sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Felicidade...


Nossa busca por satisfação é legítima, mas existe uma grande questão que precisa ser lembrada: só existe uma fonte verdadeiramente capaz de saciar-nos. O grande risco é esquecermos disso e andarmos continuamente atrás de outras fontes. O grande problema é que nossa carne e as forças do mal nos estão sempre tentando nos fazer crer que precisamos de outras fontes, ou que as outras serão melhores.

"Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas" (Jeremias 2:13)

Mas a verdade é que somente quando vivermos a vontade genuína de Deus para nós encontraremos a paz e a satisfação que procuramos. Até que seja assim, nossa busca desenfreada continuará.

O inimigo está nos oferecendo mergulho em caixa d'água e se esforçando ao máximo para nunca nos deixar saber (ou lembrar) que existe a imensidão de um maravilhoso mar a nos esperar. Nos faz esquecer, ou achar absurdo, que a alegria do crente é encontrada no dar e não no receber, no servir e não no ser servido, no viver para o outro e não para nós mesmos, pois esse é o nosso chamado. Ser e viver como o nosso Mestre foi e viveu.

"Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome" (Fp. 2: 4-9)

Esse é o segredo para a felicidade do cristão.

Ajuda-nos a não esquecer, Senhor. Para Tua glória.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sim...


"Basta que você chegue um dia e me estenda a mão, e me peça pra ir com você defender um povo, amá-lo e dar a vida por ele. Não precisa insistir, você já tem o meu sim. Um sim que espera para ser dito, com ânsia, agonia, esperança, sonho. Duas vidas e um só propósito. Peça-me pra ir, leve-me pra longe, apresente-me aqueles campos distantes dos quais tanto ouvi falar. Meu companheiro, meu herói, meu amigo, minha mão. É por você que eu espero, e por este pedido que tanto tarda em chegar. Lembre-se: já é seu o meu sim."

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

“Atenção! Memória cheia!”




Lá está Deus – o administrador deste sistema operacional que é nossa vida – de olho nos dados que entram, que saem e que vão passando a fazer parte de nosso espaço de memória. Então, surge essa mensagem de alerta. “Atenção! Memória cheia!”. O espaço em disco ficou lotado!

Tenho percebido que, de vez em quando, Deus manda essa mensagem pra gente. Na nossa ânsia de ir acumulando e acumulando, vamos enchendo a memória do nosso disco até que, sem perceber, não cabe mais nada. Qual a solução para esse problema? Lixeira!

Em nossas vidas, normalmente só o que notamos é quando alguns daqueles “arquivos” que nos eram tão importantes, vão começando a desaparecer. São situações, pessoas, projetos que, “do nada”, começam a dar errado, se frustrar e deixar de fazer parte de nós. Nós não percebemos, mas isso é coisa do Administrador. Não sabemos, mas havia um problema conosco: a memória estava cheia. E, com memória cheia, como é que se adiciona novas informações?

Li uma frase de um amigo muito sábio (André Mishilyn) que me marcou: “Um lugar pré-ocupado não pode ser ocupado”. Não sei se a ideia original é dele, mas foi ele quem usou essas palavras e as deixou ressoando em minha mente vez ou outra. Vejam só que grande verdade! Se o espaço já está ocupado por algo, não pode mais ser ocupado por coisa alguma. Então, para que algo novo chegue, é preciso que algo antigo seja deletado. É assim naquela parte de nossas vidas que não podemos ver, só Deus pode.

Essa ausência de espaço, pela memória cheia, diz respeito, em primeiro lugar, a Deus. Quantas e quantas vezes, temos enchido nossas vidas e corações com tantas coisas: pessoas, atividades, sonhos, compromissos, vida social... São coisas lícitas, e até boas. No entanto, à medida em que elas “superlotam” nossas vidas, elas se tornam ruins – porque elas passam a ocupar o espaço todo, inclusive o espaço de Deus. E isso é tão sutil. Quando vemos, a memória já está cheia e nem notamos esse processo. Deus já ficou de fora. Então, para que Ele possa voltar a entrar, é preciso que espaço seja liberado para Ele. E isso depende, principalmente, de nós. Somos nós que precisamos parar e observar que coisas estão excedendo em nossas vidas, e deletar o que não é prioridade, para priorizar o Essencial. Por graça, Ele é quem nos faz enxergar que o espaço está cheio, mas somos nós quem precisamos fazer a limpeza.

Mas, existe ainda outro aspecto prejudicado por essa ausência de memória: as novidades de Deus para nossas vidas. É como dizem a respeito de guarda-roupa: guarda-roupa lotado impede a entrada de roupa nova! Quer renovar o guarda-roupa? É preciso se desfazer de algumas das coisas velhas. E é mais ou menos assim conosco também, de alguma forma. Muitas vezes, não entendemos porque certas coisas dão errado em nossas vidas, porque algumas coisas vão perdendo o valor, ou vamos perdendo o valor na vida de alguém muito importante, ou tudo vai, simplesmente, mudando. Choramos, batemos pé, fazemos briga com Deus... Fazemos tudo, menos parar pra pensar que, “de repente”, Ele está apenas fazendo uma “faxina”. Liberando espaço em disco em nossas vidas, para que, então, Ele possa mandar as novidades dEle para nós!

Então, a questão é aprendermos a nos desesperar menos com os rumos inexplicáveis que nossas vidas tomam de vez em quando, e parar para refletir um pouco se tudo isso não é uma pequena “renovação de memória” que o nosso Administrador está fazendo. Deveríamos entender de uma vez que quando Ele tira algo de nós, não o faz à toa, sempre há um motivo: Ele nos tira o bom para nos dar o melhor. E Seus planos sempre são perfeitos.
Assim, que tenhamos menos medo do novo, nos apeguemos menos ao rotineiro, e confiemos mais nAquele que tudo guia. As limpezas que Ele agenda para nós sempre são origem de novidades surpreendentes!

Bem-vindo, novo! ^^

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

É ela...




Ela é toda leveza. Aquela presença meiga, querida, amiga. Quer lembrar dela? É só pensar num belo poema, daqueles que falam das coisas simples da vida, de pôr-de-sol, de arco-íris, de uma casinha com jardim e passarinhos. Ela é aquela vontade gostosa de dançar com a brisa, de correr, sorrir, tomar banho de chuva, andar de mãos dadas, distribuir abraços... Ela é aquela esperança de que sonhos podem se tornar reais, de que o universo e a vida continuam além dos olhos, em matizes muito mais cintilantes, doces, alegres... Ela é o balançar das árvores, a oponência dos montes, o passeio dos mares, o entardecer. Um pequeno barquinho, uma história antiga, um sono de rede, um colo, um ouvir, um olhar... É ela a mulher-menina, que ainda brinca de roda e chora de emoção, mas que também sonha com o futuro à frente e, em seu doce coração adolescente, suspira o amor que chegará. Somente uma menina, e nada além disso. Um brilho do olhar de Deus neste mundo. É ela...

#ComemoraçãoMyNiver x)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ah, menina peralta...



Não sei ser o tipo filósofa. Não sei construir pensamentos complexos, com palavras difíceis, verdades implícitas, jogos de mente e sacadas incríveis. Não tenho aquela capacidade intelectual das almas artistas que conseguem falar tão misteriosa e enigmaticamente. Não sei ser tão profunda assim. Na verdade, sempre olhei pra mim mesma e reconheci uma menininha peralta a me sorrir. Queria fazer viagens mais sociológicas e intelectuais, mas a menina sempre insiste em correr num campo atrás de passarinho ou conversar com flores, cachorrinhos e árvores. Eu invejo as mentes brilhantes – confesso que já me esforcei bastante para me tornar uma. Mas, por algum motivo, meu cérebro simplesmente não assimila nomes, datas e teorias de nomes esquisitos. Então, tenho que me conformar com a menina. Ainda bem que ela tem um sorriso bonito.

Simplesmente, eu...




Eu sou isso mesmo: menina travessa, moleca peralta. Sou festa, balão, cantiga de roda, riso alto. E também sou choro, derretimento, reflexão. Sou seriedade e até chatice. Mas, no fim, sou essa menina mesmo. Sou grama, flor pequena, borboleta, nuvem, mar brabo ou riacho manso. Sou vento, que balança o cabelo e desarruma tudo. Sou música, e dança também. Sou teatro, poesia, desenho animado ou pintura surreal. Sou sentimento, coração. E muito pensamento – daqueles que voam mais longe que passarinho de mudança. Essa sou eu, e vou fazer o que? Deixar a menina dançar, correr, se sujar, melar as mãos e voltar correndo cheia de gargalhada nos lábios e purpurina no rosto. Deixar a menina ser quem ela é. E deixar Deus se mostrar assim. Afinal, essa sou a eu que Ele mesmo fez.

25 aninhos! ^^



Pois é, chegaram os 25! Minha irmã mais velha fez questão de vir ao meu quarto, nessa madrugada, pra me dar os parabéns e me dizer como que a gente começa a se sentir de fato ficando velho a partir dos 25! rs. Bom, eu já sentia isso aos 24, mas aos 25 acho mesmo que as coisas vão ficando mais complicadas! rs.

Existe algo interessante nesse meu aniversário: não parece que estou de aniversário! rs. Isso é muito estranho, pois datas comemorativas sempre são muito solenes pra mim. Sempre são aquele momento de muitas meditações e prestações de conta comigo mesma, e olhos no futuro e tal. Especialmente no meu aniversário e em fim de ano, havia um hábito muito comum em mim: descobrir as resoluções e planos para o próximo ano. Isso sempre acontecia! Sempre surgia, na madrugada do meu aniversário, uma “frase-tema” para o ano que começava, algo que preparava os meus olhos para os passos que eu deveria dar. E, ainda há pouco, eu parei e pensei: “Nossa, amanhã é meu aniversário e não aconteceu nada de resoluções! Que estranho!”. rs. (Obs: desculpem meus tantos “rs” hoje. Estou de niver, ok? rs)

Tenho um aniversário diferente, então. Logo após chegar nessa conclusão inusitada, parei e um pensamento me veio à mente: “dessa vez estou vivendo o presente, ao invés de manter os olhos focados no futuro”. Isso trouxe um sorriso aos meus lábios e me pareceu muito verdadeiro. Fiquei feliz, pois existe algo realmente muito constante em toda a minha vida: a ansiedade. Sempre fui muito ansiosa, e quando penso nessa palavra sempre me lembro da minha mãe me dizendo, quando eu ainda era adolescente, que eu precisava ser menos ansiosa. rs. E ela não foi, de forma alguma, a única a me dizer isso. E eu sou mesmo assim. Enfrento a grande dificuldade de ter meus olhos sempre em busca do futuro – pensando nele, planejando cada mínimo detalhe de como ele deve ser e... esquecendo de viver o presente.

Então, dobrei os joelhos e agradeci a Deus, somente. Agradeci pois meu coração está em paz, tranquilo, sem aquela ansiedade de ficar pensando em tudo que acontecerá em cada área da minha vida durante esse novo ano de vida que inicia. Sim, alguns planos vieram à minha mente (não queiram milagre tão grande assim também! rs). Mas, dessa vez, foram planos mais imediatos, mais discretos, mais presentes. Não mais aquela vontade de ganhar o mundo inteiro de uma só vez, ou de mover uma montanha com a minha fé. Dessa vez, a visualização era da movimentação de algumas pequenas pedrinhas apenas, e isso já me deixou satisfeita. Um estudo bíblico na minha igreja com umas 6 pessoas, outro no meu trabalho com umas 5 carinhas, um (possivelmente) numa futura faculdade com alguns amigos e está bom. Já me deixou feliz.

É assim que comemoro meu 1/4 de século, então. Me sentindo ficando velha (rs), mas também mais paciente. Com um punhado enorme de coisas pra aprender, inclusive esse desafio de esperar, mas muito feliz com os pequenos aprendizados de cada dia que o Senhor tem me possibilitado. Com muitas expectativas pelo novo de Deus, mas com os olhos no presente e em qualquer coisa que seja que o meu Administrador Fiel queira fazer. Estou feliz e em paz, pois tenho tido provas mais que suficientes, durante estes 25 anos, de que Ele está SEMPRE no controle de todas as coisas. E de que Sua bondade supera por completo todas as minhas expectativas. E, portanto, tudo que Ele faz é sempre muito melhor do que eu poderia pedir.

Agradeço, peço perdão e espero que Ele não desista de me ensinar – e me ajude a aprender também. No fim, em todas as coisas dependo dEle. E é assim que quero viver mais esse ano. Agora, ficando velha de verdade! rs.

Bem vindos, 25 aninhos! x)

Amor que liberta...



Chega uma hora que o amor deixa ir. Ainda que ele queira prender, que queira guardar, reter, manter, chega aquela hora em que ele deve deixar ir. Ainda que deixar ir seja deixar tirar um pedaço de si mesmo, uma parte de seu próprio coração, ainda que lhe seja dor e incômodo, tem uma hora que é preciso deixar ir. Libertar. É aquela hora em que se entende que sua busca por alegria própria sufoca a alegria do outro. Seu conforto torna o mundo do outro desconfortável. Sua felicidade compromete a do outro. Então, se você ama, você abre mão. Deixa sua própria felicidade pela felicidade do ser amado. É a sua dor, pelo bem dele. É a sua lágrima, pelo sorriso dele. É o doar, ao invés da procura pelo receber. Esse é o verdadeiro amor. Não se sabe, de fato, o valor de um amor até que se passe por essa experiência: você de fato abrirá mão do que você tanto deseja pelo bem daquele que você ama? Então é que se prova quanto realmente se ama. Pois amar não é apenas risos, também é dor. O verdadeiro amor liberta.


domingo, 30 de setembro de 2012

Gente, pele, abraço, riso...



Eu gosto mesmo é de gente. De abraço, de sorriso, de carinho expresso. De fazer sentir importante. De fazer sentir amado. Gosto mesmo de pele. Chegar perto a ponto de tocar o outro. Andar junto, segurar na mão, cruzar um braço no outro ou colocá-lo sobre os ombros dele. Gosto de abraço: quando se acorda, quando se vai dormir, quando se sai e quando se chega. Gosto de gente, ainda que gente seja a invenção mais difícil. Mas é bom dizer o quanto se ama e fazer o outro se sentir especial. Dar um “chega pra lá” naquela solidão que vive querendo tornar tudo cinza. Talvez porque ela já tenha me acinzentado um bocado. Então, minha convocação deve ter sido contrariá-la quanto eu puder na vida dos outros. Queria fazer melhor. Mas, quanto puder, quero ser brisa suave, suspiro contente, brilho nos olhos, aconchego. É, gente é para o que eu nasci. E, às gentes a quem não tenho conseguido assim ser, minhas sinceras desculpas. Orem por mim.

sábado, 29 de setembro de 2012

Verdadeiramente livres




As pessoas costumam dizer que não querem saber de Cristo porque nEle nossa liberdade é extinta. E elas querem ser livres para fazerem o que quiserem. Mas, não é preciso pensar muito para questionar que liberdade é esta que elas imaginam ter.

É livre quem vive subjugado por seu egoísmo e individualismo, e sua tendência de sempre olhar para si mesmo em detrimento dos outros? É livre quem precisa viver preocupado com os padrões e cobranças desse mundo capitalista, superficial, fútil e cheio de vaidades? É livre quem vive fugindo de si mesmo, de seus verdadeiros sentimentos, suas responsabilidades, pois tem medo de reconhecer que seus caminhos estão vazios? É livre quem vive de mentiras e enganos, ilusões, fugas?

Não. É escravo. Escravos é o que somos, por natureza. Todos nós. Todos. Escravos do pecado: o que habita em nós mesmos, o que habita no mundo, o que habita nas regiões celestiais. É por isso que é tão difícil, na verdade impossível, nos livrar do pecado que nos assedia, do mais explícito àquele tão pequeno que acabamos adotando para companheiro constante. É por isso que o caminho do mau é tão fácil e desejoso. Ele combina com nossa natureza pecaminosa que nos escraviza.

O homem sem Cristo não é livre, ele é escravo. E o que Cristo vem trazer ao mundo é exatamente a esperança para nossa condição. Não existia solução, não poderia haver nada que nos libertasse. Seríamos para sempre escravos, por toda a eternidade, no fogo que não se apaga, por este pecado que, seja sutil ou escandalosamente, nos marca e nos separa de Deus.

Mas Ele se fez solução. O próprio Deus, que era o Grande ofendido por nosso pecado, nos prepara uma solução – e SE FAZ nossa solução. Ele morre a morte que era nossa. A morte que nosso pecado exigiria de nós mesmos, Ele escolhe morre-la. Ele sofre as dores que nós deveríamos sofrer. Ele paga a dívida que era nossa. E, ao contrário de nós, Ele era o Único que não tinha dívida nenhuma para pagar. Mas Ele se dá como sacrifício. Ele paga o preço para comprar estes escravos e os fazer Seus. E o preço é sua própria vida, Sua carne, Seu sangue. Por nós. Pelo nosso pecado. Para nossa libertação e santificação. E somente assim estes escravos podem ser verdadeiramente livres. A morte dEle é o único meio de alcançarmos vida. Jesus Cristo, e este crucificado.

Mas O crucificado ressurgiu dos mortos, para nos mostrar que nem a morte pode detê-Lo, e que há esperança para nossa própria morte. Nossa liberdade, nEle conquistada, ainda não é plena. Nosso pecado ainda nos assedia furiosamente, dia a dia, e ainda temos que lutar. Ainda precisamos vencer. Mas Ele nos garante a vitória. Porque fomos comprados por Ele, por Seu sangue. E nEle venceremos, por fim, a própria morte.

Que outro caminho poderia haver para que estes mais míseros escravos do mal pudessem alcançar a verdadeira liberdade?

“mas, para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (I Co. 1.24; 2.2)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sonhos...




Fotografia.
Balé clássico.
Inglês avançado.
Outro idioma.
Morar em outro lugar.
Corel draw e photoshop.
Cinematografia.
Escrever um livro.
Umas dezenas de filhos adotivos.
Trabalhar como babá.
Um instrumento clássico.
Paraquedas ou asa-delta.
Mergulhar.
Virar um passarinho.

E você? Com o que anda sonhando?
^^

sábado, 15 de setembro de 2012

Os paradoxos que dão Vida...




"O cristão logo aprende que, se quiser alcançar vitória como um filho do céu entre os homens da terra, não deve seguir os padrões adotados comumente pela humanidade, mas exatamente o sentido oposto. Para salvar-se, corre perigo; perde a vida a fim de ganhá-la e existe a possibilidade de perdê-la se tentar conservá-la. Ele desce para subir. Se se recusa a descer é porque já está embaixo, mas quando começa a descer está subindo.

É mais forte quando está mais fraco e mais fraco quando se sente forte. Embora pobre tem poder para tornar ricos a outros, mas quando se enriquece sua capacidade para enriquecer outros se esvai. Ele tem mais quanto mais dá e tem menos quando possui mais." [A.W.Tozer, "Esse cristão incrível"]


Esse é um dos textos mais profundos e marcantes que já li. Estabeleceu raízes em meu coração e vive voltando para me relembrar estas verdades. A vida cristã é um verdadeiro paradoxo. Se queremos viver, precisamos morrer. Se queremos crescer, precisamos diminuir. Se queremos ganhar, precisamos perder. Se queremos RECEBER, precisamos DAR.

Existe um vazio que persegue mesmo a vida dos bons cristãos. Vez em quando o sentimos fazendo morada no peito, na alma. Isso acontece tanto comigo. Para onde estou indo? O que estou fazendo com minha vida? Qual o sentido de tudo isso? Esse vazio. E, nestas minhas andanças e quedas e nas lições que o Senhor precisa sempre estar me dando, me confrontando para que eu entenda e mude, acho que muito desse vazio tem a ver com a não compreensão deste paradoxo que é a vida cristã. Ainda que tendo conhecido a Cristo, nossa carne sempre tenta nos levar a viver com base no natural, e não no paradoxal. Queremos viver, crescer, ganhar, receber, e nos esquecemos que para alcançar tudo isso, precisamos buscar exatamente o caminho oposto. Esquecemos que fomos chamados para viver uma nova vida, totalmente diferente.

E, em todos os momentos em que esse vazio toma minha alma, percebo que esqueci destas verdades bíblicas. Esqueci que não é mais por mim que devo viver. Não é mais em mim que os meus olhos devem estar. Não mais dedicando minhas atenções e energias em minhas próprias necessidades, desejos, vontades. Sou chamada a ir além de mim mesma. Cito a frase que tem martelado em minha cabeça, ao estudar a vida dos Puritanos da Inglaterra dos séculos 16 a 18: "Para a glória de Deus e o bem dos outros". Esse é o propósito de nossas vidas. E só assim poderemos encontrar vida.

Lembro de uma música do padre Zezinho que eu ouvia quando era criança: "O meu Senhor e eu temos um trato especial: o meu Senhor cuida de mim e eu cuido das coisas do meu Senhor". É um pouco assim. Não é um trato em si, mas um entendimento e confiança: Ele me chamou para viver para Ele e, em consequência, para o meu próximo; e, enquanto eu faço isso, Ele me garante que está todo tempo cuidando de mim. Posso cuidar das coisas do meu Pai, não preciso viver tão preocupada e fixada em minhas próprias necessidades - sei que Ele cuida de mim!

Então, acho que um dos grandes desafios e aprendizados da vida cristã é este: olhar para além de mim mesmo. Manter os olhos "nas coisas do alto e não nas que são da terra", como diz Colossenses 3.2. No Senhor, em primeiro lugar, e então nos que estão ao meu redor e precisam de mim. Quando dou, então é que recebo. Quando entrego a minha vida, então é que a encontro. Quando a perco, então é que a salvo.

Que o Espírito do Senhor nos ajude a viver estes paradoxos que dão vida...

Para Sua glória.
Amém.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Onde estão os HOMENS?




Por favor, alguém me diga: ONDE ESTÃO OS HOMENS DESTE TEMPO???

Não quero saber onde estão os “homens”, mas onde estão os HOMENS destas gerações? Aqueles HOMENS que têm VOZ, VISÃO, DETERMINAÇÃO, FIRMEZA, CORAGEM, OUSADIA. Aqueles HOMENS que se LEVANTAM para LIDERAR, GUIAR, ENSINAR, EXORTAR, CONFRONTAR. Onde estão aqueles HOMENS com ESPÍRITO FORTE E INTENSO, que INFLUENCIARAM NAÇÕES, MUDARAM O CURSO DA HISTÓRIA, DERAM SUAS VIDAS POR UM PROPÓSITO, DEIXARAM UM LEGADO PARA TODAS AS GERAÇÕES POR VIR. ONDE ESTÃO ESSES HOMENS?

Onde estão os HOMENS de nossos tempos? Que espírito de infantilidade, omissão, timidez, imaturidade, passividade é esse que os têm dominado? O QUE OS FEZ FICAR ASSIM, TÃO DESCOMPROMISSADOS? O que tirou deles o senso de RESPONSABILIDADE E COMPROMISSO que define a verdadeira HOMBRIDADE? O que os tornou tão covardes e sem iniciativa? ONDE ESTÃO OS HOMENS DE NOSSOS TEMPOS?

Que o Senhor olhe para nós e tenha misericórdia! Que o Seu Espírito sopre sobre os ossos secos e faça, milagrosamente, um exército começar a se formar e se levantar. Ainda que seja um exército de poucos. Não precisam ser muitos. Não precisa ser a maioria. Quem dera que pudesse ser. Mas, ainda que não seja, que o AVIVAMENTO DE DEUS venha sobre os homens destas gerações e os DESPERTE! QUE ELES SE LEVANTEM! Que a consciência de seus chamados para serem HOMENS se torne tão vívida que os capacite a resgatar tudo que o mundo os tem roubado! Que a GRAÇA DE DEUS FAÇA ESSE MILAGRE EM NOSSOS TEMPOS! Que o Senhor levante JUÍZES E PROFETAS, como fez cada vez que o povo de Israel abandonava Seus caminhos, para trazer o Seu povo de volta! Ah, Senhor, que Tua misericórdia nos alcance dessa forma também, e levante TEUS HOMENS NESTAS GERAÇÕES!

ACORDA-OS, SENHOR! PREPARA-OS, SENHOR! LEVANTA-OS! HOMENS PARA TREINAREM AS GERAÇÕES QUE ESTÃO POR VIR. HOMENS PARA ASSUMIREM A RESPONSABILIDADE DE RESTAURAR OS TEUS CAMINHOS. HOMENS QUE TENHAM A CORAGEM DE SER HOMENS. AJUDA-OS, SENHOR! PARA TUA GLÓRIA.

Amém.

[Sei que ainda há alguns de vocês, por aí! Homens lutando para serem HOMENS! Minha oração é para que o Espírito do Senhor os sustente e os encha com uma ousadia sobrenatural, para que vocês nunca desistam do chamado Divino para que vocês sejam os HOMENS desta geração! Que vocês não sejam intimidados por coisa alguma! Que não haja luzes deste mundo capazes de desviar os seus olhos desta comissão de Deus! Que suas mentes e corações amem de TAL FORMA ao Salvador e Redentor que seus corações ardam de desejo e coragem de se levantar e fazer a diferença! Que vocês sejam como nossos tantos exemplos de HOMENS DE DEUS que marcaram este mundo com a Mensagem da Cruz! Que o comando dado a Josué ressoe em suas almas a cada dia, nunca deixando-os desistir: SÊ FORTE E VALENTE! Prossigam, irmãos, pois estes tempos clamam URGENTEMENTE por vocês!]



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um novo ciclo...




Sinto como se minha vida fosse feita de ciclos, minhas “fases de crescimento”. Me vejo fazendo uma enorme descoberta a respeito dessa longa caminhada com Deus e parece que um horizonte “inalcançavelmente” grande se abre diante de mim. Toda essa grandeza chega a tirar o meu fôlego e eu me vejo como uma criancinha jogada dentro da maior loja de guloseimas que possa existir e ouvindo alguém dizer: “É tudo para você!”. Os olhinhos ficam, literalmente, assim: *-* (rs). Então, o coração salta de alegria e entusiasmo, e andar já é insuficiente, é preciso correr em passos de dança! Os bracinhos pequenos de criança querem abraçar o mundo inteiro – e isso com pressa! É, assumo, eu sou assim.

Mas, então, correndo entusiasticamente a desfrutar o caminho, aquele horizonte parece que vai estreitando e estreitando, e as guloseimas da loja parece que vão diminuindo ou, talvez, pelo acostumar com elas, tornando-se menos atrativas. O passo vai reduzindo, tornando-se mais lento, e todo aquele êxtase das novas descobertas vai aquietando. Deve ser o momento em que os aprendizados vão sendo lapidados no peito, o que leva tempo e paciência. Mas o fato é que tudo parece ir afunilando e ficando bem apertadinho. E hoje eu posso perceber que este é o tempo em que o Senhor fecha os ciclos de minha vida, antes de começar um novo.

Eu me sinto num momento de recomeço agora: um novo ciclo a iniciar. Que sensação maravilhosa! O engraçado disso é que eu (realmente) não tenho a menor ideia do que pode ter deflagrado esse novo momento! Estava eu, simplesmente, num tempo de muitas reflexões, daqueles tipos que pesam no coração e tiram lágrimas insistentes dos olhos, sendo confrontada por Deus em tantas posturas, decisões, motivações que me permiti negociar com o tempo, e, de repente, sem que eu sequer pudesse perceber: a nuvem passou, e o sol voltou a brilhar muito, muito forte.

Ah! É aquela sensação de acordar bem cedinho num dia bem ensolarado, mas com uma brisa fresquinha e suave balançando os cabelos, passarinhos cantando e voando na sua janela e as flores parecendo lhe sorrir. Você simplesmente suspira fundo e abre aquele sorriso que vem do mais profundo da alma e dá um animado bom dia para toda a maravilhosa criação de Deus! Aquela gratidão que explode dentro do peito. Esse é o sentimento de todo novo ciclo que Deus concede.

Hoje, minha perplexidade diante da imprevisão destes novos começos de Deus só me faz entender uma verdade sempre presente, mas tão ignorada por nós (especialmente nós, jovens): o tempo de Deus. Não vejo outra explicação. É simplesmente o tempo de Deus. O tempo dEle terminar uma obra que Ele estava fazendo, e começar outra. O Oleiro que se dedica a cuidar de uma imperfeição aqui, depois de outra imperfeição ali, e ainda outra acolá, uma de cada vez, uma em cada tempo especial. Sim, entendo que meus ciclos sejam isso: o cumprimento dos tempos de Deus para cada coisa em minha vida, para meu verdadeiro amadurecimento.

Não é novidade quanto eu sou ansiosa e agoniada pra ver as coisas acontecendo. E deve ser por isso que Deus é tão meticuloso e prolongado em suas ações em minha vida (“desenvolva sua paciência, minha filha!”, rs). Cada vez que eu via o caminho tornando-se estreito, quando as duas extremidades do ciclo precisavam se encontrar para fechá-lo, eu esperneava, me preocupava e “enchia a paciência de Deus” para que o horizonte voltasse a ficar tão extenso quanto ele parecia antes! Apegada ao estado que meus olhos achavam bom, não podia jamais imaginar o que estava pela frente.

Mas Ele sabia. Ele sempre soube. E como eu agradeço porque meu Pai tem essa paciência infindável (que eu não herdei dEle! rs). E penso: por que eu simplesmente não aprendo de uma vez, ouvindo quando meu Pai me diz: “Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Porquanto, se não podeis fazer nem as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” (Lc. 12. 25, 26). Pois é. É assim que as coisas são. Nós não podemos, enquanto Ele tudo pode, tudo sabe e tem o melhor para nós. “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11). “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt. 7. 11). Por que mesmo vivemos assim, tão ansiosos, então?

A verdade é que Ele sempre sabe aonde está nos guiando e porque as coisas são como são. Nossa parte? Confiar e seguir. Aprender a descansar na segurança que temos nEle. “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Romanos 8:32). Esse é o meu aprendizado a cada novo ciclo que inicia. Percebo, mais uma vez, como sou boba com todas as minhas preocupações e minha mania de querer resolver tudo com minha “espetacular inteligência”! E como o Senhor é infinitamente bondoso, misericordioso, amoroso e fiel. Ele ainda está no controle (Aleluia!).

E comemoro este novo ciclo aqui, renovando um pouquinho a cara do M.V., este espaço tão especial em minha vida, onde podemos compartilhar das maravilhas do nosso Deus e aprender um pouquinho mais, uns com os outros, sobre essas lições que nossa caminhada com Ele nos dá. Mudando o look, na expectativa de retomar este cantinho com muita inspiração do Senhor e muito o que dividir com vocês dos novos ensinamentos e tratamentos que o Pai trouxer. Comemoro com uma felicidade tão grande em meu coração que tem me feito perder o sono todos os dias, o que me faz estar escrevendo para vocês às 03:24h da madrugada (rs), tamanha avalanche de sentimentos e pensamentos que me cercam cada vez que tranco o quarto, deito em minha cama, silencio e deixo Deus falar! Como Sua Voz é fantástica! ^^

Recomeçar, meninas (e meninos também!)! Retomar os sonhos que estavam guardados, aqueles que ficaram empoeirados, juntá-los com as novas sementes que foram recebidas e fazer uma grande festa com tudo que pode vir daí! Retomar a caminhada: nova, apesar do caminho ainda ser o mesmo. Novos horizontes, muito ainda a ver! E a alegria de reconhecer, mais uma vez, Quem é o Guia desta viagem!

Para Sua Glória, eternamente!
Amém e Amém!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Através dos séculos...



Fascina-me tremendamente parar para pensar em como as verdades de Cristo e da genuína fé cristã têm, não apenas sobrevivido mas, se mantido fortes e muito vivas através dos séculos. Quase não paramos para pensar nisso, mas que extraordinário pensar que nosso Mestre esteve neste mundo, pregando a mensagem que guia nossas vidas, há mais de 20 séculos!!! Que Ele viveu em um mundo absolutamente diferente do nosso ocidente brasileiro, um mundo que a maioria de nós sequer imagina como seja de fato. Que Ele não foi um pregador exaltado por Seu povo, mas condenado e perseguido por ele. No entanto, aqui estamos nós dedicando nossas vidas para entendermos e vivermos verdadeiramente aquilo que Ele veio ensinar.

O mesmo fascínio me sobrevém quando penso nos grandes heróis da história da fé cristã. Talvez, um deslumbre ainda maior, visto que, ainda que em forma de homem, nosso Mestre era também o próprio Deus. Mas, então, lemos as histórias de meros mortais, exatamente como nós, que seguiram os passos de Jesus até ao último suspiro e ao último preço, e deixaram suas vidas como exemplos para nós. Homens, pecadores e fracos, assim como eu.

Tenho estudado, nos últimos dias, as vidas de homens de Deus que viveram nos séculos 16 e 17 (entre 1500 e 1700), principalmente na Inglaterra, e acabaram conhecidos como Puritanos. Que grandes homens! Ler sobre suas formas de viver tão consagradas e comprometidas a Cristo é, ao mesmo tempo, uma inspiração e um confronto! Gera a esperança de voltar a ver vidas assim acontecendo. De ser uma vida assim, um dia.

Mas, minha reflexão sobre eles, nessa noite, é se eles poderiam supor, em algum momento de suas vidas, que suas histórias atravessariam continentes, atravessariam 400 anos ou mais, e chegariam neste Brasil que ainda estava sendo descoberto quando eles passaram por esta terra, aos lugares mais distantes deste mundo, numa época tão diferente (mas tão parecida) com aquela na qual viveram, e causariam um impacto tão grande assim!

Fico imaginando aqueles homens, num mundo que não tinha todas as facilidades de acesso, comunicação, saúde, transporte, vida em geral que temos hoje, lutando para manterem sua fé. Imagino-os enfrentando dificuldades diárias para manterem a própria fé viva e firme, cuidando das batalhas pessoais, familiares, comunitárias e até nacionais, e como tudo isso deveria ser uma luta imensa em suas vidas. E quando eles poderiam pensar que, ao perseverarem e permanecerem firmes na batalha, eles permaneceriam vivos através dos séculos para ensinar, estimular e fortalecer aos cristãos de hoje? Historicamente falando, estes homens não alcançaram os objetivos a que se propunham: uma reforma religiosa na Inglaterra em que viviam. Isso não aconteceu. O cristianismo inglês morreu. Suas batalhas, aos olhos humanos e instantâneos, pareceram infrutíferas. Mas, cá está a comunidade cristã brasileira, mais de 400 anos depois, aprendendo a amadurecer e viver a verdadeira vida cristã através dos exemplos que estes homens deixaram. Num tempo em que a fé cristã está tão comprometida e sendo negociada por um preço tão baixo, em que precisamos resgatar sua essência tão perdida, nosso socorro vem de tempos e lugares tão distantes, de homens que provavelmente nunca imaginaram que seriam exemplos para nós, mas que foram feitos isso por Deus.

Este é o milagre do Evangelho de Cristo: suas sementes são imortais e suas verdades foram criadas para transpor exatamente as barreiras mais impossíveis e inimagináveis! Não existe distância geográfica, não existe tempo, não existem barreiras culturais e sociais que sejam suficientes para deter a Mensagem da Cruz. Ela é eterna. Bem disse nosso Mestre: os céus e a terra passarão, mas as Suas Palavras jamais irão passar! Isso tem se cumprido a cada dia. Nossos olhos não podem, de forma alguma, contemplar a dimensão com que isso continua se cumprindo a cada dia! E essa é a grandeza de nossa fé: a certeza de que ela irá permanecer, não importa o que aconteça, não importa o que venha pela frente.

Que possamos viver vidas cristãs tão dedicadas e entregues a Cristo de maneira que, talvez, um dia, nossas histórias também possam ser contadas para reviver a fé das futuras gerações. E que nossas vidas também sejam sementes que conseguirão se manter vivas... através dos séculos.

Para a Glória de nosso Deus e Pai, em Cristo Jesus.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Cultivar bons e velhos hábitos...



Vez por outra eu vejo minha vida espiritual e meu andar com Deus esfriar e meu coração ficar vagando em qualquer lugar distante do Pai. Não sei quanto a vocês, mas há em mim uma facilidade enorme de me distrair com as menores coisas desse mundo e deixar meus olhos serem desviados do meu Senhor para mim mesma ou as ofertas que o mundo tem para me fazer. E essa é uma batalha que sempre estou travando. Quando as coisas estão assim, fico lembrando dos tempos de comunhão com o Senhor e de crescimento espiritual, desejando voltar a vivê-los. É quando sempre me lembro deste versículo:

"Assim diz o SENHOR: "Ponham-se nas encruzilhadas e olhem; perguntem pelos caminhos antigos, perguntem pelo bom caminho. Sigam-no e acharão descanso"." (Jeremias 6:16)

O mandamento/conselho/direção que o Senhor nos dá, para quando nos distanciamos dEle, é: olhem para trás, para aquele caminho que vocês trilhavam junto comigo, para como as coisas eram naquele tempo, e voltem a ele. E vocês voltarão a encontrar o meu descanso.

É o que diz também Apocalipse 2.5a: "Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras". E é o que tenho experimentado, como transbordar da graça de Deus, nestes dias.

Durante um dos tempos de maior crescimento espiritual em minha vida, cultivei um hábito que foi extremamente forte mas, com o tempo, foi diminuindo e diminuindo: ouvir pregações. Eu enchia o espaço de mp3 do meu celular com pregações de bons homens de Deus e, sempre que tinha um tempo livre, colocava o fone de ouvido e ficava contemplando e aprendendo de Deus através dos ensinos de Seus filhos. Quanto isso sempre me edificou!!! Quando minha carne estava vencendo a batalha contra meu espírito, o Senhor falava através de Seus porta-vozes e voltava a trazer meu coração para Ele. Este foi um hábito de alguns anos em minha vida. Mas, passando-se o tempo, o coração parece que passa a banalizar a fonte que sempre está a jorrar vida para nós, e a valorizá-la menos do que deve. E isso foi acontecendo comigo. Passei a substituir as pregações por músicas, e a maior parte do meu tempo livre eu ficava ouvindo músicas. Ainda que fossem músicas cristãs, elas normalmente não tem o impacto que a exposição da Palavra tem em nosso espírito e alma. Para piorar, roubaram meu celular e fiquei meses sem ter onde gravar as pregações para ouvir. Enfim, abandonei o caminho antigo e as primeiras obras. Esfriei.

Há duas semanas, pela graça do Pai, comprei um celular novo - e minha preocupação era esta: que tenha um bom espaço para gravar áudios. Enchi o cartão de memória com as antigas (e novas) pregações, e que manifestação maravilhosa do agir de Deus o retorno à esta vereda antiga e a esta primeira obra tem gerado em minha vida! Voltei a experimentar, como era de se esperar, a aproximação com o Senhor e a capacidade de ouví-Lo e manter-me conectada com Ele. Agora, a cada dia, procuro semear este bom e velho hábito que traz vida espiritual.

Através do alimento que esta prática voltou a trazer à minha alma, um outro bom e velho hábito também voltou a ser cultivado: a leitura - da Palavra e de bons livros cristãos. Infelizmente, de maneira muito sutil e sorrateira, meu tempo livre passou a ser preenchido por muitas coisas que em nada me aproximavam de Deus, especialmente entretenimento vazio - programas de TV, filmes, redes sociais... E deixei de lado o bom tempo de leitura e edificação através das Escrituras e dos ensinos de homens de Deus. Que troca infeliz! Hoje vejo o quão sem valor era o produto que eu estava comprando, em detrimento desse alimento de valor incalculável para meu espírito. Novamente pela graça, voltei a ler - e que resultados esplêndidos isso também me traz. Vez por outra, quando tenho um tempo livre e preciso de descanso, sinto vontade de simplesmente ligar a TV, ver um filme ou ficar horas na internet. Mas, então, me lembro que durante esse tempo que seria perdido, posso estar alimentando meu espírito das Palavras do meu Pai. E é o que tento escolher. Há dias que não ligo a TV para assistir, e o tempo de rede social tem se tornado bastante reduzido (graças a Deus!). E é assim que espero continuar caminhando.

Então, meus irmãos queridos, o que venho compartilhar com vocês hoje é: vamos semear estes e outros bons e velhos hábitos que nos trouxeram ou tem trazido vida e momentos de grande comunhão com o Pai, mas que tantas vezes vamos passando a negligenciar ou, como diz Apocalipse 2, abandonar o primeiro amor. Cada um de nós sabe dos instrumentos que o Senhor usa para edificar nossas vidas: ler blogs cristãos, revistas cristãs, conversar sobre o Senhor com um bom amigo na fé, escrever, orar junto com os irmãos, frequentar cultos de oração em nossas igrejas, enfim... Sonde seu coração, pergunte pelo bom caminho, os caminhos antigos, onde você caiu, e volte a praticar as primeiras obras! Como o Senhor nos disse: assim acharemos descanso (e alegria) para nossas almas.

Para a Glória do Único que é Digno:
Jesus Cristo.
Amém.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um mundo de solitários...




Neste dia, pude parar para enxergar como o mundo que vivemos é um mundo de solitários. Uma das grandes crises do tempo que vivemos é exatamente a solidão. É o paradoxo de nosso século: nunca houve tanta facilidade de comunicação, e tantas comunicações superficiais; nunca houve tanta rapidez para se estabelecer relacionamentos, e tanta rapidez para desfazê-los; nunca pudemos conhecer tão facilmente novas pessoas, e nunca nos sentimos tão pobres de amigos reais; nunca tivemos tantas pessoas acompanhando nossa vida, e nunca nos sentimos tão sós. Estamos vivendo a crise dos relacionamentos – perdemos, cada vez mais, o entendimento de como é um relacionamento real (e não virtual), com pessoas de carne e osso (e não com fotos na tela de um computador), com seres humanos que choram e tem problemas e defeitos (e não com os rostos sempre sorridentes das redes sociais). E, assim, tão “cheios de amigos”, a maioria de nós tem convivido insistentemente com a solidão.

Percebi isso hoje, olhando ao redor. Como a maioria das pessoas pode se queixar de sentir falta de amigos – pessoas com quem compartilhar a vida, pessoas pra andar junto, de mãos dadas, alguém para quem correr na hora da dor, alguém pra aconselhar na hora em que não sabemos o que fazer, alguém que saiba nossos defeitos e nos ajude a consertá-los e, em especial, alguém para nos ajudar a andar com Deus. Temos sofrido, a maioria de nós, de uma solidão mascarada com sorrisos e gargalhadas virtuais. Isso é muito triste! O que é ainda mais triste? Isso tem acontecido dentro da Igreja de Cristo! No lugar em que deveríamos nos sentir parte de um Corpo, como Família de Deus, como irmãos e iguais, muitos e muitos e muitos tem se sentido, simplesmente, sós.

Aí se torna fácil entender porque, em nosso tempo, as pessoas têm se tornado tão afeiçoadas a animais de estimação. Você consegue perceber? Aquele carinho que gostaríamos de receber de alguém, que gostaríamos de oferecer a alguém, mas não conseguimos fazê-lo, passamos a receber e oferecer a um animal. O mais trágico é que, infelizmente, na maioria das vezes um pequeno animalzinho, frágil, humilde, que não tem vergonha de mostrar quanto precisa de você e quanto é feliz por sua companhia, nos faz sentir mais especiais do que as pessoas que estão ao nosso lado. A que ponto nós chegamos!

Mais uma consequência do mundo individualista e egoísta em que vivemos. Fomos treinados para olhar tanto para nós mesmos e nossas necessidades, que esquecemos o outro – e o outro esqueceu de nós. E todos se esqueceram de qualquer coisa que não seja seu próprio eu. E, assim, todos abandonaram e todos foram abandonados. Ficamos, no fim, sozinhos. Ao olhar tanto pra mim mesmo, esqueci o outro e ele me esqueceu. Desaprendemos a amar. Aquele amor que diz: “Minha felicidade é ver você feliz”. Desaprendemos o amor. Exatamente quando Jesus nos disse que o maior mandamento, aquele no qual se cumpre toda a Lei, é “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, como Ele nos amou.

Amor. Esse é o remédio para a solidão deste mundo de solitários. Não podemos mudar o outro e fazê-lo nos amar e suprir nosso sentimento de solidão. Mas, nestes dias, em que eu enfrentava meu próprio sentimento de solidão, fui à minha igreja, com o coração abatido e cheio de lágrimas, na esperança de que alguém chegasse comigo para me perguntar como eu estava e demonstrar se importar comigo, e sabe qual foi a minha “surpresa”? Isso não aconteceu. Ao invés disso, durante aquele culto, o meu próprio Pai, com Seu Espírito Santo, revelou, através de Sua Palavra, mais uma vez, o SEU AMOR por mim! Aquela necessidade tão grande de ser amada não foi suprida por pessoas, mas foi suprida por Aquele que me amou desde toda eternidade e me afirma que continua me amando – sempre. Não há amor maior que este! Mas, não parou por aí. Ele me supriu, mas também abriu meus olhos para ver a solidão DO OUTRO. Quando eu fui praquele lugar em busca de afeto alheio para mim, o Senhor me mostrou o quanto há pessoas precisando do MEU AFETO. E essa foi uma experiência tão forte e tão bonita! Pude entender que Deus cuida de minhas feridas, para que eu possa cuidar das feridas daqueles que estão ao meu redor. Que o tempo que perco chorando por meu próprio mal, eu posso usar para ajudar a sarar a ferida do outro, enquanto Deus mesmo sara as minhas.

Entendi que não preciso aceitar fazer parte desse mundo de solitários, pois ainda que não haja mais ninguém do meu lado, ainda que pareça não haver nenhum olhar sobre mim, se preocupando com minha vida e meu coração, há o olhar dAquele que deu Seu Único Filho por amor a mim, dAquele que entregou sua própria vida em morte de cruz por amor a mim, dAquele que veio habitar em mim e prometeu estar comigo “todos os dias até a consumação dos séculos” e ser meu Auxiliador e meu Consolador. Ainda que não haja nenhum outro amor, estou em Cristo e, nEle, sempre poderei encontrar a paz, a segurança, a alegria de ser amada e preciosa que minha alma necessita. E que Ele me supre com um amor tão grande para que eu também possa semear este amor nas vidas daqueles que estão sós.

Assim, se você também tem se sentido só, se a solidão tem enegrecido seus dias e assombrado seu coração, saiba de uma coisa: sua vida não precisa ser de lágrimas e de pesar. Há uma fonte de amor que nunca cessa, e que é totalmente capaz de preencher todo e qualquer vazio dentro de nós, a ponto de transbordar. Essa fonte se chama Jesus Cristo. E essa fonte é oferecida a você de graça e por graça.

E lembre-se também que, assim como você tem sofrido com essa dor que é dilacerante, muitos e muitos e muitos (mais do que podemos imaginar) ao seu redor também tem sofrido por isso. E, assim como você espera uma palavra de amizade, um cuidado, um abraço, um “como você está?”, um ouvido atento, um ombro amigo, há muitos ao seu redor que também esperam isso de você. Semeie amor, e o amor retornará para você.

Finalizo com as palavras de Paulo:

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá.” (I Coríntios 13. 1-3)

Reaprendamos a amar.

Somente a Deus seja a Glória.

sábado, 11 de agosto de 2012

O que eu queria...




Muito interessante como, com o tempo, já não precisamos mais de tantas luzes e holofotes compondo nosso vislumbre de felicidade. Ao invés do furacão que esperávamos chegar e balançar todas as nossas bases, uma brisa suave enquanto deitamos num jardim tranquilo passa a parecer incomparavelmente mais desejável.

É como vejo meus sonhos hoje. O que eu queria mesmo? Simplicidade. Ah, sem dúvida, este é meu grande sonho hoje. Como gostaria de não precisar estar tão imersa em todas as cobranças deste mundo materialista, com tantas preocupações desnecessárias e sem sentido que fazem nossos olhos sempre perderem de vista a verdadeira essência. Queria viver, simplesmente, a essência. Conseguir aquele estado de silêncio no espírito tal que fosse possível compreender com mais facilidade a voz do Pastor guiando. Poder estar seguindo-O tão de perto a ponto de só ir aonde Ele mandasse. E viver assim: para seguir a Sua voz.

Descobrir aquele sonho que o Grande Autor escreve no coração de cada um de Seus filhos e vive-lo. Simplesmente. Se possível, encontrar aquele companheiro para o caminho, que esteja afim de construir um sonho junto comigo e andar ao meu lado. E caminhar juntos. Não mais para “ter um romance, mas (para) escrever uma história”, como certa vez citou Ed René Kivitz. E caminhar. Para Deus, para os outros, para plantar para a eternidade.

Não precisar me preocupar em ser “a profissional que todos esperam” ou em ganhar “o salário que todos esperam” ou em ter “a casa, o carro, a roupa, o cabelo, o corpo que todos esperam”... Me preocupar somente com o que meu Salvador espera de mim. Ah! No fim, o que realmente tem sentido nessa vida é tão simples, tão delicado quanto aquela flor pequenina, cujo valor só percebemos se paramos para contemplá-la com o coração por algum tempo especial. Quando crianças (aqueles que realmente foram crianças), acho que sabíamos escolher melhor como viver.

A verdade é que todas as exigências bobas e sem sentido deste mundo me cansam. Não posso mentir, dizendo que elas nunca me atraem, porque a triste verdade é que muitas vezes (bem mais do que eu gostaria) meu coração (que também é mau) deseja suas ofertas. Mas, sempre vem aquele momento no dia em que paramos tudo e pensamos. E é quando avaliamos se nossa vida tem valido a pena, se é como deveria ser. E é quando o cansaço aparece e toda a luminosidade das luzes deste mundo se apaga – e eu desejo simplicidade. Desejo a essência – que tantas e tantas vezes tem se perdido no meio desse alvoroço de exigências terrenas.

Quero o eterno. O que não perece. O que não satisfaz a este mundo, mas satisfaz a um espírito regenerado por Cristo.

Confesso que às vezes parece que a vontade é de fugir – como se as garras da vaidade, do orgulho, do ego não nos alcançassem em qualquer lugar. Mas a vontade, no fim, acho, é de quebrar esse paradigma que me cerca, romper com ele e viver de um modo radicalmente diferente.

Que o Senhor assim me conceda um dia, se assim for para maior glorificação ao Nome de Jesus e ao bem de meus irmãos. Até lá, que Ele possa me amadurecer e firmar meu coração para não me deixar amoldar a tantas vozes. E que Ele me ajude a honrá-Lo e engrandece-Lo o mais que eu puder aqui, e agora. Simplesmente.

Assim seja.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vai valer à pena!



Sou uma jovem de quase 25 anos, considero-me bonita, legal, tentando aprender a ser uma verdadeira cristã, e... SOLTEIRA. Não, isso não é um anúncio! É apenas uma bate-papo com vocês, moças jovens, sobre essa coisa tão difícil de esperar pelo romance.

Se você já está se distanciando dos 20 e se aproximando dos 30, como eu, deve também estar sentindo uma certa “nuvenzinha” nublando o sol sobre a sua cabeça durante um tempo que vai se tornando progressivamente maior sempre que você pensa sobre casamento. rs. Não é fácil! Para cada uma de vocês, meninas, que hoje me leem, quero dizer: não é fácil! Especialmente se você foi selecionada por Deus para fazer parte daquela espécie de mulheres sonhadoras, românticas, choronas, bobonas e com um instinto materno que aflora por todos os lados (como eu)! Aí entramos numa área crítica! rs.

Não é fácil, meninas, sonhar com o futuro, como toda menina em algum momento sonha ou sonhará, e não ver, diante de você, nenhum vislumbre de como ele será, de quando ele chegará, de como acontecerá e, em contrapartida, ver o tempo passando apressadamente. De verdade, normalmente é bastante difícil. Posso dizer pra vocês que passamos a pensar em tantas coisas quando chegam os 21 anos, os 22, os 23, os 24... chegar nos 25, então, é barra! (E eu estou quase lá! rs) Pensamos sobre quanto tempo vai levar até conhecermos aquele cara que conquistará nosso coração, construirmos uma amizade pura e verdadeira, esperar pela declaração e o pedido de compromisso, depois o noivado, a preparação para o casamento, para, ENTÃO (Uffa!), chegar o grande dia! Isso sem falar do “quase desespero” que dá quando pensamos em quanto vai demorar pra chegar o primeiro filho!! rsrs.

É engraçado falar sobre essas coisas, mas, se você já passou dos 24 ou está chegando lá, sabe como essas coisas vão passando a “fazer morada”, lentamente, em nossos pensamentos! rs. E isso é natural! Deus colocou em nós esse desejo de formar família, de começar uma nova história – a NOSSA história! É algo dEle em nós, então, é natural que ansiemos por isso.

Mas, infelizmente, toda essa situação é algo que tem levado MUITAS moças, inclusive moças cristãs, a se desesperar e começar a abrir mão dos padrões e valores de Deus para sua vida emocional e relacional. Tenho visto tantas moças que antes estavam esperando por um verdadeiro homem de Deus, o seu “cavaleiro de armadura brilhante”, começar a se preocupar tanto com o tempo passando que passaram a diminuir o seu padrão, a acreditar que não vale mesmo à pena esperar por um relacionamento do coração de Deus, em pureza, em santidade. Quantas moças, ansiosas que estavam por encontrar a pessoa certa, acabam se iludindo com caras errados e tentando fingir que são os certos, somente pelo “quase desespero” para não ficarem sozinhas, ou porque se permitiram ficar tão frágeis emocionalmente que aceitam o primeiro “bom” que aparece para suprir a sua carência emocional.

E isso é triste. Muito triste! Nossos sonhos, aqueles que Deus mesmo plantou em nossos corações, começam a parecer tão bobos, inocentes, sem sentido. Na verdade, nós começamos a nos deixar convencer por aquelas vozes, que sempre estiveram presentes, tentando destruí-los, de que eles não tem sentido nenhum. Deixamo-nos convencer porque manter nosso padrão elevado parece diminuir ainda mais nossas chances de encontrar alguém e ter nossa tão esperada “história de amor”.

Se você tem passado por isso, seja que idade você tenha hoje, quero lhe dizer: não se deixe enganar! Não se deixe enganar pelo tempo passando diante dos seus olhos. Não se deixe enganar pelas vozes que querem roubar o tesouro que o Senhor tem lhe dado. Não se deixe enganar por seu próprio coração que tem esquecido de que nossa vida deve ser vivida pela FÉ, e a FÉ é a “certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hb. 11.1). Fé é CERTEZA de que receberemos o que esperamos, porque sabemos de quem e em quem estamos esperando. É uma PROVA, mesmo de coisas que não podemos ver, porque sabemos que podemos confiar nAquele que prometeu. E assim deve ser também em nossa espera por nosso futuro casamento.

Eu poderia estar pensando em desistir, em abrir mão, me desesperar e dizer “não deve ser nada daquilo que eu estive pensando até aqui! Acho que preciso mesmo diminuir meu padrão, senão nunca vou encontrar a pessoa certa!”. Eu teria muitos motivos para querer voltar atrás, de maneira especial o fato de que nunca namorei e já tive várias oportunidades de relacionamento que nunca foram pra frente (sem falar da pressão que é ver minhas amigas noivando, casando e tendo filhos! rs). Eu poderia ser uma pessoa carente por nunca ter me envolvido com ninguém, poderia aceitar a opinião de todo mundo de que “se eu não tentar, nunca saberei”, poderia querer me aventurar em alguma coisa meio “legal” pra ver se daria certo... eu poderia – se não fosse essa Voz ressoando em meu espírito, testemunhando com ele de que eu conheço os padrões DE DEUS, e são esses padrões que eu devo seguir.

Mas, mesmo quando bate a carência e a solidão (porque, sim, elas batem!), mesmo quando fico cansada de estar esperando durante todo esse tempo, mesmo quando perco as forças ao ver como é difícil essa coisa de se envolver e relacionar, mesmo quando fico mal cada vez que acho que encontrei “a pessoa certa” e descubro (mais uma vez) que “ainda não é ele”... mesmo com todos esses momentos, no fim, às vezes após muito choro e muita briga com Deus, meu coração sempre acaba acalmando, aquietando, como uma criança que fez birra durante um tempão, se cansou e ficou quieta, e sempre conclui: mas AINDA VALE À PENA ESPERAR! Eu SEI que VALERÁ À PENA!

Sei que valerá à pena quando penso na história que poderei contar um dia – para minhas filhas e meus filhos, para as crianças e adolescentes de uma geração que diz ser impossível se manter puro, virgem e separado para o casamento, para as gerações que virão e nas quais será cada vez mais comum o divórcio, os casais que se “juntam” mas nunca se casam, os adolescentes que iniciam e mantem vida sexual ativa cada vez mais cedo, gerações nas quais as palavras PUREZA e SANTIDADE serão quase extintas, e nas quais quase nunca se falará ou acreditará em AMOR VERDADEIRO!

Sim, quando em penso em todas essas coisas, e em poder falar para essas gerações, meus filhos, meus netos, seus amigos, e para minha própria geração ou os adolescentes de hoje que, em pleno século 21, quando quase ninguém mais acreditava em casamento, família, honra, valores, eu ESPEREI PELO MEU FUTURO ESPOSO, isso enche meu coração de alegria e expectativas! Como será lindo dizer que guardei para aquele com quem me casei não apenas a minha virgindade, mas também meu coração, meus sonhos, meus beijos, meus carinhos, tudo somente para ele! Como será lindo dizer para ELE o quanto eu o esperei, o quanto abri mão de todos os outros, porque eu estava esperando por ELE! Como isso será um presente para nosso matrimônio e para nossos descendentes!

Sim, ainda vale à pena esperar! Eu não tenho dúvidas disso! Vale à pena porque, através das lutas que enfrentamos, meninas, das dificuldades e dos nossos momentos de solidão, quando gostaríamos de estar com alguém mas decidimos continuar sozinhas porque a Voz do Senhor ainda não ressoou aquele “Sim, é este que eu estava preparando para você!”, através de tudo isso estamos permitindo que Deus escreva uma história que O honrará e O testemunhará num mundo que necessita urgentemente disso! Precisamos ser não apenas as vozes que falam de pureza, santidade e vida rendida aos pés do Senhor – precisamos ser os EXEMPLOS de uma vida assim! E isso tem um preço, que nós sabemos quão caro custa, se optamos por pagá-lo. Mas a recompensa por fazer essa opção um dia chegará, e a maior de todas será ver Deus usando nossa história para o SEU LOUVOR!

Por favor, meninas cristãs, convoco vocês a não desistirem! Continuem firmes nos propósitos que o Espírito Santo tem plantado em seus corações, continuem firmes na Palavra de Deus, continuem firmes na direção do Pai! Este mundo precisa de vocês. Este mundo precisa de nós!

Com amor, sua irmã que tem lutado este duro, mas ainda assim Bom Combate junto com vocês!

Aline.

sábado, 28 de abril de 2012

Sobre corações, ilusões, decepções e sexo oposto




Vou falar para os rapazes. A situação é essa: você conhece alguém legal, se aproxima, descobre semelhanças e se tornam amigos. Se tornam amigos de verdade. Passam muito tempo juntos, compartilham coisas, gostam da companhia um do outro. Você (rapaz) tem a certeza de que ela está interessada em você (afinal, por quê ela investiria tanto tempo e atenção em você se não estivesse, não é?) e você, definitivamente, está totalmente envolvido. Tem convicção de que encontrou a pessoa certa. Finalmente, se declara. E ela...

Ela toma um choque. “Nunca havia pensado nisso”. Mas promete parar pra pensar. E ela pensa... E pensa em muitas coisas: o quanto gosta da sua companhia, de conversar com você, quanto admira suas qualidades, sua maneira de pensar e agir, o quanto gosta da atenção que você dispensa a ela, até mesmo que poderia ser legal estar junto de você pelo resto da vida. Mas... em sua declaração havia uma convicção quanto a um futuro juntos, algo tão intenso e definido, que ela não sente. Não há tanta certeza assim quanto a querer um futuro juntos no coração dela.

Ela entra em crise! Não quer perder a sua amizade, da qual tanto gosta, mas não tem certeza se quer ir além disso. A verdade? Ela quer ser apenas sua amiga. Gosta de verdade de sua amizade, isso é precioso pra ela. Mas não pensa, de fato, em ir além disso e investir em algo “para sempre”. Você quer saber o porquê disso acontecer? Esqueça! Ela também não sabe. Só sabe que, apesar de gostar sinceramente de você como pessoa, não é a pessoa com quem “se vê” passando o resto da vida.

Porém, se lhe disser um não definitivo, acabará com suas expectativas, ferirá você e, assim, acabará perdendo sua amizade que tanto valoriza. Ela não quer lhe magoar, de verdade. Então, ela tenta “salvar as coisas”: não lhe dirá um “definitivo não”, ao invés disso, tentará demonstrar isso paulatinamente, “lhe fazer entender”, mas continuando a ser “sua amiga” como sempre.

Talvez ela até tenha lhe falado que não tinha certeza, que “naquele momento, ela não via o relacionamento de vocês assim” ou que “precisavam deixar o tempo passar” ou mesmo que você não era o cara que ela estava esperando. Mas, apesar disso, ela continua lá – do mesmo jeitinho de sempre. Ela falou que “não sabia” ou que “não queria”, mas continuou ligando, querendo conversar e compartilhar de sua vida com você, pedindo seus conselhos e querendo sua companhia, sendo meiga, atenciosa, carinhosa... Sua conclusão parece óbvia (para você): “Ela está insegura, mas gosta sim de mim!”. Mas, para ela, a conclusão não é assim tão óbvia: “Eu já disse que não tenho certeza. Ele vai perceber que não sinto o que ele sente, mas podemos continuar sendo amigos...”.

Para você, estão investindo em um relacionamento romântico. Para ela, você deve ter entendido ou estar entendendo que ela gosta muito de sua amizade, mas não está preparada pra ir além disso. E ambos vão seguindo assim, se encontrando, curtindo a presença um do outro, dividindo sonhos, projetos, percepções... mas, sem perceber – ou sem querer perceber – que estão investindo em coisas diferentes.

[...]

Talvez a questão seja exatamente essa. Ele não quer lidar com o fato de que ela não sente o mesmo que ele, pois isso irá doer e ele não quer perder as esperanças de que seu sonho de ficar com ela se realize. Ela não quer lidar com o fato de que ele realmente gosta dela e de que ela precisa ser sincera e que isso, sim, o magoará e abalará a amizade, que ela perderá a atenção que ele tanto lhe dispensa e que isso fará muita falta, mas que não é justo permitir que ele continue alimentando uma esperança que ela mesma não alimenta. É mais fácil, para ambos, fingir que não estão vendo o que acontece.

Não sei dizer se ele realmente não vê que ela não corresponde aos seus sentimentos, que o que ela sente é diferente do que ele sente, afinal, ela continua sendo tão atenciosa e carinhosa. Não sei, meninos. Mas, a esse respeito, posso falar para as meninas: nós somos muito egoístas quando permitimos que um rapaz que já declarou abertamente alimentar expectativas futuras e sérias a nosso respeito continue alimentando-as, quando nós não compartilhamos dessas expectativas! Se não temos a convicção que eles têm, precisamos deixar isso CLARO para eles! E deixar isso CLARO, de certo, não inclui querer continuar estando todo tempo perto, estimulando a atenção deles para conosco e investindo muitas das nossas atenções neles. Sim, nós não queremos perder a amizade daquele cara de quem tanto gostamos, e por isso fazemos isso, mas está errado! Ele está envolvido, de verdade, e nossa aproximação constante só passará a mensagem de que também queremos esse mesmo envolvimento e, por isso, o estimulamos.

Menina, se você não pode sentir a convicção que ele sente a respeito de um futuro juntos, você precisa ser sincera e clara. E, atenção, você precisa ser sincera e clara com VOCÊ mesma, em primeiro lugar: ainda que vá doer o não poder corresponder ao sentimento dele, você precisa ser honesta com você mesma sobre se o que você quer é apenas a amizade e companhia dele, ou um compromisso romântico sério e definitivo. Não podemos fugir dessa resposta, em função do medo de magoá-lo. Com absoluta certeza, ele sairá muito mais ferido quanto maior for o tempo que as suas expectativas e sonhos forem alimentados enganosamente. Não é fácil, mas é egoísmo colocar nossa necessidade de continuar com aquela amizade acima dos sentimentos que ele está desenvolvendo e que serão frustrados. Se realmente você gosta dele, pense nele em primeiro lugar e deixe as coisas claras.

[...]

Então, (rapaz), ela finalmente resolveu colocar um “ponto final”. Resolveu assumir que não acompanhava suas expectativas quanto ao futuro e lhe dizer isso. E o seu mundo desaba! Aquilo que você estava se esforçando tanto para não ver, de repente, parece ser jogado bruscamente em seu peito, dilacerando cada um dos seus sonhos mais profundos! Você realmente queria passar o resto de sua vida do lado daquela moça! E você se sente traído, enganado. O que vai fazer com todo esse sentimento, agora? O que vai fazer com todos os seus sonhos, todos os planos de passar o resto da vida juntos? Parece que tudo de mais importante que você estava construindo nos últimos tempos de sua vida desabou.

Agora, você precisa se distanciar. Você precisa ficar só, pra tentar entender o que fazer com tudo isso e como sobreviver a essa perda. E esse é EXATAMENTE o maior medo DELA! Você simplesmente some – e, agora, é ela quem se desespera! Ela tem consciência de que seu mundo deve ter se destroçado e dois sentimentos se misturam dentro da mente e coração dela: a culpa por fazê-lo se sentir assim (justamente você, uma pessoa de quem ela tanto gosta!) e o medo de perder a sua amizade, que é tão especial na vida dela. O resultado: ela tentará, de toda maneira, impedir o seu distanciamento!

Com uma sinceridade dolorosa até para mim mesma, enquanto mulher, cheguei a uma conclusão bem difícil em relação à essa necessidade de reaproximação que nós, meninas, costumamos desenvolver: egoísmo. Sim, por mais difícil que seja assumir isso, há muito de egoísmo em nossa postura, talvez essa seja a nossa maior motivação intrínseca. A verdade é que estamos pensando em nós mesmas em primeiro lugar e acima das necessidades do outro: queremos nos livrar do sentimento de culpa por tê-lo magoado e, assim, nos sentir menos mal por ter dito um “não”; temos medo (e não queremos) perder aquela atenção tão dedicada que recebíamos antes; até pensamos em quanto seria doloroso vê-lo dedicando a atenção que antes era nossa à outra menina. E por isso é tão difícil aceitar a distância. Isso não quer dizer que não gostávamos de fato da amizade dele ou que não tenha doído mesmo em nós o não corresponder aos seus sentimentos. Porém, na hora de decidirmos como nos comportar nesse momento de término, na hora que decidimos insistir em uma reaproximação, é em nós e nossas necessidades que pensamos – e não na dor que ele está sentindo e em sua necessidade. E isso é egoísmo. E precisamos refletir muito honestamente acerca de nossos próprios corações e motivações nesse momento.

Agora, algumas reflexões/sugestões para cada caso:

MENINAS: Nós precisamos entender que eles NECESSITAM desse distanciamento. Eles precisam ficar sozinhos, afinal, sonhos e expectativas que eles construíram de maneira muito intensa precisarão ser desfeitos e não é nada fácil lidar com isso! Sei que sabemos disso, que ficamos preocupadas, que não gostaríamos de ter sido instrumentos pra que isso acontecesse nas vidas deles, que não queremos que as coisas terminem dessa maneira, com o fim da amizade e de tudo de bom que foi construído, e é por esses motivos que não aceitamos o distanciamento deles e que não conseguimos ficar muito tempo sem algum contato. Mas, PRECISAMOS compreender que esse é um tempo que eles precisam – LONGE DE NÓS. Que nossas tentativas repetitivas de reaproximação encherão o coração deles de confusão, de falsas esperanças novamente, e isso dificultará ainda mais o processo de superação que eles precisam passar. Infelizmente, talvez nada volte a ser como era antes. Provavelmente. Talvez o tempo permita que algum contato seja retomado, mas esse tempo não será duas semanas ou dois meses. Vai demorar pra que eles se refaçam depois de algo assim, e nós precisamos respeitar esse tempo. É um desafio para nós – tanto se alguma de nós passar por essa situação, quanto se alguma de nossas amigas passarem. Devemos lembrar que eles precisarão de um tempo totalmente longe.

MENINOS: Só o que as meninas querem saber é que vocês não as ODEIAM e não as consideram as PIORES CRIATURAS DA FACE DA TERRA! É assim que elas estão se sentindo e é isso o que elas acham que vocês estão pensando a respeito delas. Parece dramático? Nós somos dramáticas mesmo! Elas se sentem mesmo culpadas por fazerem vocês passarem por uma decepção assim. Elas realmente gostavam da amizade de vocês – não era “uma farsa”. E é mesmo MUITO doloroso pra uma mulher magoar alguém de quem se gosta, especialmente se essa pessoa gosta dela de uma maneira especial. Nenhuma moça de verdade gostaria de passar pela situação de ter que frustrar os sonhos de um rapaz. Isso é horrível para nós também! Não quero, com isso, justificar qualquer coisa ou defender o “meu sexo”, pois, tentando (pelo menos) me colocar no lugar de vocês, já imagino o tamanho da dor que vocês passam, quão maior ela deve ser “na real”. Mas gostaria que vocês soubessem que, pelo menos nos casos das meninas sérias, elas não estavam brincando propositadamente com os sentimentos de vocês. Então, se posso pedir algo a vocês, pediria que vocês pudessem dizer a elas que não as ODEIAM (espero que não odeiem!), que a questão não é que vocês não querem mais vê-las “nem pintadas de ouro” porque passaram a “abominá-las”, mas que vocês precisam de um tempo sozinhos para tratar seus próprios corações. Deixem claro que vocês precisam desse tempo sozinhos para se refazer. Só queremos saber que aquele que um dia foi um amigo especial em nossa vida não passou a nos achar as piores pessoas da terra. Se puderem, se realmente não acharem isso, digam isso, e talvez as coisas caminhem de uma forma melhor para ambos.

Não estou escrevendo isso por ter passado por algo assim recentemente (apesar de já ter passado, em algum momento da minha vida), mas porque tenho visto pessoas sofrendo por conta dessa situação. E por perceber que muito desse sofrimento decorre da falta de entendimento que temos do outro lado – ou da falta de tentarmos ver que existe um outro lado também. Que as meninas se coloquem no lugar dos rapazes e, assim, percebam que a dor deles precisa de distância para ser tratada. E que os rapazes (se é que se pode pedir algo a eles, nessa circunstância) tentem se colocar um pouquinho no lugar dessas moças que feriram seus corações (mas que não gostariam de tê-lo feito), para perdoar ou, pelo menos, saber explicar um pouco suas necessidades a elas, ou alguma coisa assim.

No final, que Deus nos ajude a crescer através de todas essas coisas e que toda dor que Ele nos permite passar seja para que sejamos moldados cada vez mais à semelhança de Cristo. Que tudo, no final, redunde em glória Àquele cujos caminhos e vontades são sempre perfeitos. Ele sempre está no controle, afinal.

Ele ajude-os a se reerguer e voltar a caminhar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Vontade de crescer...


“Quero ser como a criança, te amar pelo que és, voltar à inocência e acreditar em ti. Mas, às vezes, sou levado pela vontade de crescer, torno-me independente e deixo de simplesmente crer...”

Há um momento na vida de cada criança, logo depois que ela aprendeu a dar passos mais firmes e um pouco mais apressados, em que ela acha que já está suficientemente pronta para andar sem a ajuda dos pais. O filho, que antes pedia a mão do pai para dar um só passo que fosse, inseguro e com medo de cair, de repente ganhou segurança e, agora, quer largar a mão do pai a qualquer custo. O pai, experiente, sabe que os passos do filho ainda são cambaleantes demais para subir escadas sozinho, descer uma ladeira correndo ou andar sobre pedras ou caminhos tortuosos. Mas a criança fica brava a cada vez que o pai pega suas mãozinhas, contra a sua vontade, e a segura forte, limitando a velocidade de sua corrida pela liberdade ou dos caminhos para onde deseja correr. É a sua primeira vontade de crescer e se tornar independente.

Assim somos nós com Deus, nosso Pai, muitas vezes. Vivemos, um dia, um tempo em que tínhamos consciência de nossa incapacidade de andar sozinhos – não sabíamos nada, nem aonde estávamos indo, nem como faríamos para chegar a algum lugar, nem como as coisas aconteceriam, mas tínhamos o nosso Pai, e só queríamos segui-Lo. Então, segurávamos em Suas mãos e simplesmente andávamos com Ele. Éramos crianças, conscientes de nossa dependência de Deus. Um tempo de inocência, simplicidade, entrega, sem vergonhas, sem matemática, “simplesmente crer”.

Mas, toda criança cresce, e também somos chamados a nos tornarmos adultos na fé, maduros espiritualmente. E é quando começamos a conhecer o caminho, o rumo aonde vamos, os passos que daremos, os mistérios que ele guarda. Nosso Pai vai nos ensinando, assim como aquele pai, pacientemente, ensina seu filho pequeno a dar os primeiros passos e a ganhar confiança para caminhar. E é quando essa confiança chega e, tão erroneamente, como aquela criança, achamos que podemos largar a mão de nosso Pai e andar sozinhos. Achamos que crescemos e, mesmo que de uma maneira muito imperceptível, começamos a viver como se fossemos independentes.

A maioria de nós deve lembrar de seus primeiros anos com Deus – quando nossa mente sabia tão pouco, e então vivíamos com aquele amor que impulsionava nosso coração a busca-Lo e ama-Lo e andar com Ele, falar com Ele, aprender dEle. Pedíamos a mão do nosso Pai para tudo o que fazíamos, simplesmente porque não sabíamos fazer nada sozinhos. Ele, então, começa a revelar-se a nós, senta conosco com muita paciência e nos ensina verdades, abre nossos olhos e começa a preparar nossa mente para o entendimento da verdade. Nesse momento, somos como a criança que descobre um mundo novo, cujos olhos brilham de emoção, empolgada com seus novos aprendizados, com o coração pulsando intensamente dentro do peito e aquela admiração indescritível pela sabedoria do Pai.

Porém, após alguns anos ou meses ouvindo os ensinos do Pai, nossas mentes vão desenvolvendo e o raciocínio se tornando mais ágil, as verdades vão sendo compreendidas com mais facilidade, vamos nos tornando mais maduros, e aquele brilho nos olhos, aqueles batimentos cardíacos acelerados e aquela admiração intensa pelo Pai que ensina vai diminuindo e diminuindo. É quando começamos a achar, ainda que inconscientemente, que podemos soltar a mão do nosso Pai e caminhar sozinhos. Começamos a achar que já aprendemos o suficiente para avançar no aprendizado sozinhos, que já estamos maduros o suficiente para não precisar da mão do Pai toda hora segurando a nossa. Tornamo-nos independentes. Progressivamente, a inocência, a simplicidade, a dependência vai sendo substituída por um sentimento de capacidade, um certo distanciamento, uma necessidade de coisas mais complexas, ao invés das simples que antes aqueciam o coração.

De fato, chega um momento na vida de cada ser humano, em que estamos prontos para sair da casa dos nossos pais e viver nossas próprias vidas, sem precisar de suas intervenções e conselhos permanentes e de suas mãos segurando continuamente as nossas. Aprendemos o bastante para caminhar por nós mesmos. Chegamos, inclusive, ao ponto de sermos nós os que passamos a segurar as mãos dos nossos pais para que eles não caiam, orienta-los e aconselha-los em alguma decisão a tomar, cuidar deles.

Mas não é assim com Deus. Não importa quanto cresçamos, quanto aprendamos, quanto conhecimento ganhemos, quanto saibamos explicar as verdades do Pai, quanto tenhamos amadurecidos na fé... em um ponto sempre seremos como crianças: nós SEMPRE dependeremos do nosso Pai! Não parcialmente, não em algumas circunstâncias, mas em todo tempo. E, ainda que a Palavra do Pai nos estimule ao crescimento e amadurecimento na fé, ela também nos diz que se não formos como crianças, de modo algum entraremos no Reino dos céus, porque o Reino dos Céus é das crianças. Portanto, há uma criança que precisamos sempre ser. Não crianças na falta de maturidade, entendimento, compreensão, mas crianças na inocência, na capacidade de admirar-se no Senhor, na confiança sem limites, na entrega incondicional, na alegria de estar com o Pai... Essa é a criança que deve permanecer em nós, mesmo quando já estejamos caminhando para nos tornarmos adultos na fé.

É como aquele aviador que conheceu e apresentou-nos o Pequeno Príncipe: adulto, sim, cheio de conhecimentos e capacidade de fazer coisas espantosas aos olhos dos homens, mas lembrando que a maioria dos homens preocupa-se com coisas de pouco valor e sem verdadeiro sentido e que, portanto, é preciso lembrar que o essencial é invisível aos olhos – só se vê com o coração. Então, aquele adulto resolve manter vivo e cultivar o seu bom lado criança – de enxergar além do raciocínio, de ter emoções fortes e reais, de olhar com inocência, de admirar as coisas simples, de sorrir e se satisfazer com o que os grandes homens dizem ser pequeno...

Essa é a criança que devemos cultivar em nós: aquela que volta ao Pai, todo tempo, com amor e admiração nos olhos, com um sorriso de alegria por estar com Ele, consciente de que não pode fazer muita coisa sem a Sua mão segurando-a, de que nem perto está de saber o bastante, de que é dependente e assim desejando permanecer. Uma fé que nos permita “simplesmente crer”...

Quero ser como a criança...

Ensina-nos isto, Senhor.