagrados Livros Judaicos, livros como os de Rute e Ester, histórias cujos personagens centrais são mulheres, mesmo numa sociedade patriarcal e considerada por muitos, hoje, como machista. Deus defendeu as mulheres e deu espaço a elas sim. Porém, a liderança havia sido dada aos homens e a lei, muitas vezes, dava brechas para más interpretações e conclusões erradas a respeito das mulheres. E o pecado do ser humano se aproveitou disso e, com o passar do tempo, tornou o chamado para liderança dos homens em um ensino da superioridade do homem, e o chamado para auxiliadora da mulher em um ensino da inferioridade da mulher. Então, na época de Jesus, como em muitas outras épocas, como no próprio A.T., o pecado aproveitou-se da lei e das normas sociais para excluir a mulher. E era assim na época de Jesus. Homens não falavam com mulheres. Elas não podiam se dirigir aos homens em geral. Não podiam ficar no mesmo lugar dos homens na sinagoga. Eram separadas, por serem consideradas inferiores.

Aí aparece Jesus, e se achega a tantas mulheres. A samaritana, a endemoninhada Maria Madalena, a mulher do fluxo de sangue, a pecadora que lhe lavou os pés, as irmãs Marta e Maria que se tornaram Suas amigas, Joana, Suzana e muitas outras. Jesus, homem, aproxima-se delas – e choca aquela sociedade. E choca mais ainda quando muitas dessas mulheres, além de serem consideradas indignas por aquela sociedade por serem mulheres, eram também pecadoras – endemoninhadas, adúlteras, prostitutas, impuras. E Jesus mostra Sua missão de quebrar paradigmas, de chocar aquela sociedade (e, muitas vezes, seus próprios discípulos) e mostrar que o que eles achavam que a Lei estava ensinando estava totalmente equivocado. Não era isso que o A.T. ensinava. E Jesus vem revelar o verdadeiro significado da Lei. Ele vem cumprir a Lei. E a Lei também tinha o propósito de mostrar quanto Deus valorizava a mulher, e por isso a queria proteger – e não menosprezar. Porém, precisamos entender que Jesus não fez isso, não se colocou como quebra de paradigmas, simplesmente porque eram mulheres. Jesus fez isso com as crianças, fez isso com os gentios, com os publicanos, com os cobradores de impostos, com leprosos, com pecadores de uma forma geral... o ensino dessa aproximação de Jesus em direção às mulheres não deve ser motivo para querermos “super-exaltar” a mulher, coloca-la numa posição de superioridade. Não! Porque, diante de Deus, somos todos IGUAIS, como diz Paulo em sua carta aos Gálatas: “Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus.” (Gl. 3.26-28). Portanto, o ensino que exalta o homem está errado, mas o ensino que exalta a mulher também está errado! Diante de Deus, somos todos iguais. Não há homem nem mulher. E foi isso o que Jesus veio ensinar. Ele vê a todos da mesma forma e é assim que devemos ver.


b) Anonimato: Ah, eu confesso que adoro os relatos bíblicos mostrando como as mulheres realizavam seus ministérios no anonimato, durante toda a Bíblia. Porque eu acho o ministério anônimo, escondido, sem holofotes uma das maiores provas de fé e de fidelidade a Deus. Porque é tão fácil dar nosso melhor quando todos estão nos olhando, quando todos nos elogiam e admiram. Mas quando ninguém está vendo nosso serviço sendo realizado, ou quando os seus frutos nunca serão contemplados por grandes multidões, somente fé e total rendição a Deus podem nos manter fiéis. E eu olho para os evangelhos e vejo as mulheres assim. A Bíblia nos diz que havia muitas mulheres que seguiam a Jesus (Lucas 8.2-3; Marcos 15:40-41; Mateus 27.55-56) e cita vários nomes. Só que, raramente, dá mais informações a respeito delas do que seus nomes e algumas poucas características, como com quem eram casadas ou que problemas haviam enfrentado antes de conhecer Jesus. Não sabemos as suas histórias. Sabemos muito pouco sobre como participavam do ministério de Jesus, exceto alguns exemplos, como “Suzana e muitas outras, que o serviam com seus bens” (Lc.8.3).

Até mesmo Maria, a própria mãe de Jesus! Pare e procure o que se fala a respeito de Maria, mãe de Jesus, após o início do ministério de Jesus, em toda a Bíblia. Pouquíssima coisa se fala. E ela era A MÃE DO MESSIAS. Se havia uma mulher, em toda a Bíblia, que poderia ter sido exaltada e colocada sobre destaque, esta era Maria – como os católicos romanos procuraram fazer. Mas não é o que a Palavra de Deus faz. Nem nos evangelhos, nem nas cartas apostólicas, Maria aparece fazendo grandes coisas. Ela também estava contribuindo com o ministério de Jesus nas sombras, no anonimato, como coadjuvante – e não protagonista – da história.

c) Liderança masculina: outro ensino que perpassa toda a Bíblia, iniciando na criação e no Éden, antes da queda. Deus chamou os homens para serem os líderes, e as mulheres para serem suas auxiliadoras. E esse ensino fica claro na vida de uma mulher mencionada nos Evangelhos – a mulher cuja história mais conhecemos: Maria, a mãe de Jesus. Novamente, se havia uma que poderia ter sido levantada por Deus para desconstruir a ideia de que a liderança não foi dada aos homens, mas tanto a homens quanto a mulheres, a pessoa ideal era Maria. Porque ela teve uma experiência sobrenatural incrível com Deus, ficou grávida DO ESPÍRITO SANTO mesmo sendo virgem, e seu próprio cântico disse que “todas as gerações a considerariam bem-aventurada” (Lc. 1.48). Era a mulher ideal. Porém, Deus não fez isso. Havia um homem na vida de Maria, José. Que nem era o pai “verdadeiro” de Jesus. Mas foi a ELE, e não a Maria, que Deus deu a responsabilidade de cuidar daquela família. E vemos em todos os relatos desde a saída de José e Maria de Nazaré para Belém da Judéia, a fuga para o Egito, até o retorno do Egito, era com José que Deus falava e a Ele que Deus dava as ordens a respeito do que aquela família deveria fazer. Era a José que Deus falava em sonhos, dizendo que direção tomar. E Deus lhe dizia: “Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito” (Mt. 2.13), e “Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel” (Lc.2.20). E José, como líder daquela família, tomava sua mulher e seu filho e seguia as ordens de Deus. Ele era o protetor daquela família – daquela mulher e daquela criança – instituído por Deus.

E esse ensino também é visto quando Jesus, já crucificado, olhando para sua mãe, viúva, e pensando em como ela ficaria após a sua morte, olha para João, seu “discípulo amado” e diz: “Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe” (João 19.26-27). Porque nenhuma mulher deveria ficar desamparada, sem o cuidado e a proteção de um homem. Quem cuidaria de Maria depois da morte dele? Então Jesus escolhe Seu discípulo amado, aquele que lhe era como um irmão, e lhe entrega os cuidados de Sua mãe. Ele deveria, a partir daquele momento, cuidar de Maria como se fosse a sua mãe. E, por outro lado, João também não ficaria desamparado, mas contaria com os cuidados da mãe do Cristo como se ele mesmo fosse filho dela. O chamado de Deus aos homens para cuidarem e protegerem as mulheres, como líderes instituídos por Deus.

Outra questão interessante, agora já em Atos dos Apóstolos, mas ainda usando o exemplo de Maria como mulher mais notável dos Evangelhos, é o fato de que, quando o lugar de Judas entre os 12 apóstolos ficou vago, ao considerarem sobre quem assumiria o cargo – aquele cargo de liderança diante dos muitos discípulos que já seguiam a Jesus àquela altura (a Igreja de Cristo já formada pelos que iam sendo salvos) – Pedro falou: “É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco de sua ressurreição” (Atos 1.21-22). Dentre os HOMENS que nos acompanharam todo o tempo. E não é que não houvesse mulheres que tinham vivido todas essas coisas. Acabamos de ver que havia muitas mulheres seguindo Jesus e testemunhando de todas as coisas que os apóstolos testemunharam. Inclusive, quem primeiro viu Jesus ressurreto foram mulheres. Elas não estavam em nada atrás das experiências vividas por aqueles homens. Contudo, elas não foram cotadas para assumir o lugar de Judas. Se usássemos a lógica, Maria seria a pessoa mais indicada, se não importasse para Deus o fato da liderança da Igreja ser exercida por homens ou por mulheres. De todos, ela era quem mais conhecia Jesus, afinal, O havia acompanhado durante toda a vida. Mas nem mesmo ela foi cotada para o cargo. Porque Deus chamou para exercer a liderança, também de Sua Igreja, aos homens.

No próximo texto, destacarei o que as cartas apostólicas nos ensinam a respeito das Mulheres – o que reforçará ainda mais todos estes ensinos do Novo Testamento sobre nós, mulheres.

E, não podendo deixar de aproveitar a oportunidade (quase atrasada): Feliz Dia das Mulheres a todas nós! E que o Espírito Santo possa nos ensinar como viver toda a plenitude e a alegria de nossa identidade feminina dada por Deus! Que nossa feminilidade cristã seja compreendida e vivida com tanta profundidade, gozo e fé que o mundo possa, por causa de nossas vidas, conhecer mais ao Deus a Quem amamos e servimos e render GLÓRIAS A ELE ETERNAMENTE! Que assim seja. Amém.

terça-feira, 29 de março de 2011

Carta à bispa Evônia (Augustus Nicodemus Lopes)

Augustus Nicodemus Lopes

[Nota – é mais uma carta ficticia, gênero que uso como maneira de tornar as minhas idéias mais interessantes para o leitor. Minha esposa não tem (ainda) nenhuma amiga que virou bispa.]


"Minha cara Evônia,

Minha esposa me falou do encontro casual que vocês duas tiveram no shopping semana passada. Ela estava muito feliz em rever você e relembrar os tempos do ginásio e da igreja que vocês frequentavam. Aí ela me contou que você foi consagrada pastora e depois bispa desta outra denominação que você tinha começado a frequentar.

Ela também me mostrou os e-mails que vocês trocaram sobre este assunto, em que você tenta justificar o fato de ser uma pastora e bispa, já que minha esposa tinha estranhado isto na conversa que vocês tiveram. Ela me pediu para ler e comentar seus argumentos e contra-argumentos. Não pretendo ofendê-la de maneira nenhuma – nem mesmo conheço você pessoalmente. Mas faço estes comentários para ver se de alguma forma posso ser útil na sua reflexão sobre o ter aceitado o cargo de pastora e de bispa.

Acho, para começar, que você ser bispa vem de uma atitude de sua comunidade para com as Escrituras, que equivale a considerá-la condicionada à visão patriarcal e machista da época. Ou seja, ela é nossa regra, mas não para todas as coisas. Ao rejeitar o ensinamento da Bíblia sobre liderança, adota-se outro parâmetro, que geralmente é o pensamento e o espírito da época.

E é claro, Evônia, que na nossa cultura a mulher – especialmente as inteligentes e dedicadas como você – ocupa todas as posições de liderança disponíveis, desde CEO de empresas a presidência da República – se a Dilma ganhar. Portanto, sem o ensinamento bíblico como âncora, nada mais natural que as igrejas também coloquem em sua liderança presbíteras, pastoras, bispas e apóstolas.

Mas, a pergunta que você tem que fazer, Evônia, é o que a Bíblia ensina sobre mulheres assumirem a liderança da igreja e se este ensino se aplica aos nossos dias. Não escondo a minha opinião. Para mim, a liderança da igreja foi entregue pelo Senhor Jesus e por seus apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado na Bíblia, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos e não culturais. Reflita no seguinte.

1. Embora mulheres tenham sido juízas e profetisas (Jz 4.4; 2Re 22.14) em Israel nunca foram ungidas, consagradas e ordenadas como sacerdotisas, para cuidar do serviço sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no templo e ensinar o povo de Deus, que eram as funções do sacerdote (Ml 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Felipe (At 21.9; 1Co 11.5), mas não encontramos sacerdotisas, isto é, presbíteras, pastoras, bispas, apóstolas. Apelar à Débora e Hulda, como você fez em seu e-mail, prova somente que Deus pode usar mulheres para falar ao seu povo. Não prova que elas tenham que ser ordenadas.

2. Você disse à minha esposa que Jesus não escolheu mulheres para apóstolas porque ele não queria escandalizar a sociedade machista de sua época. Será, Evônia? O Senhor Jesus rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. Ele falou com mulheres (Jo 8.10-11), inclusive com samaritanas (Jo 4.7), quebrou o sábado (Jo 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mt 7.2), relacionou-se com gentios (Mt 4.15). Se ele achasse que era a coisa certa a fazer, certamente teria escolhido mulheres para constar entre os doze apóstolos que nomeou. Mas, não o fez, apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e serviam, como Maria Madalena, Marta e Maria sua irmã (Lc 8.1-2).

3. Por falar nisto, lembre também que os apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas, escolheram um homem, Matias (At 1.26), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na assembléia, como a própria Maria, mãe de Jesus (At 1.14-15) – que escolha mais lógica do que ela? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidasse das viúvas da igreja, determinaram que fossem escolhidos sete homens, quando o natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6.1-7).

4. Tem mais. Nas instruções que deram às igrejas sobre presbíteros e diáconos, os apóstolos determinaram que eles deveriam ser marido de uma só mulher e deveriam governar bem a casa deles – obviamente eles tinham em mente homens cristãos (1Tm 3.2,12; Tt 1.6) e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como você. E mesmo que reconhecessem o importante e crucial papel da mulher cristã no bom andamento das igrejas, não as colocaram na liderança das comunidades, proibindo que elas ensinassem com a autoridade que era própria do homem (1Tm 2.12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (1Co 14.29-35). Eles também estabeleceram que o homem é o cabeça da mulher (1Co 11.3; Ef 5.23), uma analogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.

5. Você retrucou à minha esposa na troca de e-mails que nenhuma destas passagens se aplica hoje, pois são culturais. Mas, será, Evônia, que estas orientações foram resultado da influência da cultura patriarcalista e machista daquela época nos autores bíblicos? Tomemos Paulo, por exemplo. Será que ele era mesmo um machista, que tinha problemas com as mulheres e suspeitava que elas viviam constantemente tramando para assumir a liderança das igrejas que ele fundou, como você argumentou? Será que um machista deste tipo diria que as mulheres têm direito ao seu próprio marido, que elas têm direitos sexuais iguais ao homem, bem como o direito de separar-se quando o marido resolve abandoná-la? (1Co 7.2-4,15) Um machista determinaria que os homens deveriam amar a própria esposa como amavam a si mesmos? (Ef 5.28,33). Um machista se referiria a uma mulher admitindo que ela tinha sido sua protetora, como Paulo o faz com Febe (Rm 16.1-2)?

6. Agora, se Paulo foi realmente influenciado pela cultura de sua época ao proibir as mulheres de assumir a liderança das igrejas, o que me impede de pensar que a mesma coisa aconteceu quando ele ensinou, por exemplo, que o homossexualismo é uma distorção da natureza acarretada pelo abandono de Deus (Rm 1.24-28) e que os sodomitas e efeminados não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-11)? Você defende também, Evônia, que estas passagens são culturais e que se Paulo vivesse hoje teria outra opinião sobre a homossexualidade? Pergunto isto pois em outras igrejas este argumento está sendo usado.

7. Tem mais, se você ainda tiver um tempinho para me ouvir. As alegações apostólicas não me soam culturais. Paulo argumenta que o homem é o cabeça da mulher a partir de um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando até a mulher (1Co 11.3).[1] Este argumento me parece bem teológico, como aquele que faz uma analogia entre marido e mulher e Cristo e a igreja, “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Não consigo imaginar uma analogia mais teológica do que esta para estabelecer a liderança masculina. E quando Paulo restringe a participação da mulher no ensino autoritativo –que é próprio do homem – argumenta a partir do relato da criação e da queda (1Tm 2.12-14).[2]

8. Você já deve ter percebido que para legitimar sua posição como bispa você teve que dar um jeito neste padrão de liderança exclusiva masculina que é claramente ensinado na Bíblia e na ausência de evidências de que mulheres assumiram esta liderança. Não tem como aceitar ser bispa e ao mesmo tempo manter que a Bíblia toda é a Palavra de Deus para nossos dias. E foi assim que você adotou esta postura de dizer que a liderança exclusiva masculina é resultado da cosmovisão patriarcal e machista dos autores do Antigo e Novo Testamentos, e que portanto não pode ser mais usada em nossos dias, quando os tempos mudaram, e as mulheres se emanciparam e passaram a assumir a liderança em todas as áreas da vida. Em outras palavras, como você mesmo confirmou em seu e-mail, a Bíblia é para você um livro culturalmente condicionado e só devemos aplicar dele aquelas partes que estão em harmonia e consenso com nossa própria cultura. Eu sei que você não disse isto com estas exatas palavras, mas a impressão que fica é que você considera a Bíblia como retrógrada e ultrapassada e que o modelo de liderança que ela ensina não serve de paradigma para a liderança moderna da Igreja de Cristo.

Quando se chega a este nível, então, para mim, a porta está aberta para a entrada de qualquer coisa que seja aceitável em nossa cultura, mesmo que seja condenada nas Escrituras. Como você poderá, como bispa, responder biblicamente aos jovens de sua igreja que disserem que o casamento está ultrapassado e que sexo antes do casamento é normal e mesmo o relacionamento homossexual? Como você vai orientar biblicamente aquele casal que acha normal terem casos fora do casamento, desde que estejam de acordo entre eles, e que acham que adultério é alguma coisa do passado?

Sabe Evônia, você e a sua comunidade não estão sozinhas nessa distorção. Na realidade esse pensamento é também popularizado por seminários de denominações tradicionais e professores de Bíblia que passaram a questionar a infalibilidade das Escrituras, utilizando o método histórico crítico, ensinando em sala de aula que Paulo e os demais autores do Novo Testamento foram influenciados pela visão patriarcal e machista do mundo da época deles. Só podia dar nisso… na hora que os pastores, presbíteros e as próprias igrejas relativizam o ensino das Escrituras, considerando-o preso ao séc. I e irremediavelmente condicionado à visão de mundo antiga, a igreja perde o referencial, o parâmetro, o norte, o prumo – e como ninguém vive sem estas coisas, elege a cultura como guia.

Termino reiterando meu apreço e respeito por você como mulher cristã e pedindo desculpas se não posso me dirigir a você, em nossa correspondência pessoal, como “bispa” Evônia. Espero que meus motivos tenham ficado claros.

Um abraço,

Augustus"

_____________

NOTAS

[1] Esse encadeamento hierárquico se refere à economia da Trindade e trata das diferentes funções assumidas pelas Pessoas da Trindade na salvação do homem. Ontologicamente, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em honra, glória, poder, majestade, como afirmam nossas confissões reformadas.

[2] Veja minha interpretação desta passagem e de outras no artigo da Fides Reformata “Ordenação Feminina”.

Por Augustus Nicodemus Lopes. Website: tempora-mores.blogspot.com


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Homens e mulheres: diferentes e complementares!



"Deus dignificou e honrou as mulheres supinamente na encarnação (Gênesis 3:15). Qualquer preocupação moderna com o que a mulher não pode fazer na Igreja, e não com o que ela pode fazer como serva de Deus (Lucas 1:38), desvaloriza o que Deus honrou.

Os homens e as mulheres são diferentes por desígnio. O debate sobre isso continua, mas, como já vimos, as diferenças são evidentes na natureza, bem como na função. Em parte alguma das Escrituras a subordinação funcional nega a igualdade espiritual, não mais do que o faz nas operações das três pessoas da Trindade.

Os homens e as mulheres são diferentes em sua essência, e estes elementos essenciais são modelados segundo a imagem de Deus (Gênesis 1:27). Os fatores determinantes do homem e da mulher estão escritos em nossos corações (Romanos 2:15), e se desenvolvem nos diferentes mas complementares papéis estabelecidos nas Escrituras. Esses fatores têm caracterizado todas as sociedades humanas estáveis, desde o princípio do tempo.

A nossa sociedade ocidental não é estável. Como Hamlet podemos dizer, "the time is out of joint" (o tempo se desconjuntou). Estaria o evangelismo bíblico aceitando o desafio proposto pelo movimento feminista para restaurar o equilíbrio ordenado por Deus e assim restabelecer os fundamentos da sociedade (1 Timóteo 3:15)?

Só podemos fazer isso quando discutimos questões teológicas e hermenêuticas mantendo os positivos e vibrantes modelos de papéis do que significa ser homem cristão e mulher cristã.

[...]

Será que o conteúdo dos cursos de nossos Institutos Bíblicos e dos nossos sermões sobre este tema se limita ao desafio doutrinário proposto pelo feminismo? Onde se pregam as características distintivas, acaso são pregadas positivamente? E quem está engajado na busca da feminilidade bíblica e da sua atuação prática em nossa cultura pós-moderna? Se há uma guerra a ser vencida, então é necessário dirigir mais pensamento e mais trabalho a estas áreas."


[Retirado do livro "Homens, Mulheres e Autoridade", editores Brian Edwards e Andrew Anderson, Editora PES. Capítulo "As Mulheres são Diferentes", escrito por Sheila Stephen, pags 271-272]

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mulheres da Bíblia: Dorcas - uma mulher amável e amada


Uma reflexão na vida de Dorcas (Atos 9:36-43)

[Por: Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho*]


INTRODUÇÃO

Tabita, no aramaico, e Dorcas, no grego, significam “gazela”. Os dois nomes indicam que esta mulher tinha trânsito em duas culturas. Sua ressurreição é uma das sete da Bíblia, incluindo a de Jesus. As outras foram efetuadas por Elias (1Rs 17.22), Eliseu (2Rs 4.35), Jesus (Mc 5.42, Lc 7.14, Jo 11.44) e Paulo (At 20.10). Dorcas é um modelo não apenas para mulheres, mas para todos os crentes em geral. Vejamos algumas marcas de sua vida.


1. PRIMEIRA MARCA – UMA MULHER AMOROSA

“Cheia de boas obras e esmolas que fazia” (v. 36, VR), ou “usava todo o seu tempo fazendo o bem e ajudando os pobres” (LH). Costurava “vestidos e túnicas” (v. 39). As palavras indicam as roupas de baixo e vestidos. Costureira de mão cheia e completa. Ela fazia o bem. Era conhecida por ajudar. Usava seu talento para ajudar os outros. O que fazemos para os outros com nossa vida? Nossos talentos servem a Deus ou só a nós?


2. SEGUNDA MARCA – UMA MULHER AMADA

Conseqüência. Quem é amoroso é amado. Sua morte causou comoção (v. 39). Pedro se deslocou de Lida para Jope. Quem ama é amado. Muitos pedem amor e reclamam que ninguém os ama. Amor é recíproco. Temos se damos. Ela deu. Teve. O nome indica beleza física. Bonita no caráter. Quem quer ser amado cultive a beleza do caráter, não só a física. Muitos malham em academia e fazem plásticas. Beleza do corpo. E do caráter? É difícil amar uma pessoa feia por dentro. Amamos? Bonitos por dentro?

3. TERCEIRA MARCA – UMA MULHER CRISTÃ

A raiz de tudo: era uma cristã. Tinha visão correta da vida: amar ao Senhor e ser útil. É a única “discípula”, em todo o Novo Testamento. O título tinha o sentido de pessoa especial no evangelho. Teve reconhecimento da igreja. Foi útil na vida. Foi útil na morte (uniu as mulheres ao redor de si) e foi útil na ressuscitação: “muitos creram no Senhor” (v. 42). Isto é o melhor exemplo de um cristão dedicado: sua vida é útil em todos os sentidos. Temos vidas úteis?


CONCLUSÃO

Muitos pensam em vida cristã como receber bênçãos de Deus. Ou fazer barulho no culto. É ter uma vida de utilidade, que leve as pessoas a nos amarem pelo nosso caráter. É ser “cheio de boas obras”. É ser discípulo, aquele que está sempre aprendendo de Jesus. Dorcas, a gazela, era bonita no nome e no caráter. Uma exortação para todos nós, homens e mulheres. Sejamos amáveis para sermos amados. E sejamos úteis porque isto enriquece a vida.


[*Pastor da Igreja Batista Central de Macapá. Obs: minha igreja! xD ]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Mulher e Seu Papel na Liderança do Homem


*imagem do livro "Conte Comigo" de Wanda de Assumpção - super indicação!


Quanto tempo que não escrevo por aqui, não é mesmo? Infelizmente! Como sinto falta de poder estar compartilhando das coisas de Deus com os amigos e irmãos em Cristo que por aqui passam. Mas o tempo tem estado meio corrido e, infelizmente mesmo, não tenho conseguido fazê-lo com a freqüência que gostaria.

Mas, nessa manhã, acordei com este tema em mente. “Mulher e a Liderança do Homem”. Eu não estava estudando nada direcionado a isso na noite anterior ou mesmo ontem durante o dia. Não sei por que acordei pensando nisso, mas, já que há muito tempo não tenho tido um direcionamento ou chamado específico de Deus para escrever algo, achei melhor seguir este e vir escrever.

Sei que esse é um tema que temos abordado muito aqui no blog ultimamente. Pode parecer até meio forçado, meio querer impor essa idéia de submissão da mulher à liderança do homem, porque, basicamente, é sobre isso que a maioria dos últimos posts tem tratado, seja na relação entre homem e mulher no lar e família, seja na igreja. Mas, com toda sinceridade, acho que no entendimento completo e verdadeiro dessa relação está baseado a maior parte de nossos chamados enquanto mulheres – e também do chamado dos homens.

O estabelecimento do chamado de homem e mulher, na Bíblia, acontece no próprio Gênesis, na criação de homem e mulher. Primeiro Deus cria o homem e dá a ele a responsabilidade de cultivar e guardar o jardim do Éden. Deus coloca todo o jardim sob a guarda de Adão, e cada animal que foi criado lhe é submetido para receber o seu devido nome. E, só então, após observar o árduo trabalho ao qual Adão havia sido chamado, Deus declara que não havia para o homem uma auxiliadora que lhe fosse idônea, e que não é bom que o homem esteja só. E lá surgimos nós na história! Fomos criadas para sermos essas auxiliadoras. E, aqui mesmo, nossos papéis enquanto homens e mulheres são definidos.

“Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. [...] Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea.
Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma de suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara do homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe.” (Gênesis 2:15-22)

Por tudo o que já conversamos, discutimos, compartilhamos sobre o papel de submissão da mulher e de liderança do homem dentro do casamento e da família, tenho percebido que já existe uma certa abertura de muitas moças a esse respeito. Tenho tido a alegria de conhecer mulheres de Deus que tem dito Sim a esse chamado para serem submissas a seus esposos, e tem até mesmo se regozijado nisso. Agradeço muito a Deus por estar nos ensinando isso. Mas também acho que ainda há muito mais para aprendermos.

Nesse âmbito do lar, a liderança masculina deve abranger os mais diversos aspectos. John Piper, numa pregação na 10ª edição da Conferência para Pastores e Líderes da Editora Fiel, em ............, fez uma abordagem incrível sobre essa temática ¹. Falando sobre o papel de cabeça do homem, ele citava algumas responsabilidades do homem como liderar a vida espiritual da família, tomar a iniciativa de realizar as devocionais em família, reunir todos para isso, dividir tarefas, estar atento e certo da direção da educação integral dos filhos, entre outras coisas.

E, aí, nestas responsabilidades esperadas do homem dentro da família, como o líder, eu gostaria de parar um pouco mais.

Nós sabemos que Deus tem chamado os homens para serem os líderes das famílias. No entanto, nenhum homem já nasce indo para um casamento. O tempo para assumir esse papel de líder dentro de um lar chega após anos e anos, 20 e poucos anos de vida. E estes 20 e poucos anos de vida que antecedem o assumir de sua liderança marital e paternal são anos essenciais para o correto desempenhar dessas funções. São os anos de treinamento. E, durante esse tempo, onde estão esses homens? Eles estão NAS IGREJAS. Estão nos seus lares também? Sim. Serão treinados lá também? Sim, é claro. Mas lá, dentro dos lares, já deve haver um líder – o seu pai. O papel de liderar a família não é do filho, mas do pai, e isso limita um pouco o treinamento de liderança prática dentro do lar. Mas nós temos a Igreja. E eu acredito que este deve (ou deveria) ser o ambiente principal para que essa liderança masculina fosse estimulada e direcionada.

Lendo livros que tratam sobre casamento, ouvindo mensagens sobre esse assunto, pude perceber que existe uma queixa feminina que se repete consecutivamente: “Meu marido não toma a iniciativa em nossa vida espiritual!”. Como esse comentário frustrado é comum. E, então, vemos mulheres fazendo de tudo para fazer que seus maridos se tornem “mais espirituais”, na esperança de que eles tomem a iniciativa de orar, de ler a Bíblia com elas, de fazer um momento devocional no lar. Normalmente, são as mulheres que estão fazendo isso nas famílias atuais. E chega um momento em que isso as frustra, porque elas esperavam que seus esposos fizessem isso. Porque essa não é a função designada primariamente a elas, mas aos homens, que deveriam ser os líderes.

No entanto, para descobrir o motivo disso estar acontecendo nas famílias de nossos tempos, não precisamos ir muito longe. Basta irmos às nossas igrejas. E veremos esse quadro se repetindo. Lá, onde a liderança masculina deveria ser incentivada, desenvolvida e fortalecida, onde eles deveriam estar sendo treinados, enquanto solteiros, para o papel que deveriam assumir dentro de suas famílias no futuro, o que vemos? As mulheres à frente da maioria das coisas! Eu tenho visto isso acontecer com muita freqüência, e com muita tristeza, nas igrejas ao meu redor. Quão imaturos são os rapazes, adolescentes e jovens, geralmente tão despreparados, quando não são extremamente tímidos e acanhados, com medo de ir à frente e dar uma palavra forte a respeito da Bíblia, assumindo cargos com irresponsabilidade e irreverência. Enquanto isso, olhamos as moças e lá estão elas: como parecem espirituais, sérias, empenhadas, sempre tem uma boa palavra, gostam de falar, de se expressar, de estar ativas...

Eu costumo dizer que nós, mulheres, gostamos de aparecer! Digo pros rapazes: não nos dêem corda senão a gente coloca vocês no banco! rsrs... Mas, ainda que brincando, isso é um pouco verdade. Enquanto existe uma forte tendência em nós, mulheres, de querermos assumir a liderança, resolver os problemas, enquanto somos tão disponíveis a trabalhar na igreja, receber responsabilidades, existe uma forte tendência nos homens de se acomodar, de se fechar e viver mais interiorizado, ao invés de viver responsabilidades coletivas. Quem nunca ouviu as célebres frases femininas: “Ele não se abre comigo!”, “Ele parece não se importar!”, “Ele nunca decide nada!”, “Eu sempre tenho que tomar a iniciativa!”, e etc. É claro que existem exceções e, na verdade, ambas as coisas são falhas que precisam ser corrigidas. Acredito mesmo que essa seja a razão porque Deus determinou a liderança como papel do homem e a submissão como o papel da mulher – para nos tirar de nossas tendências naturais e nos fazer ir além no desenvolvimento de nossos potenciais e dos potenciais do outro.

Assim, se nós, mulheres, esperamos que nossos maridos sejam os líderes que eles foram chamados a ser dentro de nossas famílias, precisamos nos perguntar de que forma temos contribuído pra isso HOJE. E minha opinião é que a forma de contribuirmos com isso hoje, ainda sem conhecer nossos futuros cônjuges, é ajudar nossos irmãos em Cristo, dentro de nossas igrejas, a desenvolverem suas capacidades de liderança. Nós, enquanto mulheres, deveríamos ansiar por ver os homens de nossas igrejas se tornando líderes cada vez melhores, tomando a frente, tendo as iniciativas, coordenando os trabalhos, tomando decisões, sendo ousados na pregação da Palavra, ou seja, saindo do ócio e da passividade – quando não, da imaturidade. Isso não quer dizer que devemos deixar de fazer tudo! Também existe um chamado para nós: sermos as auxiliadoras. Então, auxiliemos, o quanto pudermos, os trabalhos de nossos líderes, ajudemos nossos irmãos a chegarem ao máximo de seu potencial, trabalhemos junto com eles... e isso quer dizer: dar a prioridade a eles.

Sei que isso pode (e provavelmente vai) fazer surgir comentários ofendidos de algumas mulheres, mas ainda assim, vou falar. Já se tornou tão comum vermos sempre mulheres liderando o louvor nas igrejas evangélicas (pelo menos aqui no Brasil), que essa era uma coisa que eu praticamente nem notava (como a maioria, eu imagino). No entanto, há pouco tempo, tenho tido a oportunidade de conhecer algumas igrejas onde o louvor é liderado por rapazes. Aqui bem pertinho da minha casa tem uma igreja assim. E, de verdade, eu fiquei encantada e tão feliz ao ver aquilo. Não sei, mas é diferente! É tão bonito ver homens, que geralmente são tão fechados e com mais tendência à timidez, à frente de toda a igreja, dirigindo um momento tão íntimo como o louvor, com autoridade, com Bíblia, com fé! Eu tenho tido muita dificuldade com os “louvores” das igrejas em geral, mas nessa igreja é diferente. Não somente porque são rapazes dirigindo, porque também existem duas moças que cantam, mas elas estão lá nitidamente como “auxiliadoras” mesmo, mas porque é realmente diferente. E eu anseio ver isso acontecendo com mais freqüência. Até mesmo porque as mulheres tendem a ser um pouco “sentimentalistas” demais, apelando mais pro emocional, e isso não me agrada muito. Os homens, por alguma característica pessoal do gênero, tendem a ser mais sérios e centrados, e esse equilíbrio eu sinto faltar muito nos “louvores modernos”.

Existem muitas e muitas e muitas outras áreas dentro das igrejas nas quais vemos as mulheres liderando, as quais eu acredito mesmo que os rapazes deveriam ser estimulados e treinados a liderar: ministério de jovens e adolescentes, oração, grupos pequenos, ministração da Palavra, etc. Ainda tenho esperanças de ver isso acontecendo. Não com pesar da parte das mulheres, mas com alegria em saber que estão ajudando a treinar os futuros esposos e líderes de famílias que a Igreja de Cristo tanto precisa.

Finalizo com uma de minhas frases favoritas de Wanda de Assumpção, essa incrível autora que tem me ensinado muitíssimo a respeito de meu chamado enquanto mulher:

“Ao redescobrir e aceitar a profundidade, abrangência e transcendência do seu papel de ajudadora, a mulher se liberta e realiza. Ela vê oportunidade em lugar de obrigação. Deixa de competir para complementar. Ser mulher é um privilégio e uma nobre missão.”


Que a Graça e a Paz do Senhor estejam sempre conosco!

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*¹ Ministrações de John Piper na Conferência Fiel disponíveis para compra ou download em: http://www.editorafiel.com.br/videoteca_data.php  

sábado, 29 de maio de 2010

As Mulheres (Anônimas) da História da Igreja



Incrível como várias coisas, durante essa semana, acabaram me direcionando e ministrando na minha vida a respeito desse assunto.

Nesses últimos dias, voltei a ler um livro que trata da história da Igreja e da Reforma Protestante. Na verdade, já há algum tempo venho lendo, ouvindo mensagens e buscando aprender sobre as coisas que Deus tem feito no decorrer da história da igreja Cristã, através da Reforma, dos Avivamentos, e através de grandes homens de Deus e pregadores defensores da fé. Tem sido algo maravilhoso. Viver uma fé sobre a qual conhecemos a história, as lutas em sua defesa, os preços que foram e têm sido pagos, os altos padrões de vida cristã é algo essencial, uma fonte enorme de crescimento quando direcionada pelo Espírito Santo.

E, nesses dias, voltei a ler sobre os reformadores. Estive lendo sobre a vida de Lutero, Zuínglio e Calvino, em especial, e o preço que esses homens pagaram pra que vivêssemos, hoje, a fé cristã como vivemos. E, entre muitas e muitas coisas, fiquei pensando como é possível que uma pessoa se disponha a fazer o que eles fizeram. Eles eram homens que viviam em épocas totalmente fechadas a críticas, onde a igreja católica romana e o poder papal controlavam tudo, não apenas a vida religiosa, mas também estavam intimamente relacionadas aos poderes políticos, imperiais, sociais. Mas, mesmo assim, estes homens se levantaram contra o maior poder de sua época e o combateram. Lutaram pela Verdade da Palavra em detrimento de suas próprias vidas. Deram tudo que tinham. E eu fiquei pensando de onde vinha toda essa coragem.

E, então, me lembrei de cada pessoa usada por Deus para escrever a história da Sua Igreja no mundo. Os Profetas, Jesus, os Discípulos e Apóstolos, os Mártires, os primeiros Missionários e Evangelistas, os Avivalistas... tudo o que vivemos hoje em nossas igrejas cristãs, devemos a eles (em Deus) e seus sacrifícios.

No entanto, vocês já pararam pra observar e pensar como que essas pessoas que têm escrito a história da Igreja, desde o princípio, foram HOMENS? Noé, Abraão, Moisés, Davi, Isaias, Jeremias, Daniel, Jesus, Paulo, Pedro, João, Lutero, Zuinglio, Agostinho, Jonathan Edwards, John Wesley, e lá vamos nós...

E, de repente, durante minhas meditações sobre as vidas destes homens tão poderosamente usados por Deus para MUDAR A HISTÓRIA DO MUNDO, eu parei. Parei mesmo, e uma única questão explodiu no meu coração:

“Onde estavam as mulheres de Deus durante todo esse tempo?”

E comecei a pensar sobre isso. Pensei na Bíblia. Quão pouco se fala sobre as mulheres piedosas e cristãs da igreja primitiva na Bíblia, especialmente após a morte e ressurreição de Jesus. Onde estava Maria, a mãe de Jesus, onde estava Maria Madalena, Marta e sua irmã Maria, a mulher Samaritana e todas as mulheres que seguiam Jesus? O que houve com elas? O que elas estavam fazendo? Havia tanta coisa acontecendo naquele momento da história da Igreja e nós, simplesmente, não mais ouvimos falar sobre estas, sem dúvida, tão grandes mulheres...

Depois parei e pensei num fato alarmante (pra mim, pra essa reflexão): grande parte, pra não dizer a maioria, destes homens que construíram a história de Deus no mundo era CASADA! Eles eram homens CASADOS! Noé foi casado, Moisés foi casado, Davi foi casado, Pedro foi casado, João foi casado, Lutero, Zuinglio, Calvino, J. Edwards foram casados! E, então, mais uma vez, e de forma ainda mais intensa, meu coração gritou perguntando: “Onde estavam essas mulheres, Senhor?!”

Pare e pense: nós sequer sabemos o NOME da esposa de Noé, de Pedro, de João ou dos demais Apóstolos! Não sabemos quem foram suas MÃES. Dentre todas as mulheres de Deus que houve na história, de quantas nós sabemos os nomes? E, dentre essas cujos nomes são citados, de quantas nós conhecemos as histórias? Se a Bíblia nos fala de um ou outro acontecimento de suas vidas, com algumas poucas exceções, é muito. Até mesmo Maria, a mulher escolhida por Deus para ser a MÃE DO SALVADOR, quão poucas vezes ela é mencionada, ou sua vida cotidiana, ou sua colaboração para a difusão do Evangelho, após, e mesmo durante, a vida ministerial de seu Filho! Nós nem sabemos o que houve com ela depois que Jesus morreu, com raríssimas informações... e quantas outras mães, esposas, auxiliadoras que nunca chegaremos a conhecer? Quantas outras mulheres virtuosas, piedosas e verdadeiramente cristãs...

Eu olhei, e olho, pras vidas destes homens que ficaram tão conhecidos por participarem da Reforma, de novos conceitos e entendimentos para a Fé Cristã, de grandes Avivamentos mundiais, e fico pensando em como esses homens podem ter casado! Que mulheres eram essas?! Eu nem consigo imaginar a grandeza destas mulheres e quanto suas vidas deveriam ser devotadas a Deus! Mas ninguém sabe seus nomes. A maioria de nós nem sabemos que elas existiram nas vidas desses homens. Enquanto seus maridos estavam lá fora revolucionando o mundo... onde estavam essas mulheres?

E eu simplesmente parei. Porque eu sabia onde elas estavam. Meu coração sabia disso. Elas estavam no ANONIMATO, nos “bastidores”, “por trás das cortinas”, lá onde ninguém as podia ver... e era lá que elas estavam lutando pelo Reino! Talvez elas soubessem, ou não, que, um dia, os nomes de seus maridos seriam mundialmente reconhecidos, de geração a geração, mas que seus nomes comumente sequer seriam mencionados. Mas elas estavam lá. Ninguém falou das dores que elas sentiam ao ver seus maridos, ou seus filhos, sendo perseguidos, maltratados, injustiçados e assassinados por defender o Evangelho. Ninguém falou da batalha que elas precisavam lutar todos os dias pra criar seus filhos, pra apoiar seus maridos em suas lutas, pra ser o conforto, o refúgio no meio da guerra. Ninguém falou dos momentos de solidão que elas viveram, do quanto elas sentiram falta da presença ou do afeto de seus esposos, do quanto elas ficaram sós. Mas... elas estavam lá. E essas eram apenas algumas de suas lutas. Seus maridos e filhos estavam lá fora, lutando. E elas estavam lá dentro, mas também lutando.

Li, hoje, pela primeira vez, um texto de Noel Piper, a esposa de John Piper, um dos maiores pregadores cristãos de nosso século. Que grande e admirável homem! Mas quantos dos cristãos que conhecem tão bem os textos de John Piper nunca conheceram a vida de Noel? ... Penso na vida de Liza Fromholz, a esposa do Jeff Fromholz, um grande e admirável homem de Deus no Brasil... quão pouco Liza aparece! Não ouvimos falar sobre ela, não a ouvimos pregar ou escrever grandes reflexões, não vemos suas fotos ou comentários sobre qualquer coisa... E como eu admiro essas mulheres!

E eu fico pensando em quanta sabedoria eu mesma preciso receber de Deus pra aprender a ser assim. Quantas vezes, ao ler todas essas histórias, eu sinto um desejo tão grande de ser como esses HOMENS – quero ir pra frente de batalha, empunhar a espada e lutar ardentemente! Eu quero fazer parte desses “heróis” cujos nomes todo mundo conhece, cujas ações todos estarão vendo e sobre os quais todos se lembrarão! Mas... e se Deus me chamar para ser uma dessas mulheres ANÔNIMAS? Será que eu aceito? Será mesmo que eu quero? Será que, se o chamado de Deus pra mim for este, eu aceito de coração nunca ser reconhecida por ninguém, nunca ter o meu nome lembrado e ser, aos olhos do mundo, apenas uma “sombra do meu esposo”?

Isso não é romântico, não é lindo e maravilhoso como nossos sonhos femininos de esposas super amadas e valorizadas e vistas em todos os aspectos. Mas é real. Houve, na Bíblia, UMA Sara, UMA Raquel, UMA Rebeca, UMA Ester, UMA Rute, UMA Débora. Mas quantas centenas e milhares de grandes mulheres cujas histórias nós jamais conheceremos? Sem dúvida, foram GRANDES mulheres! Mulheres que suportaram toda a dor de ver seus maridos morrendo por amor ao Evangelho de Cristo. As “Mulheres dos Heróis”. Mas elas estavam lá. E não é diferente hoje...

Portanto, eu pergunto a mim mesma, e pergunto a cada uma das Mulheres Virtuosas que o Senhor tem levantado nessa geração: estamos dispostas a sermos as Mulheres ANÔNIMAS da História da Igreja?

Eu quero muito, em Cristo e Sua soberana Graça, aprender com estas mulheres que nunca conheci. Aprender a regozijar-me no silêncio, na sombra, no anonimato, onde ninguém me vê. Aprender a deixar a honra ao herói que o Senhor escolher para que eu apóie e ajude, assim como a Igreja deve deixar toda a honra para Cristo. Mas sei que isso não é fácil. Não, nem um pouco! Não é utópico e romântico como eu costumo imaginar... mas é, sim, sem dúvida, lindo, como foi linda a atitude de Jesus em lavar os pés de seus discípulos e, assim, nos ensinar a servir e não a sermos servidos.

Buscando aprender...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pedalando juntos numa bicicleta para dois...


Palavras sábias para mulheres - Parte 3 - Pedalando Juntos numa Bicicleta para Dois (1)

As palavras sábias de hoje são da Noel Piper(2) e são endereçadas particularmente a mulheres casadas, mas não exclusivamente. Como eu disse a uma amiga outro dia: “Gostaria que alguém tivesse compartilhado comigo estas coisas quando eu era solteira e estava pensando sobre casamento.”

Noel descreve suas reflexões como "lições aleatórias". Elas são intelectualmente instigantes e cheias de sabedoria à medida que buscamos viajar na “bicicleta para dois” do matrimônio.

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John & Noel numa bicicleta para dois (3)

 
"Protetor solar, capacetes afivelados, pedais em sincronia e nós estávamos a caminho. Depois de alguns minutos, Johnny chamou por cima do ombro, "Você está indo muito bem para sua primeira vez em uma bicicleta para dois." Sem nem pensar eu respondi: "Eu acho que todos estes anos de casamento foram um bom treinamento."

 
Aqui estão algumas lições casuais que eu aprendi na semana passada enquanto pedalava pela trilha do Cannon Valley com meu marido em uma bicicleta feita para dois:

 
• Se eu jogasse meu peso pra todo lado, nós cambaleávamos e saíamos da trilha.

 
• O enjôo inicial aliviou quando eu deixei de resistir e deixei Johnny inclinar a bicicleta nas curvas e voltas do caminho.

 
• Freqüentemente eu sentia como se realmente não estivesse ajudando muito. Mas eu tinha que fazer minha parte, porque se eu erguesse meus pés, Johnny sentia e perguntava: “Você ainda está aí?"


• Meu instinto era pedalar mais forte pra ter certeza de que estava contribuindo com a minha parte do esforço. Mas quando eu fazia isso, Johnny dizia: "Mais devagar. Não me empurre tão rápido."

 
• Olhando sobre os ombros dele, eu podia ver muito do que ele via, mas não o que estava imediatamente à nossa frente. Era bom que ele fosse a pessoa dirigindo, freando e trocando as marchas. Por outro lado, eu estava mais livre para olhar em volta e mostrar as placas que marcavam as distâncias e as tartarugas tomando banho de sol num tronco.


• Eu não podia frear ou guiar, mas eu tinha o poder para parar a bicicleta e arruinar o passeio. Se eu ficasse parada nos pedais e me recusasse a movê-los, ele não podia fazê-los girar.

 
• Eu amava quando estávamos em solo plano e usando uma marcha fixa e um pedalar lento e firme que nos empurrava adiante. Mas eu precisava de um aviso quando Johnny tomava um rumo que requeria pedaladas rápidas. Quando eu era pega de surpresa, meus pés soltavam dos pedais e era difícil colocá-los de volta no lugar sem complicar a subida numa colina íngreme.

 
• Quando percebia que estava agarrando o guidão, eu tinha que me lembrar: "Largue isso! Você sempre quis pedalar com 'nenhuma mão'. Agora você pode!"

 
• Quando eu estava pronta para voltar, Johnny estava querendo ir mais uma milha. Quando eu estava pronta para parar com tranqüilidade, ele dizia: ”Vamos ver se conseguimos bater o nosso recorde." Com este tipo de incentivo, eu faço o que nunca teria feito se estivesse sozinha.

 
• Perto do fim, quando vi mais uma colina e abri minha boca para dizer, "Deixe-me descer. Eu subo à pé." Então eu percebi como nós pareceríamos tolos: eu lenta e sozinha e ele tentando pedalar por dois. Portanto, me calei e continuei pedalando.

 
• E descobri que quando pedalamos juntos, declives impossíveis tornam-se possíveis.

 
Talvez o compositor do século 19 fosse mais sábio do que imaginava quando criou a proposta de casamento que dizia, "Você parecerá doce no assento de uma bicicleta feita para dois.”(4) Me faz pensar no que Paulo escreveu em Efésios 5:22-24:

 
"As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido."

 
Palavras como estas em nosso mundo de hoje são consideradas tudo menos sábias; mais como tolas. Por que motivo nós iríamos querer nos submeter a qualquer um, muito menos a nossos maridos? 'Submissão' é quase uma 'palavra obscena'. Significa que uma pessoa tem menos valor que a outra, é inferior. Ainda assim, quando fechamos nossos ouvidos ao que o mundo nos diz e abrimos nossos olhos e lemos a palavra de Deus, o conceito de submissão na providência de Deus está longe de negativo.


A palavra de Deus nos instrui em Gênesis 1:26 que Deus fez macho e fêmea à sua própria imagem. Então, homens e mulheres desfrutam igualmente de humanidade, dignidade e valor. Com respeito à nossa posição diante de Deus não há nenhum traço de superioridade ou inferioridade.

 
Isto não quer dizer que homens e mulheres são exatamente iguais. Uma das maneiras em que Deus concebeu as mulheres é para refletirem aquela igualdade de humanidade de um modo diferente dos homens. Deus nos fez para sermos "auxiliadoras idôneas" (Gênesis 2:20) e os homens para assumirem um papel de liderança. Quando homens e mulheres se levantam e assumem sua verdadeira masculinidade e feminilidade, como planejada por Deus, "eles estarão verdadeiramente satisfeitos e a sabedoria de Deus na criação será plenamente revelada e exaltada." (John Piper)


Quando o mundo nos diz que igualdade não pode ser sustentada com uma ordem de liderança e submissão, nós temos que considerar novamente não só o que a palavra de Deus diz, mas como o Pai, o Filho e o Espírito Santo refletem esta verdade perfeitamente. Bruce Ware escreve:

 
"A estrutura de autoridade e obediência não somente é estabelecida por Deus, mas, mais do que isso, existe na própria vida trinitária interna de Deus, como o Pai estabelece sua vontade e o Filho alegremente obedece. Por isso, nós não deveríamos menosprezar, mas deveríamos abraçar linhas de autoridade e obediência apropriadas. No lar, na comunidade dos crentes e na sociedade, linhas legítimas de autoridade são boas, sábias e lindas reflexões da realidade que é o próprio Deus... nós precisamos enxergar não só a autoridade, mas também a submissão como divinas."


Isto não é refletido somente na vida de Deus; o próprio Cristo nos dá exemplos de como são a verdadeira liderança e submissão. Jesus Cristo nos mostra o jeito certo de liderar e o modo correto de submeter-se.

 
Assim, a Bíblia nos instrui claramente de três maneiras. Aqui eu estou resumindo do livro de Wayne Grudem, Evangelical Feminism and Biblical Truth (Feminismo Evangélico e Verdade Bíblica):


1. Corrige os erros de domínio masculino e superioridade masculina que vêm como resultado do pecado.

 
2. Como homens e mulheres, que são iguais aos olhos de Deus, ninguém deveria se sentir orgulhoso ou superior por ser homem, e ninguém deveria se sentir desapontada ou inferior por ser mulher.


3. Quando homens e mulheres não escutam um ao outro com consideração e respeito, não valorizam a sabedoria que pode vir de outra forma e ser expressa diferentemente do outro ou não valorizam os diferentes dons e preferências do outro tanto quanto seus próprios, eles negligenciam o ensino de igualdade na imagem de Deus.

 
Ponderemos estas verdades novamente, levando-as para nossas vidas e casamentos para que possamos refletir o propósito de Deus para nós como os homens e mulheres, aceitando o Seu plano como "muito bom."


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(1) Este é o terceiro de uma série de 7 posts publicados no blog titus2talk todas as quartas feiras no período entre 10/01/07 a 07/03/07

(2) Noel Piper é esposa de John Piper

(3) John & Noel Riding in Tandem

(4) Frase de uma música popular escrita por um compositor inglês (Harry Dacre) no século 19

 

Indicação: Site "Bom Caminho Mulher"

Pessoal, acabei de descobrir um site maravilhoso voltado para nós, mulheres cristãs!! Acho mesmo que este é um dos melhores espaços voltados para a edificação da Mulher Bíblica que encontrei até aqui. Portanto, gostaria de indicar esse site a vocês com muito entusiasmo e felicidade, para que continuemos a crescer e aprender a viver todos os planos que Deus tem para nossa feminilidade.

Com vocês, Bom Caminho - Mulher:



quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mulher Virtuosa - por Paul Washer

Mulher Virtuosa – por Paul Washer

Deixe-me dizer algo antes de começarmos, pois eu tenho falado primariamente sobre rapazes.
Deixe-me dizer algo sobre moças.

Tenho perguntado aos rapazes: “Você é um homem?”
Eu pergunto às moças: “Você é uma mulher?”. Você é uma mulher?

Existe uma grande honra, existe uma enorme honra em se tornar uma mulher virtuosa de Deus. E eu não vou me posicionar a favor do feminismo e de todos os outros canalhas que literalmente tentam... Você sabia que a maioria das mulheres que ensinam essas coisas, as feministas e tudo mais, elas odeiam as mulheres. Elas não amam as mulheres. Elas odeiam as mulheres e querem ser como homens.

A questão é que você nasceu para ser uma mulher, uma mulher de Deus, para ter conforto e alegria e definir a glória na plena manifestação do caráter feminino.

E quando você é despertada para amar, é para firmar a si mesma do lado de sua mãe, firmar a si mesma ao lado de outra mulher de Deus na igreja e descobrir o que significa ser uma mulher. A força disso, a feminilidade disso, a nobreza disso. Tudo sobre ser uma mulher.

Você compreende que por termos permitido que nossas meninas se envolvessem aos 14 ou 13 anos, a idade só continua diminuindo, nós as permitimos que se envolvam em relacionamentos, e o que estamos fazendo? Nós as mantemos distantes de toda ferramenta de aprendizado do caráter feminino!

Poderia ser tão bonito! Não deve ser tão sombrio!

Relacionamento com o sexo oposto é sempre iniciado pelo homem nas Escrituras. Eles são iniciados pelos homens...

Eu tenho visto que mulheres e meninas têm se tornado muito ousadas e descaradas e sem embaraço nessa área. Mas nas Escrituras – não é uma coisa cultural, é algo bíblico – os relacionamentos são sempre iniciados pelos rapazes. Diz: “Por esta razão, deixará o homem seu pai e sua mãe”. Não diz: “Por esta razão, deixará a mulher seu pai e sua mãe”. Mas o homem, não um garoto, um homem deixará seu pai e sua mãe. Além disso, nas Escrituras, toda vez que uma mulher persegue um homem ela é considerada imoral. Toda vez. Toda vez.

Você diz: “Bem isto vai totalmente contra nossa cultura”. Você não esperava isso? Se a nossa cultura odeia Deus e odeia a verdade, você não deveria esperar isso?

E, mulheres, olhem isto, as feministas irão dizer que vocês devem ter esse privilégio. Você percebe? Por que você deveria ter de assumir o papel do homem? Você é a rainha sentada lá no trono. Ele é quem deve vir rastejando até você! Ele é quem deve vir procurar você, achar você! Por que você quer correr pelas ruas fazendo a mesma coisa? Existe uma nobreza nisto!

Mas os inimigos da Escritura irão procurar tomar algo como isto e torcer e convencer você que estão tratando as mulheres como algo de menor qualidade. Não! Estão tratando a mulher como algo de maior nobreza e qualidade. Por sinal, uma das maneiras em que você vai saber se esta pessoa é a pessoa que Deus tem para você é esta: Eles irão estimular a sua caminhada espiritual, não tirá-la de você.

Eis aqui algumas importantes questões que sempre pergunto aos rapazes:

Número um: Você está atraído por ela por uma beleza bíblica ou está atraído por sua sensualidade? Sensualidade procede de um coração perverso. Marcos 7, 21-23: “Porque de dentro do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia*, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura”. Igualmente, a sensualidade é uma obra da carne, em Gálatas 5:19: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia*”. Uma mulher pode ser devidamente chamada bonita, uma mulher pode ser devidamente chamada elegante, mas uma mulher que é sensual possui um coração maligno... Tem um coração maligno! Eu sei pessoalmente. Minha esposa e eu temos discutido muito isso porque ela fala a jovens meninas e tal, e eu conheço muitas, muitas mulheres que quando você olha pra elas você pensaria consigo mesmo “Que bela e elegante dama”. E, honestamente, como um homem de Deus, é tudo o que você poderia pensar. Uma bonita, elegante, refinada... E existem outras mulheres, rapazes, que não carregam metade da beleza física, que se você é um homem de Deus, você olha e no momento em que você vê ela entrando na igreja , você tem de olhar para baixo por causa da sensualidade saindo de seu coração. Pessoal, isto é verdade! E todos aceitam isso do jeito que é. Rapazes, fujam da sensualidade! Fujam da sensualidade, pois a sensualidade é somente um anúncio público da condição do coração. Fujam disso!

E moças, fujam da sensualidade, fujam da sensualidade achada em rapazes, pois está lá também. Se qualquer um se veste ou age de modo a promover a moldura de seu corpo, é sensualidade. É, sim!

Beleza, sim! Nós deveríamos ser pessoas bonitas. A mulher de Provérbios 31, tudo indica que ela tinha uma nobreza real. Beleza na Escritura... Muitas das esposas dos patriarcas eram consideradas belas, e era considerada uma virtude a mais. Mas sensualidade... Se você é atraído por isso, rapaz, é além de tudo uma indicação do seu próprio coração. E você está mordendo um fruto que é proibido pra você, e terminará se tornando uma pedra em seu estômago.

Ora, eu também disse “Você está atraído por ela por causa da beleza bíblica ou pela sensualidade?”. Segundo: Você está atraído pela virtude dela ou por sua personalidade? Mesmo boas personalidades podem ser enganadoras. Muito enganadoras... Você não deve procurar por personalidade. Você deve procurar por virtude! Por virtude... A Bíblia diz, em Provérbios 31:10: “Mulher Virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis”. Virtuosa! Conforme os anos passam, rapazes... Eu quero lhes dizer algo, me ouçam atentamente: Não será o físico que irá permanecer em sua mulher, será a virtude. Será a virtude! Quando você vir se Cristo realmente habita em seu coração, rapazes, então vocês serão atraídos pelo Cristo que é manifesto na vida dela.
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Palavra em áudio ministrada por Paul Washer, traduzida pelo site Voltemos ao Evangelho, transcrita por mim. Assista o belíssimo vídeo desta mensagem em: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com/2010/05/estao-minhas-maos-limpas-paul-washer.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+VoltemosAoEvangelho+%28Voltemos+ao+Evangelho%29

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mais lenha na fogueira... "Pastora III: Refletindo a Deforma Protestante"

Eu AMO ser Mulher e, de verdade, quero muito saber o que Deus intenciona que eu seja e faça através dEle e por Ele aqui na Terra. Quero saber porque estou aqui e qual a minha missão, e até que ponto minha missão, enquanto Mulher, é diferente da missão dos Homens. Tenho entendido de forma muito clara, em todos os estudos que tenho feito sobre os papéis dos Homens e das Mulheres em todos os aspectos da vida que, quando um começa a querer "meter o dedo" no que é do outro, quando um começa a usurpar o papel do outro, as coisas começam a desandar. É o que temos visto tão claramente na nossa sociedade feminista.

É por esse motivo que continuo insistindo neste assunto de "Pastoras". Meu desejo é que possamos refletir sobre qual a função MINISTERIAL, dentro do CORPO DE CRISTO, que Deus intencionou para nós, Mulheres. Confesso que não tem sido fácil pra mim compreender isso, ou a totalidade disso, principalmente porque NINGUÉM trata desse assunto hoje em dia! Confesso que, ao postar sobre esse tema, eu tinha (ainda tenho) esperanças de que algumas pessoas pudessem se posicionar e pudéssemos, todos juntos, tentar chegar a algum entendimento Bíblico e direcionado pelo Espírito Santo. É o motivo é que eu também tenho muitas dúvidas. Mas quero muito poder esclarecê-las, porque não quero viver aquilo que Deus não criou para que EU vivesse. Não quero usurpar o espaço de ninguém, muito menos viver práticas anti-bíblicas.

Então, mais uma vez, gostaria de convidar a todos, especialmente as Mulheres (mas os Homens também) a refletirmos sobre esse assunto. Peço a Deus que o Espírito Santo dEle que habita em cada um (e uma) de nós possa nos guiar às respostas corretas, abrir nossos olhos e nos dar discernimento e sabedoria pra assumir onde temos errado e onde temos acertado. Espero poder conhecer suas opiniões a esse respeito, de todo o coração. Que possamos juntas encontrar o caminho que Deus criou para que nós trilhássemos e, em tudo, obedecer unicamente a Ele, e glorificá-Lo com toda nossas vidas!

Sei que essa é uma briga que estou comprando e que, talvez, algumas das leitoras do blog (talvez até mesmo homens) possam ficar contrariados ao ler os posicionamentos a esse respeito. Mas, acho que isso é mais do que importante - é necessário! Então, escolho colocar minha mão no fogo a fim de pôr mais lenha nessa fogueira!

Hoje vou postar o texto de um dos pastores que é referência pra mim, um dos únicos no Brasil, o mesmo da mensagem em áudio que deixei no post anterior sobre esse tema - Pr. Jeff Fromholz, líder do Ministério Geração Benjamim, e pastor da Igreja 180°, em Volta Redonda/RJ. Desde já, gostaria de ressaltar que o Pr. Jeff é HOMEM, e que sua abordagem é bem diferente da minha, em meu post "Mulheres no Púlpito". No entanto, ele é o ÚNICO líder que vi, até hoje, abordar esse tema, e agradeço muito a Deus por sua vida, e mais ainda por sua coragem em falar sobre isso. Assim, deixo o texto dele com vocês. Que a Graça de Deus esteja conosco.

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*Imagem original do site Geração Benjamim relacionada ao texto


"A DEFORMA Protestante

Bom, muitas coisas na igreja moderna não estão certas e nós não temos nenhuma obrigação de fingir que estão. O que a igreja é hoje, não é o que deve ser. Não era pra ela ser um clube social, mas sim uma comunidade. Ela deve ser um lugar onde as pessoas podem achar aceitação no meio de uma vida difícil. É onde elas são desafiadas de ser mais do que são e no mesmo tempo quem eles são. É um lugar onde eles podem olhar para a pessoa ao seu lado e falar, “Vamos conseguir”. Isto é uma igreja. Não esse monstro, essa empresa eclesial que tem roubado a identidade do nosso Senhor.

Mas como chegamos aqui? Como nós chegamos ao esse ponto de ver a igreja do Senhor tão desviada dos princípios fundamentais que ela nem parece com igreja mais.

Líderes.

A maioria dos problemas volta para os líderes. E sim, eu culpo os líderes. Deus culpou líderes. Jesus culpou líderes. Então, sim, eu culpo líderes. Eu me culpo.

Se a minha família se perde na estrada é a minha culpa, pois eu estou dirigindo o carro. E se a igreja se perde, o culpado é o cara no volante, o líder. Isso é o óbvio não falado, o elefante branco no meio da sala. Os líderes criando falsas doutrinas não é o único problema. Temos também o povo que segue eles. Um povo que não conhece as Escrituras e engole tudo que saí do púlpito.

A verdade é que o povo parou de pensar. Nós paramos de questionar. Nós começamos aceitar tudo que é falado como se fosse à verdade. Se saí do púlpito, então deve ser a verdade.


• “Se eu coloco meu pedido numa jarra de óleo, vou receber o que eu peço?”

• “Se eu falo com fé, vai acontecer?”

• “Deus vai me dar um dente de ouro?”

• “O Espírito Santo vai me fazer rir enquanto eu vivo pecando?”

• “Se eu dou R$10, Deus vai me dar $1.000?”

• “Se eu não dou 10%, Deus vai me amaldiçoar?”

Podemos gastar o dia inteiro aqui citando invenções de homens, mentiras, que saem dos púlpitos. O triste é que o povo paga para ouvir essas invenções sem bases bíblicas e assim a igreja se encontra num buraco bem fundo. Mas, se o povo conhece a verdade e resiste em não seguir uma mentira, a igreja não caí, pois não há perigo num falso mestre que não é seguido por ninguém. Se ninguém der ouvido a eles, nós evitamos o problema. Por isso nós temos que voltar a Palavra. Sola Escriptura.

Nossa verdade tem que ter a sua fonte na Bíblia e não nos púlpitos. Os púlpitos devem refletir o que lemos e vemos na Palavra de Deus. O problema é que nós temos sido negligentes em estudar a Palavra. Nós temos sido negligentes em cultivar um relacionamento verdadeiro com Deus. E hoje nós nos achamos aqui desesperadamente clamando por mudança, precisando mais do que nunca de uma reforma. Mas, o que faremos? Onde começamos?

Reforma começa conosco. Quer mudar a igreja? Mude você. E depois clame por sua liderança, se você não é o líder, pois as reformas sempre vieram por meio de líderes, pastores, professores, pessoas com uma voz e com certa influência. É muito difícil um leigo mudar uma igreja, ou um sistema religioso, especialmente se os líderes não acham nada de errado.

E hoje nós temos uma geração de Saul’s nos liderando; homens fazendo o que o povo quer, vivendo em prol de agradar o povo em vez de agradar a Deus.

1 Samuel 115.24; Eu pequei! - respondeu Saul. - Desobedeci às ordens de Deus, o SENHOR, e às instruções que você deu. Fiquei com medo do povo e fiz o que eles queriam.


• “Vocês querem entretenimento? Bom então. Vamos comprar o melhor equipamento que podemos: som, luzes, multimídia e pagar os músicos”.

• “Querem ser ricos? Bom então. Vamos criar doutrinas que te convença que Deus quer que você seja rico e te ensinar o que fazer para ser rico”.

• “Mulheres, não querem se submeter aos seus maridos ou a liderança masculina da igreja? Bom então. Vamos inventar cargos para vocês, pastoras, bispas, apóstolas”.


Se quisermos uma reforma, nós temos que orar. E talvez a oração hoje deva ser, “muda ou mata” . “Deus mude os líderes de hoje ou mata eles para que Davi, um homem segundo seu coração possa subir”.

Se o problema começou por meio de homens, também creio que Deus possa trazer a solução por meio de homens. Homens cheios do Espírito Santo e sabedoria. Homens que valorizam a Palavra de Deus e usa ela como a única fonte de verdade e autoridade na vida. Temos que orar por aqueles que ocupam os púlpitos, para que Deus aja no meio deles. Se não acontecer nenhuma reforma no púlpito, não terá nenhuma reforma nos bancos. Se não tem vida no púlpito, não terá vida nos bancos.

Queremos Reforma, mas como isso vai acontecer? Por meio de homens. E aqui nós vamos começar. A igreja brasileira é o que é por causa de quem está ocupando os lugares de líder. Tudo começa ali. As mentiras, as fraudes, as doutrinas e ensinos falsos, todos tem a sua fonte num líder. Então vamos analisar primeiro, o que está errado nos púlpitos hoje??? Por que estamos vivendo uma Deforma Protestante em vez de um Reforma?

Eu sei muito bem da briga que eu vou comprar hoje. Tenho pensado e segurado essa onda por um tempo já. Mas, chegou a hora da gente abordar a verdade e seja que for, vamos seguir ela.

A Reforma vem por meio de homens, não de mulheres. E aqui eu vejo um dos maiores erros na igreja moderna. Nós temos jogado a palavra de Deus fora para poder agradar mulheres que querem algo que não pertence a elas. Poder e autoridade. Me perdoe, mas esse mover de pastoras, bispas, apóstolas ou qualquer outro titulo dado a um homem que a mulher usurpou não é Bíblico! É anti-Bíblico. É um erro, uma heresia. E por favor, antes de me mandar os seus e-mails ou comentários sobre tal pastora sua que é uma benção, escute e pense bem, pois é uma heresia que está defendendo. Eu não estou falando que as mulheres não têm a capacidade de ensinar ou não tem idéias boas. Eu estou simplesmente argumentando o lado Bíblico, o lado estabelecido por Deus em relação de quem Deus ordenou para liderar a sua igreja. Então, por favor, seja paciente comigo enquanto eu tento apresentar o meu argumento em favor de uma reforma verdadeira na igreja brasileira.

Vamos primeiro considerar a Bíblia. Em dois lugares achamos uma lista de quem pode ser um pastor/ bispo/ líder na igreja:

1 Timóteo 3.12; Porém o líder deve ser um homem que ninguém possa culpar de nada, ter somente uma esposa.

Tito 1.6; Um líder deve viver uma vida da qual ninguém possa o acusar de nada. Deve ser fiel a sua esposa

Bom, eu sou gringo e português não é a minha língua natural, mas até eu consigo entender isso. “O líder deve ser um homem” e ele tem que ser ESPOSO, tendo somente uma esposa ou sendo fiel a sua esposa. Meus amigos, é incrível como nós conseguimos pegar algo tão nítido, tão simples e fazer uma ginástica teológica com ele para fazer o que queremos. As próprias qualificações dadas por Paulo a Timóteo e Tito já acabam com qualquer argumento para mulheres no papel de pastor. Ele tem que ser um homem e fiel a sua esposa. Uma mulher não pode ser um homem, nem um marido. Não é tão difícil entender isso. Mas, o que vemos hoje são mais e mais mulheres tomando algo que não pertence a elas. Nisso podemos agradecer o feminismo ou o próprio pecado que faz a mulher não querer se submeter. Mas, de qualquer jeito, é errado.

Se nós começamos na igreja já quebrando os princípios de quem pode liderar, o que esperamos? Se Deus fala para não colocar uma mulher na posição de líder e nós decidimos que sabemos mais do que Ele e quebramos uma ordem direta Dele, o que esperamos? O milagre é que Deus ainda não fulminou todos nós.

E para ser sincero, até hoje eu não conheci nenhuma pastora em todos os lugares que fui que não me deu desculpas por estar ocupando a posição de pastora. Desculpas que eu não pedi, pois não falei nada. A verdade é que cada uma delas sabem que estão erradas; algo acusa dentro delas e por isso eu sempre ouço, “Estou orando para Deus levantar um homem para liderar”. Como se isso fosse uma desculpa para continuar no erro. “Estou orando para Deus me dar um marido para que eu possa parar de transar com meu namorado”. Não faz muito sentido. E ainda que não me dessem desculpas, se ela tem uma Bíblia e o Espírito Santo na vida dela, ela sabe. Deus não está confuso e a sua Palavra não contraria a Ele mesmo.

O líder deve ser um homem e fiel a sua esposa.

Outra coisa: a palavra “pastor” é masculina. “Pastora” é uma invenção moderna que não existe na bíblia. Pode procurar o tanto que quiser, mas não vai achar a palavra “pastora” em nenhum lugar na Bíblia ou uma mulher exercendo a autoridade de pastor, nem bispo, nem apóstolo. E você não vai achar na Bíblia nenhuma esposa de pastor ganhando um titulo por estar casado com ele. Não existe o titulo de pastora. É ridículo como todo mundo procura títulos hoje. Mas sendo casada com um pastor não faz a mulher pastora assim como uma mulher casada com um professor não recebe o título de professora. Mas no meio de toda essa bagunça, deixe me enfatizar algo, a pergunta não é se uma mulher tem o valor igual ao do homem ou se pode ministrar efetivamente. A pergunta continua sendo, “Para a mulher é permitida exercer a função de pastor?” É bíblico?

Nisso temos três coisas para observar:

• Não sabemos de nenhuma pastora na época do Novo Testamento.

• Nenhuma das instruções em relação da ordem na igreja inclui instruções para pastoras.

• Uns dos textos falando de ordem na igreja proíbem mulheres de ocupar aquele lugar.

“Eu não permito que as mulheres ensinem aos homens ou tenham autoridade sobre eles.” (1 Timóteo 2.12).

Paulo não tem uma expectativa que uma mulher não pode ou nem vai ensinar.

Tito 2.3-5; Igualmente, ensine as mulheres mais velhas, a viverem de maneira que honre a Deus. Elas não devem ficar falando mal dos outros, nem serem escravas da bebida, mas ensinem o que é bom, para que as mulheres mais jovens amem seus maridos e seus filhos, e sejam equilibradas, puras, boas donas de casa, fazendo o bem, e sendo submissas aos seus maridos

2 Timóteo 1.5, 3.14-15; Me lembro da sua fé sincera, a mesma fé que esteve primeiramente em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice e tenho certeza que a mesma fé também continua em você.... Mas continue firme no que aprendeu e foi convencido que é verdade, conhecendo quem o ensinou. Você tem sido ensinado nas santas Escrituras desde que era uma criança, e elas podem fazer você sábio para receber a salvação por meio da fé em Cristo Jesus.

O que ele fala de de maneira bem clara e fácil de entender é que a mulher não pode ensinar ou ter autoridade sobre homens. Assim, não pode ter ou trabalhar na posição de pastor, pois isso as colocaria em autoridade sobre homens. De novo, é muito difícil confundir essas palavras. Sim, eu sei, já ouvi, era cultural. Ou assim as pessoas tentam me convencer de por que podemos quebrar uma ordem tão claramente escrita na palavra de Deus. Mas, vamos nessa, vamos matar o gigante de meio metro, jogando uma pedrinha dizendo, “Não é ou era cultural”.

Paulo fala em 1 Timóteo 2.12, “Eu não permito que as mulheres ensinem aos homens ou tenham autoridade sobre eles.” Mas, por quê? Por que era da cultura deles, por que as mulheres gritavam durante os cultos interrompendo, ou talvez por que as mulheres não tinham ido para o seminário? Nenhuma dessas razões tem base na Bíblia. São invenções de homens e mulheres querendo abrir uma porta que Deus mesmo fechou. Onde que a Bíblia fala de cultura em relação de uma mulher liderando na igreja? Onde fala dessa história delas interrompendo as reuniões? Onde fala que era porque elas não eram educadas, pois Paulo não fala nada de estudos e isso teria desqualificado a maioria dos discípulos de Jesus, pois naquela época não tinham nenhum treinamento especial para quem seria líder.

Mas, por que então? Por que as mulheres não podem ser pastor? E Paulo nos responde no próximo versículo.

1 Timóteo 2.13; Pois Deus fez Adão primeiro, e depois ele fez Eva.

Paulo não fala nada de cultura, mas ele cita a ordem da criação; “Pois Deus fez Adão primeiro, e depois ele fez Eva.” Você entendeu? Quem é o líder na igreja é uma questão de ordem, hierarquia, determinado por Deus desde a criação. Deus criou o homem para liderar e a mulher para seguir e ajudar. E assim Paulo continua dando mais razões não culturais.

1 Timóteo 2.14; E não foi Adão que foi enganado pela serpente. A mulher foi enganada e pecado foi o resultado.

Adão foi criado primeiro dando ele primazia na criação, autoridade para reinar e liderar e, ainda mais, não foi ele que foi enganado pela serpente resultando em pecado. Meu amigo, isso não tem nada a ver com cultura, ou ensino, é algo histórico. Algo que desde o princípio, desde a criação existe. O homem é o líder não a mulher. E Deus fez questão quando estava formando a sua igreja primitiva de proibir uma mulher tomar o lugar do homem. “Eu não permito que as mulheres ensinem aos homens ou tenham autoridade sobre eles”.

Isso deve parecer muito louco a uma igreja desviada, mas a palavra não muda e na verdade isso não deve ser algo a discutir. O que eu não entendo é a necessidade de mulheres querendo ser homens ou ocupar o lugar dos homens. Isso começa no lugar do emprego e invade a hierarquia da igreja. As mulheres querem mandar no mundo hoje. Isso é a simples verdade. Mas Deus não as criou para serem as donas da bola, mas companheiras, parceiras dos donos. E, de novo, Paulo tem algo a dizer em vez de deixar o papel da mulher em branco.

1 Timóteo 2.15; Mas as mulheres ao invés de se preocupar com o ensino, devem preocupar com o papel dado por Deus de ser mãe, e se continuarem vivendo em fé, amor, santidade, e sendo modestas, serão salvas.

Na verdade eu acho tudo isso muito triste hoje. As mulheres não querem mais ser mulheres, mas homens, e em vez de mães, patroas. É triste mesmo e quem sofre são as famílias ausentes de pais trabalhando e mulheres trabalhando. Não estou falando que não existem exceções, mas não se devem tornar essas exceções em regras. Na questão de pastora, é um princípio quebrado e não uma questão de exceção. A mulher que toma algo por ela que Deus proíbe não é uma exceção, mas um erro, uma desobediência, e quem sofre é a igreja.

Eu vejo que realmente o papel da mulher hoje na igreja e na família é algo muito desprezado. Ninguém olha com bons olhos para a esposa do pastor servindo em silêncio ou a mãe que opta por viver sem alguns confortos na vida para poder ficar em casa e criar seus filhos. Infelizmente isto é algo banalizado até na própria igreja. É errado de como nós não honramos as mães, as donas de casa. Eu fico triste em pensar como a sociedade sorri delas; eu choro em pensar como a igreja despreza elas. Mas elas estão certas ainda estando na minoria.

Deus criou a mulher perfeitamente para fazer o seu papel de esposa e mãe; de dar suporte, mas de liderar não cabe ao chamado dela. E isso nos leva a perguntar: “E se uma mulher se sente chamada?” Creio mesmo que tem mulheres que sintam chamados a serem pastoras e bispas e apóstolas. E baseado no que eu tenho ouvido sendo pregado nos púlpitos, eu nem duvido que muitas mulheres são mais capazes de ensinar e pregar melhor do que os próprios homens. Mas, essa não é questão. A questão é, “É Bíblico?” E a resposta é NÃO; fim da história. E se uma mulher sente chamada, não é Deus chamando, pois a vocação de pastor é tanto espiritual como Bíblica. O mesmo Espírito que chama também escreveu a Bíblia. E não tem como o Espírito chamar alguém para fazer o que a Bíblia proíbe. O Espírito nunca se contradiz.

Eu entendo bem que essa posição não é muito popular hoje em dia, mas é Bíblico e isso é a única coisa que eu quero saber. E enquanto nós brigamos por direitos que não existem na Bíblia e defendemos práticas anti-Bíblicas encontradas nas nossas igrejas, o fim não pode ser benção. Não tem como semear erro e pensar que vai dar em algo de valor. Não vai.

Se a igreja tem esperança de não ser totalmente abandonada pelo Espírito de Deus que se ofende a cada dia com as estruturas anti-Bíblicas, temos que voltar aos seus princípios e começar na liderança e isso vai incluir tirar aquelas em lugares que não devem estar.

Me fala, o que é pior, ofender pessoas que estão em lugares errados ou ofender Deus que fala que estão em lugares errados deixando elas lá?

Jeff "