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sexta-feira, 18 de março de 2016

Quaresma – Dia 33 – Aproximando-nos de quem?



“Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir” (Lucas 15.1)

Quem são as pessoas que têm se aproximado de nós? Quem são as pessoas de quem temos nos aproximado? Porque esse texto fala muito de quem era Jesus – e de qual era a Sua missão. Mesmo sendo Santo, mesmo sendo o perfeito Deus, os piores da sociedade (material e espiritual) sentiam-se atraídos por Jesus. E se aproximavam para ouvi-Lo. Ainda que Jesus falasse sobre pecado e o condenasse, ainda que Ele falasse sobre a Santidade do Pai e a necessidade de arrependimento, ainda assim... publicanos, pecadores, impuros, doentes, marginalizados, excluídos aproximavam-se dEle. Enquanto isso, os perfeitinhos e santos, os religiosos “filhos de Abraão” cada vez mais se afastavam dEle.

E nós? Quem são as pessoas que temos atraído? Será que nossa postura, nossa vida atrai os sujos, os pequenos, os marginalizados, os PECADORES deste tempo? Ou, ao olhar para nós, eles enxergam os juízes que só sabem condená-los ou os santos dos quais eles não são dignos de se aproximar? Porque, infelizmente, é assim que o mundo tem visto, muitas e muitas vezes, a nós, cristãos. Porque os ensinamos a ver assim. Porque fomos ensinados a nos manter longe dos pecadores. Não podemos nos misturar com quem não entende a teologia no mesmo nível que entendemos. Não podemos visitar igrejas que não sejam 100% santas em suas doutrinas. Não podemos ter amigos pecadores. Não podemos pisar em solo que não seja santo. Só podemos estar na companhia dos santos. E foi aí que construímos este muro que nos separa do mundo real – o mundo que Jesus veio salvar. Sem perceber, fazemos como os fariseus: “E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles” (v.2). Fazemos isso com nossos irmãos. Fazemos isso em nossas igrejas. Perdemos, em nossas vidas, a misericórdia, o amor, a compaixão que havia em Cristo – e que atraía a Ele os piores pecadores. A misericórdia, amor e compaixão que ainda há nEle e que é o que continua atraindo a Ele os pobres desta terra – aqueles que nós rejeitamos.

E o ensino volta para o mesmo ponto: quando crescemos, Ele diminui. Quando nos achamos bons demais, é então que estamos mal. Quando consideramos o outro mau demais, é quando nós mesmos estamos assim. Quando o orgulho tem espaço, o espírito, certamente, não o tem. Não há espaço para este orgulho que olha as pessoas com superioridade, e a Presença Salvadora de Jesus. E Jesus vem, então, ensinar isso, por meio de várias parábolas – A ovelha perdida, a dracma perdida, o filho perdido – para ensinar uma coisa só: o Reino de Deus é para os perdidos, e não para os santos. Para os doentes, e não para os sãos. Para os imperfeitos, e não para os perfeitos. Por um fato simples: diante de Deus, não existem santos, sãos e perfeitos. Somos todos perdidos, doentes e imperfeitos. Contudo, para fazer parte do Reino dEle, precisamos nos reconhecer assim – e parar de nos sentir melhores do que os outros. Não há nada melhor em nós. Nada. Porque tudo que temos de bom é, puramente, graça de Deus. Em essência, somos exatamente iguais a qualquer publicano e pecador. E é por isso que Jesus nos recebe.

Termino com uma música que sempre me confronta demais. É um desafio constante para minha mente orgulhosa e soberba, para essa carne má que há em mim e que me faz acreditar, vez ou outra, que sou melhor do que sou – e que me faz desejar estar junto apenas dos santos e perfeitos. Até que eu paro e me lembro de Jesus – e de quais pessoas Ele escolheu estar perto. De quais pessoas estavam ao redor dEle. E volto a compreender onde devem estar os meus olhos e o meu coração. “Sou humano demais pra compreender...”.


Eu fico tentando compreender
O que nos Teus olhos pôde ver
Aquela mulher na multidão
Que, já condenada, acreditou
Que ainda havia o que fazer
Que ainda restara algum valor
E ao se prender em Teu olhar
Por certo haveria de vencer
E assim fizeste a vida
Retornar aos olhos dela
E quem antes condenava
Se percebe pecador
Teu amor desconcertante
Força que conserta o mundo
Eu confesso não saber compreender

Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar quem não merece
Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Que aqueles que escolheste e tomaste pela mão
Geralmente eu não os quero do meu lado

Eu fico surpreso ao ver-Te assim
Trocando os santos por Zaqueu
E tantos doutores por Simão
Alguns sacerdotes por Mateus
E, mesmo na cruz, em meio à dor
Um gesto revela quem Tu és
Te tornas amigo do ladrão
Só pra lhe roubar o coração
E assim foste o contrário,
O avesso do avesso
E por mais que eu me esforce
Não sei bem se Te conheço
Tu enxergas o profundo
Eu insisto em ver a margem
Quando vês o coração
Eu vejo a imagem

Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar quem não merece
Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Que aqueles que escolheste e tomaste pela mão
Geralmente eu não os quero do meu lado

Mas recebemos, em nós, o Revelador do Coração do Pai. Que Ele nos ensine a ver e a ser como Cristo é. Até que cheguemos à estatura do Varão Perfeito – Jesus, nosso Senhor. Para glória e revelação do Seu Nome na terra. Amém.



quarta-feira, 16 de março de 2016

Quaresma – Dia 31 – Chamados a diminuir



“Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar [...]. Pelo contrário, quando fores convidado, vai tomar o último lugar...” (Lucas 14.8a, 10a)

Totalmente diferente do que fazemos. Nós queremos os primeiros lugares. O local de destaque. Queremos aparecer na foto. Queremos ser vistos. Queremos que todos saibam que estamos ali. Queremos ser os mais bonitos. Queremos elogios. Queremos privilégios. Queremos ser o centro das atenções. Queremos o protagonismo...

O problema é que essa é a matemática do mundo: para ser o primeiro, é preciso crescer; para ser o primeiro, é preciso ultrapassar todo mundo; para ser o primeiro, é preciso aparecer; pois, quanto mais você for visto, mais será reconhecido. Porém, a matemática de Deus é diferente. É exatamente o oposto: quer ser o primeiro? Seja o último; quer ser servido? Sirva; quer viver? Morra; quer ser salvo? Entregue-se... Só que, entre estes dois raciocínios, facilmente somos convencidos da lógica do primeiro e da falta de lógica do segundo – e escolhemos errado. E isso acontece por causa de um pecado bem particular dentro de nós: o orgulho. Eu realmente acho que ele é o pior pecado – porque tem tudo a ver com nos acharmos deuses, e tomar o lugar do Único Deus.

Por isso é tão difícil falar da submissão feminina em nossos dias. Porque aprendemos (e acreditamos) que só somos valorizados à medida em que aparecemos, crescemos, estamos à frente dos outros, protagonizamos, lideramos. Se não somos a figura central, então estamos sendo desvalorizados – perdendo o nosso valor. Nós aprendemos isso, e acreditamos nisso. Aprendemos que, se queremos viver, devemos lutar pela vida. Mas Jesus ensina que precisamos morrer. Se queremos ser os primeiros, devemos ir pro fim da fila – e só sair de lá se Aquele que nos convidou nos chamar. Se queremos ser líderes, devemos atar a toalha à cintura e lavar os pés dos demais, como Jesus fez. Servir ao invés de procurar ser servidos. Porém, dizer pra alguém ser o último, ser servo, lavar pés, diminuir, nestes dias em que vivemos, é tirar-lhe o valor, é chamar-lhe de inferior, é menospreza-lo. Porque “se alguém tem valor, ele não estará servindo e sim sendo servido”. Mas essa não é a lógica de Deus. Pois a lógica do mundo é egoísta e individualista. Mas a lógica de Deus é altruísta – focada no amor genuíno. E o que ama serve, sem perder, em nada, seu senso de identidade e de valor perante Deus. Porque Deus diminuiu-se e serviu – e continuou sendo inteiramente Deus. Porque, perante Deus, nosso valor não é determinado pelo papel que desempenhamos, e sim pelo que somos – o que Ele diz que somos.

Mas assumir verdades como estas para nossas vidas exige renúncia. Renunciar ao nosso orgulho, ao nosso ego, à nossa vaidade, ao nosso desejo de ser o centro, à idolatria de nós mesmos. E isso dói. Porque é tão bom ser reconhecido, enxergado, elogiado. É tão bom estar à frente e ter seu nome mencionado. E é tão ruim quando trabalhamos tanto mas ninguém nos vê. Ninguém sabe que fomos nós. Ninguém nos reconhece. É tão ruim. Porque não é o que nossa carne quer. Lá no fundo, não é com a aprovação de Deus que estamos realmente preocupados – é com a aprovação dos homens.

Contudo, Jesus termina esta história dizendo àquelas pessoas: “Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado. Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos” (Lc. 14.12-14). Ele estava nos ensinando: “Quando fizeres o que quer que seja, não busque a aprovação e as recompensas das mãos dos homens. Busque a aprovação e a recompensa das mãos de Deus. Pois somente uma tu poderás receber. Se tua recompensa vem de homens, Deus não poderá recompensar-te. E mais valiosas – muito mais valiosas – são as recompensas que tens para receber na ressurreição dos justos do que todas as que podes receber aqui nesta vida”.

É isso. Que queiramos o primeiro lugar diante de Deus, e não dos homens. Que queiramos crescer diante de Deus, e não dos homens. Que queiramos viver diante de Deus, e não dos homens. E que entendamos que, se assim desejamos, os caminhos a tomar serão opostos àqueles que os homens nos propõem. É o último lugar que devemos buscar. É diminuir. É morrer. Porque, somente assim, quando tivermos coração de servos, quando o Senhor tiver nos limpado de nosso orgulho e nossa vaidade e presunção, Ele poderá nos exaltar. Só assim poderemos ser os primeiros. Antes, somos chamados a diminuir. E que este chamado não seja rejeitado por nós. Ele é o único caminho para o verdadeiro crescimento.


sábado, 12 de março de 2016

Quaresma – Dia 29 – O que realmente importa



“[...] porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lucas 12.34)

O texto de Lucas 12, versos 1 a 34, fala de um assunto só: o verdadeiro sentido da vida. E eu só percebi isso quando já estava chegando lá pelo verso 22. Aí acontecem aqueles momentos de iluminação de Deus. É tudo sobre a mesma coisa.

O texto começa com Jesus alertando seus discípulos e a multidão reunida contra o fermento dos fariseus: a hipocrisia. Hipocrisia que se revelava na vida cheia de coisas ocultas que eles tinham, das máscaras que eles usavam. Mas Jesus adverte a todos que nossa verdadeira face nunca poderá ficar escondida para sempre. Nossas máscaras cairão, nossas coisas escondidas serão reveladas. Portanto, que não haja em nossa vida este fermento de hipocrisia que havia nas vidas dos escribas e fariseus, com quem Jesus acabara de conversar e de a quem acabara de repreender, no fim do capítulo 11. E a hipocrisia deles consistia em uma coisa: dizerem-se preocupados com as coisas espirituais, com suas máscaras espirituais, porém com os olhos e o coração fixos em si mesmos e nas coisas deste mundo. Diziam-se espirituais, mas eram carnais. E, então, Jesus mostra três comportamentos que revelam quando nosso coração está nas coisas deste mundo e não nas coisas espirituais, e quais deveriam ser nossas verdadeiras preocupados – o que realmente importa.

1) Medo da morte (Lucas 12.4-12)

“Digo-vos, pois, amigos meus: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer” (v.4).

Infelizmente, raramente paramos para pensar por que certas coisas da vida geram tanta preocupação, tanto medo em nós. Por que tememos tanto a morte? Mesmo que não assumamos. Nós a tememos. Pensamos, caso somos convidados a realizar uma ação cristã em um local perigoso da cidade: “Mas será que devemos mesmo ir lá? Será que é seguro?”. Se somos convidados para um trabalho missionário em um país em guerra: “Mas não é melhor ir a outro lugar?”. Se somos desafiados a desenvolver qualquer atividade que possa nos trazer dor ou mesmo qualquer tipo de desconforto, até mesmo o emocional, logo desanimamos. Tenho ouvido tantos cristãos preocupados com o risco de extremistas islâmicos se aproveitarem dessa onda de migração de refugiados Sírios e de outras áreas do Oriente Médio, e da abertura que o Brasil tem dado, liberando as fronteiras e facilitando a entrada destes refugiados. E a preocupação sempre é: “nós não sabemos o que eles podem fazer. Daqui a pouco estarão realizando atentados terroristas aqui no Brasil, perseguindo a Igreja, e nós estaremos correndo riscos”. E isso tem gerado tanta preocupação a tantas pessoas, nestes tempos. Mas, por que isso nos amedronta tanto? Por que o risco de sermos perseguidos, de sofrermos um atentado, de sofrermos danos físicos nos causam tanto alarme? E a verdade é que é porque nossas preocupações estão neste mundo, e não na eternidade. No mundo físico, e não no espiritual. Em nós mesmos, e não em Deus. E é por isso que tememos tanto aqueles que podem matar o corpo, mesmo sem poder fazer dano nenhum a nosso espírito. Porque colocamos valor maior no corpo do que no espírito. E é com ele que nos preocupamos, acima de todas as coisas. Por isso, o medo da morte chega a paralisar certas pessoas. Por isso há pessoas (mesmo cristãs) que, quando ouvem alguém dizendo “Se eu morrer amanhã, encontro você lá no céu!”, rapidamente respondem: “Credo! Tá amarrado! Ninguém vai morrer não! Para com isso!”. Porque criamos raízes neste mundo e não queremos deixa-lo. Nós o transformamos em nosso tesouro, nos esquecendo que este corpo perecerá, e este mundo também. Que a verdadeira realidade está além deste corpo físico.

E o ensino de Jesus sobre isso é: “temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer.” (v.5). Deus. É a Ele que devemos temer. Ao que acontecerá com nossos espíritos APÓS a nossa morte física. Isso sim é realmente importante. Ao olharmos para todas essas situações arriscadas e difíceis para nós mesmos, que nossa preocupação não esteja em “O que acontecerá comigo?”, mas “De que forma isso pode influenciar realidades espirituais?”. Na minha vida e na vida dos demais envolvidos. Como isso pode beneficiar ou prejudicar, espiritualmente, a Igreja de Jesus Cristo, nossa fé, nosso crescimento, nossa aproximação de Deus, e todos aqueles que ainda precisam conhecer a Jesus. Porque estas coisas influenciarão para a vida eterna. E é com elas que devemos nos preocupar.

2) Avareza (Lucas 12.13-21)

“Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco...” (v. 19-20a)

Nós podemos até não perceber também, mas todos pensamos nisso. Precisamos de um fundo de aposentadoria. Precisamos de uma poupança. Precisamos de uma casa melhor. Precisamos de um carro novo. Precisamos de mais roupas. Precisamos de mais sapatos. Precisamos de mais lazer. Precisamos de mais um trabalho. Precisamos de tantas, tantas, tantas coisas. Precisamos derrubar nossos celeiros, para podermos construir outros que possam abarcar os tesouros que temos conseguido juntar. E, então – só então - , quando tivermos conseguido juntar o suficiente, descansaremos e seremos felizes. Essa é a filosofia da grande maioria das pessoas hoje em dia. Nossos pais nos ensinam. Nós, que somos jovens, precisamos ralar muito e trabalhar muito agora, enquanto temos forças e energias, para que, um dia, possamos nos aposentar e usufruir dos bens que acumulamos. Só acontece que juntar bens toma nosso tempo, nossas forças, nossas atenções, nossos planejamentos... tudo o que somos. E, então, quando vemos, em nossa corrida para entesourar para nós mesmos, quase nada sobrou para Deus. Para a minha poupança, nunca pode faltar. Mas para ajudar um necessitado, sempre falta. Para apoiar um missionário, sempre falta. Para investir nos trabalhos da igreja, sempre falta. Mas para minha calça jeans nova, a gente dá um jeitinho. Para o cinema do fim de semana, a gente dá um jeitinho. Para minha maquiagem nova, minhas unhas semanais, meu cabelo... a gente arruma.

“Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (v.20-21). Temos tempo para nós mesmos, mas não temos para Deus. Temos energia para nosso trabalho, que nos permite juntar tesouro para nós mesmos, mas não temos para nossa família, nossos amigos, os que precisam de nós, e o próprio Deus. Mas essa vida terminará. De repente. Quando menos esperarmos. E o que terá valido serão os tesouros que acumulamos para com Deus. Nosso amor, nossa misericórdia, nossa compaixão, nossa doação, nossa liberalidade para com o Reino de Deus. Juntar para a eternidade, e não para este mundo perecível.

3) Ansiosa preocupação com as necessidades dessa vida (Lucas 12.22-33)

“Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes.” (v.22-23)

E é assim que Jesus conclui o Seu ensino. “Não andem tão ansiosos assim!”. Por que nós andamos tão ansiosos com nossa vida – nossas necessidades diárias ou futuras? Porque nós nos esquecemos que esta vida não se resume à realidade material – há uma realidade espiritual, da qual nós fazemos parte, e, nesta realidade, há um Deus Todo Poderoso que é nosso Pai e cuida dos Seus filhos. Mas nos esquecemos disso. Passamos a acreditar que o provedor de nossas vidas somos nós mesmos. Nossos esforços. Nossos empregos. E, por isso, eles precisam ser nossas prioridades. Por isso precisamos trabalhar mais um turno, mesmo quando isso prejudica as coisas que realmente valem à pena nessa vida. Porque acreditamos que nosso sustento vem de nós mesmos – e não do Senhor. Então, vivemos preocupados com o que haveremos de comer, de beber, de vestir, etc. Por isso, deixamos de investir no Reino de Deus. Por isso, deixamos de estar com o Corpo de Cristo, pois precisamos trabalhar. Por isso, abrimos mão de uma viagem missionária, pois nos custaria reduzir os custos com a manutenção de nosso estilo de vida – o que não podemos fazer. Por isso, o campo missionário transcultural é tão apavorante pra tanta gente ainda. Por isso os pais se desesperam quando seus filhos dizem ser chamados para o trabalho missionário em campos pobres. Por isso, os jovens são ensinados a escolher profissões que darão dinheiro, e não as que fazem parte do chamado de Deus para suas vidas. É assim que fazemos nossas escolhas hoje em dia. Calculando nossa sobrevivência. E é assim que deixamos Deus de fora da nossa história – e ficamos de fora da história dEle.

O que Ele nos ensina: “Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves! [...] Observai os lírios; [...] se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé! [...] vosso Pai sabe que necessitais [destas coisas]. Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas. Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino. Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastam, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (v.24, 27a, 28, 30b-34)

Não se trata de não termos mais cuidado com nossa vida e deixarmos de ser atentos e sábios com nossas escolhas diárias. Não se trata de não nos precavermos financeiramente e sairmos torrando nosso dinheiro de qualquer forma, ainda que seja em ações religiosas, sem a responsabilidade de cumprir com nossos compromissos – pessoais, cidadãos, familiares. Não se trata de não assumirmos nosso papel em nos empenharmos para conseguir nosso sustento e ficarmos sentados, esperando Deus mandar o maná do céu. Não é sobre essas coisas que este texto fala. Não é sobre negligência, preguiça, irresponsabilidade, falta de compromisso e de responsabilidade, falta de sabedoria e vida desregrada. Não é sobre uma fé cega. É sobre onde está nosso coração. É sobre onde está o nosso tesouro. É sobre em que temos investido as nossas vidas. É sobre o que realmente tem importado para nós. E o que realmente importa para Deus. O que realmente importa nessa vida. É sobre descobrir isso e investir nisso. Tudo o que pudermos. É sobre não viver para si mesmo – mas para Deus, e para o próximo. Pois foi assim que Jesus viveu. E veio nos deixar o exemplo. Ele sabe o que realmente importa. Aprendamos com Ele.


segunda-feira, 7 de março de 2016

Quaresma – Dia 24 – Nossa fonte de alegria



“Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lucas 10.20)

Lá estavam os setenta discípulos enviados por Jesus para a missão de precedê-Lo em cada cidade e lugar para onde Jesus estava para ir (v.1), cheios de alegria porque os próprios demônios se submetiam a eles por causa do Nome de Jesus (v.17). Aqueles homem haviam experimentado aquele sobrenatural que só é possível viver quando estamos na missão de Deus e com Deus, vendo-O fazer o impossível acontecer. Esse tipo de experiência que eu sonho tanto em poder viver mais na minha vida. Por isso eu posso imaginar a alegria daqueles homens. Me coloco no lugar deles, olhando para mim mesma e vendo alguém tão pequena, com uma fé tão pequena, com tantos pecados, e Deus, de repente, fazendo coisas grandiosas acontecerem por meio da minha vida, coisas inimagináveis para mim, mas feitas no Nome de Jesus. Eu entendo perfeitamente o entusiasmo, a euforia desses homens chegando com o Mestre e dizendo (como se isso fosse algo incrível também para Jesus): “Mestre, os demônios obedeciam às nossas ordens!”. Mas aí Jesus responde: “alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus" (v.20). E parece que foi um balde de água fria. Eles estavam tão eufóricos! E Jesus vem com uma dessa. Como assim?

Mas o que me chamou a atenção é que, antes de falar disso, Jesus não condenou simplesmente a alegria que os discípulos sentiam. Eles estavam maravilhados por verem o sobrenatural de Deus acontecendo em suas vidas. E Jesus se aproxima deles nessa alegria, compartilhando do sentimento deles e dizendo: “Eu vi coisas maravilhosas acontecerem desde o princípio da criação. Eu vi quando Satanás, que era anjo, tornou-se traidor e foi expulso do céu. E vocês também verão coisas extraordinárias acontecerem. Vocês pisarão cobras e escorpiões e não sofrerão nada, porque Eu tenho compartilhado minha autoridade com vocês – sobre essas coisas e sobre todo o poder do inimigo. Contudo...” (v.18-19). E é quando chega o nosso versículo chave: “Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus". O que Jesus estava dizendo era: Vocês ainda verão coisas maravilhosas demais para seus olhos acontecendo, pelo poder do meu Nome, que concedo a vocês, meus discípulos, porém, não é nestas coisas que deve estar a vossa alegria.

E é o que Jesus precisa falar para cada um de nós tantas e tantas vezes. Passamos a vida toda esperando alguma coisa extraordinária acontecer em nossas vidas para sermos alegres. Estamos sempre aguardando algo de Deus: um agir sobrenatural, uma manifestação, uma graça específica, uma resposta de oração, um casamento, um ministério, um dom, etc, etc, etc. Como se só fôssemos ser realmente alegres, completos, quando estas coisas acontecessem. E Jesus não condena isso. Jesus não condenou a alegria proveniente da experiência sobrenatural que os discípulos viveram. Ele, inclusive, disse que eles poderiam e deveriam esperar que estas coisas lhes acontecessem, porque Ele mesmo partilhava com eles da Sua autoridade. E Jesus não condena nossas alegrias provenientes de outras fontes: de um ministério, de um casamento, de uma conquista, de ter filhos, de realizar um sonho, de ter uma experiência sobrenatural com Ele... não! Ele, inclusive, fala a nós: “Você pode esperar que essas alegrias lhe sejam acrescentadas na vida, meu servo, porque Eu cuido de você!”. Mas, existe um “Contudo”, e ele é muito importante. Contudo, estas coisas, que nos são acrescentadas em nosso caminhar com Deus, não podem nem devem ser nossas fontes primárias de alegria. Não podemos ser dependentes delas para estarmos alegres.

Qual deve ser nossa fonte de alegria, então? Jesus disse: “mas porque seus nomes estão escritos nos céus". Não pelo que Ele FARÁ nas nossas vidas. Mas pelo que Ele JÁ FEZ. Essa deve ser nossa fonte primária de alegria. DEUS JÁ FEZ O MAIOR MILAGRE DE TODOS EM MINHA VIDA. Ele escreveu meu nome no Livro da Vida. Oh, glorioso Deus! Que coisa nessa vida pode se comparar a isso? Um casamento? Um ministério? Uma conquista? Filhos? Um sonho? Que coisa neste mundo ou no porvir poderia se comparar ao fato de que eu, um pecador, fui feito FILHO de DEUS, e meu nome foi escrito no Livro DELE – e nada poderá apaga-Lo de lá? Nada. Não há alegria que este mundo possa nos oferecer que assemelhe-se a isso. Mas nós não entendemos – porque ainda somos feitos da matéria desse mundo. Ainda não conhecemos a matéria do mundo de lá. Os tesouros do mundo do nosso Pai ainda nos são mistério. Apenas os imaginamos. Mas não os conhecemos. Por isso, não conseguimos imaginar a dimensão do seu valor. Enquanto isso, os tesouros deste mundo aqui são feitos da mesma matéria que hoje nós somos feitos, nós conseguimos mensurar o valor que eles tem – e por isso os desejamos. Contudo, basta parar para olhar para esse Eterno, Santo, Poderoso, Cheio de Graça, Soberano, Maravilhoso, Perfeito Deus que se fez nosso Pai para compreendermos que nada neste mundo jamais se assemelhará a Ele. Portanto, Seus tesouros eternos, uma VIDA AO SEU LADO – agora e por toda a eternidade – jamais se comparará com nenhum dos tesouros que conhecemos nesta vida. É incomparável. Incomparavelmente melhor.


Assim, nós momentos em que a figueira não florescer, a videira não der o seu fruto, a safra das azeitonas falhar, as lavouras não produzirem alimento, não houver ovelhas no curral nem bois nos estábulos... nós podemos falar como Habacuque: “ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação.” (Hc. 3.17-18). Porque, ainda que todas as conquistas que temos nesta vida nos tragam alegria – e uma alegria tão grande, um entusiasmo, uma euforia tão intensos – quando elas falharem, quando elas não vierem, quando não houver tesouro nenhum em nossas mãos, há uma conquista, um tesouro que ninguém pode nos roubar. Há uma alegria que nunca falhará. Há uma segurança e um descanso eternos, que garantem FELICIDADE às nossas almas, mesmo quando mais nada nos sobrar: O DEUS DA NOSSA SALVAÇÃO. NEle, estamos ETERNAMENTE seguros – porque Ele mesmo escreveu nosso nome em Seu Livro de Vida. E nada nos poderá tirar essa alegria. Nossa verdadeira fonte de alegria. E que ela seja, de verdade. A alegria que nunca cessará. E que nada nos faça esquecer. E que não haja, em nossos corações, tesouro mais desejável do que este. Nossa perfeita fonte de alegria. Assim seja. Amém.

domingo, 6 de março de 2016

Quaresma – Dia 23 – Para onde quer que for?



“Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores” (Lucas 9.57)

E quantos de nós temos dito isso, não é? Mas nós realmente estamos dispostos a seguir o Cristo AONDE QUER QUE ELE FOR?

E se Ele nos disser: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça" (v.58), nós ainda iremos? Se Ele nos disser: “Sabe aquele sonho da casa própria, do carro próprio, das raízes estabelecidas em algum lugar? Não será possível para você. Porque sua casa será o mundo todo, você não estabelecerá raízes, pois te levarei para os mais diversos lugares, e os bens materiais deste mundo nunca serão realmente seus!”, nós ainda iremos com Ele?

E se Ele nos disser: “Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos; você, porém, vá e proclame o Reino de Deus" (v.60)? E se não tivermos a oportunidade de estar por perto quando nossos pais morrerem para os sepultar, pelo motivo de estarmos em algum lugar deste mundo, proclamando o Reino de Deus? E se o preço a ser pago for viver os melhores e piores momentos longe de nossa própria família? Nós ainda O seguiremos?

E se Ele nos disser: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (v.62), quando pedirmos para ir primeiro nos despedir de nossa família, antes de partirmos para segui-Lo? E se for preciso largar o barco de nossa família, como Pedro, Tiago, João fizeram, deixando para trás pai e mãe, irmãos e irmãs, para seguir a Cristo? E se esse convite for para o resto da vida? Nós ainda iríamos após Ele?

E se Ele nos dissesse que segui-Lo resultaria no permanecer solteiras pelo resto da vida – nunca viver o sonho do casamento, da maternidade biológica, da sua própria família? E se resultasse em nunca ser lembrado, por ter vivido em um local tão isolado que ninguém nunca saberia de seus feitos? E se resultasse em nunca ser reconhecido por ninguém mais além de Deus? Nós ainda O seguiríamos?

Seguir a Jesus é sério. É uma decisão que envolve toda a nossa vida. Não há entrega pela metade – ou é tudo ou é nada. Ele não nos quer pela metade. E, quando entregamos, Ele faz o que quiser. E é assim para ser. Tornar-nos discípulos dEle envolve estar dispostos a pagar o preço – tal qual Ele pagou. Porém, a parte bonita dessa história é que os caminhos dEle sempre serão bons, agradáveis e perfeitos. Mesmo que eles façam nossos pés doerem. Mesmo que eles tragam lágrimas. Mesmo que eles não correspondam às expectativas de vida que tínhamos. Ainda assim. Ainda que tudo saia diferente do que planejávamos – Sua vontade continua sendo boa, agradável e perfeita. E será assim para nossas vidas. Nosso lugar de descanso, alegria e paz. Porque o motivo para a felicidade de nossa alma é ELE. Ele. Onde Ele estiver, ali estará o gozo de nossas vidas. E, se Ele não estiver, ainda que todos os planos e expectativas de nossas vidas tenham se cumprido, nada terá verdadeiro sentido. Porque TUDO, sem Ele, é nada. É vazio. É morto. Ele é a vida. Jesus. Assim, se estivermos com Ele, nós teremos vida – e VIDA EM ABUNDÂNCIA.

E, além de todas as coisas, esse Deus revela-se Pai. Ele cuida de nós. Ele promete que, ainda que uma mãe se esquecesse do filho que amamenta, Ele não se esqueceria de nós. Que, se nós que somos maus, sabemos dar boas coisas a nossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará boas coisas aos que pedirem. Ele não se esquece de nós. Ele não abandona os Seus. Isso é impossível de acontecer. Contudo, não podemos nos esquecer que segui-Lo exigirá um preço. Que os caminhos trilhados por Jesus não foram cheios de rosas. Que os caminhos trilhados por nossos pais na fé, pelos discípulos, pelos apóstolos, pela Igreja Primitiva não foram cheios de rosas. Foram cheios de pedras. Foram duros. E que, muitas e muitas vezes, estes que escolheram seguir o Messias antes, tiveram que pagar estes preços citados por Jesus nesse texto – e muitos outros ainda piores. Segui-Lo exige entrega TOTAL. Custe o que custar. Mas, ainda que nos custe TUDO o que temos neste mundo, podemos ter a certeza, a segurança, de que coisas infinitamente melhores nos estarão reservadas – nesta vida e na por vir.


Ele é nosso maior tesouro. Jesus. E que nossos corações nunca esqueçam disso. E que seja assim para sempre. Amém.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Quaresma – Dia 20: Missão Integral



“Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos” (Lucas 9.2)

Que interessante a missão que Jesus, pela primeira vez no Evangelho de Lucas, dá aos doze: pregar o reino de Deus e curar os enfermos. Uma falando, outra fazendo. Uma para mudar o entendimento, outra pra mudar a vida. Uma teórica, outra prática. Uma “espiritual”, outra “física”. E é fantástico parar para observar isso. Quanto temos sido ensinados a separar “espiritual” de “material”, e que somente o primeiro constitui nossa missão designada por Deus. Temos crido que o “espiritual” é o que importa a Deus, e o restante é apenas acompanhamento. Porém, quando esse texto começa, o texto das instruções dadas aos doze para o envio que Jesus faria deles, ele diz: “Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas” (v.1). E, nos relatos bíblicos, nem sempre as curas ou as libertações de endemoninhados vêm acompanhadas por salvação. Portanto, a missão dada por Jesus aos apóstolos, claramente possui não apenas o foco “espiritual” (salvação da condenação eterna), mas também “material” (da nossa vida aqui nessa terra).

Missão integral. Missão de salvar o ser humano aqui e agora, e também amanhã, na eternidade. Missão dada por um Deus que reconhece que nós, seres humanos, possuímos necessidades físicas, emocionais e espirituais, e que nos olha integralmente – e quer nos libertar integralmente. Missão dada por um Cristo que, até então, vinha dando o exemplo de alguém comprometido em salvar o homem em toda a sua existência – em suas dores físicas tanto quanto em suas dores espirituais. Jesus perdeu tanto tempo de seu ministério fazendo milagres físicos: curando cegos, surdos, paralíticos, leprosos e tantas outras doenças, multiplicando comida para saciar fome; e operando também milagres emocionais: a uma mulher adúltera trazida para ser apedrejada, a uma mulher rejeitada por ser mulher, samaritana e adúltera, a publicanos, gentios, pescadores, gente humilde e excluída, pecadores. Se pudéssemos quantificar, quanto será que, de toda a narração dos evangelhos, estaria relatando o tempo gasto por Jesus na realização de curas físicas e emocionais, em comparação com o tempo gasto por ele falando especificamente sobre a necessidade de libertação espiritual do ser humano? Não sei. Mas sei que os relatos sobre as ações de cura física e emocional de Jesus foram muitíssimas. E a missão dada aos doze incluía, antes mesmo de mencionar a pregação, a realização destas curas. Deus se importa com elas. Elas fazem parte da nossa missão. Deus olha para o homem em todas as suas necessidades – é nos chama para também olhar assim, e trabalhar para atender a todas elas.

Outra coisa interessante é que o verso 2, ao falar da missão dada por Jesus aos doze, usa o termo “pregar o reino de Deus”, que é um termo muito menos usado do que o tradicional “pregar o evangelho”, que aparece no verso 6. E, muitas vezes, por nos acostumarmos em ouvir certos termos, em nossas práticas religiosas, vamos perdendo o verdadeiro sentido dele. “Pregar o Reino de Deus” e “Pregar o evangelho” são usados, nesse texto, como sinônimos. Ambos falam da missão dada aos discípulos naquele momento. E eles, de fato, são sinônimos. Essa é nossa missão. Contudo, quando falamos de “reino de Deus” costumamos imaginar algo muito maior do que “evangelho”. Parece que o nosso entendimento a respeito do que é “pregar o evangelho” ficou tão reduzido a algumas verdades bem objetivas acerca do “plano de salvação”, que dificilmente falaríamos que pregar o evangelho e pregar o reino de Deus são a mesma coisas. Mas eles são. Pregar o evangelho é muito mais do que ensinar algumas verdades a respeito da condição espiritual do ser humano e da salvação da alma em Cristo. É mais. É proclamar uma realidade em que quem REINA é Jesus. Como é esta realidade? Qual é o jeito de Deus reinar? E isso começa com a salvação da alma, mas isso continua em muitas outras coisas – em todo o processo de santificação, de renovação da mente e do coração do homem, do aprendizado de um novo jeito de viver. E nós precisamos, urgentemente, dessa compreensão. Pregar o evangelho não é apenas bater de casa em casa, ensinando os 4 passos para a salvação. É pregar uma vida em que o REI É JESUS. E isso se prega com a boca, mas também com a vida – e, muitas vezes, principalmente com a vida.

Jesus nos envia a uma missão que inclui o alcance a toda a vida do ser humano: sua mente, por meio do anúncio das verdades bíblicas; seu espírito, por meio da proclamação do caminho para salvação em Cristo; e também do corpo e das emoções, por meio de uma aproximação de preocupação e amor, e das curas que o Senhor realiza por meio de nós. E continua sendo assim hoje. Chamados para proclamar e também para curar. Para falar, mas também para tocar, abraçar, aconselhar, orar junto e ser canal de libertação. Teoria e prática. Mente, corpo, alma e espírito. A missão inclui tudo isso. E não podemos nos esquecer disso. O Reino de Deus estabelecendo-se na terra: em todos os aspectos que possam envolver a vida do ser humano.


Termino com uma frase de Aristóteles: “Onde as necessidades do mundo se cruzam com as suas possibilidades, aí está sua vocação”. Aí está seu chamado. Quais as necessidades do mundo, das pessoas ao seu redor, que se cruzam com suas possibilidades de ajuda? Espirituais, emocionais, físicas... tudo isso é sua missão. Missão integral. E, assim, o Reino de Jesus se estabelecerá entre nós. Para glória do Nome de Jesus. Amém.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Quaresma – Dia 16: Chamados para ser agricultores



"O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
Parte dela caiu sobre pedras e, quando germinou, as plantas secaram, porque não havia umidade.
Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram com ela e sufocaram as plantas.
Outra ainda caiu em boa terra. Cresceu e deu boa colheita, a cem por um". Tendo dito isso, exclamou: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! ".

"Este é o significado da parábola: A semente é a palavra de Deus.
As que caíram à beira do caminho são os que ouvem, e então vem o diabo e tira a palavra dos seus corações, para que não creiam e não sejam salvos.
As que caíram sobre as pedras são os que recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não têm raiz. Crêem durante algum tempo, mas desistem na hora da provação.
As que caíram entre espinhos são os que ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não amadurecem.
Mas as que caíram em boa terra são os que, com coração bom e generoso, ouvem a palavra, a retêm e dão fruto, com perseverança".

(Lucas 8: 5-8, 11-15)

E se nós estivéssemos lá no caminho, e ajudássemos aquela semente que caiu à sua beirada a alcançar a terra profunda, onde as aves não a pudessem alcançar? E se estivéssemos lá ao lado daquele em cuja vida a semente foi lançada, intercedendo e colocando-nos na brecha para que o diabo não roubasse dele as Palavras de vida e salvação?

E se nós retirássemos as pedras e fôssemos os regadores que umedecem a terra, para que aquela semente não morresse pela sua secura? E se déssemos àquela terra as condições adequadas para possibilitar que a semente ali lançada criasse raízes? E se, na hora da provação, fossemos o braço e o abraço, o sustento, a palavra consoladora para aqueles em cuja vida as Palavras de vida e salvação foram lançadas, ajudando-os a crescer mesmo durante as provações?

E se arrancássemos os espinhos antes mesmo que aquela semente começasse a crescer, para que eles não a sufocassem? E se fôssemos aqueles que estariam ajudando aquele em cujo coração as Palavras de vida e salvação foram semeadas a compreender as vãs filosofias deste mundo e suas falsas promessas de felicidade, ensinando-lhe o caminho da verdadeira felicidade, caminhando com ele neste caminho, para que os cuidados, riquezas e prazeres deste mundo não lhe soassem tão atraentes assim?

O crescimento vem de Deus, é verdade (1 Coríntios 3.6). Mas nós podemos cuidar da terra e prepara-la para receber a semente. Podemos ser, como Paulo e Apolo, aqueles que plantam e regam. Os agricultores, que dão seu melhor para ajudar a terra a estar preparada para que as sementes lançadas sobre elas dêem muitos frutos. Ajudar a terra a chegar no nível de ser chamada de “boa terra”. Não, isso não garante que as sementes frutificarão. O frutificar é com Deus. Mas, ainda assim, somos chamados a cuidar da terra.

Cada um de nós já passou pelo momento em que o diabo veio roubar de nós as palavras enviadas por Deus aos nossos corações; em que as provações foram tão duras que o coração tornou-se seco e carente de água; em que os espinhos cresceram junto com nossa semente e os prazeres deste mundo atraíram nossos olhos, colocando em risco a vida das promessas de Deus para nós... e nós sabemos o quanto é duro enfrentar tudo isso sozinho. Como a solidão na caminhada cristã é dolorosa. Pela graça e misericórdia de Deus, nossas sementes não morreram, porque Ele intercedeu por nós. Porém, ainda assim, como desejamos ter tido o auxílio de irmãos na fé cuidadosos e amorosos ao nosso lado. Ou, quando os tivemos, como percebemos o valor de ter um verdadeiro irmão em Cristo combatendo esses combates conosco.

E nós também somos chamados a esta missão. Ser estas respostas aos nossos irmãos que sofrem, que estão fracos, que estão atraídos pelo brilho deste mundo, que estão passando por provações, que estão sendo atacados pelo inimigo... e nós somos aqueles que podem oferecer o ombro, os ouvidos, os conselhos, os consolos – mãos, pés, voz de Deus neste mundo. Talvez, mesmo sendo tudo isso, a semente não permaneça viva. Talvez não dê os resultados que gostaríamos que desse. O crescimento vem de Deus. Mas, ainda assim, devemos plantar e regar. Fazer nossa parte. Cuidar da terra – em amor.

Há tantos de nossos irmãos, ao redor deste mundo, lutando tão duras batalhas sozinhos. Irmãos e irmãs que conheceram verdadeiramente o Senhor Jesus, e que fazem parte da Igreja Perseguida de nossos dias – que desejam ter um companheiro de fé ao lado, que desejam aprender mais das Sagradas Escrituras, que desejam crescer na fé e no conhecimento do Filho de Deus. Homens e mulheres que tem sido abandonados por suas famílias, excluídos de suas comunidades, discriminados, perseguidos, maltratados, assassinados... pessoas que têm passado pelas mais intensas dores, por amor a Cristo – coisas que sequer podemos imaginar. E, sim, eles permanecerão fiéis, porque o Senhor que eles amam os sustentará. Mas, ainda assim, como lhes teria sido menos duro enfrentar isso ao lado de algum irmão na fé. Como teria sido menos duro NOS TER por perto. Saber que não estão sós. Ter a quem dar as mãos. Ter com quem compartilhar as lágrimas e os risos. Ter com quem andar. Sentir-se amado.

E se nós fôssemos essa resposta?


Chamados para ser agricultores. No mundo todo. Onde houver terra precisando de cuidados. Onde houver batalhas sendo enfrentadas. Onde houver dor. Onde houver solidão. Aonde o Senhor da Seara quiser nos enviar. E que Ele nos envie. Para a glória do Seu Nome e a salvação dos perdidos. Amém. Amém.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Reconhecidos pelo quê?


Pelo quê nós queremos ser reconhecidos pelos outros, quer no presente ou no futuro? Pelo quê queremos ser lembrados por aqueles que tiveram a oportunidade de nós conhecer ou de ouvir falar de nós? O que queremos que seja falado a nosso respeito quando alguém perguntar sobre quem somos?

Essas perguntas começaram a surgir em minha mente e coração de forma especial em função dessa condição meio “pública” de ser “blogueira” e depois de observar como os blogs cristãos têm crescido em número, especialmente aqueles voltados para jovens e que acabam, quase sempre, convergindo para os assuntos sobre romance, namoro, casamento e semelhantes – como acaba sendo também o caso do Mulheres Virtuosas, até certo ponto.

Então, aquela doce voz do Espírito Santo, que testifica com o nosso espírito, começou a soar em minha mente e coração: pelo que você quer ser reconhecida? O que você quer que as pessoas falem, em primeiro lugar, quando falarem de você? E, por fim, uma última pergunta: Qual é a bandeira que elas lembrarão que você esteve carregando?

E a grande questão aqui é: nós dedicamos tanto tempo levantando bandeiras do tipo “côrte”, “romance cristão” e focando nesse aspecto específico da vida cristã, falando repetidas vezes sobre ele, e tantas vezes floreando nossas expectativas a respeito da chegada do “romance de Deus” para nossas vidas que esse passa a ser o grande aspecto pelo qual somos reconhecidos. E passamos a, de alguma forma, querer ser reconhecidos por ele – “a pessoa que defendeu e viveu os princípios da côrte”, ou algo assim.

Não é que estas coisas não tenham a importância devida para serem tratadas repetidamente, porque tenho comentado aqui diversas vezes sobre quanto tenho sido convencida da importância de se abordar esse assunto, porque ele tem sido uma das principais fontes de quedas e desvios entre jovens cristãos. Porém, quantos sites cristãos têm sido reconhecidos quase que exclusivamente, ou prioritariamente, por tratarem do aspecto de relacionamentos entre jovens? E minha pergunta a mim mesma é: até que ponto meu próprio blog tem sido reconhecido por isso? Até que ponto as pessoas têm vindo até aqui somente para ler mais alguma coisa que fale sobre romance cristão? E até que ponto isso tem tomado o lugar que deve ser dedicado exclusivamente a Cristo – em minha vida e em suas vidas?

A questão é que ainda que Deus mesmo nos dê bandeiras específicas para levantar, lutas específicas para lutar, as quais têm a ver com o chamado especial e individual dEle para nossas vidas, essas coisas não são fins em si mesmas – elas são meios. Devem ser meios. Meios de glorificar mais Deus, em Cristo, fazê-Lo mais conhecido e mais honrado em nossas vidas e através delas. A vivência de princípios corretos para o romance não é um fim em si mesma, a formação de uma família no modelo bíblico não é um fim em si mesma, até porque mulçumanos e judeus têm se aproximado muito mais desses padrões do que a maioria de nós, cristãos – contudo, isso não é uma vitória por si só. Todas essas coisas são bandeiras que valem à pena ser levantadas, acima de tudo e em primeiro lugar, quando forem fontes para honrarmos mais a nosso Deus e o glorificarmos mais nessa terra. Esse é o objetivo de todas as coisas.

E, em minhas reflexões sobre minha própria vida, é por isso que eu quero ser reconhecida. É por isso que eu quero que o Mulheres Virtuosas seja reconhecido. Porque fala sobre Cristo, e não porque fala desse ou daquele assunto. Porque prega a Cristo e não porque fala de coisas bonitas. Porque é o instrumento, ainda que fraco, que o Senhor tem me dado a graça de ter para falar de Quem Ele é, das coisas que o honram e agradam, das coisas que Ele espera de nós, de forma que Cristo seja mais conhecido e engrandecido. Quero que falem de mim: “A bandeira dela é Cristo!” – e todas as demais coisas são somente meios para chegar a Ele.

Meu GRANDE anseio é que, um dia, se possa falar sobre mim palavras como as que Jonathan Edwards falou sobre Sarah Edwards, antes dela se tornar sua esposa, quando ainda pouco se conheciam:

“Dizem que em [New Haven] existe uma moça amada do Grande Ser, Aquele que criou e governa o mundo. Dizem que em certos períodos este Grande Ser vem ao encontro desta moça e, de uma maneira invisível, enche-lhe os pensamentos com extraordinário deleite; e que ela dificilmente se interessa por qualquer outra coisa, exceto meditar nEle... [Você] não pode persuadi-la a fazer qualquer coisa errada ou pecaminosa, ainda que prometa dar-lhe o mundo inteiro, pois ela receia ofender a este Grande Ser. Ela possui muita doçura, tranqüilidade e total benevolência de pensamento; especialmente depois que este Grande Ser se manifestou a ela. Às vezes, anda de um lugar a outro, cantando com doçura; e parece estar sempre cheia de alegria e gozo... Ela ama estar sozinha, passeando pelos bosques e campos, e parece ter Alguém Invisível sempre a conversar com ela.” ¹

Ainda me vejo TÃO longe de chegar a um amor, desejo e intimidade tão grandes com o Pai a ponto de se poder dizer algo o mínimo próximo de palavras como estas. Porém, Deus sabe o quanto eu quero poder, um dia, chegar a algo semelhante a isto. Ser reconhecida pela Presença deste Grande Ser tão maravilhoso, e por Ela acima de qualquer outra coisa.

Que a bondade dEle me conceda mais esta graça!

E você? Quer ser reconhecido pelo quê?

[¹ Do livro “Mulheres fiéis e seu Deus maravilhoso”, de Noël Piper, Editora Fiel, pág. 19 e 20]

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quando o tempo passa...

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. "


[Fernando Pessoa]


 Hoje fui buscar minha irmã na faculdade e, em nossa volta, fiquei pensando em como as coisas mudam em nossas vidas. Minha irmã está cursando a segunda faculdade, de enfermagem. A primeira, nós cursamos juntas, de fisioterapia. Entramos na faculdade de fisio por volta dos 17, 18 anos. E hoje, ela já está com 24, e está numa segunda faculdade. E ela sempre me fala sobre como é diferente lá. A forma de lidar com as coisas, a maturidade, a seriedade, como as preocupações são diferentes... e, ao olhar pras pessoas na faculdade onde ela está estudando (federal do estado), fiquei pensando em como nós mudamos no decorrer do tempo...

Lembrei de minha adolescência, início de juventude. Como meu olhar sobre a vida era diferente.

Lembro do meu primeiro dia na faculdade. Minha preocupação era "estar bonita"! rs. Tirei foto pra registrar como me arrumei naquele dia! E, durante os primeiros anos dao curso, como me preocupava com isso. Então, o tempo foi passando. Hoje, olhando pra minha irmã já em seus 24 anos, percebi como as coisas acontecem de forma similar para a maioria. Ela estava com uma camisa qualquer, com uma calça jeans, não muito preocupada em estar "super arrumada" para chamar atenção de qualquer um. E assim eram outras pessoas por lá. E assim me vejo na maioria dos momentos hoje. Não que tenhamos deixado de nos preocupar com o visual, ou deixado de nos cuidar, ainda nos preocupamos com isso. Mas é tão diferente. Quando adolescentes, levamos tanto em conta o que os outros pensam ou falam sobre nós. Crescemos, e passamos a entender que mais importante é quem nós somos e o que nós pensamos sobre nós mesmos.

Quando adolescentes, nosso maior desejo é "popularidade"! Queremos fazer parte de uma "Galera", estar no meio de todo mundo, entrosados com todos. Queremos "aparecer"! (mesmo que discretamente!) rs. Toda oportunidade é boa para estar na rua, fazendo alguma coisa com os amigos, e não existe semana sem um bom programa a ser executado! Estamos em todas - e a energia nunca acaba! Lembro de um encontro de jovens em que comecei a trabalhar quando tinha 16 anos. No encontro, havia equipes de trabalho "de frente" e "de fundo". As equipes de frente, eram as equipes que todos viam: de música, teatro, lanche, etc. As equipes de fundo, ninguém via, eram coisas como cozinha, limpeza, oração, etc. E lá estava eu nos meus 16, 17, 18 anos, desejando com todas as forças estar em qualquer uma daquelas "equipes de frente"! Acho que os olhos podiam chegar a brilhar! rs. Eu cantava e dançava durante horas, sem cansar, toda enfeitada, mais do que feliz e animada.

Então, vieram os 20 e poucos anos. E o "pique" foi diminuindo. Minha vontade, então, era ficar quieta. Nas reuniões, quando antes eu ia pra frente cantar, pular e dançar, eu já queria ficar nos fundos, batendo um papo com algum amigo ou simplesmente pensando. Na hora de trabalhar, me batia quase um pavor ao pensar em ficar em uma equipe "de frente", queria mesmo era ficar escondidinha e trabalhar sem ninguém me ver. Pensei se o problema estava em mim, mas ainda bem que tenho minha irmã com quem me comparar! rs. E a mesma coisa acontecia com ela.

Quando, antes, queríamos estar no meio da bagunça, da "galera", agora nossa vontade era ficar bem mais sozinhas. Uns 4 ou 5 bons amigos já são mais do que suficientes. Nada de "multidões". Incrível como desenvolvi um certo problema com multidões. E engraçado como parece que entramos numa fase meio "anti-social". Isso é realmente bastante engraçado. Quantas vezes eu e minha irmã não morremos de rir, nos escondendo de alguma visita ou de algum compromisso em que precisemos ficar no meio de muita gente! rsrs. Não que não gostemos mais de estar com as pessoas. Tem alguns momentos em que isso é muito bom. Mas, antes isso era tão vital.

Antes, a rua parecia tão convidativa. Hoje, nosso cantinho quieto parece tão mais atraente! Isso é outra coisa engraçada. Eu nunca fui muito de estar na rua, por isso não mudei muito nesse aspecto. Mas minha irmã, sim. rs. Ela era toda "rueira", e agora me faz morrer de rir quando alguém liga pra ela sair e ela não atende o celular pra poder ir dormir! rsrs. Nós mudamos.

E em relação aos "meninos"? rs. Puxa, às vezes fico pasma ao olhar pras adolescentes ao meu redor e me ver nelas! Como o tempo nos faz mudar. Falo, agora, especificamente de mim. Antes, quando pensava no "cara certo", imaginava aquele cara lindo, com quem eu desfilaria e faria com que todas as minhas amigas babassem! rsrs. Não, essas não eram minhas intenções "explícitas", mas lá no fundinho eu sabia que elas existiam. Vaidade. Como a adolescência é cheia dela. O pensamento era: "O que minhas amigas irão pensar dele?". rs. Hoje o "cara certo" parece tão diferente. Precisa de tanto além de uma "carinha bonitinha". Não vou dizer que o que os outros irão pensar deixou de ter qualquer importância, mas hoje minha preocupação é "o que eles vão pensar depois que o conhecerem". O que será 5, 10, 20 anos depois.

E o entendimento sobre o "Amor"? Antes, o "verdadeiro amor" era algo que tinha a ver com "sentimentos". Aquela coisa intensa, coração batendo mais forte, ansiedade, nervosismo... Sentimentos. Chamávamos de Amor o que é apenas Paixão, Atração. E, então, entendemos que o verdadeiro Amor é tão diferente. Tem a ver com coisas muito mais duradouras, com decisões, com vida, com futuro e coisas que permanecem. Não coisas que mudam a cada vento que bate.


Então, em tudo isso, me lembro de tantas coisas que meus pais ou outras pessoas mais velhas me falavam quando eu era uma adolescente. Eles me alertavam sobre como as coisas mudam com o tempo, como eu passaria a ver a vida de um jeito diferente. Me falavam sobre os riscos que eu corria com as visões que tinha da vida, e de todas essas coisas que hoje estou descobrindo. Mas eu não aceitava. Não podia acreditar que as coisas seriam tão diferentes do que eu pensava quando tinha meus 15 ou 16 anos. Isso é incrível! Hoje olhos pras minhas primas em seus 15, 16 anos e fico me perguntando como elas podem não entender. Mas eu também não entendia. E hoje posso imaginar um pouco de como é exercer o papel de pai ou mãe. E como deveríamos prestar mais atenção no que nossos pais, ou as pessoas mais velhas, nos dizem. Evitaríamos tantas crises e tempo jogado fora.

E assim é no decorrer de toda nossa vida. Como seria mais fácil se olhássemos com mais cuidado para as vidas daqueles que já passaram pelo momento que passamos, e pudéssemos aprender mais com eles. É claro que pra isso precisamos de muita sabedoria, a qual pode vir unicamente do Senhor. Afinal, vivemos em um mundo com pessoas tão frustradas que seus objetivos são nos convencer de que a última coisa que vale à pena nessa vida é acreditar em sonhos, nas pessoas ou nos padrões de Deus. Então, precisamos saber ver quando seus conselhos os comentários são baseados em suas decepções provindas de suas decisões erradas, para não sermos convencidos por eles. No entanto, até mesmo essas frustrações e decepções podem nos ensinar muitas coisas.

Não precisamos aprender apenas através de nossos próprios erros, ainda que eles nos ensinem muito. Podemos, e devemos, também aprender olhando os erros dos outros. E, assim, evitar feridas desnecessárias em nossas próprias vidas.

Que o Senhor nos dê essa sabedoria.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Eis, então, o NOSSO espaço!!! \o/




Cá estamos nós para mais uma nova empreitada! :D



É com muito carinho, muitas esperanças e fé no crescimento das sementes que o Senhor tem nos dado que nasce o "Mulheres Virtuosas"!



Na verdade, ele já nasceu em meu coração há algum tempo - um espaço dedicado especialmente para as MULHERES, nós, moças Cristãs, que temos buscado a Verdade do nosso Senhor para nossas Identidades, que temos nos dedicado a elevar nossos Padrões ao Padrão de Total Santidade de Deus, que temos acreditado, contra todas as expectativas, na restauração da benção que é ser uma Mulher (de Deus)!



Dedico este espaço a todas nós - Meninas, Moças, Mulheres, Senhoras... Solteiras, Casadas, Viúvas... Filhas, Irmãs, Esposas, Mães... Enfim, nós que somos uma só essência - MULHERES DE DEUS!



E, desde já, vamos esclarecendo um ponto bem importante: RAPAZES, ESSE NÃO É UM ESPAÇO PARA VOCÊS!!! Este é nosso local PARTICULAR, nosso cantinho de "papo de meninas", então, por favor, dirijam-se para nossos blogs públicos, ou então conversamos depois! hehehe...



O objetivo deste blog é que realmente estejamos somente entre meninas, para podermos falar livremente, sem nos preocuparmos com a possibilidade de algum olhar masculino estar nos avaliando! Além disso, para publicarmos nossas fotos, nos aconselharmos umas às outras, e crescermos juntas enquanto irmãs em Cristo! Acredito que será uma grande benção de Deus para todos nós!



É também com MUITO carinho que "apresento" (praquelas que ainda não conhecem) duas grandes Amigas e Mulheres de Deus que nos edificarão com seus textos e tesmunhos do que Deus tem feito em suas vidas, juntamente comigo, que são: a Salomé e a Mafalda!



A Salomé (ou Lomé, para os íntimos!! hehe) é uma moça cristã de 22 anos, que mora na África do Sul. Ela estará postando textos em inglês. Posteriormente estaremos conversando sobre como faremos esse intercâmbio de idiomas, qual a melhor forma de mantermos os textos traduzidos para que todas tenham acesso. No entanto, à princípio, o Google Tradutor pode ajudar bastante!! :P



A Mafalda (ou Fada, para os íntimos!! xD) também é uma moça cristã de 22 anos, que mora em Portugal. A Mafalda postará em português, porém é professora de inglês, então, qualquer dúvida, podem perguntar pra ela!! :P



Então, meninas, é isso! Sejam Bem-Vindas, sintam-se à vontade e vamos abrir nossas mentes e corações para a ação do Espírito Santo!



Com amor, em Cristo...



Aline ;)