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segunda-feira, 19 de março de 2018

Asas e raiz...



Dividida entre a raiz e as asas. Esse amor tão grande pelo ninho construído: meu aconchego, meu porto seguro, minha história de afetos, minha certeza de pertencimento, meus laços, meus tesouros conquistados e guardados com tanto zelo, ano após ano, luta após luta, superação após superação, entre dores e prazeres, lágrimas e risos, sonhos e insônias - meu lugar para chamar de meu, para saber quem sou. E, ao mesmo tempo, essa vontade louca de voar, essa certeza tão convicta de que há mais, há mais de mim mesma para descobrir, há mais de mim mesma para viver, há mais para construir, há mais histórias de amor, há mais desafios a vencer, lágrimas a chorar, risos para rir, aventuras para desbravar, gente para abraçar, força para desenvolver, espaço para preencher, horizontes para contemplar, sonhos para sonhar, há mais... há muito mais. E esse mesmo coração que quer ir, quer ficar, nessa briga eterna aqui dentro, triste e feliz, cheio e incompleto, pleno e insatisfeito, lutando, guerreando, procurando encontrar um caminho, um lugar, um equilíbrio, tentando descobrir como ser pássaro com raízes fincadas ao chão, ou como ser árvore frondosa com asas abertas ao vento. Ah, coração! Aonde iremos nós assim? Como nos resolveremos? Não sem dores: seja por cortar asas, seja por cortar raízes - nessa dança doída de não poder ter tudo que se ama e que se é nessa vida. Porque uma vida só é pequena demais para tanto amar. Voa e permanece. Ama hoje e amanhã. Vai e volta. E tenta. E não desiste. Um dia, ah um dia!, haverá algum lugar em que contradições poderão conviver pacificamente. E, então, se ser feliz.

domingo, 27 de março de 2016

Quaresma – É Páscoa! – Ele Vive! Aleluia!



“Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou.” (Lucas 24.5b-6a)

Ressuscitou! Jesus Cristo vive! Aleluia!

Para renovar, fortalecer, conceder-nos fé. E, por isso, Ele ressuscita em secreto, sem ninguém ver. E revela-se primeiro aos improváveis, aos de menor posição – às mulheres (v. 5-8). Porque essa notícia era para ser recebida pela fé. Não pelo que os olhos diziam ou podiam confirmar. Não pelo raciocínio. Não pelos cálculos da inteligência humana. Mas pela fé. Porque toda a caminhada dali em diante seria pela fé. E Sua ressurreição precisava nos ensinar isso, e conceder, renovar, fortalecer nossa fé.

Para nos lembrar do valor da intimidade e do relacionamento. E, por isso, foi no caminhar ao lado, no ouvido atento, no compartilhar das dores e, principalmente, no partir do pão que Ele se revelou pela segunda vez, aos discípulos entristecidos no caminho de Emaús (v.13-32). Para nos lembrar que Sua ressurreição é para o dia-a-dia, para todos os nossos dias e, em especial, para os dias cansados e entristecidos; que Sua ressurreição era o cumprimento da promessa de que Ele permaneceria ao nosso lado todos os dias, até a consumação dos séculos – e que Ele continua a se importar com nossas dores e a querer participar de todos os nossos momentos, e a partir o pão conosco, o pão da Palavra e o pão para o corpo. Ele ressuscitou para andar com a gente – e é no relacionamento, no coração ardendo, e nos momentos mais singelos de intimidade que O reconheceremos, e que nossa fé e nossa vida se renovarão.

Para renovar nossas esperanças de salvação e vida eterna. E, por isso, Ele faz questão de mostrar aos Seus discípulos que Sua ressurreição foi não apenas em espírito, mas também em carne – possível de ver, de apalpar, de verificar. Porque essa é a promessa de ressurreição que nos foi feita. Porque, provavelmente, se os discípulos não O pudessem tocar e sentir, com seus próprios sentidos, eles pensariam que esta ressurreição era apenas para os seres celestiais, os “espíritos elevados” ou esse tipo de coisa que costumamos pensar quando vemos o sobrenatural de Deus acontecendo na vida de alguém. Mas Jesus lhes concede uma prova, sinal vivo e verificável, para aumentar-lhes a fé e renovar as esperanças da vida vindoura. Uma vida na qual não teremos apenas nossos espíritos, mas nossos próprios corpos ressuscitados e glorificados – como eles foram criados para ser, à semelhança do Messias. Sua ressurreição é também nossa promessa viva e real de nova vida.

Para revelar nossa missão aqui nesta terra: “e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.” (v. 47). Uma vez tendo recebido fé, companhia, esperança e vida real para nossa caminhada, também revelar ao mundo inteiro o caminho para todas essas promessas. Apontar-lhes a porta. Ser porta-vozes das Boas Novas de Deus para a humanidade. Permitir que TODAS AS NAÇÕES recebam estas boas notícias que trazem vida eterna, e ajudar-lhes a alcançar as promessas que, por graça alcançamos, por meio do arrependimento e remissão dos pecados, no Messias enviado, Jesus Nazareno. E não em nossas próprias forças, mas na promessa dada pelo Pai ai Filho, de revestir-nos com o poder vindo do alto.

Para nossa alegria e nossa união. Porque, ao encher o coração de Seus discípulos de júbilo (v. 52) e ao mantê-los sempre unidos, no templo, louvando Seu Nome, Deus seria glorificado neste mundo. Pois, quando o mundo vê discípulos fiéis, regozijantes e unidos em louvor, mesmo após a morte do seu Mestre, o mundo começará a perguntar o motivo da nossa fé – e a também refletir sobre a verdade da Sua ressurreição. Porque é na Sua ressurreição – e no retorno de nosso Mestre ao Pai – que passaram a residir nosso júbilo, nossa paz, nossa esperança, nosso elo. Somos UM nEle. Ele nos une. Ele nos mantem juntos. E, quando assim permanecemos, em amor e regozijo, o mundo O conhecerá. O mundo O verá em nós. Passamos a ser Seu Santuário. Sua Casa. Seu Templo móvel, que pode alcançar o mundo inteiro. É assim que O glorificamos.

E, por todas essas coisas, nosso Redentor Ressuscitou! Ele vive! Aleluia! Nossa maior glória! Nossa maior felicidade! Nossa fonte de alegria e esperança! Nosso Salvador Vive e Reina! E nada mais poderá detê-lo ou superá-Lo! Nem mesmo a própria morte O deteve. Está consumado. Está concluído! E nós recebemos o PRIVILÉGIO, a INSONDÁVEL GRAÇA de ser participantes disto! Aleluia! Nosso Senhor Vive! Isso é Páscoa! Nossa Passagem: da morte para a vida. A Eterna Vida! Ele vive! Aleluia! Vem, Senhor Jesus!


quinta-feira, 24 de março de 2016

Quaresma - Dia 38 - Capacitados pelo Mestre


"Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem" (Lucas 21.14-15)

Às vezes, paro pra olhar pro trabalho que alguns missionários tem feito ao redor do mundo, em realidades tão difíceis, de povos fechados ao evangelho, inimigos declarados de Jesus, e verdadeiros milagres acontecendo e sendo relatados. Vejo pessoas com uma capacidade incrível de compartilhar o evangelho, levar pessoas ao conhecimento de Jesus, abrir igrejas e trabalhos... e aí olho pra mim, desejando dedicar minha vida para esse propósito, e vejo tão pouco da fé, coragem, ousadia, entre tantas outras coisas que vejo nessas pessoas, e fico me perguntando se sou a pessoa certa para essa obra.

E quando li esse texto, ele foi pra mim. Porque ele diz que Deus mandaria perseguições e prisões aos seus discípulos, como oportunidade para testemunhar, mas que, quando essas oportunidades aparecessem, eles não precisavam ficar se preocupando com o que iriam falar, porque o próprio Deus colocaria a palavra certa em suas bocas, de tal forma que ninguém poderia resistir nem contradizer. Isso não é fantástico? Que esperança e segurança isso me traz. Mas também aquela necessidade sempre presente de me esvaziar de mim mesma, de sair do controle, de largar os remos e o volante, e tornar-me dependente. Fé. Entrega. Novamente, o que Jesus vem nos pedir.

De fato, a capacidade para ver os milagres acontecendo, ver o inimigo transformando-se em amigo, ver o perseguidor transformando-se em defensor, ver coisas como líderes mulçumanos, membros do Estado Islâmico, feiticeiros líderes de comunidades inteiras reconhecendo o Senhorio de Jesus e passando a ama-Lo e segui-Lo... não pode vir de esforços humanos - somente do agir do Senhor. E é isso o que precisa ser lembrado. Não somos nós. Quando o Pai me levar para servi-Lo perante os Seus inimigos, não serão as minhas palavras - e nem devem ser - mas as dEle. E isso requer dependência e entrega. Isso requer fé. Uma fé que costuma ser mais difícil de viver do que nossa autosuficiência natural.

Mas a vida cristã e o serviço ao Reino nada mais é do que isso. Não o quanto me capacitei e estou pronta - ainda que toda capacitação seja bem vinda, quando oportunizada. Não é sobre isso. É sobre o quanto tenho estado com o Mestre, entregue, submissa, confiante no Mestre, para poder ser capacitada por Ele. Pois só Ele tem o poder para fazer a obra do Seu Reino cumprir Seu propósito. É no Seu poder e não no nosso. Capacitados pelo Mestre. E que essa seja nossa maior arma, nossa maior confiança e segurança. Menos de nós, e mais dEle. Para que, em todas as coisas, a honra e a glória sejam UNICAMENTE dEle. E que assim seja. Amém.

Quaresma - Dia 37 - Nossas pequenas moedinhas


"Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos" (Lucas 21.2-3)

E acho que nós sempre precisaremos lembrar desse ensino da Palavra. Achamos que Deus está interessado em nossa produtividade, nossa utilidade, quantas coisas temos em nossas mãos para oferecer a Ele, o tamanho de nossas ofertas, o tamanho de nossos dons, nossas capacidades, nosso trabalho, nosso tempo em atividades religiosas... E aí as Escrituras nos falam desta viúva pobre. Lá estavam os ricos lançando suas enormes ofertas e achando-se tão importantes por isso, mas é à viúva que Jesus elogia - com suas duas ínfimas moedinhas. Porque não é com a quantidade da oferta que Ele se preocupa, é com o tamanho da entrega. Não com nossas capacidades à serviço dele, mas com nossas vidas entregues a Ele. Aquela viúva se entregou, integralmente, a ponto de entregar sua sobrevivência - ainda que isso significasse apenas duas moedinhas no fundo do gazofilácio.

E nós precisamos aprender isso com ela e com aqueles ricos. Os grandes montantes entregues por aqueles homens ricos não impressionaram Jesus. Porque Ele olha para dentro, e não para fora. Foi o coração daquela mulher, provavelmente desprezada por aqueles homens ricos, provavelmente se sentindo tão pequena e sem utilidade, provavelmente envergonhada por entregar tão pouco... mas foi o coração dela que despertou a admiração do Mestre. E é assim conosco.

Quanto tempo e energias temos gastado tentando conquistar a admiração do Mestre por meio de nossas muitas ofertas - nosso muito trabalho, nossas muitas atividades, nossa muita inteligência, nossos muitos dons e capacidades... e quantas vezes temos vivido sobrecarregados e infelizes por nunca nos sentir bons o suficiente para agradar ao nosso Senhor, sempre sentindo precisar de mais, sempre nos cobrando uma oferta maior... quando nos esquecemos que não é nada disso o que Ele está procurando em nós. E não é por nenhuma dessas coisas que Ele nos ama. Não é com essas coisas que Ele está preocupado e interessado. E vamos perdendo nossas vidas investindo nas coisas erradas - nas coisas que agradam e conquistam a admiração dos homens, mas não a de Deus.

É nossa vida o que Ele deseja. Nosso coração o que Ele quer. Uma entrega total, amor total, confiança total... é uma condição interna, não externa. É a mudança e o compromisso que nenhum homem pode ver, só Ele pode. E é com isso que Ele se importa. Não interessa qual será o resultado da conversão disso em bens quantificáveis e observáveis. Não importa se serão apenas duas moedinhas. É nossa vida - toda ela - o que Ele quer. Nosso amor. Só. Não precisamos convencê-Lo que somos bons ou dignos de ser amados. Nós não somos. Mas Ele nos ama mesmo assim. Porque escolheu nos amar. Não precisamos ficar nos esforçando para conquistar o Seu amor e aprovação.  Não temos essa capacidade. Ele já nos ama INTEGRALMENTE. Numa medida que não pode ser aumentada ou diminuída. E nada vai mudar esse amor (Rm. 8). Não precisamos nos cansar tanto, sobrecarregar tanto, e nem mesmo nos culpar tanto por não termos mais do que nossas duas moedinhas para entregar. Ele nos ama independente disso. E o que Ele está realmente olhando é se o que entregamos reflete a condição de entrega do nosso coração. Se ela é total, não importa que sejam apenas nossas pequenas moedinhas... é a oferta perfeita e suficiente para Aquele que, dia a dia, escolhe nos amar.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Quaresma – Dia 34 – Vocação de Jesus, nossa Vocação



“[...] lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos” (Lucas 16. 25)

Quanto mais eu leio o Evangelho de Lucas, mas vejo como este ensino de Jesus se repete, vez após vez: Jesus veio para os desprezados deste mundo. Isso é tão claro. Capítulo após capítulo, lá está Jesus e os fariseus opondo-se um ao outro: Jesus aproximando-se dos excluídos, ensinando sobre misericórdia, compaixão e amor; e os fariseus, odiando-O por isso, e nos ensinando sobre orgulho, autojustiça e discriminação. De tudo o que tenho aprendido do estudo deste Evangelho, isso tem se destacado. E, neste domingo, pude perceber ainda mais a profundidade, a extensão, a relevância desse ensino.

Fui visitar uma igreja nesse domingo, onde estava acontecendo o Musical de Páscoa deles, com coral, teatro e dança. Foi lindo. É sempre um privilégio poder VER a história das Boas Novas sendo encenada. Pensar em Jesus como um homem de “carne e osso”, vivendo no meio de homens “de carne e osso”, e imaginá-Lo, por meio daquele homem que O encenava, fazendo todas as coisas que a Bíblia nos diz que Ele fazia. Isso me toca profundamente. Abre minha mente, meus olhos. E senti isso naquele dia. E, particularmente, em um momento da encenação: Jesus reunido com Seus discípulos, alegre, sorridente, e aproximando-se dEle os coxos, os cegos, os endemoninhados... e Jesus aproximando-se de cada um deles com amor, e libertando-os – e, talvez pela primeira vez na vida de algumas daquelas pessoas, AMANDO-OS. Como isso foi profundo pra mim. E entendi que essa era a vocação de Jesus, ou fazia parte de Sua vocação: AMAR. E amar exatamente aqueles que não eram amados – os excluídos, os rejeitados, os desprezados.

A gente, com certeza, não tem ideia de quanto a exclusão de aleijados, endemoninhados, leprosos, doentes, pecadores, etc, era algo forte no tempo e na sociedade em que Jesus viveu. Mas a Lei falava para o povo de Israel separar de seu meio os “impuros”, para não se contaminarem. E o povo transformou essa “separação dos impuros” em exclusão mesmo. E nós não temos como imaginar como se sentiam os leprosos, a mulher do fluxo de sangue, os doentes (que eram considerados pecadores), os samaritanos, os publicanos, as prostitutas, os pobres, etc, no meio daquele povo que se considerava tão santo que não poderia nem se aproximar deles. Não podemos imaginar quanto eles se sentiam impuros, indignos, sujos, lixo naquela sociedade. Porque, provavelmente, eles haviam sido tratados assim durante toda ou quase toda sua vida. E eles também já deviam ter sido convencidos de que eram o que todo mundo afirmava que eles eram.

E aí chega Jesus. Nossa! Isso é tão forte! A gente já tá acostumado com o fato de Jesus se aproximar dessas pessoas, a ponto de não percebermos o significado disso. Mas NINGUÉM se aproximava dessas pessoas. NINGUÉM se importava com elas. Elas eram NINGUÉM. E lá está nosso Mestre: não apenas aproximando-se delas, mas estendendo a mão, tocando, curando, AMANDO. E é por isso que, cada dia mais, eram essas pessoas que se aproximavam de Jesus. Ele quebra todos os protocolos e todos os paradigmas. Descontrói tudo, para, então, reconstruir. Tudo. Estava eu lendo os capítulos 15 em diante do livro de Lucas e percebendo de quantos rejeitados Jesus fala até o capítulo 18: o pecador (representado pelo Filho Pródigo, em Lc. 15.11-32), o pobre (representado por Lázaro, em Lc. 16.19-31), o doente (representado pelos 10 leprosos, de Lc. 17.11-19), o que está fora do nosso círculo religioso (representado pelo publicano, de Lc. 18.9-14), os inúteis (representados pelas crianças, de Lc. 18.15-17), e continua nos capítulos seguintes – o cego de Jericó, Zaqueu. Os desprezados. Até as crianças! Hoje, vivendo numa sociedade que entende seu dever de proteger as crianças, por serem indefesos, não entendemos quanto as crianças eram desprezadas naquela sociedade. Mas muitas sociedades patriarcais, ainda hoje, como no Oriente, ainda as trata assim – não podem contribuir com nada, não tem nada para oferecer, então só tornam-se “alguém” quando crescem e podem participar da “vida da sociedade e da família”. E vem Jesus abraça-las e dizer que para entrar no Reino dEle é preciso receber o Reino como elas.

E, diante de tudo isso, diante do Evangelho lido e visto naquela encenação, entendo que esta é a nossa vocação. Foi para estes que Jesus veio. De tantas formas, a Sua Palavra tenta nos mostrar isso. Foi para os pequenos, os invisíveis, os que são “nada” que Ele olhou. E é para eles que devemos olhar também. Eu olhava para aquele homem, encenando Jesus, curando aquelas pessoas com um sorriso no rosto, e pensava: eu quero ser isso neste mundo também! Quero ser aquela que irá olhar para aqueles a quem ninguém olha, aqueles que se acham ninguém, aqueles que não tem mais esperança, os rejeitados, os sem voz, os esquecidos... quero ser Jesus para eles. Quero fazê-los saber que Deus se importa com eles, que Jesus veio ao mundo para eles e que Ele tem vida nova, plena, eterna para lhes oferecer. Que Jesus tem identidade e propósito para suas vidas. Que eles são importantes, são especiais, são amados por Deus – e que Ele nunca os esquece. Quero ser a presença viva e palpável de Deus nas vidas dessas pessoas. Ir àqueles a quem ninguém vai. Levar amor aonde não existe amor. A vocação de Jesus como minha vocação. A vocação de amar – aqueles que já nem acreditam mais em amor.


Vocação de Jesus, nossa vocação. E que nossas vidas possam ser como a vida do nosso Mestre. Sua missão, nossa missão. Seu chamado, nosso chamado. Sua vida, nossa vida. Que seja assim. Que Ele nos ensine. Que Ele nos ajude. E que possamos ser Seus verdadeiros embaixadores e representantes, fiéis e perseverantes, em amor, neste mundo. Para que Seu Nome seja glorificado. Que assim seja. Amém e amém.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Quaresma – Dia 33 – Aproximando-nos de quem?



“Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir” (Lucas 15.1)

Quem são as pessoas que têm se aproximado de nós? Quem são as pessoas de quem temos nos aproximado? Porque esse texto fala muito de quem era Jesus – e de qual era a Sua missão. Mesmo sendo Santo, mesmo sendo o perfeito Deus, os piores da sociedade (material e espiritual) sentiam-se atraídos por Jesus. E se aproximavam para ouvi-Lo. Ainda que Jesus falasse sobre pecado e o condenasse, ainda que Ele falasse sobre a Santidade do Pai e a necessidade de arrependimento, ainda assim... publicanos, pecadores, impuros, doentes, marginalizados, excluídos aproximavam-se dEle. Enquanto isso, os perfeitinhos e santos, os religiosos “filhos de Abraão” cada vez mais se afastavam dEle.

E nós? Quem são as pessoas que temos atraído? Será que nossa postura, nossa vida atrai os sujos, os pequenos, os marginalizados, os PECADORES deste tempo? Ou, ao olhar para nós, eles enxergam os juízes que só sabem condená-los ou os santos dos quais eles não são dignos de se aproximar? Porque, infelizmente, é assim que o mundo tem visto, muitas e muitas vezes, a nós, cristãos. Porque os ensinamos a ver assim. Porque fomos ensinados a nos manter longe dos pecadores. Não podemos nos misturar com quem não entende a teologia no mesmo nível que entendemos. Não podemos visitar igrejas que não sejam 100% santas em suas doutrinas. Não podemos ter amigos pecadores. Não podemos pisar em solo que não seja santo. Só podemos estar na companhia dos santos. E foi aí que construímos este muro que nos separa do mundo real – o mundo que Jesus veio salvar. Sem perceber, fazemos como os fariseus: “E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles” (v.2). Fazemos isso com nossos irmãos. Fazemos isso em nossas igrejas. Perdemos, em nossas vidas, a misericórdia, o amor, a compaixão que havia em Cristo – e que atraía a Ele os piores pecadores. A misericórdia, amor e compaixão que ainda há nEle e que é o que continua atraindo a Ele os pobres desta terra – aqueles que nós rejeitamos.

E o ensino volta para o mesmo ponto: quando crescemos, Ele diminui. Quando nos achamos bons demais, é então que estamos mal. Quando consideramos o outro mau demais, é quando nós mesmos estamos assim. Quando o orgulho tem espaço, o espírito, certamente, não o tem. Não há espaço para este orgulho que olha as pessoas com superioridade, e a Presença Salvadora de Jesus. E Jesus vem, então, ensinar isso, por meio de várias parábolas – A ovelha perdida, a dracma perdida, o filho perdido – para ensinar uma coisa só: o Reino de Deus é para os perdidos, e não para os santos. Para os doentes, e não para os sãos. Para os imperfeitos, e não para os perfeitos. Por um fato simples: diante de Deus, não existem santos, sãos e perfeitos. Somos todos perdidos, doentes e imperfeitos. Contudo, para fazer parte do Reino dEle, precisamos nos reconhecer assim – e parar de nos sentir melhores do que os outros. Não há nada melhor em nós. Nada. Porque tudo que temos de bom é, puramente, graça de Deus. Em essência, somos exatamente iguais a qualquer publicano e pecador. E é por isso que Jesus nos recebe.

Termino com uma música que sempre me confronta demais. É um desafio constante para minha mente orgulhosa e soberba, para essa carne má que há em mim e que me faz acreditar, vez ou outra, que sou melhor do que sou – e que me faz desejar estar junto apenas dos santos e perfeitos. Até que eu paro e me lembro de Jesus – e de quais pessoas Ele escolheu estar perto. De quais pessoas estavam ao redor dEle. E volto a compreender onde devem estar os meus olhos e o meu coração. “Sou humano demais pra compreender...”.


Eu fico tentando compreender
O que nos Teus olhos pôde ver
Aquela mulher na multidão
Que, já condenada, acreditou
Que ainda havia o que fazer
Que ainda restara algum valor
E ao se prender em Teu olhar
Por certo haveria de vencer
E assim fizeste a vida
Retornar aos olhos dela
E quem antes condenava
Se percebe pecador
Teu amor desconcertante
Força que conserta o mundo
Eu confesso não saber compreender

Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar quem não merece
Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Que aqueles que escolheste e tomaste pela mão
Geralmente eu não os quero do meu lado

Eu fico surpreso ao ver-Te assim
Trocando os santos por Zaqueu
E tantos doutores por Simão
Alguns sacerdotes por Mateus
E, mesmo na cruz, em meio à dor
Um gesto revela quem Tu és
Te tornas amigo do ladrão
Só pra lhe roubar o coração
E assim foste o contrário,
O avesso do avesso
E por mais que eu me esforce
Não sei bem se Te conheço
Tu enxergas o profundo
Eu insisto em ver a margem
Quando vês o coração
Eu vejo a imagem

Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar quem não merece
Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Que aqueles que escolheste e tomaste pela mão
Geralmente eu não os quero do meu lado

Mas recebemos, em nós, o Revelador do Coração do Pai. Que Ele nos ensine a ver e a ser como Cristo é. Até que cheguemos à estatura do Varão Perfeito – Jesus, nosso Senhor. Para glória e revelação do Seu Nome na terra. Amém.



sábado, 12 de março de 2016

Quaresma – Dia 29 – O que realmente importa



“[...] porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lucas 12.34)

O texto de Lucas 12, versos 1 a 34, fala de um assunto só: o verdadeiro sentido da vida. E eu só percebi isso quando já estava chegando lá pelo verso 22. Aí acontecem aqueles momentos de iluminação de Deus. É tudo sobre a mesma coisa.

O texto começa com Jesus alertando seus discípulos e a multidão reunida contra o fermento dos fariseus: a hipocrisia. Hipocrisia que se revelava na vida cheia de coisas ocultas que eles tinham, das máscaras que eles usavam. Mas Jesus adverte a todos que nossa verdadeira face nunca poderá ficar escondida para sempre. Nossas máscaras cairão, nossas coisas escondidas serão reveladas. Portanto, que não haja em nossa vida este fermento de hipocrisia que havia nas vidas dos escribas e fariseus, com quem Jesus acabara de conversar e de a quem acabara de repreender, no fim do capítulo 11. E a hipocrisia deles consistia em uma coisa: dizerem-se preocupados com as coisas espirituais, com suas máscaras espirituais, porém com os olhos e o coração fixos em si mesmos e nas coisas deste mundo. Diziam-se espirituais, mas eram carnais. E, então, Jesus mostra três comportamentos que revelam quando nosso coração está nas coisas deste mundo e não nas coisas espirituais, e quais deveriam ser nossas verdadeiras preocupados – o que realmente importa.

1) Medo da morte (Lucas 12.4-12)

“Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer” (v.4).

Infelizmente, raramente paramos para pensar por que certas coisas da vida geram tanta preocupação, tanto medo em nós. Por que tememos tanto a morte? Mesmo que não assumamos. Nós a tememos. Pensamos, caso somos convidados a realizar uma ação cristã em um local perigoso da cidade: “Mas será que devemos mesmo ir lá? Será que é seguro?”. Se somos convidados para um trabalho missionário em um país em guerra: “Mas não é melhor ir a outro lugar?”. Se somos desafiados a desenvolver qualquer atividade que possa nos trazer dor ou mesmo qualquer tipo de desconforto, até mesmo o emocional, logo desanimamos. Tenho ouvido tantos cristãos preocupados com o risco de extremistas islâmicos se aproveitarem dessa onda de migração de refugiados Sírios e de outras áreas do Oriente Médio, e da abertura que o Brasil tem dado, liberando as fronteiras e facilitando a entrada destes refugiados. E a preocupação sempre é: “nós não sabemos o que eles podem fazer. Daqui a pouco estarão realizando atentados terroristas aqui no Brasil, perseguindo a Igreja, e nós estaremos correndo riscos”. E isso tem gerado tanta preocupação a tantas pessoas, nestes tempos. Mas, por que isso nos amedronta tanto? Por que o risco de sermos perseguidos, de sofrermos um atentado, de sofrermos danos físicos nos causam tanto alarme? E a verdade é que é porque nossas preocupações estão neste mundo, e não na eternidade. No mundo físico, e não no espiritual. Em nós mesmos, e não em Deus. E é por isso que tememos tanto aqueles que podem matar o corpo, mesmo sem poder fazer dano nenhum a nosso espírito. Porque colocamos valor maior no corpo do que no espírito. E é com ele que nos preocupamos, acima de todas as coisas. Por isso, o medo da morte chega a paralisar certas pessoas. Por isso há pessoas (mesmo cristãs) que, quando ouvem alguém dizendo “Se eu morrer amanhã, encontro você lá no céu!”, rapidamente respondem: “Credo! Tá amarrado! Ninguém vai morrer não! Para com isso!”. Porque criamos raízes neste mundo e não queremos deixa-lo. Nós o transformamos em nosso tesouro, nos esquecendo que este corpo perecerá, e este mundo também. Que a verdadeira realidade está além deste corpo físico.

E o ensino de Jesus sobre isso é: “temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer.” (v.5). Deus. É a Ele que devemos temer. Ao que acontecerá com nossos espíritos APÓS a nossa morte física. Isso sim é realmente importante. Ao olharmos para todas essas situações arriscadas e difíceis para nós mesmos, que nossa preocupação não esteja em “O que acontecerá comigo?”, mas “De que forma isso pode influenciar realidades espirituais?”. Na minha vida e na vida dos demais envolvidos. Como isso pode beneficiar ou prejudicar, espiritualmente, a Igreja de Jesus Cristo, nossa fé, nosso crescimento, nossa aproximação de Deus, e todos aqueles que ainda precisam conhecer a Jesus. Porque estas coisas influenciarão para a vida eterna. E é com elas que devemos nos preocupar.

2) Avareza (Lucas 12.13-21)

“Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco...” (v. 19-20a)

Nós podemos até não perceber também, mas todos pensamos nisso. Precisamos de um fundo de aposentadoria. Precisamos de uma poupança. Precisamos de uma casa melhor. Precisamos de um carro novo. Precisamos de mais roupas. Precisamos de mais sapatos. Precisamos de mais lazer. Precisamos de mais um trabalho. Precisamos de tantas, tantas, tantas coisas. Precisamos derrubar nossos celeiros, para podermos construir outros que possam abarcar os tesouros que temos conseguido juntar. E, então – só então - , quando tivermos conseguido juntar o suficiente, descansaremos e seremos felizes. Essa é a filosofia da grande maioria das pessoas hoje em dia. Nossos pais nos ensinam. Nós, que somos jovens, precisamos ralar muito e trabalhar muito agora, enquanto temos forças e energias, para que, um dia, possamos nos aposentar e usufruir dos bens que acumulamos. Só acontece que juntar bens toma nosso tempo, nossas forças, nossas atenções, nossos planejamentos... tudo o que somos. E, então, quando vemos, em nossa corrida para entesourar para nós mesmos, quase nada sobrou para Deus. Para a minha poupança, nunca pode faltar. Mas para ajudar um necessitado, sempre falta. Para apoiar um missionário, sempre falta. Para investir nos trabalhos da igreja, sempre falta. Mas para minha calça jeans nova, a gente dá um jeitinho. Para o cinema do fim de semana, a gente dá um jeitinho. Para minha maquiagem nova, minhas unhas semanais, meu cabelo... a gente arruma.

“Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (v.20-21). Temos tempo para nós mesmos, mas não temos para Deus. Temos energia para nosso trabalho, que nos permite juntar tesouro para nós mesmos, mas não temos para nossa família, nossos amigos, os que precisam de nós, e o próprio Deus. Mas essa vida terminará. De repente. Quando menos esperarmos. E o que terá valido serão os tesouros que acumulamos para com Deus. Nosso amor, nossa misericórdia, nossa compaixão, nossa doação, nossa liberalidade para com o Reino de Deus. Juntar para a eternidade, e não para este mundo perecível.

3) Ansiosa preocupação com as necessidades dessa vida (Lucas 12.22-33)

“Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes.” (v.22-23)

E é assim que Jesus conclui o Seu ensino. “Não andem tão ansiosos assim!”. Por que nós andamos tão ansiosos com nossa vida – nossas necessidades diárias ou futuras? Porque nós nos esquecemos que esta vida não se resume à realidade material – há uma realidade espiritual, da qual nós fazemos parte, e, nesta realidade, há um Deus Todo Poderoso que é nosso Pai e cuida dos Seus filhos. Mas nos esquecemos disso. Passamos a acreditar que o provedor de nossas vidas somos nós mesmos. Nossos esforços. Nossos empregos. E, por isso, eles precisam ser nossas prioridades. Por isso precisamos trabalhar mais um turno, mesmo quando isso prejudica as coisas que realmente valem à pena nessa vida. Porque acreditamos que nosso sustento vem de nós mesmos – e não do Senhor. Então, vivemos preocupados com o que haveremos de comer, de beber, de vestir, etc. Por isso, deixamos de investir no Reino de Deus. Por isso, deixamos de estar com o Corpo de Cristo, pois precisamos trabalhar. Por isso, abrimos mão de uma viagem missionária, pois nos custaria reduzir os custos com a manutenção de nosso estilo de vida – o que não podemos fazer. Por isso, o campo missionário transcultural é tão apavorante pra tanta gente ainda. Por isso os pais se desesperam quando seus filhos dizem ser chamados para o trabalho missionário em campos pobres. Por isso, os jovens são ensinados a escolher profissões que darão dinheiro, e não as que fazem parte do chamado de Deus para suas vidas. É assim que fazemos nossas escolhas hoje em dia. Calculando nossa sobrevivência. E é assim que deixamos Deus de fora da nossa história – e ficamos de fora da história dEle.

O que Ele nos ensina: “Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves! [...] Observai os lírios; [...] se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé! [...] vosso Pai sabe que necessitais [destas coisas]. Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas. Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino. Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastam, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (v.24, 27a, 28, 30b-34)

Não se trata de não termos mais cuidado com nossa vida e deixarmos de ser atentos e sábios com nossas escolhas diárias. Não se trata de não nos precavermos financeiramente e sairmos torrando nosso dinheiro de qualquer forma, ainda que seja em ações religiosas, sem a responsabilidade de cumprir com nossos compromissos – pessoais, cidadãos, familiares. Não se trata de não assumirmos nosso papel em nos empenharmos para conseguir nosso sustento e ficarmos sentados, esperando Deus mandar o maná do céu. Não é sobre essas coisas que este texto fala. Não é sobre negligência, preguiça, irresponsabilidade, falta de compromisso e de responsabilidade, falta de sabedoria e vida desregrada. Não é sobre uma fé cega. É sobre onde está nosso coração. É sobre onde está o nosso tesouro. É sobre em que temos investido as nossas vidas. É sobre o que realmente tem importado para nós. E o que realmente importa para Deus. O que realmente importa nessa vida. É sobre descobrir isso e investir nisso. Tudo o que pudermos. É sobre não viver para si mesmo – mas para Deus, e para o próximo. Pois foi assim que Jesus viveu. E veio nos deixar o exemplo. Ele sabe o que realmente importa. Aprendamos com Ele.


quarta-feira, 9 de março de 2016

Quaresma – Dia 25 – Quem é o meu próximo?



“Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?” (Lucas 10.29)

E, por meio de uma parábola, Jesus responde:

Teu próximo é todo aquele que, no decorrer de teu caminho, precisar de você. Todo aquele que, estando ferido, abandonado, desprezado, saqueado surgir à beira do caminho pelo qual passas. Todo aquele que precisar da tua ajuda. Material, emocional, física, espiritual, social. Este é o teu próximo.

E você perguntará: “- E o que eu devo fazer por ele?”

Você deve amá-lo. E amar significa doar-se. Significa parar um pouco, em seu caminho, desviar um pouco os olhos do ponto aonde se estava indo, do compromisso que lhe esperava, da atividade religiosa que você tinha a fazer, para olhar para o lado, reconhecer quem está jogado às margens de sua estrada, aproximar-se dele, ter piedade de sua dor, cuidar de seus ferimentos, tomar de seu óleo e seu vinho para ajudar suas feridas a cicatrizarem, deixar o conforto do animal que o transportava até então e oferece-lo para transportar aquele que, naquele momento, precisa mais do que você, decidir vivenciar o incômodo e o desconforto por um tempo, para que aquele que precisa de comodidade e conforto naquela hora possa desfruta-los, procurar junto àquele estranho o auxílio e repouso que ele precisa, e certificar-se de não deixa-lo por conta própria, mas sob os cuidados de alguém que esteja por perto para garantir sua recuperação, tomando sobre você mesmo todos os custos e cobranças provenientes desta atenção oferecida e comprometendo-se a arcar com eles. Isso é amor. Isso é AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO.

Isso é o que todos nós, fariseus mascarados, precisamos aprender. A pensar menos em nós mesmos e nossa necessidade de cumprir nossos caminhos, nossos objetivos, nossas atividades, nossas rotinas – e reconhecer que há um outro PRÓXIMO A NÓS, que precisa ser enxergado e amado. E que, se queremos herdar a vida eterna, este é o caminho. Amar a Deus sobre todas as coisas culmina no amor ao PRÓXIMO como amamos a nós mesmos. E nos preocupar com o outro tanto quanto nos preocupamos com nós mesmos. E fazer pelo outro o que fazemos por nós mesmos. E colocar o outro em nosso lugar. E nos colocar no lugar dele. E abrir mão de nosso conforto e comodidade para oferece-los a quem precisa mais do que nós. E como tudo isso é difícil. Mas isso é amor.

“Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, [Jesus] lhe disse: Vai e procede tu de igual modo” (Lucas 10.36-37)


Saber quem é o seu próximo, descobrir onde ele está, enxerga-lo não é suficiente. É preciso ir e proceder de igual modo. Usar de misericórdia. Ser para com o outro como aquele samaritano foi para com aquele viajante. Reconhecer o seu próximo – e amar. Nosso maior desafio de vida. Saber trilhar nossos caminhos de tal maneira que nossos próximos não nos passem despercebidos – e que não os ignoremos, negligenciemos, calemos, em função das nossas tantas preocupações, sejam elas quais forem. E, ao encontra-los, ama-los. Doar-nos. Oferecer nosso melhor. Nosso grande desafio. Ser como Jesus. Que Ele nos ajude, para Sua glória neste mundo. Amém.

domingo, 6 de março de 2016

Quaresma – Dia 23 – Para onde quer que for?



“Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores” (Lucas 9.57)

E quantos de nós temos dito isso, não é? Mas nós realmente estamos dispostos a seguir o Cristo AONDE QUER QUE ELE FOR?

E se Ele nos disser: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça" (v.58), nós ainda iremos? Se Ele nos disser: “Sabe aquele sonho da casa própria, do carro próprio, das raízes estabelecidas em algum lugar? Não será possível para você. Porque sua casa será o mundo todo, você não estabelecerá raízes, pois te levarei para os mais diversos lugares, e os bens materiais deste mundo nunca serão realmente seus!”, nós ainda iremos com Ele?

E se Ele nos disser: “Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos; você, porém, vá e proclame o Reino de Deus" (v.60)? E se não tivermos a oportunidade de estar por perto quando nossos pais morrerem para os sepultar, pelo motivo de estarmos em algum lugar deste mundo, proclamando o Reino de Deus? E se o preço a ser pago for viver os melhores e piores momentos longe de nossa própria família? Nós ainda O seguiremos?

E se Ele nos disser: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (v.62), quando pedirmos para ir primeiro nos despedir de nossa família, antes de partirmos para segui-Lo? E se for preciso largar o barco de nossa família, como Pedro, Tiago, João fizeram, deixando para trás pai e mãe, irmãos e irmãs, para seguir a Cristo? E se esse convite for para o resto da vida? Nós ainda iríamos após Ele?

E se Ele nos dissesse que segui-Lo resultaria no permanecer solteiras pelo resto da vida – nunca viver o sonho do casamento, da maternidade biológica, da sua própria família? E se resultasse em nunca ser lembrado, por ter vivido em um local tão isolado que ninguém nunca saberia de seus feitos? E se resultasse em nunca ser reconhecido por ninguém mais além de Deus? Nós ainda O seguiríamos?

Seguir a Jesus é sério. É uma decisão que envolve toda a nossa vida. Não há entrega pela metade – ou é tudo ou é nada. Ele não nos quer pela metade. E, quando entregamos, Ele faz o que quiser. E é assim para ser. Tornar-nos discípulos dEle envolve estar dispostos a pagar o preço – tal qual Ele pagou. Porém, a parte bonita dessa história é que os caminhos dEle sempre serão bons, agradáveis e perfeitos. Mesmo que eles façam nossos pés doerem. Mesmo que eles tragam lágrimas. Mesmo que eles não correspondam às expectativas de vida que tínhamos. Ainda assim. Ainda que tudo saia diferente do que planejávamos – Sua vontade continua sendo boa, agradável e perfeita. E será assim para nossas vidas. Nosso lugar de descanso, alegria e paz. Porque o motivo para a felicidade de nossa alma é ELE. Ele. Onde Ele estiver, ali estará o gozo de nossas vidas. E, se Ele não estiver, ainda que todos os planos e expectativas de nossas vidas tenham se cumprido, nada terá verdadeiro sentido. Porque TUDO, sem Ele, é nada. É vazio. É morto. Ele é a vida. Jesus. Assim, se estivermos com Ele, nós teremos vida – e VIDA EM ABUNDÂNCIA.

E, além de todas as coisas, esse Deus revela-se Pai. Ele cuida de nós. Ele promete que, ainda que uma mãe se esquecesse do filho que amamenta, Ele não se esqueceria de nós. Que, se nós que somos maus, sabemos dar boas coisas a nossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará boas coisas aos que pedirem. Ele não se esquece de nós. Ele não abandona os Seus. Isso é impossível de acontecer. Contudo, não podemos nos esquecer que segui-Lo exigirá um preço. Que os caminhos trilhados por Jesus não foram cheios de rosas. Que os caminhos trilhados por nossos pais na fé, pelos discípulos, pelos apóstolos, pela Igreja Primitiva não foram cheios de rosas. Foram cheios de pedras. Foram duros. E que, muitas e muitas vezes, estes que escolheram seguir o Messias antes, tiveram que pagar estes preços citados por Jesus nesse texto – e muitos outros ainda piores. Segui-Lo exige entrega TOTAL. Custe o que custar. Mas, ainda que nos custe TUDO o que temos neste mundo, podemos ter a certeza, a segurança, de que coisas infinitamente melhores nos estarão reservadas – nesta vida e na por vir.


Ele é nosso maior tesouro. Jesus. E que nossos corações nunca esqueçam disso. E que seja assim para sempre. Amém.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Quaresma – Dia 21 – Chamados para ser resposta


“Ele, porém, lhes disse: Dai-lhes vós mesmos de comer.” (Lucas 9.13a)

Ano passado, eu participei de uma conferência em Manaus, chamada Oxigênio, e lembro que uma das principais frases que me marcaram naquela conferência foi: “Esse problema que você está vendo, esse descontentamento que arde em você... talvez seja um chamado de Deus para você ser parte da resposta”. Isso realmente me marcou. Porque eu fui praquela conferência com tantas crises, vivenciando tantos problemas na minha vida cristã, enxergando tantos problemas nessa coisa de ser igreja e tudo, e todas essas coisas estavam minando minha vida espiritual, me tornando amarga, triste, desesperançosa. E quando ouvi aquela frase, ela foi para mim. Esses problemas todos que eu estava enxergando, essas coisas fora do lugar, sem solução, que estavam ardendo no meu coração... talvez fosse o próprio Deus que os estava colocando na minha vida – e talvez Ele estivesse querendo me chamar para ser a resposta que eles precisavam. Porém, não entendendo a voz de Deus, ao invés de me tornar resposta, eu estava me tornando reforço – reclamando, murmurando, julgando, condenando. E ao invés de ajudar a diminuir o problema, eu só o estava aumentando.

E quando eu li esse trecho de Lucas, me lembrei dessa frase. Nesse contexto, Jesus estava com seus apóstolos, falando a uma multidão a respeito do Reino de Deus, havia horas. O dia já estava chegando ao fim, e lá estava Jesus, os apóstolos e a multidão. Sendo que, já no fim do dia, os discípulos se aproximam de Jesus para pedir a Ele que mande aquela multidão embora, para voltar às aldeias e campos vizinhos, a fim de encontrarem abrigo e alimento, pois aquele lugar em que estavam era deserto (v.12). Uma boa ideia, não é? Os discípulos estavam preocupados com aquelas pessoas, não queriam que elas ficassem sem abrigo e sem alimento ali, no meio do deserto. A preocupação deles era genuína e com razão. Como nossas propostas para resolução dos problemas, muitas vezes, também são prudentes e justificáveis.

Porém, Jesus, como sempre, enxerga o mais profundo de nós, de nossas motivações, de nossos pensamentos e sentimentos mais escondidos. E responde: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Porque uma preocupação com um problema, uma proposta de solução que não envolve a MIM é tão fácil de ser oferecida. Por mais “honesta” que seja minha preocupação e minhas propostas, se eu estou me eximindo da RESPONSABILIDADE perante aquele problema, é muito provável que eu também vá ouvir do Senhor Jesus: “Dê você de comer a eles!”. É como se Jesus estivesse falando: “Você está vendo que existe um problema que precisa de solução aqui? Por que você está me pedindo para manda-los embora se virar pra resolver os seus próprios problemas, então? Não é assim que nós fazemos! Vá você mesmo arrumar uma forma de solucionar o problema deles!”. Venha você ser a resposta! Venha você ser a solução! Não passe para o outro, quem quer que ele seja, a responsabilidade de resolver um problema que o Senhor mostrou A VOCÊ! Porque Deus não nos chama para ser “identificadores de problemas”, Ele nos chama a ser “solucionadores de problemas”. Era o que Jesus fazia. É o que Ele nos convoca a fazer.

Estava tão confortável pros discípulos enxergarem a fome e a falta de abrigo daquela multidão, compostas por milhares de pessoas, e pedir que Jesus as mandasse embora para resolver seus problemas. Eles já haviam passado o dia inteiro ali, com aquelas pessoas, compartilhando com elas o “melhor que eles tinham”, a Palavra de Deus – pronto! Já não estava suficiente? Eles já tinham oferecido tanto! Mas, para Jesus, não era o suficiente. Sentar e falar àquelas pessoas, enxergar a dor deles, mas não envolver-se, não tomar para si, não desejar doar-se pelo outro, era uma missão muito distante de estar cumprida. Havia homens, mulheres e crianças ali, e o chamado de Jesus foi: “Venham vocês ser resposta para a dor deles!”.

E o bonito do restante do texto é que o que aqueles homens tinham para oferecer em obediência ao chamado do Mestre era tão pouco! “Não temos mais que cinco pães e dois peixes...”, foi o que eles responderam (v.13b). Mas esse pouco, que aos olhos dos discípulos não era nada, era o suficiente para Jesus. Porque o que Jesus espera de nós não é uma quantidade enorme de coisas que possamos oferecer para resolver os problemas que Ele nos mostra – é que entreguemos aquilo que temos. Só isso. Deus não espera de você mais do que você tem. Aliás, Jesus nem precisava daqueles 5 pães e dois peixes! Ele poderia ter feito o milagre sem eles. No entanto, Ele queria que os discípulos aprendessem a se oferecer, oferecer tudo o que tinham, por mais ínfimo que aquilo pudesse parecer, para ajudar a resolver aquele problema. E é assim conosco. Deus não está preocupado com quantos pães e peixes existem nas nossas mãos, e com quanto o tamanho de nossa oferta se aproxima do tamanho do problema que somos chamados a resolver. O que Ele espera de nós é que haja em nós envolvimento tal na resolução daquela tarefa que Ele nos chama a fazer, a ponto de entregarmos tudo o que temos – ainda que sejam apenas 5 pães e 2 peixes para alimentar 10 mil pessoas. É com a nossa entrega – total – que Ele está preocupado. É com nosso ASSUMIR A RESPONSABILIDADE.

E isso é tão difícil! É tão fácil enxergar que falta gente pra cuidar dos jovens da igreja – mas é tão difícil se oferecer pra ser esse alguém. É tão fácil dizer que a igreja não está arrecadando a oferta que precisava para investir em missões – mas é tão difícil tomar iniciativa para mobilizar essas ofertas e entregar as suas próprias. É tão fácil dizer que a igreja deveria evangelizar mais – mas tão difícil tomar a frente para montar um programa de evangelismo. É tão fácil olhar para a violência na nossa cidade, e colocar a culpa no governo – mas tão difícil desenvolver num projeto para redução de violência. É tão fácil condenar a corrupção e a falta de envolvimento político dos brasileiros – mas tão difícil fazer uma ação de combate real à corrupção. É tão fácil ver gente com fome e sentir pena – mas tão difícil ficar sem comer ou sem fazer as unhas para dar de comer a alguém. É tão fácil se comover com um vídeo que mostra as dificuldades dos campos missionários ao redor do mundo, e dos povos ainda não alcançados por Cristo – mas tão difícil ser aqueles que assumem o compromisso de oração, de sustento ou de doação de toda a sua vida para participar da redução dessas dores. É tão fácil falar e apontar e criticar e condenar... mas tão difícil tomar para nós a responsabilidade, e fazer.


Você está enxergando uma multidão que precisa de abrigo e de comida? Que está correndo o risco de perecer de fome no deserto? Isso está incomodando o seu coração? Está lhe gerando preocupação? Deus está lhe chamando para ser a resposta. “Dai-lhes vós mesmos de comer”. É conosco. O que você pode oferecer para saciar a fome deles? 5 pães e 2 peixes? É tudo o que você tem? Então é o suficiente. Porque o resultado vem de um Deus TODO-PODEROSO, que transforma nossas mais ínfimas ofertas num alimento para multidões. Ele não precisa de nossas “quantidades”. Ele precisa da nossa doação – de vida. Quando nos levantarmos para ser a resposta, Ele fará o milagre acontecer. Que possamos aprender, com a ajuda do Espírito Santo, a transformar problemas menos em reclamações, murmurações, julgamentos, e mais em soluções e respostas. Chamados para ser resposta. E chamados pelo Mestre. Chamados para ser COMO O MESTRE. Para a glória dEle, o Único digno, sobre Quem todas as coisas são. Ele nos ajude. Amém.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Quaresma – Dia 20: Missão Integral



“Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos” (Lucas 9.2)

Que interessante a missão que Jesus, pela primeira vez no Evangelho de Lucas, dá aos doze: pregar o reino de Deus e curar os enfermos. Uma falando, outra fazendo. Uma para mudar o entendimento, outra pra mudar a vida. Uma teórica, outra prática. Uma “espiritual”, outra “física”. E é fantástico parar para observar isso. Quanto temos sido ensinados a separar “espiritual” de “material”, e que somente o primeiro constitui nossa missão designada por Deus. Temos crido que o “espiritual” é o que importa a Deus, e o restante é apenas acompanhamento. Porém, quando esse texto começa, o texto das instruções dadas aos doze para o envio que Jesus faria deles, ele diz: “Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas” (v.1). E, nos relatos bíblicos, nem sempre as curas ou as libertações de endemoninhados vêm acompanhadas por salvação. Portanto, a missão dada por Jesus aos apóstolos, claramente possui não apenas o foco “espiritual” (salvação da condenação eterna), mas também “material” (da nossa vida aqui nessa terra).

Missão integral. Missão de salvar o ser humano aqui e agora, e também amanhã, na eternidade. Missão dada por um Deus que reconhece que nós, seres humanos, possuímos necessidades físicas, emocionais e espirituais, e que nos olha integralmente – e quer nos libertar integralmente. Missão dada por um Cristo que, até então, vinha dando o exemplo de alguém comprometido em salvar o homem em toda a sua existência – em suas dores físicas tanto quanto em suas dores espirituais. Jesus perdeu tanto tempo de seu ministério fazendo milagres físicos: curando cegos, surdos, paralíticos, leprosos e tantas outras doenças, multiplicando comida para saciar fome; e operando também milagres emocionais: a uma mulher adúltera trazida para ser apedrejada, a uma mulher rejeitada por ser mulher, samaritana e adúltera, a publicanos, gentios, pescadores, gente humilde e excluída, pecadores. Se pudéssemos quantificar, quanto será que, de toda a narração dos evangelhos, estaria relatando o tempo gasto por Jesus na realização de curas físicas e emocionais, em comparação com o tempo gasto por ele falando especificamente sobre a necessidade de libertação espiritual do ser humano? Não sei. Mas sei que os relatos sobre as ações de cura física e emocional de Jesus foram muitíssimas. E a missão dada aos doze incluía, antes mesmo de mencionar a pregação, a realização destas curas. Deus se importa com elas. Elas fazem parte da nossa missão. Deus olha para o homem em todas as suas necessidades – é nos chama para também olhar assim, e trabalhar para atender a todas elas.

Outra coisa interessante é que o verso 2, ao falar da missão dada por Jesus aos doze, usa o termo “pregar o reino de Deus”, que é um termo muito menos usado do que o tradicional “pregar o evangelho”, que aparece no verso 6. E, muitas vezes, por nos acostumarmos em ouvir certos termos, em nossas práticas religiosas, vamos perdendo o verdadeiro sentido dele. “Pregar o Reino de Deus” e “Pregar o evangelho” são usados, nesse texto, como sinônimos. Ambos falam da missão dada aos discípulos naquele momento. E eles, de fato, são sinônimos. Essa é nossa missão. Contudo, quando falamos de “reino de Deus” costumamos imaginar algo muito maior do que “evangelho”. Parece que o nosso entendimento a respeito do que é “pregar o evangelho” ficou tão reduzido a algumas verdades bem objetivas acerca do “plano de salvação”, que dificilmente falaríamos que pregar o evangelho e pregar o reino de Deus são a mesma coisas. Mas eles são. Pregar o evangelho é muito mais do que ensinar algumas verdades a respeito da condição espiritual do ser humano e da salvação da alma em Cristo. É mais. É proclamar uma realidade em que quem REINA é Jesus. Como é esta realidade? Qual é o jeito de Deus reinar? E isso começa com a salvação da alma, mas isso continua em muitas outras coisas – em todo o processo de santificação, de renovação da mente e do coração do homem, do aprendizado de um novo jeito de viver. E nós precisamos, urgentemente, dessa compreensão. Pregar o evangelho não é apenas bater de casa em casa, ensinando os 4 passos para a salvação. É pregar uma vida em que o REI É JESUS. E isso se prega com a boca, mas também com a vida – e, muitas vezes, principalmente com a vida.

Jesus nos envia a uma missão que inclui o alcance a toda a vida do ser humano: sua mente, por meio do anúncio das verdades bíblicas; seu espírito, por meio da proclamação do caminho para salvação em Cristo; e também do corpo e das emoções, por meio de uma aproximação de preocupação e amor, e das curas que o Senhor realiza por meio de nós. E continua sendo assim hoje. Chamados para proclamar e também para curar. Para falar, mas também para tocar, abraçar, aconselhar, orar junto e ser canal de libertação. Teoria e prática. Mente, corpo, alma e espírito. A missão inclui tudo isso. E não podemos nos esquecer disso. O Reino de Deus estabelecendo-se na terra: em todos os aspectos que possam envolver a vida do ser humano.


Termino com uma frase de Aristóteles: “Onde as necessidades do mundo se cruzam com as suas possibilidades, aí está sua vocação”. Aí está seu chamado. Quais as necessidades do mundo, das pessoas ao seu redor, que se cruzam com suas possibilidades de ajuda? Espirituais, emocionais, físicas... tudo isso é sua missão. Missão integral. E, assim, o Reino de Jesus se estabelecerá entre nós. Para glória do Nome de Jesus. Amém.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Quaresma – Dia 16: Chamados para ser agricultores



"O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
Parte dela caiu sobre pedras e, quando germinou, as plantas secaram, porque não havia umidade.
Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram com ela e sufocaram as plantas.
Outra ainda caiu em boa terra. Cresceu e deu boa colheita, a cem por um". Tendo dito isso, exclamou: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! ".

"Este é o significado da parábola: A semente é a palavra de Deus.
As que caíram à beira do caminho são os que ouvem, e então vem o diabo e tira a palavra dos seus corações, para que não creiam e não sejam salvos.
As que caíram sobre as pedras são os que recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não têm raiz. Crêem durante algum tempo, mas desistem na hora da provação.
As que caíram entre espinhos são os que ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não amadurecem.
Mas as que caíram em boa terra são os que, com coração bom e generoso, ouvem a palavra, a retêm e dão fruto, com perseverança".

(Lucas 8: 5-8, 11-15)

E se nós estivéssemos lá no caminho, e ajudássemos aquela semente que caiu à sua beirada a alcançar a terra profunda, onde as aves não a pudessem alcançar? E se estivéssemos lá ao lado daquele em cuja vida a semente foi lançada, intercedendo e colocando-nos na brecha para que o diabo não roubasse dele as Palavras de vida e salvação?

E se nós retirássemos as pedras e fôssemos os regadores que umedecem a terra, para que aquela semente não morresse pela sua secura? E se déssemos àquela terra as condições adequadas para possibilitar que a semente ali lançada criasse raízes? E se, na hora da provação, fossemos o braço e o abraço, o sustento, a palavra consoladora para aqueles em cuja vida as Palavras de vida e salvação foram lançadas, ajudando-os a crescer mesmo durante as provações?

E se arrancássemos os espinhos antes mesmo que aquela semente começasse a crescer, para que eles não a sufocassem? E se fôssemos aqueles que estariam ajudando aquele em cujo coração as Palavras de vida e salvação foram semeadas a compreender as vãs filosofias deste mundo e suas falsas promessas de felicidade, ensinando-lhe o caminho da verdadeira felicidade, caminhando com ele neste caminho, para que os cuidados, riquezas e prazeres deste mundo não lhe soassem tão atraentes assim?

O crescimento vem de Deus, é verdade (1 Coríntios 3.6). Mas nós podemos cuidar da terra e prepara-la para receber a semente. Podemos ser, como Paulo e Apolo, aqueles que plantam e regam. Os agricultores, que dão seu melhor para ajudar a terra a estar preparada para que as sementes lançadas sobre elas dêem muitos frutos. Ajudar a terra a chegar no nível de ser chamada de “boa terra”. Não, isso não garante que as sementes frutificarão. O frutificar é com Deus. Mas, ainda assim, somos chamados a cuidar da terra.

Cada um de nós já passou pelo momento em que o diabo veio roubar de nós as palavras enviadas por Deus aos nossos corações; em que as provações foram tão duras que o coração tornou-se seco e carente de água; em que os espinhos cresceram junto com nossa semente e os prazeres deste mundo atraíram nossos olhos, colocando em risco a vida das promessas de Deus para nós... e nós sabemos o quanto é duro enfrentar tudo isso sozinho. Como a solidão na caminhada cristã é dolorosa. Pela graça e misericórdia de Deus, nossas sementes não morreram, porque Ele intercedeu por nós. Porém, ainda assim, como desejamos ter tido o auxílio de irmãos na fé cuidadosos e amorosos ao nosso lado. Ou, quando os tivemos, como percebemos o valor de ter um verdadeiro irmão em Cristo combatendo esses combates conosco.

E nós também somos chamados a esta missão. Ser estas respostas aos nossos irmãos que sofrem, que estão fracos, que estão atraídos pelo brilho deste mundo, que estão passando por provações, que estão sendo atacados pelo inimigo... e nós somos aqueles que podem oferecer o ombro, os ouvidos, os conselhos, os consolos – mãos, pés, voz de Deus neste mundo. Talvez, mesmo sendo tudo isso, a semente não permaneça viva. Talvez não dê os resultados que gostaríamos que desse. O crescimento vem de Deus. Mas, ainda assim, devemos plantar e regar. Fazer nossa parte. Cuidar da terra – em amor.

Há tantos de nossos irmãos, ao redor deste mundo, lutando tão duras batalhas sozinhos. Irmãos e irmãs que conheceram verdadeiramente o Senhor Jesus, e que fazem parte da Igreja Perseguida de nossos dias – que desejam ter um companheiro de fé ao lado, que desejam aprender mais das Sagradas Escrituras, que desejam crescer na fé e no conhecimento do Filho de Deus. Homens e mulheres que tem sido abandonados por suas famílias, excluídos de suas comunidades, discriminados, perseguidos, maltratados, assassinados... pessoas que têm passado pelas mais intensas dores, por amor a Cristo – coisas que sequer podemos imaginar. E, sim, eles permanecerão fiéis, porque o Senhor que eles amam os sustentará. Mas, ainda assim, como lhes teria sido menos duro enfrentar isso ao lado de algum irmão na fé. Como teria sido menos duro NOS TER por perto. Saber que não estão sós. Ter a quem dar as mãos. Ter com quem compartilhar as lágrimas e os risos. Ter com quem andar. Sentir-se amado.

E se nós fôssemos essa resposta?


Chamados para ser agricultores. No mundo todo. Onde houver terra precisando de cuidados. Onde houver batalhas sendo enfrentadas. Onde houver dor. Onde houver solidão. Aonde o Senhor da Seara quiser nos enviar. E que Ele nos envie. Para a glória do Seu Nome e a salvação dos perdidos. Amém. Amém.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Outra visão sobre a missão...



Meus queridos amigos e irmãos companheiros do Mulheres Virtuosas, quanto tempo! É com tristeza e pedidos de perdão (a vocês e a Deus!) que lembro que já faz quase 1 ano desde minha última publicação aqui no blog, mas também com alegria e esperança que posso dizer que o Senhor continua falando e ensinando a esta sua irmã aqui dos extremos do Brasil.
 
Aqueles que acompanham o blog com alguma frequência e há algum tempo devem lembrar de minhas menções sobre meus sonhos com o chamado missionário e minhas reflexões sobre missões. Pois é com todo louvor e gratidão a Deus que venho compartilhar com vocês um grande passo na realização destes sonhos antigos e ainda tão presentes: minha primeira viagem missionária.
 
Em novembro de 2013, participei de uma caravana de voluntários da Junta de Missões Mundiais (JMM) da Convenção Batista Brasileira (CBB), denominada Com.Vocação JMM. Eu e mais 5 jovens profissionais das áreas da saúde, educação e esportes fomos apoiar um trabalho missionário realizado em Dakar, capital do Senegal (noroeste da África), chamado Fábrica de Esperança. Durante 12 dias, realizamos atendimentos à comunidade através da fisioterapia, odontologia, orientação para professores pré-escolares, orientação vocacional a filhos de missionários e escolinha comunitária de futebol, conhecemos a Igreja de Cristo naquele lugar e nos alegramos com nossos irmãos e a fé tão forte e fiel a Cristo, contemplamos o poder e fidelidade do nosso Senhor aos Seus filhos naquele lugar de tantos desafios espirituais, e tivemos o privilégio, proveniente apenas da graça do Pai, de participar do que Ele tem feito ao redor deste mundo. Foram dias inesquecíveis!
 
Eu tenho tantas coisas que gostaria de compartilhar com cada um sobre o que vivi e aprendi nesses 12 dias, coisas que até hoje ainda estão se revelando mais à minha mente e coração e aprendizados que ainda estão se aperfeiçoando, depois destes quase 3 meses, mas é sobre a visão a respeito da obra e vida missionárias que gostaria de falar mais especificamente hoje.
 
Acho que um dos maiores presentes que recebi de Deus nestes dias de viagem ao Senegal foi a forma como Deus me fez enxergar missões de uma maneira diferente. Uma outra visão sobre a missão. Muito disso me chocou bastante, no início, mas cada dia mais tenho entendido que esse é um choque necessário para cada cristão genuíno. No decorrer destes 3 meses, juntando tudo o que vivi lá em Dakar com tudo o que tenho podido conversar com outras pessoas que viveram experiências cristãs transculturais e tudo o que continuo lendo, ouvindo, vendo sobre a obra missionária, tenho percebido que missão não é sempre igual.
 
Historicamente, temos sido "ensinados" (ou habituados) a ver e pensar a obra missionária transcultural a partir dos campos mais sofridos, das tragédias,  das histórias de mais pobreza ou violência físicas, dos missionários que são perseguidos e arriscam suas vidas diariamente para levar Cristo a um povo fechado, enfim, de um panorama pesado e triste. Temos entendido que "isso é missão", de tal maneira que dificilmente se pensa num missionário rindo, descansando, contando piada, tirando férias, comendo um churrasco, andando de carro próprio ou morando numa boa casa. Quase posso ouvir alguém pensando: "Isso não é vida missionária!".  
 
Essa visão  que construímos a respeito de missões tem gerado, na maioria das pessoas, uma resistência muito grande à vida missionária. Basta um jovem falar para alguém que quer "ser missionário na África" para ver as caras de espanto se multiplicando e as expressões de "Como assim, meu filho? Por que você iria querer uma coisa dessas pra sua vida?". É como se apenas pessoas meio "loucas" pensassem em uma vida "tão dura" como a vida de um missionário. E talvez seja por isso que temos a ilusão do missionário como um quase "super-herói": somente os mais espirituais, os mais fortes, os mais tudo podem seguir essa vida.
 
E tenho entendido que, de muitas maneiras, talvez essa visão histórica sobre missões tenha muito a ver com a necessidade de comover o povo de maneira que este se levante para contribuir e sustentar a obra missionária. É como conquistar o apoio do povo de Deus através da pena por aqueles que estão morrendo lá "nos campos" pois, sem essa "pena", sem esse cenário árduo, ninguém contribuiria. É verdade que, no passado, nos primórdios da obra missionária mundial, as histórias deveriam ser prioritariamente duras e repletas de riscos de todos os tipos, porém não acredito que podemos continuar dizendo o mesmo em nossos dias atuais. De certo, ainda há inúmeros campos missionários com este perfil, de povos que são abertamente contrários ao Evangelho e imersos em necessidades físicas gritantes, porém tem-se entendido cada vez mais que não são apenas lugares assim que necessitam da obra missionária, o que tem ampliado bastante o campo de missões. No entanto, a abordagem acerca do assunto continua sendo praticamente a mesma: convencer através do sofrimento. E acho que a justificativa disso ainda ser assim não tem a ver apenas com as agências missionárias e os próprios missionários que constroem sua publicidade em cima disso, mas tem a ver com a própria igreja, com nós mesmos, que realmente aprendemos a só nos importar com o sofrimento aparente e extremo - e ignorar o sofrimento escondido e interior.
 
E estar no Senegal me fez ver o outro lado de missões. É claro que a vida no campo transcultural é muitas vezes extremamente difícil e os desafios externos são inimagináveis aos que estão distantes, porém não é sempre assim. Não precisa ser sempre assim. Conheci uma África que não é só miséria, apesar das grandes dificuldades financeiras de grande parte da população. E, nesta África, descobri o peso da escravidão espiritual - muito maior do que o peso da fome física. Vi com meus próprios olhos que a vida missionária não é uma tragédia, que o missionário não precisa passar fome para ser missionário, que ele não precisa andar sempre de semblante pesado para ser missionário, que ele não precisa ter sempre lágrimas nos olhos. Conheci os missionários dos quais sempre ouvi falar e descobri que eles são, simplesmente, gente, como eu e você, que não são super-heróis nem super-espirituais, que eles riem como nós rimos, contam piadas como nós contamos, sentem cansaço, fome, alegrias e tristezas como qualquer ser humano sente... descobri que somos iguais. Que eles precisam, sim, de férias, de uma boa cama pra dormir, de dar uma boa educação para seus filhos, de ir pra academia cuidar do corpo, de uma roupa nova para se vestir, de fazer supermercado, de um fogão, uma geladeira e (pasmem!) até mesmo de uma boa internet! Assim como eu e você precisamos.
 
Foi quando Deus me fez entender que a obra missionária não é apenas dar comida ao que está morrendo de fome, ou dar um remédio ao que está morrendo enfermo sem nenhuma assistência médica, ou alguma dessas outras circunstâncias emergenciais e trágicas às quais associamos a vida missionária. É muito além disso. A missão é sinalizar Quem é Deus ao mundo, e ensinar ao mundo o Seu amor, Sua graça, Sua misericórdia, Seu caráter, através da pessoa de Jesus Cristo. Dar o alimento, a educação, a assistência em saúde e todos os outros tipos de apoios às comunidades são maneiras de realizar isso, de sinalizar o Reino e o Amor do Pai pelo ser humano. Porém, não são apenas os que estão morrendo nas situações mais críticas que precisam disso: todas as nações, povos, tribos, lugares precisam conhecer a Deus e ao Seu amor, em Cristo. E, assim, a missão acontece em todo lugar. E não é por ser "menos sofrida" (aparentemente), que ela é "menos importante".
 
Finalmente, entendi que não existem "vários mundos" para Deus. Ele não vê o mundo dividido, como nós vemos: "A África", "A Ásia", "A América", "A Europa"... sempre achando que um lugar é mais importante para Deus do que o outro. Entendi que a África não é mais importante para Deus do que o Brasil, assim como o Rio de Janeiro (e suas cracolândias) não é mais importante para Ele do que o Amapá (e nossas cracolândias!). Ele não vê lugares, Ele vê pessoas - e elas estão em todos os lugares, precisando da manifestação de Cristo de todas as maneiras possíveis. Como somos egoístas ao pensar que um missionário que está na China é mais importante do que um missionário que está na Europa - somente porque as comunidades isoladas da China passam mais fome do que os italianos ou espanhóis. Como nossa visão é estreita e superficial. Olhamos o exterior, enquanto Deus olha tão além.
 
É certo que existem milhares de lugares em nosso mundo hoje que estão esquecidos de nossas igrejas e clamando por uma voz que lhes possa anunciar as Boas Novas de salvação, enquanto continuamos anunciando essas Boas Novas aos mesmos lugares e às mesmas pessoas durante décadas a fio. É uma urgência sair da nossa zona de conforto e ir ao encontro dessas pessoas. Porém, esses lugares não precisam, necessariamente, estar do outro lado do mundo. Eles podem estar bem pertinho de nós. A grande questão é somente uma: onde Deus nos quer. Qual a minha missão? Qual o meu lugar dentro do Projeto de Deus para a humanidade? Onde devo trabalhar? O que devo fazer? Essa é a questão. Ouvir a voz de Deus dando a direção e segui-la. Glórias ao Senhor por Ele chamar cada um de nós para assumir um lugar estratégico em cada canto deste mundo: a uns Ele chama para cuidar de Sua Igreja local, fortalecendo e amadurecendo a fé dos crentes, de maneira que eles possam ser os sustentadores da obra mundial; a outros, Ele leva para as periferias de sua própria cidade ou estado; a outros, Ele chama para a "África e a Ásia brasileiras": nosso sertão nordestino, nossos ribeirinhos, nossos indígenas; a outros, Ele chama para nossa "Europa brasileira": os ricos e "autossuficientes" de nossa própria nação; e a outros, Ele chama para os confins da terra, os lugares mais distantes, sejam eles ricos ou pobres.
 
Que o Espírito Santo nos ajude a compreender, da forma correta, o que o Senhor pensa a respeito da missão, e nos faça enxergar a cada um de nós como os MISSIONÁRIOS que somos chamados a ser. Que, com Sua ajuda, possamos descobrir qual a nossa missão pessoal e a lutar para viver essa missão. Ele abra nossos olhos e corações e transforme nossos entendimentos, cada dia mais, para aprender e ensinar o Seu jeito de trabalhar neste mundo, de maneira que nossas vidas sejam úteis em Sua mãos e vividas para glória de Deus. Abramos nossas mentes para a visão dEle sobre a missão.

Enfim, que possamos entender a obra missionária de Deus nesse mundo a tal ponto de poder dizer apenas uma coisa a respeito dela, seja onde for que ela esteja acontecendo: quão grande privilégio é poder fazer parte disso! Seja orando, seja ofertando, seja doando seu tempo e talentos nos mais diversos cantos deste mundo, que cada um de nós possa chegar ao ponto de só poder sentir e expressar: "Não mereço participar de algo tão grande e tão esplêndido - os Planos Eternos de Deus para a humanidade - mas que grande honra é fazer parte disso!". Que não seja mais por pena, mas por amor - a Deus, em primeiro lugar, e ao nosso próximo em seguida. Com alegria, com júbilo, com gratidão, como os verdadeiros missionários certamente vivem - quer na tranquilidade ou na tribulação. Cada um de nós missionários: descobrindo nosso campo, descobrindo nosso chamado e vivendo para glória de Cristo!
 
Compartilho com vocês um vídeo com alguns momentos desse tempo lindo vivido no Senegal. Que um pouco da alegria que o Senhor me proporcionou através de tudo o que aconteceu lá possa alcançar suas vidas também! Paz, graça e amor do Mestre!