domingo, 27 de março de 2016

Quaresma – É Páscoa! – Ele Vive! Aleluia!



“Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou.” (Lucas 24.5b-6a)

Ressuscitou! Jesus Cristo vive! Aleluia!

Para renovar, fortalecer, conceder-nos fé. E, por isso, Ele ressuscita em secreto, sem ninguém ver. E revela-se primeiro aos improváveis, aos de menor posição – às mulheres (v. 5-8). Porque essa notícia era para ser recebida pela fé. Não pelo que os olhos diziam ou podiam confirmar. Não pelo raciocínio. Não pelos cálculos da inteligência humana. Mas pela fé. Porque toda a caminhada dali em diante seria pela fé. E Sua ressurreição precisava nos ensinar isso, e conceder, renovar, fortalecer nossa fé.

Para nos lembrar do valor da intimidade e do relacionamento. E, por isso, foi no caminhar ao lado, no ouvido atento, no compartilhar das dores e, principalmente, no partir do pão que Ele se revelou pela segunda vez, aos discípulos entristecidos no caminho de Emaús (v.13-32). Para nos lembrar que Sua ressurreição é para o dia-a-dia, para todos os nossos dias e, em especial, para os dias cansados e entristecidos; que Sua ressurreição era o cumprimento da promessa de que Ele permaneceria ao nosso lado todos os dias, até a consumação dos séculos – e que Ele continua a se importar com nossas dores e a querer participar de todos os nossos momentos, e a partir o pão conosco, o pão da Palavra e o pão para o corpo. Ele ressuscitou para andar com a gente – e é no relacionamento, no coração ardendo, e nos momentos mais singelos de intimidade que O reconheceremos, e que nossa fé e nossa vida se renovarão.

Para renovar nossas esperanças de salvação e vida eterna. E, por isso, Ele faz questão de mostrar aos Seus discípulos que Sua ressurreição foi não apenas em espírito, mas também em carne – possível de ver, de apalpar, de verificar. Porque essa é a promessa de ressurreição que nos foi feita. Porque, provavelmente, se os discípulos não O pudessem tocar e sentir, com seus próprios sentidos, eles pensariam que esta ressurreição era apenas para os seres celestiais, os “espíritos elevados” ou esse tipo de coisa que costumamos pensar quando vemos o sobrenatural de Deus acontecendo na vida de alguém. Mas Jesus lhes concede uma prova, sinal vivo e verificável, para aumentar-lhes a fé e renovar as esperanças da vida vindoura. Uma vida na qual não teremos apenas nossos espíritos, mas nossos próprios corpos ressuscitados e glorificados – como eles foram criados para ser, à semelhança do Messias. Sua ressurreição é também nossa promessa viva e real de nova vida.

Para revelar nossa missão aqui nesta terra: “e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.” (v. 47). Uma vez tendo recebido fé, companhia, esperança e vida real para nossa caminhada, também revelar ao mundo inteiro o caminho para todas essas promessas. Apontar-lhes a porta. Ser porta-vozes das Boas Novas de Deus para a humanidade. Permitir que TODAS AS NAÇÕES recebam estas boas notícias que trazem vida eterna, e ajudar-lhes a alcançar as promessas que, por graça alcançamos, por meio do arrependimento e remissão dos pecados, no Messias enviado, Jesus Nazareno. E não em nossas próprias forças, mas na promessa dada pelo Pai ai Filho, de revestir-nos com o poder vindo do alto.

Para nossa alegria e nossa união. Porque, ao encher o coração de Seus discípulos de júbilo (v. 52) e ao mantê-los sempre unidos, no templo, louvando Seu Nome, Deus seria glorificado neste mundo. Pois, quando o mundo vê discípulos fiéis, regozijantes e unidos em louvor, mesmo após a morte do seu Mestre, o mundo começará a perguntar o motivo da nossa fé – e a também refletir sobre a verdade da Sua ressurreição. Porque é na Sua ressurreição – e no retorno de nosso Mestre ao Pai – que passaram a residir nosso júbilo, nossa paz, nossa esperança, nosso elo. Somos UM nEle. Ele nos une. Ele nos mantem juntos. E, quando assim permanecemos, em amor e regozijo, o mundo O conhecerá. O mundo O verá em nós. Passamos a ser Seu Santuário. Sua Casa. Seu Templo móvel, que pode alcançar o mundo inteiro. É assim que O glorificamos.

E, por todas essas coisas, nosso Redentor Ressuscitou! Ele vive! Aleluia! Nossa maior glória! Nossa maior felicidade! Nossa fonte de alegria e esperança! Nosso Salvador Vive e Reina! E nada mais poderá detê-lo ou superá-Lo! Nem mesmo a própria morte O deteve. Está consumado. Está concluído! E nós recebemos o PRIVILÉGIO, a INSONDÁVEL GRAÇA de ser participantes disto! Aleluia! Nosso Senhor Vive! Isso é Páscoa! Nossa Passagem: da morte para a vida. A Eterna Vida! Ele vive! Aleluia! Vem, Senhor Jesus!


sábado, 26 de março de 2016

Quaresma – Dia 40 – O Sábado da Paixão, a Multidão e os Seguidores do Messias



“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou” (Lucas 23.46)

E, tendo finalizado Sua vida mortal assim, com estas últimas palavras, Jesus gera diferentes reações naqueles que presenciavam Seus últimos momentos.

Lendo a narração da condenação e crucificação de Jesus, ficava imaginando o que levou aquela multidão, provavelmente a mesma que vivia cercando Jesus e buscando Seus milagres e admirando-se deles e das palavras e ensinos de Jesus, bradar de forma tão veemente para que Pilatos O crucificasse. Não faz sentido! Aquelas pessoas haviam visto o que Jesus fazia! Elas O haviam acompanhado, sabiam quem Ele era. Mas, talvez, tendo sido enganadas por aqueles falsos religiosos que queriam a morte de Jesus, elas achassem que aquilo seria bom. Fiquei pensando se aquelas pessoas não achavam que, de repente, mandar Jesus para ser morto por oficiais romanos não seria a oportunidade perfeita para que Ele operasse o maior de todos os milagres; se elas não estavam realmente esperando que Ele se manifestaria em glória, ali, combatendo Seus inimigos romanos, descendo da cruz e tomando o poder para libertação civil do povo de Israel... e não é possível afirmar nada disso, pois só Deus sabia o que se passava no coração daquela multidão. Mas, talvez, fosse isso. Enganadas por escribas e fariseus, talvez aquelas pessoas, até aquele momento, mesmo depois de tudo o que já haviam visto e ouvido de Jesus, ainda não haviam entendido o que e quem seria o Messias. E esperavam o libertador das cadeias externas – quando o Pai O havia enviado para libertá-los das cadeias internas, e eternas. Mas eles não haviam entendido. E, assim, como a última cartada, esperavam que aquela condenação injusta seria a grande oportunidade para o libertador revolucionário levantar-se para vencer a opressão romana. Então, gritaram pela Sua condenação e morte (v.18, 21, 23) e, após terem-na conseguido, lá foram eles seguindo o Messias crucificado (v.27), aguardando pelo grande milagre.

Porém, o tão esperado milagre não chegou. O Messias não desceu da cruz. Ele não vociferou contra os “malditos romanos” que O escarneciam, maltratavam e humilhavam. Ao contrário, Ele pediu ao Pai que os perdoasse (v.34). Ele era blasfemado, e não falou nada. E “o povo estava ali e a tudo observava” (v.35). Esperando. Esperando. Até que, sem entender nada e, talvez, guardando as esperanças de que o grande milagre e a grande revolução do Messias acontecessem até o fim, eles O ouvem falar: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”. E morrer. E eu acredito que ali, naquele exato momento, as vendas caíram de seus olhos. E o evangelho de Lucas fala: “E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos” (v.48). E, novamente, fiquei pensando: naquele momento, aquela multidão poderia ter, simplesmente, se frustrado com a não realização do milagre que esperavam e tendo chegado, finalmente, na conclusão de que “Ele não era mesmo o Messias que dizia ser”; e voltariam para suas casas decepcionados e desanimados. Contudo, não foi assim que a multidão saiu. As Escrituras dizem que, mediante tudo o que viram, as multidões saíram lamentando e batendo nos peitos. Sinal de tristeza. Por isso, eu creio que eles entenderam: entenderam Quem era Aquele Homem crucificado, e entenderam o que fizeram. Por isso, choraram e lamentaram. Ele era quem dizia ser. E eles não acreditaram. Porque esperavam o Messias errado. Porque haviam sido convencidos de uma mentira. Mas, ali, diante daquela cruz, diante dAquele Homem que ainda amava e perdoava, que entregava-se como ovelha ao matadouro, que cumpria as Escrituras, e que entregava o Seu espírito ao Seu Pai... eles, finalmente entenderam.

E, infelizmente, ainda hoje, grandes multidões esperam o Messias errado. E não apenas entre os judeus – mas entre nós. Ainda esperam o Salvador que irá salvá-los das coisas deste mundo. Um Messias cujo propósito é acabar com a opressão física: a dor, o sofrimento, a pobreza, a opressão, a violência, toda a maldade dessa terra – representados pela opressão de Roma sobre o povo de Israel. E exatamente por isso muitos vivem tantas crises a respeito de Deus e o sofrimento humano. Como Ele pode ser bom e ainda existir o mal? Como Jesus poderia ser o Messias e o povo de Israel ainda continuar oprimido por Roma e por tantos sofrimentos oriundos disso? Era de um revolucionário que os judeus achavam precisar. Mas Deus enxergava além. Ele enxerga além. Ele sabe que, ainda que fôssemos libertos de todas as correntes de dor e sofrimento deste mundo, continuaríamos escravos. De nós mesmos. De uma escravidão que nada nesse mundo poderia nos livrar – a escravidão eterna. E que nenhum bem, nenhuma felicidade, nenhum conforto vividos nesse mundo poderiam suprir o sofrimento gerado por essa escravidão – porque essa é a verdadeira escravidão, o verdadeiro sofrimento: aquele que nos tira o sentido da vida, o propósito, a identidade... todas as coisas. A escravidão que nos esvazia totalmente – pois nos separa do nosso Criador, a Fonte de todo bem. E, enquanto estivermos separados dEle, nossa alma nunca poderá ser realmente feliz. E nenhum bem dessa vida pode suprir essa falta. Assim, é dessa escravidão que o Messias vem libertar o mundo – pois, uma vez libertos dela, uma vez religados com Deus, a Fonte de todo bem, nenhum sofrimento deste mundo é capaz de roubar nossa felicidade e nossa paz. Somos preenchidos e salvos por dentro e, quando isso acontece, nenhuma guerra, nenhuma opressão, nenhuma fome, nenhuma perseguição, nenhum escárnio, nenhuma humilhação... NADA que venha de fora poderá nos abalar. A salvação HABITA em nós. Por isso, essa era – e é – a maior missão do Salvador.

E, por isso, a reação de Seus seguidores foi tão diferente da reação da multidão. Enquanto a multidão saiu a lamentar e bater nos peitos, “todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas. [...] As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento” (Lucas 23.49, 55-56). Com toda certeza, aqueles homens e mulheres estavam sofrendo profundamente naquele momento. Seu grande Mestre havia morrido, depois de tanta dor. Não podemos imaginar quão duro isso foi para os Seus seguidores. Mas a narração a respeito deles é claramente diferente da feita a respeito da multidão.

Eles permaneceram. Jesus já estava morto, mas seus corações continuavam fiéis a Ele. Porque Ele os havia transformado – e agora já não era mais possível viver desligados dEle. E, mesmo quando Ele já havia morrido, eles continuavam ali. Sim, é verdade que muitos – talvez a maioria – dos seguidores de Jesus não permaneceram; fugiram. Mas aqueles que ali ficaram, e aquelas mulheres galileias principalmente, representavam o remanescente fiel, o exemplo para todos os seguidores, para todos nós. Sua fidelidade ao Cristo não se extinguia com Sua morte. Elas criam, elas sabiam Que Ele era o Enviado de Deus. E, por isso, continuavam a crer e a segui-Lo. Prova disso é que aquelas mulheres, acompanhando José de Arimatéia e Nicodemus, vão ver onde o corpo do Mestre haveria de ser colocado – e foram preparar aromas e bálsamos para colocar sobre ele (v.56a). O comentário de minha Bíblia Shedd diz assim, sobre esse versículo: “Aromas e bálsamos. Vê-se o amor pelo Senhor no trato do Seu corpo. Normalmente um criminoso crucificado seria enterrado sem cerimônia num campo qualquer”. Mesmo morto, mesmo estando ali apenas o corpo do Mestre, aquelas mulheres ainda O amam e O honram, com seus perfumes e especiarias. Elas continuam crendo. E continuam amando – mesmo quando tudo parece ter “dado errado”. Mesmo quando elas, provavelmente, nem entendiam o porquê de tudo aquilo. Mas elas continuam fiéis. Porque elas já haviam experimentado a verdadeira libertação, dada pelo Cristo. Então, mesmo sem entender, mesmo na dor e no sofrimento, elas permanecem.

E, finalmente, que versículo lindo é o 55, parte b: “E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento”. Descansaram. Fiquei me perguntando: “Como elas podem ter descansado no dia imediatamente após a morte de Jesus?”. Mas a palavra se repetia na minha mente: descansaram. E glórias a Deus pelo significado disso! Aquelas mulheres, com toda certeza, sofriam, com seus corações moídos por tudo o que aquela sexta-feira havia trazido. Certamente, elas enfrentavam dor e angústia enormes. Contudo, quando estamos com o Cristo, quando O conhecemos, quando Ele nos transformou, de alguma forma miraculosa que só pode ser resultado da ação do próprio Espírito de Deus, nós podemos encontrar descanso para nossas almas e corações – mesmo quando eles estão quebrados e despedaçados. Nós podemos. Podemos continuar obedecendo – “segundo o mandamento” – mesmo quando parece impossível. Porque é Ele quem nos capacita. E Deus capacitou aquelas mulheres, mesmo em meio à tamanha dor que elas sentiam. E Ele vem nos lembrar hoje: quando o sábado da paixão chegar em nossas vidas, e tudo parecer acabado, sem saída, sem explicação, impossível de compreender, quando isso doer mais do que podemos expressar, quando nos sentirmos sós e abandonados, quando não parecer mais haver esperança e o sofrimento tomar conta do coração – ainda assim, nosso Pai tem um lugar de descanso para nossas almas. Ainda assim, nosso Pai nos capacita para obedecer. Porque Ele continua conosco. Sempre. Todos os dias. E Sua salvação, operada no mais íntimo de nós, continua a nos salvar – dia após dia, dor após dor. Ele é a nossa Salvação. E continuará sendo, até o fim.


Que hoje, no “Sábado da Paixão”, e em cada “sábado da paixão” de nossas vidas, possamos nos lembrar de Quem era o Homem a expirar naquela cruz – e de todas as promessas que o Domingo traria consigo. E trouxe. E trará. Porque nem mesmo a morte foi, é, nem jamais será capaz de deter o Salvador deste mundo. Nossa esperança é eterna, e nunca falhará. Glórias, pois, a Jesus Cristo, eternamente. Amém. Amém.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Quaresma - Dia 39 - O exemplo do Jesus Humano


"Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua" (Lucas 22.42)

Talvez as palavras que mais revelam a humanidade de Jesus. E que bonito ver que Deus, ao nos deixar Sua Palavra registrada, deseja expressar a perfeita humanidade de Jesus nesse momento tão primordial que é a véspera do cumprimento da Sua missão na terra - e do pagamento do preço a ela estipulado. Jesus não se faz de forte. Sim, desde o princípio Ele sabia que precisaria sofrer e morrer. Mas, quando o momento chega, o Jesus Homem sofre, tem medo, gostaria de ser poupado. E pede a ajuda do Pai. Pede pra não precisar passar por tanto sofrimento.

E isso é tão importante para nós, seres humanos chamados para imitar o Mestre. Porque nós também sabemos, por Sua Palavra deixada a nós, que sofrimentos e perseguições nos esperam. Sabemos que o caminho de Cristo é nosso caminho. Que a cruz que O esperava também nos espera. Contudo, muitas vezes, nos esquecemos que Ele, mesmo também sabendo que tudo isso O esperava, teve medo e quis ter outra opção. E aqui Ele nos ensina que não precisamos deixar de ser humanos para O seguir. Que Ele sabe como é duro passar pelas dores dessa vida, que dá medo, que é ruim. Ele sabe. E por isso não nos diz que é nosso dever "desejar" essas coisas. Não nos diz para pedir sofrimento e morte. Assim como Ele, o próprio Deus, pediu para ser poupado, tamanho o peso do que O esperava, Ele compreende quando também sentimos medo e queremos ser poupados.

E tudo isso me faz lembrar tanto de nossos irmãos perseguidos fisicamente pela fé. Quando vejo Jesus sendo açoitado, crucificado e morto, lembro de meus irmãos perseguidos pelo Estado Islâmico e tantos outros extremistas religiosos. E, podemos ter certeza: mesmo sabendo de todas as promessas que acompanham o sofrimento do salvo, viver o sofrimento é muito duro. Numa intensidade que a maioria de nós sequer imagina. A ponto de Jesus pedir que Seus discípulos orassem com Ele naquele momento de dor. E assim é com nossos irmãos. Dói. Muito. E pesa em nosso coração e espírito. E gostaríamos de ser poupados. Eles certamente gostariam. E Jesus sabe como é isso. E não nos condena.

Porém, Ele termina nos ensinando a fazer a maior oração de nossas vidas: "contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua". E esse é o grande ponto. Mesmo que tenhamos vontade de fugir, como Jesus parece ter tido, precisamos seguir o exemplo deste Jesus que também foi homem, como nós, e pedir a vontade de Deus ao invés da nossa. Por fé. Por confiança em nosso Pai. Por obediência. Não uma obediência oriunda do medo. Mas uma obediência oriunda de uma fidelidade baseada em confiança e Amor. Jesus conhecia o Seu Pai perfeitamente. E sabia que os planos e vontades dEle eram perfeitos. Por isso pediu por eles. E é isso o que nós precisamos lembrar também. Algumas vezes essas vontades irão doer muito, irão nos levar a uma cruz muito pesada - mas eles continuam sendo mais elevados que os nossos, e perfeitos.

Que possamos aprender com o exemplo do Jesus Homem. Que sofreu. Que teve medo. Mas que permaneceu fiel. Que confiou. Que teve fé. Porque o Seu Pai é o nosso Pai. E porque já conhecemos o fim da história - como Jesus já conhecia. E o verdadeiro amor lança fora todo medo. Vamos sofrer, vai doer, vai ser difícil - Jesus já predisse isso. Mas a conclusão será muito mais maravilhosa do que possamos imaginar. Nosso Pai é fiel e perfeito. Ele não nos abandonará. Podemos confiar nEle - e seguir os passos de Jesus, até o fim. Amém.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Quaresma - Dia 38 - Capacitados pelo Mestre


"Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem" (Lucas 21.14-15)

Às vezes, paro pra olhar pro trabalho que alguns missionários tem feito ao redor do mundo, em realidades tão difíceis, de povos fechados ao evangelho, inimigos declarados de Jesus, e verdadeiros milagres acontecendo e sendo relatados. Vejo pessoas com uma capacidade incrível de compartilhar o evangelho, levar pessoas ao conhecimento de Jesus, abrir igrejas e trabalhos... e aí olho pra mim, desejando dedicar minha vida para esse propósito, e vejo tão pouco da fé, coragem, ousadia, entre tantas outras coisas que vejo nessas pessoas, e fico me perguntando se sou a pessoa certa para essa obra.

E quando li esse texto, ele foi pra mim. Porque ele diz que Deus mandaria perseguições e prisões aos seus discípulos, como oportunidade para testemunhar, mas que, quando essas oportunidades aparecessem, eles não precisavam ficar se preocupando com o que iriam falar, porque o próprio Deus colocaria a palavra certa em suas bocas, de tal forma que ninguém poderia resistir nem contradizer. Isso não é fantástico? Que esperança e segurança isso me traz. Mas também aquela necessidade sempre presente de me esvaziar de mim mesma, de sair do controle, de largar os remos e o volante, e tornar-me dependente. Fé. Entrega. Novamente, o que Jesus vem nos pedir.

De fato, a capacidade para ver os milagres acontecendo, ver o inimigo transformando-se em amigo, ver o perseguidor transformando-se em defensor, ver coisas como líderes mulçumanos, membros do Estado Islâmico, feiticeiros líderes de comunidades inteiras reconhecendo o Senhorio de Jesus e passando a ama-Lo e segui-Lo... não pode vir de esforços humanos - somente do agir do Senhor. E é isso o que precisa ser lembrado. Não somos nós. Quando o Pai me levar para servi-Lo perante os Seus inimigos, não serão as minhas palavras - e nem devem ser - mas as dEle. E isso requer dependência e entrega. Isso requer fé. Uma fé que costuma ser mais difícil de viver do que nossa autosuficiência natural.

Mas a vida cristã e o serviço ao Reino nada mais é do que isso. Não o quanto me capacitei e estou pronta - ainda que toda capacitação seja bem vinda, quando oportunizada. Não é sobre isso. É sobre o quanto tenho estado com o Mestre, entregue, submissa, confiante no Mestre, para poder ser capacitada por Ele. Pois só Ele tem o poder para fazer a obra do Seu Reino cumprir Seu propósito. É no Seu poder e não no nosso. Capacitados pelo Mestre. E que essa seja nossa maior arma, nossa maior confiança e segurança. Menos de nós, e mais dEle. Para que, em todas as coisas, a honra e a glória sejam UNICAMENTE dEle. E que assim seja. Amém.

Quaresma - Dia 37 - Nossas pequenas moedinhas


"Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos" (Lucas 21.2-3)

E acho que nós sempre precisaremos lembrar desse ensino da Palavra. Achamos que Deus está interessado em nossa produtividade, nossa utilidade, quantas coisas temos em nossas mãos para oferecer a Ele, o tamanho de nossas ofertas, o tamanho de nossos dons, nossas capacidades, nosso trabalho, nosso tempo em atividades religiosas... E aí as Escrituras nos falam desta viúva pobre. Lá estavam os ricos lançando suas enormes ofertas e achando-se tão importantes por isso, mas é à viúva que Jesus elogia - com suas duas ínfimas moedinhas. Porque não é com a quantidade da oferta que Ele se preocupa, é com o tamanho da entrega. Não com nossas capacidades à serviço dele, mas com nossas vidas entregues a Ele. Aquela viúva se entregou, integralmente, a ponto de entregar sua sobrevivência - ainda que isso significasse apenas duas moedinhas no fundo do gazofilácio.

E nós precisamos aprender isso com ela e com aqueles ricos. Os grandes montantes entregues por aqueles homens ricos não impressionaram Jesus. Porque Ele olha para dentro, e não para fora. Foi o coração daquela mulher, provavelmente desprezada por aqueles homens ricos, provavelmente se sentindo tão pequena e sem utilidade, provavelmente envergonhada por entregar tão pouco... mas foi o coração dela que despertou a admiração do Mestre. E é assim conosco.

Quanto tempo e energias temos gastado tentando conquistar a admiração do Mestre por meio de nossas muitas ofertas - nosso muito trabalho, nossas muitas atividades, nossa muita inteligência, nossos muitos dons e capacidades... e quantas vezes temos vivido sobrecarregados e infelizes por nunca nos sentir bons o suficiente para agradar ao nosso Senhor, sempre sentindo precisar de mais, sempre nos cobrando uma oferta maior... quando nos esquecemos que não é nada disso o que Ele está procurando em nós. E não é por nenhuma dessas coisas que Ele nos ama. Não é com essas coisas que Ele está preocupado e interessado. E vamos perdendo nossas vidas investindo nas coisas erradas - nas coisas que agradam e conquistam a admiração dos homens, mas não a de Deus.

É nossa vida o que Ele deseja. Nosso coração o que Ele quer. Uma entrega total, amor total, confiança total... é uma condição interna, não externa. É a mudança e o compromisso que nenhum homem pode ver, só Ele pode. E é com isso que Ele se importa. Não interessa qual será o resultado da conversão disso em bens quantificáveis e observáveis. Não importa se serão apenas duas moedinhas. É nossa vida - toda ela - o que Ele quer. Nosso amor. Só. Não precisamos convencê-Lo que somos bons ou dignos de ser amados. Nós não somos. Mas Ele nos ama mesmo assim. Porque escolheu nos amar. Não precisamos ficar nos esforçando para conquistar o Seu amor e aprovação.  Não temos essa capacidade. Ele já nos ama INTEGRALMENTE. Numa medida que não pode ser aumentada ou diminuída. E nada vai mudar esse amor (Rm. 8). Não precisamos nos cansar tanto, sobrecarregar tanto, e nem mesmo nos culpar tanto por não termos mais do que nossas duas moedinhas para entregar. Ele nos ama independente disso. E o que Ele está realmente olhando é se o que entregamos reflete a condição de entrega do nosso coração. Se ela é total, não importa que sejam apenas nossas pequenas moedinhas... é a oferta perfeita e suficiente para Aquele que, dia a dia, escolhe nos amar.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Quaresma – Dia 36 – Vida cristã, ciladas e o exemplo de Jesus



“Observando-o, subornaram emissários que se fingiam de justos para verem se o apanhavam em alguma palavra” (Lucas 20.20a)

Definitivamente, ao olhar para a Bíblia, precisamos desenvolver o olhar de identificar em Jesus, e em todas as coisas que Ele viveu, o exemplo para nossas vidas e todas as coisas que nós também viveremos.

Estive pensando nesse episódio da vida de Jesus. Escribas e sacerdotes armando uma cilada para pegar Jesus em um erro e entrega-Lo às autoridades romanas e destruí-Lo – e em como isso existe em nossas vidas cristãs também. E eu nem estou falando de como sofremos ciladas e perseguições injustas em nossos relacionamentos com os descrentes – estou falando das ciladas que sofremos dentro do próprio meio religioso, originadas daqueles que deveriam ser defensores da fé junto conosco. E era isso o que Jesus estava vivendo. Enquanto publicanos e pecadores sentavam ao Seu lado para ouvi-Lo e aprender com Ele, os líderes religiosos do grupo ao qual Jesus pertencia (os judeus) armavam armadilhas para derrubar Jesus.

E como é triste viver algo assim. Tenho certeza que nenhuma decepção nessa vida é maior do que sermos enganados, ou descobrirmos que estão armando para nosso mal, no meio daqueles em quem mais confiamos. No meio dos que chamamos de irmãos. No meio dos que nos abraçam. No meio do que chamamos de “igreja”. Isso é muito duro. Tão duro a ponto de fazer muitas e muitas pessoas desistirem dessa coisa de “igreja” – de participar de um grupo e dedicar-se a ele. Porque nos frustramos e nos ferimos, e essas feridas são mais profundas do que a maioria que podemos experimentar. Assim, muitos desistem.

Contudo, olhamos pra vida de Jesus e toda ela era repleta desse tipo de coisas. Do início ao fim de Seu ministério. Até o dia mais difícil de Sua vida – enganado e abandonado pelos Seus. Como sempre, nós não paramos para mensurar quanto aquilo era duro pra Jesus. Aqueles escribas e fariseus e sacerdotes eram, para a religião judaica, a religião “do povo de Deus”, o grupo dentro do qual Deus determinou que o Messias fosse trazido ao mundo, como nossos pastores, líderes de ministérios, mestres da Palavra. Estamos acostumados com o fato desses homens estarem sempre perseguindo a Jesus, e por isso tendemos a achar que Jesus lidava tranquilamente com isso, sem nenhum problema – afinal, Jesus sabia o que se passava no coração deles, né? No entanto, aqueles homens eram os líderes do “Povo de Deus”, aqueles que deveriam estar ensinando os caminhos de vida ao povo, aqueles que deveriam ser os exemplos e ajudar o povo a conhecer a Deus e amá-Lo... mas eles faziam exatamente o contrário. E, certamente, o coração de Jesus doía por conta disso. Ele era homem como nós.

Mas Jesus não desistiu. Ele não abandonou os judeus por causa disso. E Ele também não agiu de forma negligente, não se importando com o que aqueles homens pensavam e faziam, falando o que quisesse e fazendo o que quisesse, de qualquer forma, independente do resultado que aquilo teria, principalmente proveniente daqueles que armavam ciladas para Ele. Não. Jesus identificava as armadilhas, com a ajuda do Pai, e respondia a elas com sabedoria. Ele não precisava justificar-se àqueles homens pecadores e maus. Mas, Ele fazia, na medida do possível. Ele não precisava medir Suas palavras por causa do julgamento daqueles homens, mas Ele o fazia, na medida do possível.

Nesse episódio, especificamente, vemos isso. Os emissários enviados perguntam a Jesus se é lícito pagar tributos a César – porque eles esperavam que Jesus fosse pregar revolução contra Roma ou algo assim, e então diria que não se deve pagar tributos a César, já que boa parte desses tributos era cobrado de maneira injusta e opressiva. E Jesus sabia que aquela pergunta era uma cilada. E Ele poderia nem ter se dado o trabalho de responder. Mas Ele age com sabedoria, e com sabedoria responde: “Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição? [...] Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (v.24-25). E a conclusão da narração é que: “Não puderam apanhá-Lo em palavra alguma diante do povo; e, admirados da sua resposta, calaram-se” (v.26). E esse versículo 26, pra mim, resume todo esse ensino.

Não adianta nos enganarmos e esperarmos que nossa vida cristã seja sempre linda, com pessoas lindas, honestas e bem intencionadas, que se dedicarão a nos ajudar e ao nosso bem. Não será assim. Muito mais do que imaginamos, nós encontraremos, dentro do nosso meio cristão, pessoas más, líderes maus, que procurarão puxar nosso tapete, nos enganar, nos apanhar em erros para conseguir nosso mal diante de outros... nós vamos viver isso. Por que posso afirmar isso? Porque Jesus viveu. E Sua vida é o nosso exemplo – para as coisas boas de se viver, e também para as difíceis. Porém, a grande questão para nós é como iremos enfrentar essas situações. E nossa resposta é a mesma: seguindo o exemplo de Jesus. Nós sempre teremos duas opções na hora de decidir como responder a algo que acontece em nossas vidas. Contudo, a Palavra de Deus nos chama a escolher o exemplo do Cristo – porque somos Seus seguidores e imitadores. E como Jesus agia diante dessas situações? Com sabedoria. Com domínio próprio. Com temor a Deus. Honrando o Nome do Senhor. De uma forma que se podia dizer a Seu respeito: “Não puderam apanhá-Lo em palavra alguma”. Jesus procedia de forma que não se tinha do que acusa-Lo. Suas palavras eram medidas, controladas e baseadas em amor. Ele não pagava mal com mal. Ele pagava mal com bem. E então, mesmo os seus acusadores, ao Lhe ouvir, saíam “admirados da sua resposta”, e calavam-se. Esse é nosso Jesus. Esse é nosso modelo. Alguém que poderia ter expressado toda Sua condenação e ódio por tudo aquilo que aqueles homens faziam, enquanto líderes religiosos do povo, mas não fazia assim. Respondia equilibradamente e com sabedoria. E era assim que até mesmo Seus inimigos O admiravam.


Esse é o chamado para nossas vidas. Que, mesmo nos momentos mais difíceis, mesmo quando formos enganados, quando forem armadas armadilhas para nos fazer cair – por aqueles que deveriam ser nossos irmãos e apoiadores da fé – que nossos olhos possam voltar para Jesus e lembrar de Sua sabedoria, domínio próprio e de Seu segundo maior mandamento: amar ao nosso próximo – e amar o nosso inimigo. Jesus viveu assim enquanto esteve em nosso meio, como homem. E nos convida a viver assim também. A sofrer as dores com longanimidade. Paciência. E fé em Deus. A não desistir. A perseverar. Porque nosso caminho é o caminho do amor, da misericórdia, do perdão, da compaixão, da GRAÇA – o mesmo caminho que Jesus escolheu e viveu. Porque Ele é o nosso exemplo, e sempre será. Porque as dores que Ele sofreu são e serão as nossas dores – mas a sabedoria, o amor e o temor a Deus com os quais Jesus decidiu reagir a essas dores também devem ser os nossos. Quando, na vida cristã, tivermos que ser expostos às piores ciladas, provenientes daqueles de quem menos esperávamos, que lembremos do exemplo de Jesus. E o sigamos. De forma que todos os que nos perseguem possam olhar para nossas vidas e “não podendo apanhar-nos em palavra alguma diante do povo; admirados da nossa resposta, calem-se”. Essa é nossa maior arma. E é assim que venceremos. Para a glória do nosso Pai e do Nome de Jesus. Ele nos ajude. Amém.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Quaresma – Dia 35 – Não desesperar



“[...] pois será ele entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida; mas, ao terceiro dia, ressuscitará” (Lucas 18.32-33)

Mas o início do texto nos é tão forte, tão doloroso, tão impactante, que esquecemos do fim. Não estamos acostumados com a dor e a morte. Deve ser nossa carne e seu apego à matéria deste mundo, deve ser nossa incapacidade de discernir claramente as coisas espirituais, mas deve ser também a eternidade para a qual fomos criados e que o pecado havia roubado de nós, trazendo a morte antes da verdadeira vida. Mas uma coisa é fato: não nos acostumamos com o sofrimento. Lutamos contra ele. Corremos dele. Não o aceitamos, não o queremos assumir. Não queremos sofrer!

E foi assim com os discípulos. É interessante que as profecias a respeito do Messias já falavam que Ele haveria de sofrer, ser rejeitado, humilhado e morrer. Os discípulos, como bons israelitas, já as haviam ouvido e deviam sabê-las. Contudo, quando Jesus começa a falar que Ele havia de passar por todo esse sofrimento, os discípulos não entendem e não aceitam – a ponto de Pedro falar para Jesus que Ele não deixaria que essas coisas acontecessem com Jesus. A ponto dos discípulos no caminho de Emaús ainda encontrarem-se despedaçados e sem esperanças, após a morte do seu Mestre. Porque a dor nos cega. Os sofrimentos desta vida nos são tão intensos que nos roubam a esperança e, muitas vezes, a fé. Eles nos são tão pesados que nem prestamos atenção no que resta, nem atentamos para as promessas que os acompanham, não conseguimos enxergar além deles. Mas as palavras de Jesus terminam assim: “mas, ao terceiro dia, ressuscitará” (v.33).

Ah, se nós conseguíssemos parar para lembrar disso, todas as vezes em que as lutas se tornarem intensas e os sofrimentos desta vida começarem a nos comprimir e despedaçar. Quando formos escarnecidos, ultrajados, humilhados, açoitados e mortos... quando estiver difícil e dolorido... quando não parecer mais haver esperança... se nós lembrássemos das promessas que acompanham as provações! Se os discípulos tivessem ouvido aquelas palavras e as entronizado. Quanta dor teria sido poupada. Quanto desespero teria sido minimizado. Se, simplesmente, lembrássemos.

Vai haver cruz. Vai haver dor. Vai haver sofrimento. Vai, até mesmo, haver morte. Mas a história não termina aí. Ainda que, quando pensamos na história de Jesus, quando pensamos na Páscoa, muitas vezes, mesmo sem querer, parece que encerramos a narração aí. Jesus sofreu e morreu. Só que a história não termina aí. Não termina em lágrimas. NO TERCEIRO DIA, ELE RESSUSCITOU! ALELUIA, ALELUIA! A morte NÃO O PODE DETER! ALELUIA, ALELUIA! E é isso o que nosso Mestre quer nos lembrar: HÁ RESSURREIÇÃO APÓS A MORTE! Não precisamos temer! ELE JÁ VENCEU A MORTE!

Mas importa que primeiro ele padeça muitas coisas e seja rejeitado por esta geração” (Lc. 17.25). Há glória nos aguardando, no Reino de nosso Mestre! Há ressurreição e vida eterna nos aguardando! Contudo, assim como foi com Jesus, há um caminho a cumprir antes disso. E nesse caminho haverá dores. E nós não podemos esquecer disso. Pois, quando esquecemos, quando esperamos que a glória venha sem o sofrimento, o sofrimento destrói nossas esperanças e nossa fé. Quando esquecemos que haveremos de padecer e ser rejeitados, assim como nosso Mestre foi,  nos desesperamos desta vida. Esperamos dela algo que ela não pode nos oferecer. E começamos a achar que a dor é o fim, é o abandono de Deus, é o último capítulo. Mas ele não é. Jesus nos falou. Primeiro, era preciso que Ele padecesse. Mas, depois, no fim, haveria Sua glorificação. E é disso que precisamos lembrar.


Quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará” (Lc. 17.33). Esses são os caminhos de Deus. Sua sabedoria, contrária à nossa. E Jesus veio nos deixar o exemplo a seguir. Esses são os caminhos para nós, como foram para Ele. Assim, que as dores desta vida não nos roubem a esperança e a fé. Não nos façam desesperar. Quando o céu escurecer, quando as nuvens surgirem, quando a dor se tornar forte demais, quando formos desprezados, humilhados, escarnecidos, maltratados, ofendidos, perseguidos... quando a própria morte parecer chegar... que nosso coração, nossa mente, nossa alma se lembre que aquele que entrega a sua vida, que a perde, esse é quem a salvará. Que não tentemos manter nossas vidas a salvo, mas que tenhamos fé suficiente para perde-la. E que lembremos que após a morte haverá ressurreição. Após a dor, haverá a glória. Após a luta, haverá o descanso e a recompensa do Pai. Porque esse é o ensino da Páscoa. A Páscoa que também é nossa – como foi de Jesus. A Páscoa que é nossa esperança. Vida que vence a morte. Vida que nos traz descanso. Vida que nos diz para não desesperar...