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terça-feira, 21 de julho de 2020

Anseios pelo céu...


Vivendo um período de recomeços em minha caminhada cristã, tenho voltado a fazer as perguntas mais básicas: "Quem Deus é? Qual Seu grande propósito? O que Ele está tentando nos mostrar? O que Ele espera de nós?". Me pego pensando em como temos respondido essas perguntas até aqui. O que acreditamos sobre cada uma delas. 

E, um dia desses, ouvindo o Leonardo Gonçalves cantando "There" , me vi refletindo sobre nosso ensino a respeito do céu, ou da eternidade. O que nós ensinamos para as crianças sobre o céu - as primeiras coisas, o básico? Lá no fim do nosso evangelismo de 5 cores, qual representa a eternidade? O amarelo. E o que ele retrata? As ruas de ouro! As ruas de ouro! E isso me deixou estarrecida! De tudo que poderíamos escolher para ensinar uma criança sobre o céu, foi a imagem das "ruas de ouro" a escolhida!

Então, continuei pensando sobre o que costuma vir à nossa mente ou ser expresso quando falamos do céu? "O descanso tão esperado para nossas almas; o fim de toda dor e sofrimento; a vida feliz para sempre; o lugar para os que foram feitos livres do fogo do inferno; o nosso reinado do lado de Deus"... e como é tudo sobre nós! Coroa, descanso, paz, segurança... e quanto é de Jesus que nós lembramos quando pensamos a respeito do céu? Quanto podemos dizer, como na música, "Eu não me importo com a coroa ou com a cor das vestes, enquanto Jesus estiver na cidade, eu quero estar lá!"?

Qual tem sido a essência da nossa fé? Em que a temos construído? Em medo do inferno? Em benefícios próprios? Em interesses egoístas? Em resolver nossos problemas? Porque se tem sido só isso, estamos tão longe! É tão maior do que isso! Tão além! Tão mais profundo e belo! O que são as ruas de ouro perante a oportunidade de finalmente encontrar nosso Amado e desfrutar de Sua companhia e Seu amor plenos eternamente? Ah, como estamos longe de entender a grandeza do que nos está proposto se não conseguimos perceber isso!

Será que realmente compreendemos? Ou será que precisamos voltar ao começo e aprender tudo de novo? No fim, estou certa de que é muito, muito mais bonito do que costumamos imaginar. 

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Afinal, qual o sentido dessa vida?


A pergunta de todas as eras. A pergunta que todos os filósofos fizeram. A pergunta que a pós-modernidade mais tenta calar:

"- Não há sentido nenhum! O importante é ser feliz! O importante é o agora! Isso é tudo que existe!"

A pergunta que uma pandemia vem fazer ressoar mais uma vez na história da humanidade. A humanidade que parou de perguntar, convencida de que a ordem é consumir, é obrigada a novamente ouvir. 

Qual o sentido dessa vida?

Sim, há um sentido. Todas as gerações do mundo o procuraram. Essa geração, determinada a abafar a ânsia do coração por sentido, precisava também ser chamada a assumi-lo. Não há como passar essa existência sem fazer essa pergunta. Essa vida que vivemos hoje é tudo? Termina aqui? Há um Deus sobre o universo? Ele tem propósitos determinados? Ele é detentor da verdade? Ele deseja nos ensinar algo? Há algo além do que nossos sentidos nos permitem experimentar? Há uma eternidade? Precisamos nos preocupar com ela?

Perguntas. O silêncio do mundo parado por um vírus reaviva o som retumbante do coração humano. O som das perguntas, da necessidade de entender. O silêncio do mundo parado por um vírus confronta o silêncio que impusemos às nossas almas. Deixemo-nas questionar. Deixemo-nas refletir. Sem medo de olhar pra dentro, pra cima, para os lados. Sem medo de perguntar: o que tenho construído é realmente o que importa? Aquilo com o que tenho gastado minha vida é o que realmente tem valor? Eu entendi qual o sentido dessa vida que hoje vivo? O fundamento sobre o qual tenho construído minha vida é realmente sólido?

Perguntas. Que o silêncio desses tempos nos ajudem a fazer silêncio dentro de nós e ouvi-las. Nossa existência necessita dessas respostas.

#pandemia #existencia #perguntas #refletir

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Reflexões sobre a Pandemia




Ontem, orando sobre esse tempo de Coronavirus e pedindo a Deus que nos ajude a entender o que Ele está querendo falar à humanidade mediante tudo isso, fui às Escrituras e me deparei com o capítulo 25 do livro de Levítico: o Ano Sabático e o Ano do Jubileu. 

De forma resumida, Deus havia instituído o sábado como o dia em que todo o seu povo deveria parar todo o seu trabalho para descansar e voltar-se para Ele. O Ano Sabático e o Ano do Jubileu seriam o descanso instituído para a Terra e para a corrida pelo crescimento financeiro que não se preocupa com os necessitados. A cada 6 anos, 1 ano de descanso deveria ser dado a terra, sem arar, sem plantar, sem aparar, apenas colher do que a terra desse (Lv 25. 1-7). A cada 49 anos, deveria-se viver o ano da libertação de propriedades adquiridas: a propriedade comprada de alguém, deveria ser devolvida ao seu dono original e, quando vendida, o preço de venda de uma propriedade deveria depender de quantos anos ela ainda permaneceria sob posse do novo proprietário antes do ano do Jubileu: sem exploração do irmão! (Lv 25. 9 em diante).

E como isso me fez pensar no que está acontecendo agora. Quão facilmente achamos que somos o centro do universo: não apenas nós enquanto "humanidade", mas EU enquanto indivíduo. Quão fácil achamos que tudo é sobre "MIM". 

Não podemos parar o trabalho para ficar com a família, para criar os filhos, para cuidar da saúde, para cuidar do espírito, porque precisamos crescer, ser reconhecidos, ter mais, produzir. 

Parar a terra? Dar uma pausa na exploração da criação? Diminuir a emissão de gases tóxicos? Efeito estufa? Poluição dos rios? Desmatamento? Impossível! Precisamos produzir! O mundo não pode parar!

Parar essa nossa luta maluca por ter cada vez mais, independente se isso está deixando outros com cada vez menos? Não mesmo! Cada um precisa cuidar do que é seu e não posso ser o responsável pelos problemas dos outros! Preciso garantir o meu!

Deus estava ensinando aquele povo que, para a vida funcionar, precisamos entender que é nossa obrigação, é nossa necessidade parar de olhar apenas para nós mesmos e essa escravidão idólatra que o dinheiro gera, e olhar para a vida ao nosso redor, para as pessoas que nos cercam, para a criação de Deus e para os mais necessitados. Mas a humanidade não aprendeu isso. 

E minha pergunta é se Deus não está nos dando um sábado, um "Ano Sabático" e um "Ano do Jubileu" obrigados, impostos, como descanso que Ele sabe que cada ser humano, cada família, cada terra, floresta, rio, geleiras, atmosfera e cada indivíduo esquecido e explorado dessa terra precisa para continuar tendo vida. Lembrei das imagens mostrando o descanso da natureza. Pensei em há quanto tempo muitas das famílias que hj estão "obrigadas a ficar juntas em casa" não se encontravam para 1 semana sequer juntos. Pensei em há quanto tempo não paravamos pra pensar nas necessidades, nas dificuldades, nas lutas que os moradores das favelas, das ruas, dos campos de refugiados, da Índia, das aldeias africanas, do norte e nordeste do Brasil, do sertão e dos interiores, das periferias de nossas próprias cidades enfrentam todos os dias pra viver. Há quanto tempo não paravamos pra pensar em todas essas coisas? Há quanto tempo não as enxergavamos? Há quanto tempo não abriamos mão de um privilégio pessoal, individual pelo bem da coletividade, daqueles que nem conhecemos, que nem fazem parte de nossos guetos? Há quanto tempo não nos esforçavamos tanto para tentar ajudar outros a lembrar como é viver humanidade?

Que nossos ouvidos estejam abertos para ouvir, porque Deus está falando. 

"A terra não poderá ser vendida definitivamente, PORQUE ELA É MINHA, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes" (Lv 25.23)

segunda-feira, 19 de março de 2018

Asas e raiz...



Dividida entre a raiz e as asas. Esse amor tão grande pelo ninho construído: meu aconchego, meu porto seguro, minha história de afetos, minha certeza de pertencimento, meus laços, meus tesouros conquistados e guardados com tanto zelo, ano após ano, luta após luta, superação após superação, entre dores e prazeres, lágrimas e risos, sonhos e insônias - meu lugar para chamar de meu, para saber quem sou. E, ao mesmo tempo, essa vontade louca de voar, essa certeza tão convicta de que há mais, há mais de mim mesma para descobrir, há mais de mim mesma para viver, há mais para construir, há mais histórias de amor, há mais desafios a vencer, lágrimas a chorar, risos para rir, aventuras para desbravar, gente para abraçar, força para desenvolver, espaço para preencher, horizontes para contemplar, sonhos para sonhar, há mais... há muito mais. E esse mesmo coração que quer ir, quer ficar, nessa briga eterna aqui dentro, triste e feliz, cheio e incompleto, pleno e insatisfeito, lutando, guerreando, procurando encontrar um caminho, um lugar, um equilíbrio, tentando descobrir como ser pássaro com raízes fincadas ao chão, ou como ser árvore frondosa com asas abertas ao vento. Ah, coração! Aonde iremos nós assim? Como nos resolveremos? Não sem dores: seja por cortar asas, seja por cortar raízes - nessa dança doída de não poder ter tudo que se ama e que se é nessa vida. Porque uma vida só é pequena demais para tanto amar. Voa e permanece. Ama hoje e amanhã. Vai e volta. E tenta. E não desiste. Um dia, ah um dia!, haverá algum lugar em que contradições poderão conviver pacificamente. E, então, se ser feliz.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Envelhecer...



Gosto da beleza desses tempos meio cansados da vida.

Os passos lentos, os lugares ermos da espera, antes tão temidos e rejeitados, hoje parecem tão mais desejáveis do que os empolgados e bobos desejos perecíveis dos tempos de meninice.

Aquela pressa de chegar, que antes parecia nunca passar, que parecia vital como o ar, que parecia quase propósito em si mesma, começa a dar lugar a essa brisa meio melancólica e tão desapressada dos cabelos que começam a embranquecer.

A vontade cheia de intensidade dos holofotes, das emoções explosivas, das respostas rápidas começa a tornar-se desejo por rede de varanda, cadeira de balanço, e as reflexões acalmadas já não causam mais tanto temor.

A palavra esperança ganha um novo sentido. Ou uma nova compreensão. Assim como paciência. E fé. Aprende-se a contemplar a beleza do inalcançado, do que ainda não é – e nem se sabe se será.
A beleza dos tempos de espera. A beleza da caminhada, e não apenas da chegada. A beleza de desacelerar.

Hoje confesso que as fortes e explosivas emoções, as grandiosas promessas, a necessidade de tantas juras já não me atraem tanto. Quase me causam desconfiança. Atrai-me um amor quieto, pensado, sentido devagar, delicado como gestação, como bebê recém-nascido que maior e mais definitivo significado ganha quanto mais o tempo passa. Não à primeira vista, mas a cada nova vista do dia-a-dia, gota a gota, passo a passo. A beleza da frágil construção. De quem vê semente tornar-se flor.


Deve ser algo assim o que chamam de maturidade. Só sei que me conquista. Pouco a pouco. Envelhecer...

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Quaresma – Dia 11: Necessária solidão



“Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava” (Lucas 5.16)

Eis uma coisa que eu tenho dificuldade. Retirar-me. Parar. Como falei no post passado, eu realmente tenho dificuldade de parar, desligar tudo e estar só. Estou sempre envolvida com tantas coisas, tantos projetos, tantos planos e sonhos e atividades, sempre inventando algo novo pra fazer, sempre me comprometendo com mais coisas do que dou conta. E essa sou eu. E aí, leio este versículo. Jesus, o Messias, com a SUA missão, retirando-se para a solidão.

O interessante desse trecho é que, imediatamente antes dele, temos a descrição de como era a vida de Jesus: “Porém o que se dizia a seu respeito cada vez mais se divulgava, e grandes multidões afluíam para o ouvirem e serem curadas de suas enfermidades” (v.15). Imagino como era: multidões vindas de todas as partes, todo tempo O cercando para que Ele também as curasse, ou para ouvir o que Ele tinha a falar, ou para conseguir pão ou algum outro benefício. Mas o fato é que, tendo ouvido falar de tudo o que Jesus andava fazendo, multidões estavam todo tempo procurando pelo Mestre. E cuidar daquelas pessoas que estavam perdidas como ovelhas sem pastor fazia parte de Sua missão. Uma missão tão grande e tão pesada a cumprir. E Ele havia sido enviado “para evangelizar os pobres [...] proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc. 4.18-19). Quanto trabalho havia para ser feito, quantas coisas a realizar, quanta demanda, interminável. Mas, no meio de todo aquele alvoroço e de toda aquela multidão esperando para ser atendida pelo Mestre, Ele simplesmente “retirava-se para lugares solitários e orava”. Ah, como precisamos aprender com Ele!

Como mencionei, rapidamente, no primeiro post desse tempo de Quaresma, no primeiro dia de quaresma, li alguns textos publicados por amigos a respeito do sentido desse período e de como temos, enquanto evangélicos, negligenciado seu valor – tempo de contrição, de reservar-se, de solidão, de silêncio e cinzas, tempo de reflexão no significado da Páscoa, o sacrifício de Cristo para libertação de Seu povo, que está chegando. E, depois de lê-los, minha linda Priscila Teixeira publicou um vídeo convidando para devocionais diárias, por meio de vídeos, para estudar o livro de Lucas durante esse período da Quaresma. E Deus falou comigo. Era exatamente do que eu precisava. Poucos dias antes disso, eu conversava com uma amiga sobre a dificuldade que eu tenho de reservar um tempo diariamente para minha vida devocional – para meditar na Palavra, para orar, para estar com Deus. Essa, com certeza, é minha maior dificuldade em minha vida espiritual. Eu estou sempre “ligada”, e “desligar” das coisas desse mundo, da sua correria, para saber aproveitar o valor da Palavra e da oração eram coisas tão difíceis. E isso sempre me doeu tanto, sempre me frustrou tanto, porque eu sabia que não deveria ser assim e que essa prática espiritual, do tempo a sós com Deus, era necessária para minha saúde espiritual. Mas, mesmo assim, eu não conseguia. Cansaço, preguiça, dificuldade de concentração, um amigo puxando assunto no bate-papo até de madrugada, uma coisa pra resolver para o outro dia... e sempre ficava pra “amanhã”. Então, esse convite para as devocionais de Quaresma eram exatamente o que eu precisava. E resolvi aceitar.

Mas eu sabia que precisaria de estímulos, de mais do que “vontade” para ser transformada e passar a VIVER meu tempo devocional do jeito certo. E foi então que entendi que precisaria de duas coisas mais nesse período especial de consagração: jejuar e escrever. Eu nem sei a última vez que eu havia jejuado. Não tenho nem ideia. Mas, foram pouquíssimas vezes em que jejuei. Até pedi ajuda a um pastor amigo meu para tentar entender como devemos viver essa disciplina espiritual. Ele não me respondeu, mas tô aqui tentando viver. E, no início, meu desejo de jejuar era realmente por reconhecer que eu precisava (e preciso) de ajuda para me manter fiel nesse propósito, para me consagrar de forma mais intensa e para tornar esse tempo devocional uma prioridade em minha vida. Mas eu não tinha ideia quantas outras coisas eu enxergaria como benefício do meu tempo de jejum. Acabei descobrindo que um dos grandes problemas, ou uma das grandes desculpas, para eu não ter meu tempo devocional (no período da noite, como gosto de fazer), era chegar do trabalho “morta de fome e de cansaço”, ir direto atrás da janta, que virava uma desculpa (juntamente com o cansaço) para sentar na frente da TV, começar a assistir um filme que se prolongava até altas horas e, finalmente, quando eu chegava no quarto, não havia energia para mais nada. As energias que haviam sobrado, depois de um dia de trabalho, haviam sido gastas comendo e vendo TV e, depois, só dormir. Então, além de jejuar (nesse período da noite), resolvi também dar um tempo da TV (sem falar em desligar as redes sociais – outro enorme problema – é claro!). E como isso tem dado certo! Nossa! Como tem ficado cada vez mais claro pra mim quanto essas coisas eram impedimentos pra eu investir em minha vida com Deus, pois eram prioridades no lugar do meu tempo devocional.

E, além disso, escrever. Ah! Eu acho que voltar a escrever foi uma das melhores coisas que me aconteceu ultimamente. Todo esse tempo de Quaresma, com suas muitas experiências devocionais, na verdade. Mas é um tempo que está MUITO atrelado ao meu retorno ao MV. Fiz um compromisso com Deus, para esse tempo de Quaresma, de, todos os dias, escrever alguma reflexão a respeito do meu tempo de leitura da Palavra. E que diferença isso tem feito! Porque é uma cobrança de mim para mim mesma. Preciso escrever e, se eu não escrever, eu não tenho como fingir que escrevi. Se eu pular um dia, vai ficar faltando um texto, não vai dar pra esconder. Se eu não ler a Bíblia, só eu vou saber. Mas, se eu não escrever, todo mundo que acompanha o blog vai saber! Aí, nem que seja pelo meu orgulho, eu me cobro. E como essa prática tem me abençoado! Eu não lembro há quanto tempo eu não tenho recebido iluminação da Palavra e sido edificada por ela da forma que tem sido nesses 11 dias! Há quanto tempo eu não conseguia ouvir os ensinos de Deus em Sua Palavra. Como se ela estivesse encoberta, calada. Eu tentava e tentava, mas não fluía. E agora, aqui estou eu, aprendendo tantas coisas nas Sagradas Escrituras que nem consigo mais acompanhar os vídeos-devocionais, porque eles têm pulado vários trechos do evangelho de Lucas e eu quero poder analisar cada trecho e ver o que Deus quer me ensinar ou lembrar em cada pedacinho. E tô começando a achar que, do jeito que as coisas andam, 40 dias não serão suficientes para estudar todo o livro de Lucas – ou eu vou precisar começar a escolher as ideias para registrar! rs.


Que dias maravilhosos têm sido! Que alegria em meu coração por ver Deus revivendo esse espaço, meu querido Mulheres Virtuosas, meu cantinho onde Deus já me permitiu registrar tantas coisas que Ele já fez em minha vida, e que eu achava que nunca mais voltaria a ter vida novamente. E aqui estamos. Há tanto tempo eu não tinha inspiração – ou qualquer outra coisa – para sentar e escrever. E que alegria meu coração sente, todas as noites, quando pego meu computador para registrar esses pensamentos e aprendizados que o Senhor tem colocado aqui. Que paz e consolo Ele tem me trazido por meio de tudo isso. Num período de minha vida em que eu já estava quase acostumada com nuvens e lutas que insistiam em permanecer e nublar minha estrada, Deus, finalmente, tem me dado a Sua paz. E é aqui, na solidão do meu quarto, apenas eu e Ele, no silêncio, na pausa, na calmaria que tudo isso tem acontecido. Solidão necessária. Como eu precisava dela! Como eu precisava reconhecer que preciso dela! Meus dias têm sido diferentes. Minha mente, meu coração, meu espírito têm sentido isso. Quantas vezes tenho ouvido pregadores falando sobre a importância desse tempo a sós com Deus, mas eu achava que dava pra viver sem ele. E, quem sabe, todas as nuvens e lutas que Deus mandou nestes últimos tempos, não tinham como propósito me encaminhar até aqui. Nesse exato ponto da história. Me fazer perceber a insondável diferença que faz ter esse tempo precioso de estar só com Ele em cada dia da minha vida. E eu quero continuar aprendendo. Sei que ainda tô longe demais do alvo. Apenas começando a engatinhar. E já está sendo tão bom. Mas quero mais. Quero ser como Jesus. E, como Ele, saber retirar-me das multidões, todos os dias, para meu lugar de solidão. Essa necessária solidão que me leva pra mais perto do meu Pai. E que ela possa existir nas vidas de cada um de vocês. E que sejamos cada dia mais parecidos com o nosso Mestre. Para glória de nosso Senhor e o bem de nossas almas. Que seja assim. Amém e amém.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Quaresma - Dia 3: Superando a tradição

[Breve comentário: hoje eu tive problema com minha internet, o que me impossibilitou de assistir ao vídeo devocional. Porém, continuei a leitura do Evangelho de Lucas mesmo assim, e escrevi a reflexão do dia a partir de meu tempo de leitura. Mas, agora que minha internet voltou e eu pude assistir ao vídeo, percebi que os temas divergem entre si. Então, postarei o texto que já havia escrito para o terceiro dia e, amanhã (que já é hoje! rs) publico o terceiro vídeo e a reflexão a respeito dele (que já começou a brotar no coração.. ^^ Então, vamos lá!]



“Sucedeu que, no oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. [....] Então, pedindo ele uma tabuinha, escreveu: João é o seu nome. E todos se admiraram.” (Lucas 1.59,63)

Em todo o Antigo Testamento, podemos observar que os nomes, na cultura judaica, não eram dados aleatoriamente – eles tinham um significado. Em geral, o significado do nome tinha a ver com a identidade ou o propósito para a vida da pessoa que o recebia. E, na nossa cultura em que nomes não significam nada, talvez não percebamos a importância disso. Duas das grandes crises do ser humano são as de identidade (Quem sou eu?) e propósito (Para que vim ao mundo?). E quando era Deus quem escolhia o nome de alguém e o revelava aos seus pais, boa parte dessa crise já podia ser superada.

Então, me intrigou esse trecho do evangelho de Lucas em que, oito dias após o nascimento de João Batista, os vizinhos e parentes de Zacarias e Isabel participam da escolha de seu nome. E a conclusão imediata deles foi que seu nome deveria ser Zacarias – como o de seu pai. E, quando a mãe do menino discorda e diz que seu nome seria João, eles não aceitam. Contestam: mas não há ninguém em tua parentela com esse nome! (v.61) A pergunta deles era: “por que alguém daria a um filho um nome que não existe entre a sua parentela?”. E aquilo realmente os chocou. Tanto que ignoraram Isabel e foram perguntar ao pai. E, quando Zacarias confirmou a resposta de Isabel, “todos se admiraram” (v.63).

E foi isso que me fez parar. Por que a questão do nome do menino gerou tanta agitação entre o povo? E a resposta que me veio foi: a escolha do nome havia deixado de ter seu foco no propósito de vida ou identidade que Deus queria revelar para cada pessoa, e tornou-se tradição. Era com base nos “nomes que existem entre sua parentela” que se escolhiam os nomes. Meu pai chamava-se assim, então também me chamarei. Meus parentes chamavam-se assim, então é assim que também devo me chamar. Meras repetições. Meras tradições sem sentido, sem reflexão, vazias.

E isso me fez pensar em muitas coisas. Quantas vezes nossa identidade não está sendo construída assim, com base em tradições que são apenas repetições? E eu falo de identidade pessoal, mas também de nossa identidade cristã. Quantas vezes nossa fé tem se tornado apenas repetição da fé de nossos pais ou de nossos “irmãos na fé” – nosso pastor, nosso discipulador, nosso líder? Quantas vezes sequer paramos para refletir sobre qual o chamado particular que Deus tem para nossas vidas, e apenas tomamos para nós os modelos empacotados que todos estão acostumados a ensinar e a seguir? Deus deixa de ser nossa fonte de respostas, e passamos a procura-las e encontra-las nos homens. Na tradição. Na religião. E quão perigoso isso é!

João não era seu pai! João não era seus parentes! João era alguém único. E Deus tinha um chamado especial para sua vida. Talvez tenha havido estranhamento e dúvidas no coração de Zacarias (que passou todo o período de gestação de sua esposa mudo!) em relação a essa mudança na tradição de nomes que sua família e de sua esposa estavam acostumados a seguir. Talvez. Mas Zacarias pôde ver e comprovar, durante as tantas experiências que vivenciou em relação a seu filho – desde as palavras do anjo até o encontro entre Isabel e Maria e a revelação pelo Espírito de que o filho de Maria era o Salvador esperado – que havia um propósito diferente para seu filho. O comentário de minha Bíblia, nesse texto, diz que Zacarias significava “Deus lembra-se de Sua aliança”, Isabel significava “Deus é fiel” – basicamente o mesmo significado. Mas João significava “Deus é misericordioso”. Era a resposta para a promessa que havia nos nomes de seus pais. Deus manifestando Sua misericórdia para com a terra. E João faria parte dessa manifestação. E seus pais entenderam. E, ainda que aquilo ferisse a tradição, ainda que chocasse as pessoas ao redor, eles haviam entendido: aquele nome trazia consigo propósito e identidade para aquele menino.

Que nós possamos estar sensíveis à voz de Deus em nossa busca por respostas. Que não sejam as vozes humanas, os raciocínios humanos, os confortos das tradições humanas, o engessamento dos modelos criados por nós mesmos – por mais bem intencionadas que todas essas coisas possam vir a ser – que sejam nossas fontes de resposta. Que consigamos ir além. Superar as tradições – aquelas que são apenas tradições. Que paremos para refletir sobre nosso propósito e identidade. Para que Deus me criou? Quem sou eu? O que Ele quer fazer em e através da minha vida? E que não sejamos somente imitadores de outros – por melhores que estes outros possam ser. Que descubramos nossos próprios caminhos, em Deus, guiados pelo Seu Espírito Santo e que, como Zacarias e Isabel, tenhamos a fé e a coragem suficientes para quebrar paradigmas, chocar a opinião pública, divergir dos demais, caso seja esse o caminho revelado pelo Pai a nós.

Termino com um trecho de uma música do Padre Zezinho da qual gosto muito e que se chama “Canção Religiosa”, e diz:

“Que a minha fé seja maior que a minha religião
Que a minha religião seja maior que as minhas crenças
Que eu saiba ser irmão de um jeito consequente
Que eu saiba crer em Deus de um jeito inteligente
Que o meu amor seja bem mais que simples afeição
Que eu saiba ir além, bem mais além do sentimento
Que eu saiba Te buscar de um jeito consciente
Nadar sem me afogar nas águas do meu tempo
Sem medo de viver, com medo de matar
Sem medo de morrer, com medo de odiar
Pessoa de alma boa e fé inteligente
Que viva de perguntas e respostas
Mas sabe conviver...”

Uma fé autêntica. Uma vida autêntica. Uma resposta autêntica. De Deus, para nós. Além, muito além das tradições. E que Seu Santo Espírito nos ajude. Amém.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Quaresma - Dia 2: Deus escolhe os humildes



“Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou a humildade da sua serva” (Lucas 1.46-48 – versão ARA)

“Então declarou Maria: “Engrandece minha alma ao Senhor, e o meu espírito se regozija em Deus, meu Salvador, pois contemplou a insignificância da sua serva”" (Lucas 1.46-48a – versão King James Atualizada)

A segunda devocional de Quaresma está no texto de Lucas 1.46-55, o “Magnificat”, ou o Cântico de Maria. E este texto, por si só, é tremendo, belíssimo. Porém, é a vida que há por trás destas palavras que me faz refletir. A menina Maria. Me comove pensar em quem era esta menina, quando o anjo Gabriel lhe apareceu para anunciar que ela conceberia e seria a mãe do Messias. Tento me colocar no lugar dela.

A tradição histórica costuma defender que Maria teria cerca de 14 anos quando ficou grávida de Jesus. Era o tempo em que as meninas costumavam casar em Israel, naquela época. Tão nova. E com tanta fé! A Bíblia não fala da história dela, não fala quem foram os seus pais, não diz, como disse sobre Zacarias e Isabel, nada sobre seu andar com Deus e sua fidelidade a Ele. Porém, quando olhamos para a narração da reação dela à visita do anjo de seu Senhor, que coisa bonita de se ver! Tão nova! Como ela pôde simplesmente responder: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (v.38)? Maria sabia quem era Deus. Ele era o seu Senhor. Ela cria nEle, ela O temia. Não lhe era um desconhecido. Ela sabia que, apesar daquele anúncio lhe ter parecido absurdo no início, pois como uma virgem poderia conceber um filho?, ela sabia que nada era impossível ao seu Deus. Ela O conhecia. Fico pensando em quanto Maria teria ouvido falar a respeito do Messias que viria, esperado por todo o seu povo por séculos e séculos... quantas histórias ela teria ouvido a respeito de como Ele seria e como Ele nasceria, e como Seu reino seria grandioso e Ele seria o libertador de Israel, e Seu reino não teria fim. Ela deve ter ouvido falar muito sobre isso. E, como todos os verdadeiros israelitas, aguardado ansiosamente a vinda do Seu Rei – ainda mais no tempo de opressão que o seu povo vivia sob o domínio de Roma.

Mas, então, ela ouve as palavras: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.” (v.31-33). Era sobre o esperado Messias que o anjo falava! Só poderia ser! Essas eram as promessas a respeito dEle. Teria Maria entendido isso de imediato? Não teria ela lembrado de que, sendo Ele o futuro Rei de Israel, todos esperavam que Ele nascesse de uma grande família israelita, dos reconhecidos dentre o seu povo, dos de linhagem importante? Mas ela era uma simples jovem de Nazaré. Nazaré! E lembrei do que Natanael (aquele que Jesus chamou de “um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!”, em João 1.47) falou em João 1.46: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?”. Não teria sido isso o que Maria ouviu durante toda a sua vida? Desprezada, rejeitada, excluída, sem perspectivas diante da humildade de sua origem. Quantas coisas Maria teria precisado enfrentar por ser uma de Nazaré? Que lugar esquecido seria aquele? Mas um anjo lhe apareceu, da parte do seu Deus, e ela creu em suas palavras – contra todas as palavras que todos os outros haviam dito em toda a sua vida. Que fé! Que entrega admirável! Isso só é possível quando se conhece ao Todo-Poderoso Deus!

E é assim que Maria canta, com tanto júbilo:

“A minha alma engrandece ao Senhor,
E o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,
Porque contemplou a humildade da sua serva.
Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,
Porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome.
A sua misericórdia vai de geração em geração, sobre os que o temem.
Agiu com o seu braço valorosamente;
Dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.
Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
Amparou a Israel, seu servo,
a fim de lembrar-se da sua misericórdia a favor de Abraão
e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais”

Maria sabia quem era: humilde (v.48 e 52b), serva (v.48), dentre os famintos (v.53). E ela sabia quem era o seu Deus: Salvador (v.47), Poderoso (v.49), Santo (v.49), Misericordioso (v. 50, 54), Fiel (v.55). Ela, pequena; Ele, Grande. E, por isso, havia humildade em seu coração. E, então, ela reconhece, humildemente, que é aos humildes que Deus escolhe, e por isso O exalta. Ele poderia ter exaltado os grandes, mas Ele rejeita aqueles que alimentam pensamentos soberbos em seus corações (v.51), Ele derruba do trono aqueles que se acham poderosos (v.52), e enche de bens aos que se sabem famintos e necessitados, enquanto despede de mãos vazias aqueles que se acham ricos (v.53). Esse é o nosso Deus! E foi exatamente o que o próprio Jesus falou, conforme nos diz Lucas 10.21: “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”.

Que estas palavras, as de Maria e as de Jesus, ressoem em nossas mentes e corações. Não há espaço para soberba no coração do verdadeiro filho de Deus. Somente aos pequeninos, aos que se sabem e reconhecem humildes, servos, pobres, necessitados de um Salvador, o Senhor se revelará. Que não nos achemos maiores do que somos. Que não olhemos nosso próximo como inferior a nós mesmos. Que, ao olhar para nós mesmos, possamos voltar nossos olhos para DEUS: e, diante de Sua grandeza, reconhecer nossa pequenez. E que, apesar de enxergar nossa pequenez, não desacreditemos das grandes coisas que Ele pode fazer através de nossas vidas neste mundo: por causa de quão grande Ele é!


Que possamos dizer como Maria, mesmo sabendo quem nós somos: “Aqui está a serva do Senhor: que se cumpra em mim conforme a tua palavra”. Amém.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

La vie...


Ai, ai... a vida, a vida...

Parando pra olhar pra trás, sempre me pego contemplativa sobre a vida. Quantas coisas.

Quanto já se passou, quanto já mudou, quanto já mudei. Quanto minhas convicções, minhas crenças, meus sonhos, meu eu já foram testados, e continuam sendo, nessa estrada cheia de curvas que é a vida. Quanto de mim já ficou pelo caminho, e quanta coisa nova se acrescentou. Pessoas que eu pensei que ficariam pra sempre, hoje já não estão e, mesmo continuando a fazer falta, passaram, como a vida passa. Mas gente nova também se achegou. E a verdade é que eu vivo assim, nessa labuta de perder e ganhar, sem querer abrir mão de tanta coisa, cheia de saudade, em minhas paradas nostálgicas, relembrando e desejando voltar. Tenho parado por aqui para relembrar de mim mesma, aquela menina sonhadora e sempre cheia de inspirações e coisas para contar. Sinto saudade dela, muitas vezes, nos dias de hoje. Acho que ela chegou na adolescência e/ou juventude, e aquela fase sempre barulhenta e corrida de se definir aonde se vai. E, nessa correria, às vezes precisa mesmo se obrigar a aquietar e ser menina de novo. Vou e volto a este canto, para reaprender o que já havia aprendido, relembrar o que não pode ser esquecido, olhar novamente para o mapa e manter o foco no plano. E isso é tão bom... Ainda vivo esperando ansiosamente o porvir, mas talvez com mais calma agora, com mais paciência. Ver alguns sonhos se aproximando mais e mais e poder sentir paz, no lugar das antigas palpitações e dilatações da pupila, é algo muitas vezes estranho, mas também é bom, eu acho. Tô tentando aprender isso também. Acho que tenho dificuldade em compreender essa nova fase, esse processo de transição e quanto se deve lutar pelas coisas dos passos iniciais. Mas acho que, um dia, vou acabar entendendo. O fato é que o rio continua correndo, e a vida também. E a melhor conclusão que posso ter, sempre e sempre, depois de todas as minhas meditações, no outono ou no inverno, na primavera ou no verão, é que Ele continua aqui. Ah, meu grande alívio! Minha grande esperança! Minha força sobre todo e qualquer tempo! No fim, Ele tem me feito concluir, por graça, essa graça infinita e quase inacreditável, que Ele continua aqui. E continuará. Sempre. Sempre. E como Ele me ajudou a dar os primeiros passos, como Ele me ensinou a andar e, depois, a correr, Ele é quem continuará me ensinando os passos, grandes e pequenos, para prosseguir. Meu guia a me mostrar para onde dobrar. Meu protetor na hora do perigo. Meu sustentador na hora da fraqueza. Meu consolador e meu amigo. Meu Pai e meu Salvador. Sempre. Sempre. Ele esteve no meu passado. Ele está agora. E Ele já está lá na frente, em qualquer que seja o futuro que me espere. Ele estará lá. E que tesouro mais precioso eu poderia ter? Ele estará lá! Posso descansar. Eu posso me alegrar! Posso ter a certeza de que serei feliz – pois Ele estará lá!

Eu não sei o que virá. Não sei quantos dos tesouros que hoje me são tão valiosos permanecerão. Não sei quanto de mim mesma permanecerá. Mas de uma coisa eu tenho certeza: meu Senhor estará lá esperando por mim, preparando tudo para mim. E é assim que meu coração encontra paz, e fé, e força para ir em frente. E ser feliz.


Vamos caminhar...

sábado, 5 de abril de 2014

Desacelerar...

 
Coisa boa na vida é mesmo desacelerar. Boa e necessária. Que ritmo frenético nos impomos, a tal ponto que vamos perdendo aquele doce dom de contemplar. Deitar numa rede, olhar as estrelas - ou mesmo o céu escuro - ouvir o silêncio da noite. Não falar, não precisar pensar em nada especial, só parar e contemplar. Talvez, até mesmo em nosso caminhar com Deus, tenhamos sido infectados pelo utilitarismo e pragmatismo de uma maneira tão sutil e gradual que fomos nos tornando ativistas sem perceber. Sempre preocupados, sempre com tanto a fazer que, como Marta, pelo muito zelo, tendo o Mestre ao seu lado, não conseguiu entregar o coração: quase perde a melhor parte. Como precisamos aprender com Maria, que sentou e adorou: e foi o Mestre quem falou que ela havia escolhido a melhor parte. Fazer silêncio, aquietar, cobrar menos, fazer menos. Só ouvir, sem precisar falar. Sem saber a coisa certa a falar. Se deixar amar e cuidar. Receber. Estar. Eis um dom que preciso aperfeiçoar. Desacelerar. Simplificar. Viver o que é essencial. Viver o que vale a pena. Concede-me, Senhor.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Dádiva de ser simples...


 
Aquelas horas em que se gostaria de ser mais simples – a vida e você. Não ter medo de dizer que ama, que sente saudade, que gostaria de estar junto. Menos esconderijos, menos meias palavras, menos matemática, mais simplicidade. Ser quem se é, sem tanto planejar. Poder abraçar com liberdade, sorrir sem freios, falar o que vai no coração. E chorar, se for preciso, de alegria ou de dor. Não precisar fingir estar tudo sempre bem – mostrar sua fragilidade, sua humanidade, suas emoções. Dizer mais vezes o quanto você sente pelo que fez ou deixou de fazer, sem medo de não ser compreendido. Pessoas: a obra mais bela, mas também a mais complicada de Deus. Elas que tornam tudo tão lindo, mas também tão complicado. Pessoas de quem se espera tanto e também tão pouco. Ah, se fôssemos mais aconchego e menos juízo, mais colo e menos cérebro, mais gente, mais leveza, mais simplicidade. Quanto tempo de beleza perdemos em nossa jornada, pela falta dessa rica simplicidade. Pedindo esse presente ao Pai: a dádiva de aprender a ser mais simples...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

É ela...




Ela é toda leveza. Aquela presença meiga, querida, amiga. Quer lembrar dela? É só pensar num belo poema, daqueles que falam das coisas simples da vida, de pôr-de-sol, de arco-íris, de uma casinha com jardim e passarinhos. Ela é aquela vontade gostosa de dançar com a brisa, de correr, sorrir, tomar banho de chuva, andar de mãos dadas, distribuir abraços... Ela é aquela esperança de que sonhos podem se tornar reais, de que o universo e a vida continuam além dos olhos, em matizes muito mais cintilantes, doces, alegres... Ela é o balançar das árvores, a oponência dos montes, o passeio dos mares, o entardecer. Um pequeno barquinho, uma história antiga, um sono de rede, um colo, um ouvir, um olhar... É ela a mulher-menina, que ainda brinca de roda e chora de emoção, mas que também sonha com o futuro à frente e, em seu doce coração adolescente, suspira o amor que chegará. Somente uma menina, e nada além disso. Um brilho do olhar de Deus neste mundo. É ela...

#ComemoraçãoMyNiver x)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ah, menina peralta...



Não sei ser o tipo filósofa. Não sei construir pensamentos complexos, com palavras difíceis, verdades implícitas, jogos de mente e sacadas incríveis. Não tenho aquela capacidade intelectual das almas artistas que conseguem falar tão misteriosa e enigmaticamente. Não sei ser tão profunda assim. Na verdade, sempre olhei pra mim mesma e reconheci uma menininha peralta a me sorrir. Queria fazer viagens mais sociológicas e intelectuais, mas a menina sempre insiste em correr num campo atrás de passarinho ou conversar com flores, cachorrinhos e árvores. Eu invejo as mentes brilhantes – confesso que já me esforcei bastante para me tornar uma. Mas, por algum motivo, meu cérebro simplesmente não assimila nomes, datas e teorias de nomes esquisitos. Então, tenho que me conformar com a menina. Ainda bem que ela tem um sorriso bonito.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um mundo de solitários...




Neste dia, pude parar para enxergar como o mundo que vivemos é um mundo de solitários. Uma das grandes crises do tempo que vivemos é exatamente a solidão. É o paradoxo de nosso século: nunca houve tanta facilidade de comunicação, e tantas comunicações superficiais; nunca houve tanta rapidez para se estabelecer relacionamentos, e tanta rapidez para desfazê-los; nunca pudemos conhecer tão facilmente novas pessoas, e nunca nos sentimos tão pobres de amigos reais; nunca tivemos tantas pessoas acompanhando nossa vida, e nunca nos sentimos tão sós. Estamos vivendo a crise dos relacionamentos – perdemos, cada vez mais, o entendimento de como é um relacionamento real (e não virtual), com pessoas de carne e osso (e não com fotos na tela de um computador), com seres humanos que choram e tem problemas e defeitos (e não com os rostos sempre sorridentes das redes sociais). E, assim, tão “cheios de amigos”, a maioria de nós tem convivido insistentemente com a solidão.

Percebi isso hoje, olhando ao redor. Como a maioria das pessoas pode se queixar de sentir falta de amigos – pessoas com quem compartilhar a vida, pessoas pra andar junto, de mãos dadas, alguém para quem correr na hora da dor, alguém pra aconselhar na hora em que não sabemos o que fazer, alguém que saiba nossos defeitos e nos ajude a consertá-los e, em especial, alguém para nos ajudar a andar com Deus. Temos sofrido, a maioria de nós, de uma solidão mascarada com sorrisos e gargalhadas virtuais. Isso é muito triste! O que é ainda mais triste? Isso tem acontecido dentro da Igreja de Cristo! No lugar em que deveríamos nos sentir parte de um Corpo, como Família de Deus, como irmãos e iguais, muitos e muitos e muitos tem se sentido, simplesmente, sós.

Aí se torna fácil entender porque, em nosso tempo, as pessoas têm se tornado tão afeiçoadas a animais de estimação. Você consegue perceber? Aquele carinho que gostaríamos de receber de alguém, que gostaríamos de oferecer a alguém, mas não conseguimos fazê-lo, passamos a receber e oferecer a um animal. O mais trágico é que, infelizmente, na maioria das vezes um pequeno animalzinho, frágil, humilde, que não tem vergonha de mostrar quanto precisa de você e quanto é feliz por sua companhia, nos faz sentir mais especiais do que as pessoas que estão ao nosso lado. A que ponto nós chegamos!

Mais uma consequência do mundo individualista e egoísta em que vivemos. Fomos treinados para olhar tanto para nós mesmos e nossas necessidades, que esquecemos o outro – e o outro esqueceu de nós. E todos se esqueceram de qualquer coisa que não seja seu próprio eu. E, assim, todos abandonaram e todos foram abandonados. Ficamos, no fim, sozinhos. Ao olhar tanto pra mim mesmo, esqueci o outro e ele me esqueceu. Desaprendemos a amar. Aquele amor que diz: “Minha felicidade é ver você feliz”. Desaprendemos o amor. Exatamente quando Jesus nos disse que o maior mandamento, aquele no qual se cumpre toda a Lei, é “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, como Ele nos amou.

Amor. Esse é o remédio para a solidão deste mundo de solitários. Não podemos mudar o outro e fazê-lo nos amar e suprir nosso sentimento de solidão. Mas, nestes dias, em que eu enfrentava meu próprio sentimento de solidão, fui à minha igreja, com o coração abatido e cheio de lágrimas, na esperança de que alguém chegasse comigo para me perguntar como eu estava e demonstrar se importar comigo, e sabe qual foi a minha “surpresa”? Isso não aconteceu. Ao invés disso, durante aquele culto, o meu próprio Pai, com Seu Espírito Santo, revelou, através de Sua Palavra, mais uma vez, o SEU AMOR por mim! Aquela necessidade tão grande de ser amada não foi suprida por pessoas, mas foi suprida por Aquele que me amou desde toda eternidade e me afirma que continua me amando – sempre. Não há amor maior que este! Mas, não parou por aí. Ele me supriu, mas também abriu meus olhos para ver a solidão DO OUTRO. Quando eu fui praquele lugar em busca de afeto alheio para mim, o Senhor me mostrou o quanto há pessoas precisando do MEU AFETO. E essa foi uma experiência tão forte e tão bonita! Pude entender que Deus cuida de minhas feridas, para que eu possa cuidar das feridas daqueles que estão ao meu redor. Que o tempo que perco chorando por meu próprio mal, eu posso usar para ajudar a sarar a ferida do outro, enquanto Deus mesmo sara as minhas.

Entendi que não preciso aceitar fazer parte desse mundo de solitários, pois ainda que não haja mais ninguém do meu lado, ainda que pareça não haver nenhum olhar sobre mim, se preocupando com minha vida e meu coração, há o olhar dAquele que deu Seu Único Filho por amor a mim, dAquele que entregou sua própria vida em morte de cruz por amor a mim, dAquele que veio habitar em mim e prometeu estar comigo “todos os dias até a consumação dos séculos” e ser meu Auxiliador e meu Consolador. Ainda que não haja nenhum outro amor, estou em Cristo e, nEle, sempre poderei encontrar a paz, a segurança, a alegria de ser amada e preciosa que minha alma necessita. E que Ele me supre com um amor tão grande para que eu também possa semear este amor nas vidas daqueles que estão sós.

Assim, se você também tem se sentido só, se a solidão tem enegrecido seus dias e assombrado seu coração, saiba de uma coisa: sua vida não precisa ser de lágrimas e de pesar. Há uma fonte de amor que nunca cessa, e que é totalmente capaz de preencher todo e qualquer vazio dentro de nós, a ponto de transbordar. Essa fonte se chama Jesus Cristo. E essa fonte é oferecida a você de graça e por graça.

E lembre-se também que, assim como você tem sofrido com essa dor que é dilacerante, muitos e muitos e muitos (mais do que podemos imaginar) ao seu redor também tem sofrido por isso. E, assim como você espera uma palavra de amizade, um cuidado, um abraço, um “como você está?”, um ouvido atento, um ombro amigo, há muitos ao seu redor que também esperam isso de você. Semeie amor, e o amor retornará para você.

Finalizo com as palavras de Paulo:

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá.” (I Coríntios 13. 1-3)

Reaprendamos a amar.

Somente a Deus seja a Glória.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Reconhecidos pelo quê?


Pelo quê nós queremos ser reconhecidos pelos outros, quer no presente ou no futuro? Pelo quê queremos ser lembrados por aqueles que tiveram a oportunidade de nós conhecer ou de ouvir falar de nós? O que queremos que seja falado a nosso respeito quando alguém perguntar sobre quem somos?

Essas perguntas começaram a surgir em minha mente e coração de forma especial em função dessa condição meio “pública” de ser “blogueira” e depois de observar como os blogs cristãos têm crescido em número, especialmente aqueles voltados para jovens e que acabam, quase sempre, convergindo para os assuntos sobre romance, namoro, casamento e semelhantes – como acaba sendo também o caso do Mulheres Virtuosas, até certo ponto.

Então, aquela doce voz do Espírito Santo, que testifica com o nosso espírito, começou a soar em minha mente e coração: pelo que você quer ser reconhecida? O que você quer que as pessoas falem, em primeiro lugar, quando falarem de você? E, por fim, uma última pergunta: Qual é a bandeira que elas lembrarão que você esteve carregando?

E a grande questão aqui é: nós dedicamos tanto tempo levantando bandeiras do tipo “côrte”, “romance cristão” e focando nesse aspecto específico da vida cristã, falando repetidas vezes sobre ele, e tantas vezes floreando nossas expectativas a respeito da chegada do “romance de Deus” para nossas vidas que esse passa a ser o grande aspecto pelo qual somos reconhecidos. E passamos a, de alguma forma, querer ser reconhecidos por ele – “a pessoa que defendeu e viveu os princípios da côrte”, ou algo assim.

Não é que estas coisas não tenham a importância devida para serem tratadas repetidamente, porque tenho comentado aqui diversas vezes sobre quanto tenho sido convencida da importância de se abordar esse assunto, porque ele tem sido uma das principais fontes de quedas e desvios entre jovens cristãos. Porém, quantos sites cristãos têm sido reconhecidos quase que exclusivamente, ou prioritariamente, por tratarem do aspecto de relacionamentos entre jovens? E minha pergunta a mim mesma é: até que ponto meu próprio blog tem sido reconhecido por isso? Até que ponto as pessoas têm vindo até aqui somente para ler mais alguma coisa que fale sobre romance cristão? E até que ponto isso tem tomado o lugar que deve ser dedicado exclusivamente a Cristo – em minha vida e em suas vidas?

A questão é que ainda que Deus mesmo nos dê bandeiras específicas para levantar, lutas específicas para lutar, as quais têm a ver com o chamado especial e individual dEle para nossas vidas, essas coisas não são fins em si mesmas – elas são meios. Devem ser meios. Meios de glorificar mais Deus, em Cristo, fazê-Lo mais conhecido e mais honrado em nossas vidas e através delas. A vivência de princípios corretos para o romance não é um fim em si mesma, a formação de uma família no modelo bíblico não é um fim em si mesma, até porque mulçumanos e judeus têm se aproximado muito mais desses padrões do que a maioria de nós, cristãos – contudo, isso não é uma vitória por si só. Todas essas coisas são bandeiras que valem à pena ser levantadas, acima de tudo e em primeiro lugar, quando forem fontes para honrarmos mais a nosso Deus e o glorificarmos mais nessa terra. Esse é o objetivo de todas as coisas.

E, em minhas reflexões sobre minha própria vida, é por isso que eu quero ser reconhecida. É por isso que eu quero que o Mulheres Virtuosas seja reconhecido. Porque fala sobre Cristo, e não porque fala desse ou daquele assunto. Porque prega a Cristo e não porque fala de coisas bonitas. Porque é o instrumento, ainda que fraco, que o Senhor tem me dado a graça de ter para falar de Quem Ele é, das coisas que o honram e agradam, das coisas que Ele espera de nós, de forma que Cristo seja mais conhecido e engrandecido. Quero que falem de mim: “A bandeira dela é Cristo!” – e todas as demais coisas são somente meios para chegar a Ele.

Meu GRANDE anseio é que, um dia, se possa falar sobre mim palavras como as que Jonathan Edwards falou sobre Sarah Edwards, antes dela se tornar sua esposa, quando ainda pouco se conheciam:

“Dizem que em [New Haven] existe uma moça amada do Grande Ser, Aquele que criou e governa o mundo. Dizem que em certos períodos este Grande Ser vem ao encontro desta moça e, de uma maneira invisível, enche-lhe os pensamentos com extraordinário deleite; e que ela dificilmente se interessa por qualquer outra coisa, exceto meditar nEle... [Você] não pode persuadi-la a fazer qualquer coisa errada ou pecaminosa, ainda que prometa dar-lhe o mundo inteiro, pois ela receia ofender a este Grande Ser. Ela possui muita doçura, tranqüilidade e total benevolência de pensamento; especialmente depois que este Grande Ser se manifestou a ela. Às vezes, anda de um lugar a outro, cantando com doçura; e parece estar sempre cheia de alegria e gozo... Ela ama estar sozinha, passeando pelos bosques e campos, e parece ter Alguém Invisível sempre a conversar com ela.” ¹

Ainda me vejo TÃO longe de chegar a um amor, desejo e intimidade tão grandes com o Pai a ponto de se poder dizer algo o mínimo próximo de palavras como estas. Porém, Deus sabe o quanto eu quero poder, um dia, chegar a algo semelhante a isto. Ser reconhecida pela Presença deste Grande Ser tão maravilhoso, e por Ela acima de qualquer outra coisa.

Que a bondade dEle me conceda mais esta graça!

E você? Quer ser reconhecido pelo quê?

[¹ Do livro “Mulheres fiéis e seu Deus maravilhoso”, de Noël Piper, Editora Fiel, pág. 19 e 20]

domingo, 23 de outubro de 2011

Louco demais!



Já tem um tempo que venho sentindo minhas palavras escasseando. Por vezes, me pego pensando: "Nossa, Aline, você já teve um vocabulário mais bem elaborado!". Isso porque tenho me percebido repetindo com muita frequência a expressão "Louco demais!". Mas, creio que há uma explicação.

Pela graça infinita de Deus, tenho vivido um tempo de renovo no Senhor. De reaproximação, de conhecê-Lo mais, de voltar a andar com meu Pai e ouvir dEle, de voltar a sonhar os Seus sonhos e desejá-los com paixão. Tenho visto revelado em minha mente e coração o poder da Palavra de Deus, a grandeza das verdades ali descritas, a IMENSIDÃO de Quem DEUS é e, acima de tudo, desse AMOR com que Ele tem nos alcançado. E, diante de tudo isso, tenho sentido minhas palavras serem totalmente inadequadas! Olho para tudo isso, penso em todas essas coisas e simplesmente... não tenho o que dizer! Simplesmente NÃO DÁ pra expressar a intensidade do que vai na mente e no coração! Então, só me resta dizer: "Isso é louco demais!".

É assim que sinto. Qualquer outra palavra mais bonita ou rebuscada não seria suficiente nem pra chegar perto de descrever o que se passa comigo diante de todas essas reflexões. Paro, contemplo todas essas coisas e a única conclusão que consigo chegar é que isso tudo é LOUCO DEMAIS! [rs] Sei que, talvez, isso não pareça muito "respeitoso", ao tratar das características e manifestações desse DEUS INDESCRITÍVEL, mas é que, perante essa grandiosidade esplêndida, me sinto um nada. Aliás, menos que nada. Alguém TÃO TÃO pequena, diante de coisas TÃO TÃO grandes, que parece mesmo loucura! Agora mesmo, falando com Deus, pedi desculpas pela possível "falta de respeito", mas disse: "Pai, o Senhor é louco mesmo!". [rs] Não é à toa que, somente através da ação do Espírito Santo em nossas vidas, podemos compreender as verdades da Palavra de Deus. Porque elas são, realmente, loucura para o homem natural. Elas são totalmente contra toda a razão humana!

A cada dia que reflito mais sobre o AMOR de Deus, sinto minha capacidade intelectual ou racional ir diminuindo! Porque penso, penso, penso e penso, mas entender como O DEUS de todo o universo - de todas as MILHARES DE GALÁXIAS que existem no universo - pode AMAR a humanidade e, ainda além disso, pode AMAR, de forma PESSOAL, alguém como EU, me parece a MAIOR LOUCURA que possa existir! Eu sei que o Senhor ainda me ajudará a compreender, receber e viver mais desse amor durante o restante de minha vida, até porque se Ele derramasse um pouquinho mais do que essa gotinha de reflexão do que tem derramado até aqui, eu ficaria louca de fato! rs. Mas, tenho certeza de que não será possível compreender toda a amplitude desse "AMOR LOUCO" até estar frente a frente com ELE. (Aliás, outro pensamento louco! rs)

O que quero dizer com tudo isso é que nós precisamos, em nossas vidas cristãs, dessa perplexidade com as coisas de Deus! Fico pensando em como podemos ouvir falar DELE, do que Ele fez e tem feito, de JESUS e Sua vida aqui no nosso meio (como pode isso?!) e Seu sacrifício por NÓS, desse AMOR que tanto se repete na Bíblia, dEle ainda se dignar a nos CHAMAR para participar do Seu plano eterno para esse mundo... e não ficarmos pasmos, impactados, magnificados com tudo isso? Como podemos NOS ACOSTUMAR com essas verdades?

Por isso, minha oração a Deus tem sido para que Ele não me permita acostumar. Que Ele não me permita, e não nos permita, deixar de ver a IMENSIDÃO do significado dEle mesmo e de Sua mensagem para nós. Que não deixemos isso passar. Que não deixemos de ser quebrados com essas revelações. Que nossos ouvidos não estejam tão familiarizados com Seu Nome e a descrição de Seus feitos a tal ponto que paremos de nos maravilhar com eles. Mas que, ao invés disso, o Seu Espírito Santo, Consolador e Revelador abra meus olhos, e nossos olhos, dia a dia, momento a momento, para contemplar a GRANDEZA DA SUA GLÓRIA e, assim, render a ELE a HONRA, O LOUVOR, A ADORAÇÃO que são dignos SOMENTE DELE!

Totalmente maravilhada nEle...

Eu.

domingo, 8 de maio de 2011

Por que estou vivo? (F.P. Mastrillo)

Não sei como expressar o quanto essas palavras descrevem uma das minhas grandes lutas: a pergunta "Por que estou vivo?" feita mediante as infindáveis trivialidades do dia-a-dia que parecem desviar nossos olhos ou meu tempo das coisas eternas! Minha mente e meu coração vez por outra entram em crise em função da culpa que sinto por estar vivendo coisas tão "normais", enquanto penso que essas coisas não têm nenhum sentido diante daquilo que soa como "tremendamente mais divinal". Então, confesso, como fez o Mastrillo, que tendo a pensar que o caminho certo deveria parecer como este da foto. Cinza, cabisbaixo, solitário. É incrível como este engano costuma rondar minha mente. Mas, novamente concordo com o Mastrillo e louvo profundamente a Deus por sua vida, que não precisa ser assim. Nossos risos e pequenas alegrias (por mais sem significado que possam parecer) não são errados e não devem ser excluídos do caminho. Mas devem ser vividos para a GLÓRIA DE DEUS!
 
Enfim, o texto. ;] 
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"Sempre fiquei me perguntando constantemente porque eu faço determinadas coisas, mesmo aquelas que fazem meu coração disparar e se alegrar ( como jogar futebol ) como aquelas também que eu faço só por fazer, talvez por ser parte de um grande sistema ou talvez por ser uma obrigação da sociedade ou dos meus pais. Por que estudar? Por que trabahar? Por que fazer isso ou aquilo se tanto isso como aquilo não são tão importantes? Como cristão, será que a gente não deveria viver uma vida que só fizesse coisas que realmente importam e são eternas? Coisas duradoras; permanentes, gloriosas?
 
Boas perguntas.
 
Sim, eu confesso que realmente pensava que o caminho deveria ser esse de cima. Mas na minha opinião, não é. Porque nada nessa vida é sem sentido quando Deus é levado em conta. E quando Deus é levado em conta tudo recebe um toque diferente.
 
Vivemos por algo maior, algo mais duradouro, algo mais poderoso, algo mais eterno, a saber, Deus. Essa é razão maior de tudo. Não estamos aqui para trabalhar, não estamos vivos para estudar, não estamos em pé para fazer amigos, não estamos vivos para desfrutar somente da vida. Façamos o que façamos, pensemos o que pensemos, estamos aqui por esse motivo:
 
"De longe tragam os meus filhos, e dos confins da terra as minhas filhas; [ ... ] a quem crie para minha glória..." ( Is 43:6,7).
 
Estamos aqui para glória de Deus. Em outras palavras, estamos aqui para estudar, trabalhar, viver, fazer amigos, rir, conversar, contar piadas, jantar em família, soltar um pum ( não ri, não, é sério), comer, dançar, cantar, ler C. S. Lewis e tantas outras coisas PARA GLÓRIA DE DEUS. Sim, podemos fazer tudo isso para glória de Deus, porque a palavra mesmo diz: "Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus" ( 1 Co 10:31). Então, por mais sem sentido que uma atividade possa parecer, mesmo assim ela não precisa ser sem propósito, porque sabemos que estamos, no final das contas, fazendo isso ou aquilo para que Deus seja mais glorificado nas nossas vidas e para que as pessoas vejam que existe um Deus verdadeiro e esse Deus é, de fato, glorioso a tal ponto de tornar todas as nossas simpes atividades e afazares e lazeres em algo tão relevante, tão espetacular.
 
E o melhor de tudo, Deus não está esperando de você total perfeição, Ele espera total dedicação - que siginifica que você deve levar a sério o fato de viver para glória dEle. As vezes, não seremos bons em determinadas coisas, por exemplo nos estudos. Mas todos nós sabemos, de uma forma ou de outra, que o que toca as pessoas de forma mais profunda do que qualquer outra coisa é a humildade de reconhecer que nós não somos tão bons assim e que precisamos nos dedicar mais, nos esforçar mais, além do interresse genuíno nelas. Quando as pessoas percebem esses três elementos ( humildade e esforço e interresse ), ganhamos o espaço para tocar seus corações. Não precisamos ser os melhores alunos, precisamos apenas levar a sério o viver para glória de Deus. Notas máximas não contam tanto como notas boas que foram tiradas mediante trabalho pesado, enquanto não nos esquecíamos das pessoas ao nosso lado e que devemos viver para glória de Deus mediante tudo isso. Porque as vezes, um 8 é o 10 de Deus e um 10 é o 6 de Deus. Já pensou sobre isso? Os fariseus tirariam sempre 10 nas provas, mas Jesus diria sem dúvida alguma que eles estavam tirando notas muito baixas diante de Deus.
 
Mas a verdade de viver para glória de Deus não é algo fácil, mas não é algo torturante. Se estamos fracos, devemos correr para Deus assim como um celular correria para seu carregador quando visse que sua bateria estava acabando. Mt 11:28 - 30 deixa isso bem claro. Mas também não quero dizer que não há sofrimento e momentos dificeis. Não é nada disso. Há lágrimas e sorrisos, mas nunca desespero e tormento como deixa claro 2 Co 4.
 
Portanto, uma razão para se viver, a maior de todas elas, é viver para glória de Deus e viver fazendo tudo - trocar pneus, comprar um relógio novo, estudar, viajar, comer uma pão de queijo, tomar um "mate-coro", ler livros, trabalhar as vezes onde não nos sentimos tão bem - tudo isso deve ser feito para glória de Deus, lembrando sempre que vivendo assim pessoas serão tocadas para conhecer esse Deus glorioso que dá propósito a tudo.
 
Concluo dizendo o seguinte: nada é sem propósito quando Deus é levado em conta. E quando Deus é levado em conta Ele toca tudo de forma gloriosa. E nós sorrimos, porque não há outro jeito melhor para se viver. Essa é uma razão para se viver, a maior de todas elas. Assim, nada que façamos será sem sentido, porque o nosso propósito está além das coisas que vemos. Então, faça tudo que uma pessoa normal faria (as coisas certas) sem sentir peso na consciência de estar vivendo para coisas triviais, porque você não estará. Tudo é para glória de Deus; tudo é para que Ele seja conhecido; tudo é para que as pessoas vejam a Deus através da sua vida como Deus glorioso que dá propósito a tudo.
Por que eu estou vivo?
 
 
Não preciso mais temer a pergunta, porque tenho uma boa resposta. E você?"
Com amor e alegria,
F. P. Mastrillo
 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Apenas seres humanos


Domingo passado estava participando da classe de jovens da EBD (Escola Bíblica Dominical) de minha igreja e iniciou-se um estudo sobre o livro de Salmos. Já no finalzinho da classe, um jovem pastor que a estava visitando fez alguns comentários sobre os Salmos, que os mesmos eram, na verdade, manifestações pessoais de indivíduos a respeito de momentos que eles estavam passando. Não era sobre ou para os outros, era sobre eles mesmos. 

E, então, começamos a conversar sobre como estes escritos, ainda que de cunho pessoal de seus compositores, se aplicavam às nossas vidas e às da maioria das pessoas. Como é fácil nos identificarmos com os Salmos. E isso, principalmente, porque eles refletem os mais diversos momentos pelos quais passamos: os bons e também os ruins. 

E falamos sobre Davi, o escritor de grande parte destes livros. Davi era rei de Israel, tinha um alto posto e era conhecido por todos. Mas, mesmo assim, permitiu-se ser tão honesto e transparente consigo mesmo, com Deus e com os outros, que foi capaz de compor Salmos que expressavam extrema tristeza e pedidos de ajuda desesperados. Ele não tentou fingir que estava tudo bem todo tempo, porque ele era o rei e por isso não podia mostrar-se fraco para com seus súditos. Davi foi real. Apenas um ser humano.

E ele foi Davi, o homem segundo o coração de Deus. Aquele a quem tantos de nós querem imitar. Um grande homem. E essa é uma das belezas do livro de Salmos: nos identificarmos com estes homens, pessoas como Davi, e vermos quantas semelhanças existem entre nossas realidades pessoais.

O jovem pastor que estava conosco comentou que sua maior dificuldade enquanto pastor era exatamente o fato de as pessoas sempre o enxergarem como “o pastor fulano”, e não como uma pessoa normal, que tem momentos bons e maus, de força e de fraqueza, que tem momentos nos quais pode oferecer algo bom e outros nos quais não pode. Falou do trabalho, de dias em que não estava bem, não queria falar com as pessoas e, então, as pessoas vinham perguntar a ele se estava com raiva delas, e ele tinha que inventar desculpas para justificar o seu dia ruim. E essa é a realidade que a maioria de nós vivemos. De ambos os lados da situação.

De um lado, parece haver uma determinação absoluta de que ninguém pode ter dias ruins. Ninguém tem o direito de não ser legal, de não querer muito relacionamento, de querer ficar sozinho. Precisamos ser sempre os políticos da boa vizinhança. Todo tempo estamos sendo cobrados a estar sempre fortes, alegres e esbanjando felicidade e boas maneiras. Do outro lado, com mais freqüência do que percebemos, nós somos essas pessoas que cobram todas estas coisas dos outros.

Mas acontece que não é essa a realidade constante de nossos corações. Ninguém está sempre bem, sempre com tudo muito bem organizado em sua vida, naquela nuvem de paz e satisfação. Todos temos momentos difíceis, dolorosos, cheios de dúvidas, com medo, sem forças, com pouca disposição para se relacionar ou fazer qualquer outra coisa. E isso é normal! O livro de Salmos nos mostra isso. O capítulo 3 de Eclesiastes também fala sobre isso: tempo para chorar e tempo para se alegrar. Mas quão difícil é para o ser humano entender isso. Ou melhor, entendemos para nós, mas não para o outro.

Há um tempo, uma amiga muito querida estava passando por um desses momentos turbulentos em que parece que todas as dificuldades surgem ao mesmo tempo. E ela me mandou um e-mail pedindo desculpas porque não estava sendo “a amiga que deveria ser”. Ela se sentia culpada por não estar sendo forte como deveria, porque não sentia vontade de conversar com ninguém e, assim, achava que me devia desculpas, e a todo mundo. 

Onde nós chegamos? A ponto de um amigo ter que pedir desculpas a outro porque não consegue estar todo tempo bem, porque não tem sempre vontade de conversar, porque nem sempre pode rir e se alegrar junto com o outro, porque não pode ser perfeito? E, infelizmente, muitas vezes, mesmo sem percebermos, nós temos sido os amigos que cobram que os outros sejam assim. Esquecemos que eles são apenas seres humanos.

Queremos transformar os seres humanos em deuses: infalíveis, onipotentes. E esse é um dos maiores erros que cometemos. Vivemos nos frustrando com relacionamentos exatamente porque esperamos perfeição do outro. E o pior é que comumente somos rígidos ao extremo com o outro, e negligentes conosco mesmos. 

A vida não é assim. Não é um conto de fadas onde todos vivem “felizes para sempre”, o que não inclui nenhuma dificuldade, tristeza ou dor. 

Precisei dizer para a minha amiga que ela não precisava se sentir culpada por ter falhas e por estar fraca. Deus não espera que estejamos sempre fortes. Os salmistas nos mostram isso. Cada profeta, apóstolo ou discípulo de Cristo que deixou seus registros na Palavra nos mostra isso. Foram apenas seres humanos, capacitados pela graça de Deus, lutando um Bom Combate com risos e dores, mas sempre perseverantes. Nosso próprio Salvador teve momentos de aflição, de lágrimas e de medo. Por que deveríamos esperar que fosse diferente conosco ou com aqueles com quem nos relacionamos?

Não somos super-heróis, nem deuses. E os outros também não são. Precisamos nos lembrar sempre disso. Somos humanos alcançados pela graça de Deus, mas ainda apenas seres humanos.

Criei o vídeo dessa música num desses momentos em que o mundo nos cobra que sejamos super-heróis. E quando entendi que não preciso ser. "Se eu quiser chorar, não ter que fingir, sei que posso errar e é humano se ferir..."