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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Reflexões sobre a Pandemia 3: As coisas belas da vida



Nesse tempo de quarentena, refletindo sobre quanto desaprendemos a curtir as coisas simples: simplesmente estar em casa, simplesmente bater um papo em família, simplesmente falar sobre a novela, simplesmente brincar com nossas crianças, simplesmente lembrar uma música, simplesmente ler um livro, fazer uma oração, deitar numa rede, lembrar das bençãos e agradecer.

Um tempo para nos mostrar os perigos de nossas vidas aceleradas, onde trocamos nossas famílias por nossos trabalhos, nosso aconchego por nossos muitos compromissos, nosso relacionamento com Deus por nossos templos, nosso descanso por dinheiro. 

Que o Senhor nos ajude a reaprender a curtir as coisas simples, pois normalmente são elas as mais importantes, as que realmente importam.

{Sobre uma manhã simples, com minha menina linda e meus velhos, e a alegria de ter mais tempo ao lado deles. ❤️}

segunda-feira, 19 de março de 2018

Asas e raiz...



Dividida entre a raiz e as asas. Esse amor tão grande pelo ninho construído: meu aconchego, meu porto seguro, minha história de afetos, minha certeza de pertencimento, meus laços, meus tesouros conquistados e guardados com tanto zelo, ano após ano, luta após luta, superação após superação, entre dores e prazeres, lágrimas e risos, sonhos e insônias - meu lugar para chamar de meu, para saber quem sou. E, ao mesmo tempo, essa vontade louca de voar, essa certeza tão convicta de que há mais, há mais de mim mesma para descobrir, há mais de mim mesma para viver, há mais para construir, há mais histórias de amor, há mais desafios a vencer, lágrimas a chorar, risos para rir, aventuras para desbravar, gente para abraçar, força para desenvolver, espaço para preencher, horizontes para contemplar, sonhos para sonhar, há mais... há muito mais. E esse mesmo coração que quer ir, quer ficar, nessa briga eterna aqui dentro, triste e feliz, cheio e incompleto, pleno e insatisfeito, lutando, guerreando, procurando encontrar um caminho, um lugar, um equilíbrio, tentando descobrir como ser pássaro com raízes fincadas ao chão, ou como ser árvore frondosa com asas abertas ao vento. Ah, coração! Aonde iremos nós assim? Como nos resolveremos? Não sem dores: seja por cortar asas, seja por cortar raízes - nessa dança doída de não poder ter tudo que se ama e que se é nessa vida. Porque uma vida só é pequena demais para tanto amar. Voa e permanece. Ama hoje e amanhã. Vai e volta. E tenta. E não desiste. Um dia, ah um dia!, haverá algum lugar em que contradições poderão conviver pacificamente. E, então, se ser feliz.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Reflexões sobre casamento...


Hoje tive a maravilhosa oportunidade de sentar à mesa com minha vó e ouvi-la contando histórias e histórias dela com meu avô e dos meus pais, e as tantas coisas que eles passaram para que estejamos hoje vivendo as coisas que estamos. E fiquei aqui pensando nos casamentos de antigamente e nos casamentos de hoje, e como antes os casamentos duravam tanto tempo e hoje se desfazem tão rapidamente. E refletindo sobre essa nossa geração que foi (é) tão protegida dos conflitos, tão poupada, tão mimada, tão acostumada a ter tudo com facilidade e a não precisar pagar o preço e sofrer pra conseguir seus objetivos... e na gerações passadas, que conseguiram tudo com tanta luta, batalhas e verdadeiras histórias de superação.

Como hoje, nessa teoria do "o que importa é ser feliz", todos dizem aos jovens que só devem casar quando a vida estiver totalmente estabilizada, quando não houver risco nenhum, quando já houver uma linda casa com 6 cômodos preparada para recebe-los, quando ambos já tiverem empregos estáveis e que paguem muito bem, enfim, quando todas as possibilidades de dificuldades houverem sido sanadas, os jovens se casam nessas condições mas, por nunca terem precisado construir nada juntos, sofrer pagando o preço juntos, dar o suor juntos, conquistar o sofrido pão de cada dia juntos, não aprenderam a ser uma equipe e, ao segundo ou terceiro sinal de dificuldade, pulam fora do barco.

Aí escuto histórias de casais que enfrentaram tantas dificuldades para construir sua primeira casinha, de madeira, num terreno afastado de tudo e sem nem ter vizinhos; que precisaram correr atrás de empregos, que primeiro foram temporários e depois foram estabilizando; que deram duro para criar os seus filhos, levando-os por longos períodos na garupa de uma bicicleta pra poderem estudar, costurando algumas folhas para que eles tivessem cadernos, reformando as roupas para que elas durassem mais um pouco, e precisando se privar de tantas coisas para que eles tivessem oportunidades... e ainda assim os filhos aprenderam a valorizar o pouco, a não reclamar, a correr atrás; e os pais aprenderam a enfrentar os temporais e descobriram esse jeito de relacionar-se por fidelidade e companheirismo. Descobriram-se uma equipe. E continuam até hoje.

E eu fico aqui, pensando e pensando, tentando entender essa época em que minha própria história está sendo construída, e como construi-la, no desejo de que ela possa se parecer mais com as que escuto meus pais e meus avós contarem do que com as que vejo ao meu redor. E tentando assimilar tantas lições quantas forem possíveis, pois um dia meus filhos estarão enfrentando seus próprios tempos, e como eu temo por como estes tempos hão de ser. Mas tenho esperanças. E espero poder estar preparada para vive-los e ajuda-los a viver. Que Deus me ajude. Que Deus nos ajude. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Quaresma - Dia 6: Submissão incondicional



“E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso.” (Lucas 2.51a)

É tão bonito ler como foi a vida humana de Jesus. Seus passos como menino, adolescente, e algumas coisas que revelam um pouco sobre como foi para o próprio Filho de Deus viver como um ser humano. Fico pensando em quando Jesus tornou-se consciente de Quem Ele era, de que Ele era Filho de Deus. Que coisa louca! A Bíblia nos mostra que Deus usou várias pessoas, desde o nascimento de Jesus, para confirmar a Maria e a José Quem Jesus era, Sua natureza divina. Porém, fico me perguntando se eles conversavam sobre isso com Jesus, ou se foi o próprio Deus quem ia revelando isso a Jesus, por meio de Seu Santo Espírito. Bem, o fato é que, segundo o texto de Lucas 2.41-52, aos doze anos, Jesus já sabia quem era. E podemos ver isso no verso 49, quando Ele diz aos seus pais: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?”.

Mais uma vez, ao lermos certos termos com os quais estamos acostumados, enquanto cristãos, como o fato de chamar Deus de “Pai”, não nos atentamos para o significado de alguns textos bíblicos. Ninguém chamava Deus de Pai entre o povo de Israel naquele período! As pessoas sequer podiam pronunciar o Nome de Deus, o Yaweh, o EU SOU. Deus era temido como um Deus distante, o Todo-Poderoso, o SENHOR, Aquele que revelava-se apenas aos Sacerdotes e Profetas. E, então, um menino de DOZE ANOS, no meio dos doutores do Templo (v.46), fala a seus pais que lhe cumpria estar na CASA DE SEU PAI. É provável que outras pessoas tenham ouvido o diálogo entre José, Maria e Jesus, porque o texto diz que “Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse...” (v.48), quando aconteceu o diálogo. Porém, é igualmente provável que ninguém tenha entendido o que Ele queria dizer, o que aquilo significava. Nem mesmo seus pais, que desde Seu nascimento ouviam revelações sobre Quem era aquele menino, compreenderam: “Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera” (v.50).

E, então, o texto continua dizendo que Jesus desceu com seus pais para Nazaré, “e era-lhes submisso” (v.51). E foi aqui que meu coração parou e fiquei a pensar em Jesus, aquele menino de 12 anos que interrogava e respondia aos doutores do Templo e causava admiração em todos que O ouviam. Ele sabia quem era. Jesus já sabia que Ele era o Filho de Deus, o próprio Deus. Ele já sabia que tinha uma missão a cumprir. Tendo sido criado na cultura judaica, e tendo pais que eram fiéis no cumprimento da Lei de Moisés, como vemos em todo este capítulo 2 de Lucas, Jesus certamente já conhecia as Escrituras e as promessas de que Deus enviaria o Messias, o Grande Salvador de Israel. E era Ele. Ele era grande. Não havia outro como Ele. Ele tinha essa consciência.

Enquanto isso, quem eram os seus pais? Pessoas humildes, um carpinteiro, uma mãe com muitos filhos, um homem e uma mulher ainda de uma cidade humilde e discriminada, e esta era a família de Jesus. Mesmo tendo recebido tantas revelações a respeito da Identidade e missão de Jesus, Seus pais ainda não haviam entendido. Havia passado 12 anos, Jesus, um adolescente, já havia entendido, e eles ainda não. E esses eram os seus pais. Essas eram as AUTORIDADES humanas que Deus havia estabelecido para cuidar, guiar, orientar aquele Jesus adolescente em sua caminhada.

Jesus, certamente, teria muitos motivos para olhar para seus pais e questionar a autoridade deles em sua vida, como pais. Eles tinham tantos defeitos. Eles não entendiam! Ele tinha uma missão grandiosa a cumprir, e eles estavam preocupados com o fato dele não ter voltado para casa junto com sua família. Jesus enxergava tão longe, e eles enxergavam tão pouco. Mas eram SEUS PAIS. E, ainda sabendo que o lugar da Sua Missão seria ali, na grande Jerusalém, Jesus voltou para a pequena e esquecida Nazaré com seus pais, para cumprir Seu tempo de espera. E viveu assim até os seus TRINTA anos. Que coisa linda ver que Ele entendia, e Ele VIVEU, a verdade a respeito da AUTORIDADE DADA POR DEUS a determinadas pessoas, escolhidas pelo próprio Deus, para sua vida. Lá na frente, Seus discípulos ensinariam a Igreja sobre submissão às autoridades estabelecidas, e já com 12 anos, Jesus dava testemunho de vida a respeito disso. Submissão INCONDICIONAL.

E olhei pra mim. Pensei em nós. Como é difícil viver isso. Quando aqueles que são autoridades em nossas vidas, líderes estabelecidos por Deus, não compreendem, quando estamos “lá na frente” e eles estão “lá atrás” e, por isso, acabam limitando o fluir de alguns de nossos planos e projetos. Quando Deus revela algo a nossos corações, mas nossos líderes não entendem e, então, nos seguram. Quando precisamos abrir mão de nossos sonhos, de nosso tempo, de nossa vontade por causa de uma autoridade que não entendia. Isso é tão duro! Isso é tão frustrante e revoltante! Não sei se Jesus chegou a ser tentado com a revolta que bate numa situação como essa – a vontade de desobedecer, de virar as coisas e ir embora, cuidar da sua própria vida, sozinho, sem ter mais que dar satisfações a ninguém, a não ser a Deus. Não sei. Mas em nossos corações, ah, como isso acontece! Às vezes é com nossos pais, às vezes é com nosso pastor, com um chefe no trabalho, etc. Vontade de fingir que não foi Deus quem os estabeleceu como autoridades sobre nossas vidas e declarar independência. Mas não foi o que Jesus fez. E se houve alguém neste mundo que poderia ter feito isso, que não precisava realmente de NINGUÉM, era Jesus. Ele era DEUS. Mas não foi o que Ele fez. Ele se submeteu.

Sim, é óbvio que a submissão de Jesus, ainda que INCONDICIONAL – não dependia de quem eram as pessoas que haviam recebido autoridade sobre sua vida, de quais qualidades elas tinham - , não era uma submissão cega. Houve momentos em que Jesus contrariou as expectativas de seus pais. Sua permanência em Jerusalém, sem a permissão de seus pais, foi um desses momentos. Quando Maria, nas bodas de Caná da Galiléia, vai reclamar com Jesus que o vinho havia acabado, pedindo-lhe para fazer algo, Jesus diz a ela que o Seu tempo ainda não havia chegado (João 2.3,4). Quando Maria e os irmãos de Jesus chegam à casa onde Jesus ensinava ao povo, sem conseguir entrar, e mandam chama-Lo, Jesus não para seu ensino para ir falar com eles, Ele explica que mais importante que sua mãe e seus irmãos terrenos era cumprir a Sua missão, e permanece ensinando (Mateus 12.46-50). Então, sim, houve momentos em que Jesus precisou contrariar as expectativas de seus pais. Porém, a Bíblia nos diz que Ele era-lhes submisso. Poderíamos ler “(tanto quanto possível) era-lhes submisso”. Esse era o seu esforço. Essa era sua dedicação. Honrar os Seus pais, sendo-lhes submisso.

E esse é um grande ensino para nós. Ainda que afirmemos que somos submissos, estamos sempre esperando a menor desculpa para acessar a pasta das “exceções” e deixar de seguir as orientações de nossos pais, ou outras autoridades, quando suas opiniões divergem das nossas. Queremos que nossa vontade seja feita e, então, se temos convicção de ser aquela uma revelação de Deus para nossas vidas, deixamos a submissão de lado. E tentamos tornar esse “tanto quanto for possível” o mais limitado possível, e o “quando não houver outro jeito”, o mais amplo possível. Não é fácil ser submisso quando a vontade de nossos líderes diverge da nossa. Quando o entendimento deles não acompanha o nosso. Até mesmo quando eles não conseguem enxergar a vontade de Deus da forma como nós enxergamos. Dói muito ter que abrir mão de algumas convicções para obedecer. Mas Jesus nos deu o exemplo. E se Ele, sendo DEUS, sabendo tudo o que aconteceria lá na frente, tendo certeza de que aquela era Sua missão, soube obedecer o tempo de “abrir mão e submeter-se”, quem somos nós para não fazê-lo?


Que o Espírito Santo nos ensine. Que possamos crescer “em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”, assim como acontecia com Jesus (v.52), para compreendermos esse tempo de “abrir mão e submeter-se” também em nossas vidas, e para termos a confiança, a fé, a força necessárias para viver a submissão ensinada e cobrada por Deus, tanto quanto nos for possível. E que, assim, honrando os líderes que Deus colocou sobre nossas vidas, possamos honrar Àquele que os escolheu, e mostrar a este mundo que mais importante do que cumprir as nossas vontades, nos é viver em obediência e louvor a nosso Pai, que está nos céus. Que Ele nos ajude a ser boas testemunhas. Para Sua glória. Amém.

sábado, 11 de agosto de 2012

O que eu queria...




Muito interessante como, com o tempo, já não precisamos mais de tantas luzes e holofotes compondo nosso vislumbre de felicidade. Ao invés do furacão que esperávamos chegar e balançar todas as nossas bases, uma brisa suave enquanto deitamos num jardim tranquilo passa a parecer incomparavelmente mais desejável.

É como vejo meus sonhos hoje. O que eu queria mesmo? Simplicidade. Ah, sem dúvida, este é meu grande sonho hoje. Como gostaria de não precisar estar tão imersa em todas as cobranças deste mundo materialista, com tantas preocupações desnecessárias e sem sentido que fazem nossos olhos sempre perderem de vista a verdadeira essência. Queria viver, simplesmente, a essência. Conseguir aquele estado de silêncio no espírito tal que fosse possível compreender com mais facilidade a voz do Pastor guiando. Poder estar seguindo-O tão de perto a ponto de só ir aonde Ele mandasse. E viver assim: para seguir a Sua voz.

Descobrir aquele sonho que o Grande Autor escreve no coração de cada um de Seus filhos e vive-lo. Simplesmente. Se possível, encontrar aquele companheiro para o caminho, que esteja afim de construir um sonho junto comigo e andar ao meu lado. E caminhar juntos. Não mais para “ter um romance, mas (para) escrever uma história”, como certa vez citou Ed René Kivitz. E caminhar. Para Deus, para os outros, para plantar para a eternidade.

Não precisar me preocupar em ser “a profissional que todos esperam” ou em ganhar “o salário que todos esperam” ou em ter “a casa, o carro, a roupa, o cabelo, o corpo que todos esperam”... Me preocupar somente com o que meu Salvador espera de mim. Ah! No fim, o que realmente tem sentido nessa vida é tão simples, tão delicado quanto aquela flor pequenina, cujo valor só percebemos se paramos para contemplá-la com o coração por algum tempo especial. Quando crianças (aqueles que realmente foram crianças), acho que sabíamos escolher melhor como viver.

A verdade é que todas as exigências bobas e sem sentido deste mundo me cansam. Não posso mentir, dizendo que elas nunca me atraem, porque a triste verdade é que muitas vezes (bem mais do que eu gostaria) meu coração (que também é mau) deseja suas ofertas. Mas, sempre vem aquele momento no dia em que paramos tudo e pensamos. E é quando avaliamos se nossa vida tem valido a pena, se é como deveria ser. E é quando o cansaço aparece e toda a luminosidade das luzes deste mundo se apaga – e eu desejo simplicidade. Desejo a essência – que tantas e tantas vezes tem se perdido no meio desse alvoroço de exigências terrenas.

Quero o eterno. O que não perece. O que não satisfaz a este mundo, mas satisfaz a um espírito regenerado por Cristo.

Confesso que às vezes parece que a vontade é de fugir – como se as garras da vaidade, do orgulho, do ego não nos alcançassem em qualquer lugar. Mas a vontade, no fim, acho, é de quebrar esse paradigma que me cerca, romper com ele e viver de um modo radicalmente diferente.

Que o Senhor assim me conceda um dia, se assim for para maior glorificação ao Nome de Jesus e ao bem de meus irmãos. Até lá, que Ele possa me amadurecer e firmar meu coração para não me deixar amoldar a tantas vozes. E que Ele me ajude a honrá-Lo e engrandece-Lo o mais que eu puder aqui, e agora. Simplesmente.

Assim seja.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Gente como a gente...

Hoje comecei a ler o livro "Mulheres fiéis e seu Deus Maravilhoso", da Noël Piper, editora Fiel. O livro conta as histórias de 5 mulheres de Deus, que viveram em épocas diferentes, com vidas diferentes e usadas por Deus de formas diferentes, porém todas com uma coisa principal em comum: o seu Deus Maravilhoso!

Nessa manhã, li a história de Sarah Edwards, esposa de Jonathan Edwards, e os relatos de sua vida como esposa, mãe, dona de casa, hospedeira e exemplo de mulher. Ela foi esposa do maior teólogo cristão da história da América do Norte, um dos grandes Avivalistas da história do Cristianismo, mas sua vida não foi assim tão cheia de "holofotes" quanto de seu marido. 

Sarah não foi uma missionária que fez grandes trabalhos sociais, não foi uma líder de multidões, uma pessoa famosa por grandes feitos públicos ou algo assim. Sua grande missão foi ser Auxiliadora de alguém que viria marcar cada futura geração até os nossos dias. Ela dedicou-se a construir um lar cheio da paz, alegria, conforto e segurança espiritual que seria o ambiente adequado para as profundas reflexões e estudos de seu marido, as quais têm contribuído há séculos para a prática do verdadeiro Cristianismo, de maneira coletiva e pessoal, até hoje; dedicou-se a criar filhos no amor e temor do Senhor, guiando-os ao conhecimento de Cristo e ao desejo de honrá-Lo em todas as coisas; e viveu uma vida pessoal dedicada a honrar ao seu Deus de todas as formas, tendo sido reconhecida como uma mulher com aquele "espírito mando e agradável que é típico das mulheres que professam ser piedosas", por seu cuidado com os outros, amabilidade, gentileza, humildade.

Sarah foi uma mulher simples, comum, que se dedicou a coisas simples, enfrentou grandes lutas, mas com uma coisa que lhe fez diferente e que mudou toda a sua história: cujo desejo era honrar e servir a Deus da melhor maneira que lhe fosse possível. Nas pequenas coisas. No demonstrar a grandeza de Deus em cada gesto de júbilo, cuidado, amor, em cada palavra e pensamento.

Como a história de Sarah Edwards despertou meu coração e renovou em mim a compreensão do que importa na vida e de como devo viver - e também o desejo de viver assim. Ainda falarei mais sobre ela, com certeza. Mas, de início, sua história, como a de Jonathan Edwards, me fez parar e ver que essas pessoas, que hoje tendemos a enxergar como "heróis", são simplesmente pessoas - gente, como a gente. Mas gente que decidiu confiar suas vidas a Deus e viver por Ele e para Ele.

É esse o desejo que se renova em meu coração nesse dia. Ter essa determinação queimando em minha vida: de viver para honrá-Lo, para agradá-Lo, para glorificá-Lo... De aprender a amar mais e mais e mais a Cristo e ter esse anseio por Ele pulsando em cada dia da minha vida! E viver isso nas pequenas coisas: nos pensamentos, nas palavras, gestos, olhares, sorrisos, reações, motivações, naquilo que as pessoas vêem em mim onde quer que eu esteja, no domínio das minhas vontades, das minhas condições físicas e emocionais, de cada um dos meus passos.

É um desafio, grande. Mas é o desafio que quero viver. Ser apenas gente, mas totalmente rendida e dependente deste DEUS MARAVILHOSO!

Que Ele me ajude a honrá-Lo mais a cada dia.

sábado, 5 de novembro de 2011

"Eu oro por ti" - Dia 5 e 6: Maturidade Econômica


Dia 5 de Novembro

MATURIDADE ECONÔMICA suficiente para manter-se num emprego e lidar com o dinheiro

Os publicitários e os empresários sabem a que alvo devem direccionar as suas mensagens - diretamente aos rapazes e adolescentes. Esse segmento específico da população é atraído por bens materiais, entretenimento popular, eventos desportivos e outras opções de consumo. O retrato da masculinidade juvenil tornado popular nos meios de comunicação e apresentado como normal por meio de entretenimento é caracterizado por imprudência econômica, egoísmo e lazer.

Um verdadeiro homem sabe como segurar um emprego, lidar responsavelmente com o dinheiro e atender às necessidades da sua esposa e da sua família. Não desenvolver maturidade econômica significa que os rapazes frequentemente pulam de um emprego a outro e levam anos para "se acharem" em termos de carreira e vocação. Novamente, a adolescência prolongada caracteriza grandes segmentos da população de rapazes nos nossos dias. Um homem verdadeiro sabe como ganhar, administrar e respeitar o dinheiro. Um rapaz crente entende o perigo que existe no amor ao dinheiro e cumpre as suas responsabilidades como um servo cristão."
["As Marcas da Masculinidade", Editora Fiel, Albert Mohler]


Tópicos de oração:

- Conhecer e ter sucesso na sua carreira e vocação;
- Inteligência para segurar um emprego;
- Gerir responsavelmente o dinheiro.



Dia 6 de Novembro:

Tópicos de Oração

Todos os respectivos aos três temas anteriores:
- Maturidade espiritual (Dia 1 e 2)
- Maturidade pessoal (Dia 3 e 4)
- Maturidade econômica (Dia 5)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

1ª Semana da Campanha "Eu Oro Por Ti" =D

Repassando a postagem do Retrato Beleza Feminina, dando início à campanha de oração por nossos futuros esposos! ^^ Deus abençoe GRANDEMENTE esse tempo! Vamos lá! ;D

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Hello amigas e irmãs!

Hoje iniciamos a campanha de oração a favor das diversas áreas nos nossos maridos/futuros maridos. Que este tempo de oração, seja também um tempo acompanhado por jejum e que traga os seus frutos visíveis nas vidas daqueles pelos quais oramos! Tenho a certeza que sim e estou entusiasmadissima para começar!! Então peguem num caderno novo e não deixem de apontar os textos alusivos aos temas da campanha e tudo aquilo que Deus falar convosco ou que queiram registar. Beijinhos :)


- Dia 1 e 2 de Novembro

MATURIDADE ESPIRITUAL suficiente para liderar uma esposa e filhos

A Bíblia é clara a respeito da responsabilidade do homem em exercer maturidade e liderança espiritual. De facto, essa maturidade espiritual demanda tempo para ser desenvolvida, bem como é um dom do Espírito Santo agindo na alma do crente. As disciplinas da vida cristã, incluindo a oração e o estudo bíblico sério, estão entre os meios que Deus usa para moldar um rapaz num homem e trazer maturidade espiritual à vida de alguém que tem a responsabilidade de guiar uma esposa e uma família. Esta liderança é central à visão sobre o casamento e à família.

A liderança espiritual de um homem não é uma questão de poder ditatorial, e sim uma liderança espiritual, firme e confiável. Um homem tem de estar pronto para liderar a sua esposa e filhos de um modo que honre a Deus, demonstra piedade, inculque o carácter cristão e leve a sua família a desejar a Cristo e a buscar a glória de Deus. A maturidade espiritual é uma marca da verdadeira masculinidade cristã; um homem espiritualmente imaturo é, pelo menos neste sentido crucial, apenas um rapaz no aspecto espiritual - -

("AS MARCAS DA MASCULINIDADE", Editora Fiel, Albert Mohler.)


Tópicos de oração:

- Disciplina na oração;
- Disciplina no estudo bíblico;
- Capacidade para liderar amorosa e eficazmente a sua família (mulher e filhos).

(poderás acrescentar mais tópicos alusivos ao tema)

- - - RBF - - -

Ao longo da campanha, oremos também pelos demais rapazes da nossa geração, para que eles alcancem o seu potencial como homens afim de manifestarem o brilho de Cristo!

Bem meninas por agora é só! Excelentes orações \o/

quarta-feira, 23 de março de 2011

Moderna... mas sempre mulher!


“Ela conquistou o mundo, o poder político e o mercado de trabalho. Está mais estudada e dispõe de recursos financeiros, mas ainda é insegura quanto ao próprio corpo, sonha com o príncipe encantado e sofre com o drama da maternidade.”


[parte do texto “Sempre mulher”, da revista Vida e Saúde, edição de Março de 2011, pags. 10-17]


“É a hora de dizer que a independência feminina custou muito caro. Sim, para as mulheres. É claro que ela tem inúmeros benefícios com a independência que conquistou, mas é preciso olhar também para os prejuízos que são muitos, a começar pela jornada que era uma, antes de trabalhar fora, virou duas, e agora já se fala em tripla jornada. Afinal, continuam sendo das mulheres os deveres com os filhos, o marido e a casa, mesmo que tenha empregados. Vinda do trabalho com uma grande carga de pressão, é natural que, ao chegar em casa, ela não tenha a mesma candura e paciência para lidar com os filhos. Até que se desligue do ambiente de trabalho, os filhos já foram dormir sem conseguir a mãe suave de que precisavam.

“É bom considerar que filhos de mães que trabalham fora tiveram que aprender na marra a se virar mais sozinhos, ser independentes e, por conta da renda extra dos pais, têm mais possibilidades financeiras. Contudo, isso tem um custo. Acredito que essa independência financeira da mulher é diretamente ligada ao aumento assustador no número de divórcios, já que, com a possibilidade de se virar bem sozinha, ela não se prende a relacionamentos que não a satisfazem”, analisa a psicóloga Telma Vitzig, que enxerga um fenômeno curioso: “Filhos de pais separados, quando convivem com a guarda compartilhada, ao sair da casa de um dos pais, ficam algumas horas sem pertencer a ninguém, para que a própria mente se ajuste a quem é a autoridade naquele momento. Daí as revoltas, incompreensões. É muito duro para a criança”, explica a especialista. Sim, pois a independência da mulher alterou a configuração social.

Telma argumenta que “trabalhar fora faz com que a mulher gaste uma energia muito grande e desnecessária para se adaptar aos papéis. O natural da mulher é ser flexível e gerar harmonia no lar. Ela é talhada pra isso. No mercado de trabalho, essas características precisam sumir para dar lugar à rigidez, austeridade e se assemelhar ao homem. Mandar e ditar ordens aos filhos como aos subordinados não funciona, então ela tem todo um trabalho de desconstruir aquela personagem do trabalho e assumir outro papel em casa. Isso desgasta e confunde a mulher”.

O curioso é que, por mais independente que seja, a mulher moderna ainda sonha com coisas simples e gentilezas que eram típicas de suas avós, como ter um homem que lhe abra a porta, traga flores e dê segurança e proteção. Entretanto, não ter mais isso é o preço que ela paga pelo feminismo. Uma revisão dos livros de história vai explicar pra você, leitora, que a pretensão feminista lá no século 19 ainda era por condições salubres de trabalho e direitos básicos.
Todavia, com o passar do tempo e algumas conquistas, o feminismo que se colheu em meados do século 20 acabou virando uma guerra dos sexos sem sentido e pregação de igualdade de gêneros. Igualdade improvável, a começar pelo fato de que homens e mulheres são diferentes na essência. E ponto.

O homem também sofre com essa realidade, pois ele também não foi preparado para esse tipo de mulher. Se estava acostumado com o padrão da mãe e da avó, será mesmo um choque para ele conviver com os novos moldes que sua mulher terá. [...]

Não se pode negar a pressão da sociedade para que a mulher trabalhe fora e alcance sucesso em sua profissão. Mesmo sem se dar conta, muitas assumem esse posto contra sua própria vontade, mais para não serem excluídas do grupo e das expectativas sociais. Junto com isso vem a culpa por não dar conta de tudo com perfeição, como se espera e se alardeia. [...]

Levando em conta o estilo de vida da mulher atual, temos a chamada janela estrogênica, ou seja, a produção hormonal muito maior, já que menstruam cedo e têm filhos bem mais tarde, além de ter poucos, ficando à mercê dos hormônios que, sim, são o gatilho para câncer de mama e de endométrio. Segundo o Dr. Fernandes, “a amamentação precoce, antes dos 30 anos, aumenta os fatores de proteção contra o câncer de mama. Efeito contrário acontece quando a gestação e amamentação acontecem depois dos 30”, orienta.”


[Por Fabiana Nertotti, colaboradora especial da revista Vida e Saúde. Trecho das páginas 13, 14 e 16]

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Quem precisa do casamento?



11 de fevereiro de 2011 (Breakpoint.org/Notícias Pró-Família

Esse foi o título de uma recente matéria de capa da revista Time sobre como a instituição do casamento mudou em décadas recentes.

Citando um estudo amplamente divulgado do Pew, a reportagem da Time disse que 40 por cento dos americanos creem que o casamento ficou obsoleto. Mas se o casamento se tornou obsoleto, então tais coisas como sociedades saudáveis logo serão obsoletas também.

Aliás, os custos econômicos e sociais da desintegração dos casamentos nos Estados Unidos são simplesmente descomunais. Dois de nossos Centuriões, meus bons amigos e colegas Chuck Stetson e Sheila Weber, lançaram uma campanha nacional chamada “Let’s Strengthen Marriage” (Vamos fortalecer o casamento), para reconstruir uma cultura de casamento aqui nos EUA e no mundo inteiro. Eis apenas alguns dos fatos que eles coletaram:

Em termos econômicos, o divórcio e ter filhos fora do casamento custam por ano pelo menos 112 bilhões de dólares aos contribuintes americanos do imposto de renda e aumentam significativamente os índices de pobreza de mães e filhos. Mães casadas têm índices mais baixos de depressão do que mães solteiras ou amigadas.

O custo social é imenso — como construir prisões. A vasta maioria dos homens e mulheres que tenho visitado atrás das grades veio de lares despedaçados ou cresceram sem um pai em suas vidas. Em 2009, a Califórnia comprovou que não dá para se construir cadeias em rapidez suficiente para alojar esses homens e mulheres quando um comitê de três juízes ordenou que o estado soltasse 27 por cento de seus presos devido à superlotação.

Como se isso não fosse ruim o suficiente, o declínio do casamento não prenuncia boas coisas para o futuro. Os índices de declínio do casamento levam a índices de declínio da fertilidade. E muitos países ocidentais, sem mencionar o Japão e a China, estarão lidando com uma situação economicamente insustentável na metade do século. Eles terão metade dos trabalhadores saudáveis e o dobro de pessoas com mais de 65 anos fora do mercado de trabalho. Quem vai pagar as dívidas do governo? Quem vai pagar as aposentadorias e saúde pública?

Considerando essas consequências desastrosas, como é que alguém pode sustentar com cara séria que o casamento não é tão importante? Como é que a Igreja pode ficar de fora das questões importantes enquanto juízes e legisladores trabalham para redefinir a própria instituição do casamento?

Estamos no meio da Semana Nacional do Casamento 2011 que encerra na segunda-feira, Dia dos Namorados. Quero que você pense sobre o que você pode fazer para fortalecer não somente seu próprio casamento, mas também os casamentos em sua igreja e sua comunidade. Todos precisamos melhorar.

E pense sobre o que você pode fazer para fortalecer a cultura do casamento — principalmente na Igreja. Convença seu pastor a pregar sobre a importância do casamento. Incentive-o a instituir aulas de preparação de casamento para noivos e curso de enriquecimento de casamento para aqueles que já estão casados. E converse com seus filhos e com jovens adultos sobre o motivo por que o casamento é uma parte tão bela do plano de Deus para os homens e mulheres.

Você pode também dar uma olhada minuciosa na Campanha “Vamos fortalecer o Casamento” bem como outras organizações como Marriage Savers (Resgatadores do Casamento) que trabalham para fortalecer o casamento. Ali você encontrará um monte de recursos e contatos para ajudar você a começar.

A menos que comecemos a apoiar essa instituição que agora está frágil, estamos rumando para o colapso social e no final de tudo econômico.

Por isso, na próxima vez que você ouvir alguém perguntando “Quem precisa do casamento?” você precisa lhe dizer: “Nós todos precisamos”.


Este artigo foi publicado com a permissão de www.breakpoint.org

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com


Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/who-needs-marriage

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os filhos que deixaram de sonhar...

[*Em homenagem à minha mamusca linda que me indicou este tão belo texto!
Te amo, mãezinha! ^^]

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A Lua que não dei

[Cecilio Elias Neto]


"Compreendo pais – e me encanto com eles – que desejariam dar o mundo de presente aos filhos. E, no entanto, abomino os que, a cada fim de semana, dão tudo o que filhos lhes pedem nos shoppings onde exercitam arremedos de paternidade. E não há paradoxo nisso. Dar o mundo é sentir-se um pouco como Deus, que é essa a condição de um pai. Dar futilidades como barganha de amor é, penso eu, renunciar ao sagrado.

Volto a narrar, por me parecer apropriado à croniqueta, o que me aconteceu ao ser pai pela primeira vez. Lá se vão, pois, 45 anos. Deslumbrado de paixão, eu olhava a menina no berço, via-a sugando os seios da mãe, esperneando na banheira, dormindo como anjo de carne. E, então, eu me prometia, prometendo-lhe: ‘Dar-lhe-ei o mundo, meu amor.’ E não lho dei. E foi o que me salvou do egoísmo, da tola pretensão e da estupidez de confundir valores materiais com morais e espirituais.

Não dei o mundo à minha filha, mas ela quis a Lua. E não me esqueço de como ela pediu, a Lua, há anos já tão distantes. Eu a carregava nos braços, pequenina e apenas balbuciante, andando na calçada de nosso quarteirão, em tempos mais amenos, quando as pessoas conversavam às portas das casas. Com ela junto ao peito, sentia-me o mais feliz homem do mundo, andando, cantarolando cantigas de ninar em plena calçada. Pois é a plenitude da felicidade um homem jovem poder carregar um filho como se acariciando as próprias entranhas. Minha filha era eu e eu era ela. Um pai é, sim, um pequeno Deus, o criador. E seu filho, a criatura bem amada.

E foi, então, que conheci a impotência e os limites humanos. Pois a filhinha – a quem eu prometera o mundo – ergueu os bracinhos para o alto e começou a quase gritar, assanhada, deslumbrada: 'Dá, dá, dá...’. Ela descobrira a Lua e a queria para si, como ursinho de pelúcia, uma luminosa bola de brincar. Diante da magia do céu enfeitado de estrelas e de luar, minha filha me pediu a Lua e eu não lha pude dar.

A certeza de meus limites permitiu, porém, criar um pacto entre pai e filhos: se eles quisessem o impossível, fossem em busca dele. Eu lhes dera a vida, asas de voar, diretrizes, crença no amor e, portanto, estímulo aos grandes sonhos. E o sonho da primogênita começou a acontecer, num simbolismo que, ainda hoje, me amolece o coração. Pois, ainda adolescente, lá se foi ela embora, querendo estudar no Exterior. Vi-a embarcar, a alma sangrando-me de saudade, a voz profética de Kalil Gibran em sussurros de consolo:

“Vossos filhos não são vossos, mas são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. (...) Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.”

Foi o que vivi, quando o avião decolou, minha criança a bordo. No céu, havia uma Lua enorme, imensa. A certeza da separação foi dilacerante. Minha filha fora buscar a Lua que eu não lhe dera. E eu precisava conviver com a coerência do que transmitira aos filhos: ‘O lar não é o lugar de se ficar, mas para onde voltar’.

Que os filhos sejam preparados para irem-se, com a certeza de ter para onde voltar quando o cansaço, a derrota ou o desânimo inevitáveis lhes machucarem a alma. Ao ver o avião, como num filme de Spielberg, sombrear a Lua, levando-me a filha querida, o salgado das lágrimas se transformou em doçura de conforto com Kalil Gibran: como pai, não dando o mundo nem a Lua aos filhos, me senti arqueiro e arco, arremessando a flecha viva em direção ao mistério.

Ora, mesmo sendo avós, temos, sim e ainda, filhos a criar, pois família é uma tribo em construção permanente. Pais envelhecem, filhos crescem, dão-nos netos e isso é a construção, o centro do mundo onde a obra da criação se renova sem nunca completar-se. De guerreiros que foram, pais se tornam pajés. E mães, curandeiras de alma e de corpo. É quando a tribo se fortalece com conselheiros, sábios que conhecem os mistérios da grande arquitetura familiar, com régua, esquadro, compasso e fio de prumo. E com palmatória moral para ensinar o óbvio: se o dever premia, o erro cobra.

Escrevo, pois, de angústias, acho que angústias de pajé, de índio velho. A nossa construção está ruindo, pois feita em areia movediça. É minúsculo o mundo que pais querem dar aos filhos: o dos shoppings. E não há mais crianças e adolescentes desejando a Lua como brinquedo ou como conquista. Sem sonhos, os tetos são baixos e o infinito pode ser comprado em lojas. Sem sonhos, não há necessidade de arqueiros arremessando flechas vivas.

Na construção familiar, remos erguido paredes. Mas, dentro delas, haverá gente de verdade?"


[Publicado em 01/08/2008, no “Correio Popular” – Campinas]

*Obs: isto não é um texto teológico, portanto favor desconsiderar aspectos teológicos ou doutrinários.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O resgate (urgente) da verdadeira Masculinidade

Texto MAGNÍFICO sobre a necessidade urgente de nossa geração resgatar o real significado de Masculinidade Bíblica! Ainda que o blog seja direcionado para as moças, tenho certeza que esse é um assunto de grande relevância para todos nós! Que edifique os rapazes e os desperte para seus chamados de Homens; que edifique as moças e ensine a compreender o papel estipulado por Deus para os homens; que edifique os adultos, em especial, os pais e líderes dos jovens brasileiros - que vocês voltem a assumir essa função tão importante de orientar e guiar os seus filhos/ovelhas.

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Quanto Custa Ser um Homem?

[Paul Washer]

A perda da masculinidade nos nossos dias.



Nas escrituras e em muitas civilizações havia esta noção de que o macho ou era um menino ou era um homem. Não há muitos jovens que gostam de ser chamados de meninos. Então, havendo apenas duas opções, um jovem iria se esforçar para se tornar um homem, pois não quer ser um menino. Mas esta falsa idéia de “modelos evolucionários” trouxe uma terceira categoria: adolescentes.

Então agora quando um garoto atinge a idade de onze, doze anos, ele é chamado de adolescente. E é dito a ele que ele tem que se auto-descobrir, buscar autonomia, ser rebelde, etc.

Mas a bíblia não ensina que exista um período assim. E esta fase é perfeita para o cara preguiçoso, que quer experimentar os privilégios de um homem, mas não quer assumir as responsabilidades de um homem, e continua agindo como um menino, até a idade de trinta anos. A responsabilidade primordial de um homem santo é gerar homens santos. A responsabilidade primordial de um pai é investir sua vida, a todo custo, para criar seus filhos, de maneira que eles cheguem a idade de 17 ou 18 anos e possam assumir o título de homem.


Alguns jovens me perguntam: “Quando eu devo começar a namorar?”. O namoro é algo recente, cultural, que nasceu nos últimos cem anos para cá. É algo recreacional. Você quer sair com uma garota… por que? Porque você quer os privilégios de ter uma parceira ao seu lado mas sem assumir as responsabilidade de ter uma parceira. Então, quando eu posso começar a me relacionar com alguém do sexo oposto? Quando você se tornar um homem.

E o que quer dizer se tornar um homem?

De acordo com as escrituras, em primeiro lugar, é ser capaz de ser o líder espiritual de uma mulher e de uma casa. Antes disso, biblicamente, você não é considerado um homem. Não é apenas ter a capacidade de fazer isto, mas é assumir a responsabilidade, o peso nos seus ombros, de guiar espiritualmente sua família, ensinando e sendo exemplo.

Além disso, você estar pronto para proteger sua família. Não significa ser cheio de músculos, mas ter o caráter forte e necessário para enfrentar as adversidades que batem a porta. Não é obrigação da sua esposa fazer isto. É sua responsabilidade se colocar na porta para que sua mulher nunca tenha que enfrentar os problemas e seus filhos tenham um lugar seguro para crescer e se desenvolver.

Quando um rapaz pode iniciar um relacionamento?

Quando ele pode ser um provedor para aquela pessoa. Por exemplo, se seu pai e sua mãe ainda pagam suas contas, “você não tem o direito” de pensar em alguém do sexo oposto. Apenas porque você atingiu certa idade não quer dizer que pode participar de tudo o que diz respeito a um homem. Você pode ter vinte e um anos e ser ainda um menino. A bíblia sempre trata com homens: “e por esta razão o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir a mulher”.



Esta idéia de namoro recreacional, “estou com ela porque gosto dela”, não existe na bíblia,  nem mesmo nas culturas dos povos, exceto na cultura moderna ocidental. Os cristãos tem pelo menos cinco relacionamentos antes de se casarem, então quando chegam no altar, cinco partes deles estão espalhadas por aí. Eles não são uma pessoa completa. Você não pode entrar em um relacionamento, de qualquer tipo de intimidade, sem deixar uma parte de você mesmo para trás.

Não existe na bíblia a idéia de um garoto, debaixo do teto de seus pais, se alimentando da mesa deles, sustentado por eles, irá sair e se divertir com alguém do sexo oposto. Ela diz que para estar junto com alguém você deve deixar seu pai e sua mãe.


Pais, é sua principal responsabilidade que quando seus garotos atingirem 18 anos, eles sejam homens. E por que a masculinidade bíblica se perdeu nos dias de hoje? Eu perguntava para um grupo de garotos: “Vocês estão no ensino médio. Vocês já escutaram seus amigos conversando sobre como crescer e se tornar um homem de verdade, desenvolver o meu caráter, ser capaz de tomar conta de mim mesmo, depois encontrar um esposa e criar uma família santa?” Não, eles estão todos brincando com Playstations e coisas assim.

Eu morei em uma tribo no Peru por muitos anos. Lá, quando um garoto tem 14 anos ele pode se casar, porque ele pode construir sua casa, pode fazer uma plantação, pode lutar para defender sua tribo de outras tribos. Mas na nossa cultura, a época do colégio é pura diversão, sem essa noção de “Eu tenho que me tornar um homem”. Depois, vem a universidade, que nada mais é que um colégio com pessoas mais velhas, onde o mesmo espírito permanece:
“Vamos pra festa! Vamos andar poraí com nossos amigos! Vamos continuar a nos divertir”.
E alguns, quando saem da universidade, continuam:
“Ótimo, agora eu tenho dinheiro, posso comprar mais Playstations! Posso ter mais hobbies e comprar brinquedos mais caros”.
E claro, eles querem sexo, então entram em um relacionamento. Mas, mesmo após o casamento, nunca assumem a responsabilidade de seu relacionamento. Pois não sabem que estão casando com uma esposa, acham que estão casando com uma “mãe”, então querem que o tratamento de “mãe” continue.

Os pais tem essa idéia de que quando seus filhos atingem a idade de 12 anos, 11 anos (e a idade continua diminuindo), e começam a pensar sobre o sexo oposto é chegada a hora deles entrarem em relacionamentos. Este não é o sinal de Deus de que seu filho deve entrar em um relacionamento, mas é o sinal de Deus que é hora de começar a trabalhar a sua masculinidade, para que com o tempo ele se torne um homem e possa entrar em um relacionamento. O mesmo vale para as meninas. A idéia de ter garotos e garotas de 12 e 13 anos se relacionando é doente.

O pior erro que você pode cometer é chegar para um de meus garotos e dizer: “Você é jovem, bonito, porque você não arranja umas namoradinhas?”. Eu vou lhe parar no mesmo instante e lhe manter distante dos meus filhos. Jovens garotos devem estar construindo castelos, lutando contra dragões e lendo Crônicas de Narnia.

O que acontece é que quando aquela faísca aparece, não há ninguém para direcioná-lo. Quem lhe ensina sobre isto é a televisão, revistas e outros garotos como você. É gasto muito tempo conversando sobre garotas, e jogos, e passeando por shoppings, e todo aquele tempo que deveria ser usado para desenvolver masculinidade e feminilidade é jogado fora.

Nos anos 60 e 70, nós quisemos dar ouvidos a grupos de feministas e homossexuais que queriam nos ensinar a como criar nossos filhos. Nós deveríamos ter ido nas escrituras, nas veredas antigas, nos caminhos do Senhor.

Houve o tempo em que os homens eram respeitados por colocarem comida na mesa. Agora, isto não é suficiente, você deve colocar dois carrões na garagem. E muitos homens e mulheres estão trabalhando e não é para colocar comida na mesa, é para comprar todos os brinquedos que a sociedade compra, pagar pelos seus hobbies e a crianças são esquecidas.

Sua obrigação não é dar as crianças todas as coisas que você nunca teve, pois foram as coisas que você nunca teve que fez de você o homem que você é hoje, e são estas coisas que você nunca teve e que você dá aos seus filhos que estão transformando-os em inúteis. Não devemos dar as nossas crianças tudo o que não tivemos, devemos dar a elas nós mesmos, um mentor, um pai, um líder.

Verso 19 de Gênesis 3 diz: “Do suor da tua face tu comerás o pão…”. Há tempos atrás, apenas pessoas milionárias viviam em mansões. Mas, na nossa sociedade moderna, achamos que qualquer pessoa que trabalhe meio-período tem o direito de morar em uma casa destas. Achamos que merecemos tudo, e que temos o dever de viver o estilo de vida que os ricos famosos vivem.

Não, não caiam na falsa idéia de que merecemos uma vida fácil, com várias férias, podendo viajar quando bem quisermos, que podemos terminar nosso trabalho no final do dia, trazer comida para casa, depois sentar na poltrona e ficar ali como um tronco de madeira morto, porque você merece. Isto está errado. Você deve viver do suor do seu trabalho. Esta é sua vida como homem. Você tem muitas obrigações a cumprir e pouco tempo para descansar. Sinto muito, isto é masculinidade.

Em suma, devemos acordar bem cedo, ir trabalhar, voltar para casa, e então nosso real trabalho começa. Temos uma esposa em casa para cuidar que precisa de muito mais do que apenas trazermos comida. E temos crianças que precisam ser discipuladas e mentoreadas. Então, desabamos na cama, para acordar no dia seguinte e fazer tudo de novo. Esta é a razão pela qual a mulher deve cuidar da casa e viver para seu marido, pois a vida dele é viver para eles.

Nossa cultura prega que devemos ter uma vida fácil. Quando a queda aconteceu, no jardim, a vida fácil foi embora. Muitos homens trabalham, e eles odeiam isso, e eles ficam com suas famílias apenas suficiente para fazer o mínimo, e então podem fugir de seus trabalhos e de suas famílias para fazer algo que realmente gostem, e suas vidas ficam sempre nestes hobbies, nos esportes, em descansar, e outras coisas.

A única maneira de achar contentamento nesta vida é vendo o seu trabalho e suas responsabilidades nesta terra como ordenanças de Deus e aguardando sua recompensa no céu, realizando o trabalho que lhe é proposto e tirando sua alegria do fato de agradar a Deus ao assumir a responsabilidade de sua masculinidade.

Então não podemos praticar esportes ou descansar? Podemos, mas não tanto quanto gostaríamos, ou tanto quanto meus amigos, que não são casados ou não tem filhos. Existem fases diferentes em nossas vidas. Onde está seu coração? A verdadeira alegria não está em continuar sendo um menino eternamente, apenas com brinquedos mais caros e continuamente sendo cuidado por uma mãe, seja ela sua mãe mesmo ou sua esposa. A alegria e o contentamento vem de assumir sua responsabilidade que lhe foi proposta por Deus, de prover para sua família, e não apenas coisas físicas, pois isso é apenas uma pequena parte da provisão.



A pessoa mais importante na face da terra para um homem deve ser sua esposa.

E vice-versa. Uma terrível ilustração para isto é que, se eu estiver em um barco com minha mulher e meus filhos, e o barco estiver afundando, e apenas eu souber nadar e for capaz de salvar apenas uma pessoa, eu devo salvar minha esposa. Você já deve ter escutado: “Não há amor como o de mãe”, isso é errado, a bíblia fala que não há amor como o amor de um pai.

Você sabe porque tantas mulheres são tão ligadas as seus filhos?

Porque suas necessidades emocionais que deveriam ser supridas por seu marido não o são, então elas buscam esse suporte emocional nos seus filhos. O problema é que as crianças não foram feitas para nutrir emocionalmente os pais. Se o marido amar a esposa mais do que tudo,  as crianças olharão e dirão: “Meu pai ama minha mãe mais do que tudo neste mundo. Este lar  está seguro como uma rocha, papai não vai a lugar nenhum”. E a filha dirá: “Então é assim que  um homem deve tratar uma mulher. Meu pai trata minha mãe como se fosse uma rainha. Eu não irei aceitar nada menos do que isto”.


Fonte: Site Não Morda a Maçã [Super indicação!]

[Tradução e transcrição pela Equipe BC Heart da pregação “What it takes to be a man?”  – por Paul Washer. Disponível em áudio aqui ]