quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Quaresma – Dia 9: A multidão, os demônios e a fé em Jesus



“Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios. [...] Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!” (Lucas 4.22, 34)

A reflexão de hoje é sobre fé. Fé no Cristo. O que isso significa? O que significa crer? Aquele crer, aquela fé que é necessário para a salvação. Significa acreditar na existência de Deus? Significa se agradar dos ensinos de Jesus? Significa admirar Jesus? Significa saber que Ele era o Filho de Deus? Como saber se a fé que afirmamos ter é a fé esperada para salvação?

Lendo o texto de Lucas 4.16-44, percebo dois tipos de vida que, facilmente, seriam caracterizadas como vidas de fé aos nossos olhos. Primeiro, vejo a multidão. No trecho dos versos 16 a 30, era uma multidão que já conhecia Jesus. O povo com quem Ele cresceu, em Nazaré. Jesus havia vivido 30 anos com eles. E, nesse texto, Jesus estava na sinagoga, lendo os escritos de Isaías e anunciando que era sobre Ele que aquele texto falava. Certamente não era a primeira vez que Jesus estava na sinagoga lendo as Escrituras e discutindo-as, visto que aos 12 anos Ele já fazia isso. Aos 30, quando iniciava Seu ministério, Ele já deveria ter feito isso muitas e muitas vezes. Aquelas pessoas O conheciam. Fico imaginando quantas coisas aquelas pessoas ouviram Jesus falar durante esses 30 anos. Quanto elas viram da santidade dEle em Seu testemunho, O qual, segundo as Escrituras, em tudo foi tentado, mas não pecou. Que testemunho lindo Jesus deveria ter! E lá estava Ele, diante daquele povo que O conhecia há tanto tempo, explicando os textos Sagrados. E o verso 22 diz que “Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios”. A versão King James diz: “E todos exclamavam maravilhas sobre Ele, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam dos seus lábios”. Que lindo! Aquela multidão O admirava e falava maravilhas sobre Ele! Certamente, isso só poderia ser fé em Jesus, afinal, elas aceitavam as coisas que Ele falava e as admiravam! No entanto, quando o texto continua e Jesus continua Sua pregação, passando a anunciar verdades duras a respeito daquele povo e de Sua missão, palavras não mais “de graça”, mas de juízo, a reação do povo muda drasticamente: “Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira” (v.28). E, nos versículos seguintes, aquela mesma multidão que falava maravilhas a respeito de Jesus há poucos versos, leva-O a um precipício para mata-Lo. Que mudança drástica na história!

Com que facilidade encontramos pessoas assim dizendo “crer em Jesus”. Elas se agradam de muitas coisas que Jesus fala e, por isso, se acham “amigas de Jesus” e, portanto, crentes e salvas nEle. Afinal, se você não O odeia, é certo que você O ama, não é? Pessoas que falam coisas boas acerca de Jesus, que admiram Suas palavras. Porém, apenas enquanto Suas palavras são de graça, são benéficas para suas próprias vidas. Se houver algum texto nas Escrituras que destoe de suas próprias convicções, logo se iram e querem levar o Cristo ao precipício e condená-Lo. Portanto, não, admiração a algumas das coisas que Jesus falou ou fez ou ensinou não é fé salvadora. Sequer é fé. É apenas interesse.

Logo após, vemos a história da cura do endemoninhado de Cafarnaum. Num sábado, na sinagoga de Cafarnaum, estava um homem possesso de demônio, o qual “bradou em alta voz: Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!” (v.34). Essas palavras ditas por DEMÔNIOS a respeito de Jesus sempre me impactam muito! A gente lê os textos bíblicos, as histórias acontecendo, Jesus falando claramente, como no texto de Lucas 4.16-21, em Nazaré, quem Ele era, que as Escrituras falavam sobre Ele, fazendo milagres, proclamando a Palavra com autoridade, e aquele povo não entendia. No entanto, aparece um DEMÔNIO na história, e as palavras que ele diz são reconhecendo o PODER, a AUTORIDADE ESPIRITUAL e A NATUREZA DIVINA E SANTA de Jesus. Isso é louco! E nós não estamos falando de uma multidão de quaisquer pessoas. Eram os judeus! Pessoas que cresciam ouvindo sobre o Pacto entre Deus e Abraão, as promessas de Deus, a vinda do Messias, os milagres operados por Deus durante toda a história do seu povo. Não eram ignorantes. Mas tão tardos em compreender. Com os olhos vendados. Até que o próprio demônio proclama QUEM ELE É: O SANTO DE DEUS! E depois, novamente, no verso 41: “Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus!”. Isso mexe muito comigo. Porque, muito comumente, achamos que isso é a FÉ que se espera de um filho de Deus: confessar que Jesus é o Santo de Deus. Não é isso o que a gente aprende? Porém, aqui nós vemos seres que fazem essa confissão mas que, CERTAMENTE, não são filhos de Deus salvos em Cristo! E eu não sei exatamente se sei explicar isso. Porém, uma coisa eu acredito que seja central no porquê desta confissão feita pelos demônios, apesar de ser a confissão esperada de todo crente em Cristo, não ser o suficiente para se descrever uma fé salvadora.

E voltamos lá à pregação de João Batista: arrependimento. A fé salvadora requer arrependimento. É uma via de mão dupla: reconhecer QUEM É DEUS, mas também reconhecer QUEM SOU EU. Crer convictamente nas palavras do Cristo que dizem que Ele é o Cordeiro de Deus que veio retirar nossos pecados, e que Ele é o Verbo que se fez carne, e que Ele é o próprio Deus, vivo desde a eternidade, pelo qual todas as coisas foram feitas e a Quem todas elas convergirão; mas também crer convictamente nas palavras do Cristo que dizem que nós somos totalmente pecadores, nascidos no pecado, escravos do pecado, inimigos de Deus e necessitados de um Salvador – e de arrependimento de nossa condição caída para achegarmos-nos a este Salvador. Muitas vezes, pegamos textos isolados para explicar o que é a salvação e o que é requerido de nós para que sejamos salvos, e vamos somente até a metade do caminho. Somente “reconhecer que somos maus” não é o suficiente. Sem a fé na divindade de Cristo, em Sua existência eterna e Sua santidade que faz dEle o Cordeiro Perfeito e sem máculas, que se dá ao mundo para remir os pecados do mundo, não há fé salvadora. E somente “crer” na divindade de Cristo, reconhece-Lo como Deus e reconhecer a suficiência de Seu sacrifício para salvação do mundo, sem o reconhecimento e o arrependimento do pecado, não há fé salvadora. Ainda que, se pararmos realmente para pensar, não há como CRER em Jesus como o próprio Deus, Santo e Perfeito e Todo-Poderoso, sem tomar como verdade todas as Suas palavras – inclusive a que revela nossa natureza pecaminosa e escrava do pecado. Portanto, nem toda declaração de que Jesus é o Filho de Deus é uma CONVICÇÃO, uma CRENÇA na Sua identidade como Filho de Deus. Certamente, posso falar com tranquilidade, que o que as palavras daqueles demônios expressavam não poderia ser FÉ. Não era crença. Era CONHECIMENTO. E o próprio Jesus fala isso: “Ele, porém, os repreendia para que não falassem, pois sabiam ser ele o Cristo” (v.41b). Eles sabiam, mas não criam. Conheciam a verdade, mas ela não alcançou suas mentes e corações a ponto de enraizar-se neles e preenche-los e transformá-los. Conhecimento que não tornou-se fé.

E essa é outra condição muito comum de encontrarmos em nossa realidade de “mundo ocidental cristão”. Quantos já ouviram a história do Cristo. A ouviram durante toda a sua vida, porque comemoramos a Páscoa, porque comemoramos o Natal, então pergunte às crianças em geral e elas lhe responderão “quem é Jesus”: “- O filho de Deus”. E uma boa parte de nossos conhecidos dariam essa resposta facilmente à essa pergunta. Porque a ouviram tantas e tantas vezes. Foram “catequizados”. Treinados a repetir. Mesmo sem entender, mesmo sem entronizar. Jesus virou uma fábula. E todos gostam de contar fábulas, ainda que não acreditem nas histórias que ocorrem nelas. Esse é o nosso mundo. Mundo de pessoas cheias das respostas certas a respeito do cristianismo, porém respostas que nunca alcançaram seus espíritos, suas almas, que nunca lhes foram REVELADAS espiritualmente e, portanto, que nunca se tornaram fé. Mas elas estão satisfeitas com o conhecimento que têm. Já lhes é suficiente. Não odeiam a Jesus e sabem que Ele veio ao mundo, morreu numa cruz por nossos pecados, ressuscitou, foi pro céu e vai voltar. Pronto. Pra que mais do que isso? Elas sabem. Elas lhe dirão. Mas nunca creram. E o pior é que, dentro de nossas igrejas, no meio do Povo Salvo de Deus, também estamos nos tornando satisfeitos com isso. Também já está se tornando suficiente para nós ouvi-las dizer coisas boas e espirituais sobre Jesus. E não nos preocupamos mais em saber se realmente há fé. Basta que elas estejam dentro de nossos templos. Basta que sejam nossas amigas. Basta que sejam “gente boa”. Isso é o que importa.


Fé. A questão central do Cristianismo. A fé cristã. Não podemos negligenciar a seriedade do que ensinamos sobre isso. Não podemos nos conformar com o que o mundo tem se conformado. Temos em nós o Espírito Santo. Cremos nas verdades espirituais das Escrituras. E, se não cremos, que também possamos analisar nossa própria fé. É conhecimento aquilo que chamamos de fé? Ou, de fato, é uma convicção que alcançou nossas mentes, corações, almas, espíritos, entranhas e tudo que há em nós, levando-nos a de fato acreditar, mesmo quando não entendemos, que essas são as únicas e completas verdades desta vida? Analisemos a nós mesmos. E que o Espírito Santo, Ele que nos ensina todas as verdades do coração do Pai, tenha liberdade para nos ensinar e gerar fé genuína em nós, e nos usar para levar outros à verdadeira fé salvadora. Não como as multidões. Não como os demônios. Fé de discípulos. Fé de seguidores e filhos. Para que o mundo reconheça de Quem somos filhos e Quem nos salvou. Para que o Nome de Cristo seja glorificado através de nós. Para que o mundo entenda. Amém.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quaresma – Dia 8: Estrutura Eclesiástica e "Desigrejados"



Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. E ensinava nas sinagogas...” (Lucas 4.14-15a)

A temática do crescente “movimento dos desigrejados” muito desperta meu interesse. Há não muito tempo, tive uma conversa com um amigo cristão, de profundas convicções e que parece ser um genuíno seguidor de Jesus Cristo, o qual defendia emblematicamente que o grande problema do cristianismo hoje é a institucionalização da fé, a existência da “Instituição”, ou seja, da estrutura eclesiástica que foi criada ao redor da fé cristã. E nós discutimos bastante a respeito desse assunto. E, ainda que eu concorde com ele em muitos pontos, no sentido dos muitos problemas que essa institucionalização, a criação dessa estrutura eclesiástica, o surgimento da “religião” como uma estrutura fechada com suas regras de variados aspectos traz, não posso concordar que a “Instituição” é a causa do problema ou o problema em si mesmo. E esse texto de Lucas me faz pensar sobre isso.

Nós conhecemos os textos bíblicos e os Evangelhos e sabemos quantas e quantas vezes Jesus emitiu palavras severas, críticas duras aos líderes da “religião judaica estabelecida” – os doutores da lei, os fariseus, os próprios sacerdotes. E sabemos como que os grandes pecados deles estavam em ter focado tanto na religião, a ponto de perder a e a prática da genuína vida espiritual. Eles estavam tão preocupados e ocupados com o “cumprimento da lei”, a ponto de perderem de vista o significado da lei. Deixaram de ser povo de Deus, para tornarem-se religiosos. Sua religião tornou-se mais importante do que o próprio Deus. E essa foi a grande crítica de Jesus a essas pessoas – os religiosos. E ainda é assim em nossos dias. Tantas pessoas que estão mais preocupadas com a manutenção dos dogmas e costumes de sua religião, ou com a popularidade e o crescimento de seu grupo religioso, do que com a vontade do próprio Deus. E, então, temos visto coisas absurdas acontecendo em nossa realidade brasileira.

Contudo, basta lermos com atenção os evangelhos e veremos, repetidamente, os relatos de Jesus exercendo o seu ministério NAS SINAGOGAS. E não apenas Jesus, mas os discípulos também. E, certamente, não é que Jesus ou os discípulos não tinham consciência a respeito das práticas totalmente erradas que aconteciam ali – Jesus mesmo precisou expulsar aqueles que transformavam o Templo em mercado. Eles viviam apontando os erros da religião. Porém, ainda assim, em nenhum momento Jesus ou os discípulos condenaram a existência da estrutura eclesiástica ou contraindicaram o exercício da fé dentro dessas estruturas. Não. Ao invés disso, eles SE APROVEITAVAM dessa estrutura, dessa centralização, da presença das pessoas reunidas na sinagoga, no sábado, para exercer seus ministérios. Sabendo de todos os pecados que eram cometidos dentro dessa estrutura, eles poderiam, simplesmente, ter se recusado a estar presentes nas sinagogas – os locais usados pelos sacerdotes, fariseus, doutores da lei para propagar seus falsos ensinos. Mas não. Eu entendo que eles foram sábios.

O versículo 16 de Lucas 4 fala que: “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou [Jesus], num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler”. E, aqui, eu gostaria de destacar duas coisas: primeiro, ir à sinagoga, NO SÁBADO, participar das práticas religiosas daquele povo não era apenas “uma última estratégia” de Jesus – era seu costume!; e, segundo, Jesus não chegou na sinagoga querendo cancelar as práticas rotineiras daquele serviço religioso, inventando uma nova metodologia para superar as metodologias usadas por aquele povo. Não. Ele apoderou-se do modelo de serviço religioso daquele próprio meio: levantou-se para ler. O verso 20 diz: “Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, Jesus passou a dizer-lhes...”. Que narração fantástica! Porque Jesus seguiu exatamente os costumes de “culto” daquela comunidade religiosa. Ele não precisou chegar lá e mudar tudo para exercer seu ministério. Ele usou de seu direito, enquanto judeu, de ir ao encontro semanal na sinagoga, de levantar-se para ler e de explicar o texto que havia lido, para propagar suas verdades e anunciar as boas-novas no meio daquele povo. E poderíamos coletar uma quantidade enorme de textos dos evangelhos que narram essa mesma prática – tanto de Jesus quanto dos discípulos/apóstolos.

Nós não precisamos destruir toda a estrutura para realizar uma reforma efetiva nas coisas que estão erradas dentro de nossos meios religiosos. Sim, existem muitos erros dentro de nossas estruturas. Sim, existe muita religião vazia de Deus. Sim, existem muitos fariseus e sacerdotes e doutores da lei condenáveis em nosso meio evangélico brasileiro. Porém, a culpa não é da existência de uma “organização eclesiástica”, ou “institucionalização”. Não foi na “existência da sinagoga e seus costumes” que Jesus colocou a culpa. Não foi a isso que Ele condenou. Foi às pessoas! Elas são o problema! Nós somos o problema! Não as nossas “igrejas”. Derrubar todas as “igrejas” (entenda-se “templos”) do Brasil não resolveria o problema do cristianismo brasileiro, assim como derrubar as sinagogas não resolveria o problema dos judeus daquele tempo. Desfazer todos os conselhos e diretorias e demais estruturas administrativas de nossas “igrejas” não resolveria o problema de nosso cristianismo. Acabar com todos os regulamentos, grupos organizacionais, etc, não resolveria nosso problema. Porque o problema está EM NÓS! No ser humano! E, enquanto houver seres humanos compondo a IGREJA de Jesus Cristo, haverá problemas a serem corrigidos. E enquanto houver seres humanos NÃO REGENERADOS fingindo ser IGREJA de Jesus Cristo, haverá falsas profecias e pecados inimagináveis!

Nossas igrejas-instituições serão aquilo que fizermos delas. Podemos usá-las a nosso favor, com sabedoria, como Jesus e os discípulos faziam, aproveitando de suas estruturas para alcançar o povo de Deus e anunciar a eles as verdades das Escrituras, ou podemos nos tornar “inimigos” delas (e, de algum modo, das pessoas ali presentes), e nunca alcançar aquelas vidas que escolheram ali estar, e simplesmente abandoná-las. É óbvio que não PRECISAMOS exercer nosso ministério e chamado cristão dentro da estrutura eclesiástica. Não. Porém, que não seja porque resolvemos que esse não é o ambiente adequado. Jesus o julgou adequado para desenvolver seu ministério. Seus primeiros discípulos também – e ainda dentro das sinagogas, mesmo sabendo que sua fé não era mais centrada nas sinagogas. Por que eles assim o julgaram? Uso as palavras de Paulo: “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22). Porque o foco deles era as pessoas. Não era eles mesmos ou aquilo que mais os fazia felizes ou satisfeitos. Eles tinham uma missão a cumprir: anunciar as verdades de Deus para a salvação dos perdidos e a glória de Deus. Então, tudo aquilo que pudesse ser usado no cumprimento dessa missão, era bem-vindo. Era nas sinagogas que elas estavam? Era ali que eles iriam. Era nas praças? Ali eles estariam. Era nas casas? Então era esse seu destino. Cumprir o chamado. Viver a missão.

Que Deus nos ajude a lidar com todos os erros, dos mais leves aos mais graves, que temos visto acontecendo dentro de nossas igrejas-instituições, dentro da “religião” cristã. Que tenhamos a iluminação do Espírito Santo para reconhece-los onde eles estiverem ocorrendo. Mas que recebamos, dEle, também a sabedoria e o discernimento para saber como agir. A quem combater. A ajuda do Espírito Santo para reconhecermos contra quem é a nossa luta. Que Ele nos ajude a lembrar que “nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12). E que lembremos também que, até que a colheita final aconteça, haverá joio crescendo junto ao trigo. E que não será possível separá-los completamente até que a grande colheita chegue, pois iria-se destruir o trigo juntamente com o joio se tentássemos fazê-lo. Portanto, é de sabedoria que precisamos, para combater o joio antes que a colheita chegue, mesmo sabendo que não será possível arrancá-lo completamente do meio da plantação.

Que o Espírito Santo sonde as motivações por trás de nossa luta contra o que quer que seja, e nos molde e transforme, para que o cumprimento de nossa missão e o amor a Deus e ao próximo sejam, acima de todas as coisas, nossa grande bandeira e nosso caminho a seguir. Para a glória do Único Digno e para o crescimento de SUA IGREJA. Amém.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quaresma - Dia 7: Verdadeiro Arrependimento



“Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer?” (Lucas 3.10)

Eis a pergunta mais importante da vida do ser humano. E agora, o que nós devemos fazer? No texto de Lucas 3.1-14, o evangelista expõe o ministério de João Batista e, no verso 7, diz que João se dirigiu às multidões que o procuravam para serem batizadas e lhes disse: “Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?”. E, se pararmos para refletir seriamente sobre o que João estava falando, que coisa tão dura de se falar! O texto diz que aquelas pessoas estavam INDO ATRÁS do Batismo de João. E nós sabemos qual era a pregação de João Batista em seu ministério, conforme falam os evangelhos de Mateus e Marcos: “Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 3.1-2) e “apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Marcos 1.4). João andava por toda a vizinhança do Jordão pregando ARREPENDIMENTO e BATISMO DE ARREPENDIMENTO, para remissão dos pecados. O batismo era o que ele ensinava. Ele conclamava as pessoas a se arrependerem e virem batizar-se. Porém, Lucas nos diz que havia uma multidão que vinha para ser batizada, porém, João a chama de raça de víboras e a condena por tentarem fugir da ira vindoura! Isso não seria completamente contrário ao que ele pregava? Ele pregava sobre remissão dos pecados, para que as pessoas fossem livres da ira vindoura, contudo condenava aquelas pessoas porque estavam tentando fugir desta mesma ira, por meio do batismo que ele oferecia.

Só que não existe contradição aqui. Eu acho tão bonito o que Lucas resolveu registrar em seu evangelho a respeito da pregação de João. Os demais evangelhos falam muito sucintamente a respeito do que Lucas fala aqui. Logo após mencionar a repreensão que João faz àquela multidão, o texto continua dizendo: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (v.8a). E é preciso parar para analisar muito bem o que essas palavras significam. Talvez alguém queira usá-las para defender que a salvação depende dos frutos que damos, que o arrependimento segue os frutos, os quais precisamos gerar primeiro. Porém, não é o que o texto diz. João não se contradiz aqui, como se a salvação dependesse dos nossos frutos e não do nosso arrependimento. O que ele está dizendo é que o verdadeiro arrependimento não pode vir separado de frutos. Frutos dignos de arrependimento. A versão King James diz: “Produzi, então, frutos que demonstrem arrependimento” (v.8a). João via, na vida daquela multidão que o procurava, que não havia verdadeiro arrependimento. Era somente pelo medo da ira vindoura que eles procuravam batizar-se. Mas não haviam se arrependido de seus pecados. E foi por isso que João os repreendeu. O batismo de João não era para essas pessoas.

E minha pergunta é: será que as pessoas, em nossos dias, têm compreendido o que é o verdadeiro arrependimento? Será que temos conseguido ensinar o que João estava ensinando: que a salvação não é pelas obras, e sim a partir do arrependimento dos pecados, porém que não existe arrependimento real se não houver mudança de obras? Será que nós mesmos temos entendido a relação que existe entre essas duas coisas? É belíssimo como Lucas escolheu o restante das palavras de João Batista para registrar nesse texto e deixar bem claro o que estava sendo ensinado. As multidões, após serem exortadas, perguntam, então, a João: “Que havemos, pois, de fazer?” (v.10 – ARA), ou, segundo a versão King James, “O que devemos fazer então?”. Aquelas pessoas, definitivamente, não haviam entendido a pregação de João. E ele, então, explica a eles:

“Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo. [...] Não cobreis mais do que o estipulado. [...] A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo” (v. 11, 13, 14)

É interessante que Lucas não se restringiu a registrar o que os outros evangelistas registraram: o “arrependei-vos” de João. Ele vai além. Ele explica o que quer dizer esse “arrependei-vos”. Significa MUDANÇA. É o significado dessa palavra tão batida e mal empregada nos nossos dias: “CONVERSÃO”. O que significa conversão? Significa isso aí que João falou àquela multidão. O que significa o verdadeiro arrependimento? Significa conversão. Conversão é uma palavra que significa, literalmente, mudança de direção. Aquele que vivia somente para si mesmo, que passe a ser misericordioso com o outro e o ajude. Aquele que era avarento e mentiroso, seja honesto. Aquele que queria o mal do outro e se aproveitava de sua posição para, por meio da exploração alheia, se beneficiar, deixe de fazê-lo. MUDE. E quando você mudar, isso não GERARÁ arrependimento em você. Isso apenas DEMONSTRARÁ que o verdadeiro arrependimento aconteceu. Você entendeu. Você reconheceu-se errado, pecador, e a compreensão de seu pecado pesou tanto sobre você que você não poderia mais continuar na mesma direção, no mesmo caminho, nas mesmas obras. A única coisa que poderia acontecer era CONVERGIR, sair daquele caminho e voltar na direção oposta.

Me preocupa tanto a realidade que nosso Brasil e, talvez, uma boa parte do Ocidente vive hoje em relação ao Cristianismo. A mensagem cristã se banalizou. Falou-se tanto, talvez sem entender o verdadeiro sentido dos ensinos das Escrituras, talvez com a motivação errada de arrebanhar ovelhas para nosso pasto, talvez sem nem mesmo os pregadores terem se tornado verdadeiras ovelhas deste pasto, que a mensagem foi banalizada. Podemos perguntar para todas as pessoas ao nosso redor se elas creem em Deus, e a grande maioria afirmará que sim. Perguntemos a elas se elas são filhas de Deus, e elas dirão que sim. Perguntemos a elas se elas são cristãs, e elas responderão que sim. Como aquela multidão dizia ser filha de Abraão, filha da promessa de Deus. No entanto, João diz a elas: “e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (v.8b). Filhos como vocês? Até mesmo essas pedras podem ser. Vocês não são filhos! Vocês sequer entendem o que é ser um filho de Abraão. E sabemos disso ao olhar para as suas vidas! É assim no nosso mundo hoje. Os pregadores dizem: “Tenham fé em Jesus e vocês serão salvos!”. E todos dizem ter fé, sem nem saber o que é a verdadeira fé salvadora. Os pregadores dizem: “Todo aquele que crer será salvo!”. E todos dizem crer, porém sem ter a menor ideia do que significa crer para ser salvo. João havia pregado: “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus”. E todos diziam terem se arrependido, somente para não provarem do juízo que acompanhava a chegada do Reino do Senhor dos Exércitos. Sem a correta explicação do que todas essas palavras tão simples, mas tão decisivas, significam – “crer”, “fé”, “arrepender-se” – mais contribuiremos para condenação do que para salvação.

João poderia ter, simplesmente, fingido que não via a contradição na vida daquelas pessoas. Era uma MULTIDÃO procurando-o para ser batizada. Ele poderia dizer, como muitos dizem hoje: “Quem sou eu para dizer que o arrependimento deles não é verdadeiro? Se eles estão afirmando terem se arrependido e desejam ser batizados, então quem sou eu para não batizá-los?”. Mas não. João sabia qual era seu papel. O último profeta. E que se ele se omitisse em deixar suficientemente claro o significado de sua pregação, não completaria a sua missão de preparar o caminho para o Senhor Jesus. João foi levantado por Deus para preparar o caminho para a primeira vinda do Messias. Nós somos aqueles que Deus chama para preparar o caminho para Sua segunda vinda, que se aproxima, como nos tempos do Batista. E, como o Batista, não podemos comprometer nossa mensagem. Que ela esteja clara para nós – e que ela seja viva e real em nós. Que possamos examinar a nós mesmos para saber se temos experimentado o verdadeiro arrependimento e a verdadeira conversão. E, tendo provado a nós mesmos, que o Senhor nos capacite a ensinar a este mundo a verdade completa – ainda que seja uma palavra dura aos que a ouvem.

Aquela multidão que perguntou a João “Que havemos, pois, de fazer?”, e que não havia experimentado verdadeiro arrependimento, provavelmente não gostou muito das respostas que ele deu. Aquelas pessoas egoístas, provavelmente não gostaram de ouvir que precisavam tornar-se misericordiosas. Aqueles publicanos que usavam de seus postos para tirar mais dinheiro do que deviam dos outros, e enriquecer às suas custas, provavelmente não gostaram de ouvir que deveriam parar de cobrar o que não era devido. Aqueles soldados, acostumados a maltratar os outros por prazer, a usar de sua autoridade para humilhar aos outros e se beneficiar às custas dos outros, provavelmente não gostaram de ouvir que deveriam parar de maltratar, de fazer denúncias falsas e deveriam se contentar com seu salário. O que João fez foi mostrar-lhes que eles não queriam, de fato, abrir mão de seus pecados. Portanto, não havia neles arrependimento. E pregar isso é duro. Dizer a alguém que se ela não deixa suas práticas pecaminosas, então sua fé é vã, então ela não crê em Deus, e então ela não é Sua filha. Ela está se autoenganando. E então, ela não está preparada para receber o batismo de arrependimento. E então ela não está preparada para entrar para a família da fé. E não é fácil pregar isso. Mas é preciso.


Que o Senhor nos conceda coragem, mas também amor e sabedoria, para aprender como fazer isso, como ser os proclamadores das verdades completas do evangelho. Que não sejamos acusadores duros e implacáveis que se colocam como juízes e vivem para apontar o pecado alheio. Mas que não sejamos também medrosos e mais interessados em agradar ao homem do que a revelar-lhe os ensinos das Escrituras. Que o Espírito Santo nos ajude a encontrar o equilíbrio. E que nada do que façamos seja feito sem amor, pois “sem amor, nada disso me aproveitaria” (1 Coríntios 13.3b). Que Ele nos ajude a assim ser. Para Sua glória. Amém.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Quaresma - Dia 6: Submissão incondicional



“E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso.” (Lucas 2.51a)

É tão bonito ler como foi a vida humana de Jesus. Seus passos como menino, adolescente, e algumas coisas que revelam um pouco sobre como foi para o próprio Filho de Deus viver como um ser humano. Fico pensando em quando Jesus tornou-se consciente de Quem Ele era, de que Ele era Filho de Deus. Que coisa louca! A Bíblia nos mostra que Deus usou várias pessoas, desde o nascimento de Jesus, para confirmar a Maria e a José Quem Jesus era, Sua natureza divina. Porém, fico me perguntando se eles conversavam sobre isso com Jesus, ou se foi o próprio Deus quem ia revelando isso a Jesus, por meio de Seu Santo Espírito. Bem, o fato é que, segundo o texto de Lucas 2.41-52, aos doze anos, Jesus já sabia quem era. E podemos ver isso no verso 49, quando Ele diz aos seus pais: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?”.

Mais uma vez, ao lermos certos termos com os quais estamos acostumados, enquanto cristãos, como o fato de chamar Deus de “Pai”, não nos atentamos para o significado de alguns textos bíblicos. Ninguém chamava Deus de Pai entre o povo de Israel naquele período! As pessoas sequer podiam pronunciar o Nome de Deus, o Yaweh, o EU SOU. Deus era temido como um Deus distante, o Todo-Poderoso, o SENHOR, Aquele que revelava-se apenas aos Sacerdotes e Profetas. E, então, um menino de DOZE ANOS, no meio dos doutores do Templo (v.46), fala a seus pais que lhe cumpria estar na CASA DE SEU PAI. É provável que outras pessoas tenham ouvido o diálogo entre José, Maria e Jesus, porque o texto diz que “Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse...” (v.48), quando aconteceu o diálogo. Porém, é igualmente provável que ninguém tenha entendido o que Ele queria dizer, o que aquilo significava. Nem mesmo seus pais, que desde Seu nascimento ouviam revelações sobre Quem era aquele menino, compreenderam: “Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera” (v.50).

E, então, o texto continua dizendo que Jesus desceu com seus pais para Nazaré, “e era-lhes submisso” (v.51). E foi aqui que meu coração parou e fiquei a pensar em Jesus, aquele menino de 12 anos que interrogava e respondia aos doutores do Templo e causava admiração em todos que O ouviam. Ele sabia quem era. Jesus já sabia que Ele era o Filho de Deus, o próprio Deus. Ele já sabia que tinha uma missão a cumprir. Tendo sido criado na cultura judaica, e tendo pais que eram fiéis no cumprimento da Lei de Moisés, como vemos em todo este capítulo 2 de Lucas, Jesus certamente já conhecia as Escrituras e as promessas de que Deus enviaria o Messias, o Grande Salvador de Israel. E era Ele. Ele era grande. Não havia outro como Ele. Ele tinha essa consciência.

Enquanto isso, quem eram os seus pais? Pessoas humildes, um carpinteiro, uma mãe com muitos filhos, um homem e uma mulher ainda de uma cidade humilde e discriminada, e esta era a família de Jesus. Mesmo tendo recebido tantas revelações a respeito da Identidade e missão de Jesus, Seus pais ainda não haviam entendido. Havia passado 12 anos, Jesus, um adolescente, já havia entendido, e eles ainda não. E esses eram os seus pais. Essas eram as AUTORIDADES humanas que Deus havia estabelecido para cuidar, guiar, orientar aquele Jesus adolescente em sua caminhada.

Jesus, certamente, teria muitos motivos para olhar para seus pais e questionar a autoridade deles em sua vida, como pais. Eles tinham tantos defeitos. Eles não entendiam! Ele tinha uma missão grandiosa a cumprir, e eles estavam preocupados com o fato dele não ter voltado para casa junto com sua família. Jesus enxergava tão longe, e eles enxergavam tão pouco. Mas eram SEUS PAIS. E, ainda sabendo que o lugar da Sua Missão seria ali, na grande Jerusalém, Jesus voltou para a pequena e esquecida Nazaré com seus pais, para cumprir Seu tempo de espera. E viveu assim até os seus TRINTA anos. Que coisa linda ver que Ele entendia, e Ele VIVEU, a verdade a respeito da AUTORIDADE DADA POR DEUS a determinadas pessoas, escolhidas pelo próprio Deus, para sua vida. Lá na frente, Seus discípulos ensinariam a Igreja sobre submissão às autoridades estabelecidas, e já com 12 anos, Jesus dava testemunho de vida a respeito disso. Submissão INCONDICIONAL.

E olhei pra mim. Pensei em nós. Como é difícil viver isso. Quando aqueles que são autoridades em nossas vidas, líderes estabelecidos por Deus, não compreendem, quando estamos “lá na frente” e eles estão “lá atrás” e, por isso, acabam limitando o fluir de alguns de nossos planos e projetos. Quando Deus revela algo a nossos corações, mas nossos líderes não entendem e, então, nos seguram. Quando precisamos abrir mão de nossos sonhos, de nosso tempo, de nossa vontade por causa de uma autoridade que não entendia. Isso é tão duro! Isso é tão frustrante e revoltante! Não sei se Jesus chegou a ser tentado com a revolta que bate numa situação como essa – a vontade de desobedecer, de virar as coisas e ir embora, cuidar da sua própria vida, sozinho, sem ter mais que dar satisfações a ninguém, a não ser a Deus. Não sei. Mas em nossos corações, ah, como isso acontece! Às vezes é com nossos pais, às vezes é com nosso pastor, com um chefe no trabalho, etc. Vontade de fingir que não foi Deus quem os estabeleceu como autoridades sobre nossas vidas e declarar independência. Mas não foi o que Jesus fez. E se houve alguém neste mundo que poderia ter feito isso, que não precisava realmente de NINGUÉM, era Jesus. Ele era DEUS. Mas não foi o que Ele fez. Ele se submeteu.

Sim, é óbvio que a submissão de Jesus, ainda que INCONDICIONAL – não dependia de quem eram as pessoas que haviam recebido autoridade sobre sua vida, de quais qualidades elas tinham - , não era uma submissão cega. Houve momentos em que Jesus contrariou as expectativas de seus pais. Sua permanência em Jerusalém, sem a permissão de seus pais, foi um desses momentos. Quando Maria, nas bodas de Caná da Galiléia, vai reclamar com Jesus que o vinho havia acabado, pedindo-lhe para fazer algo, Jesus diz a ela que o Seu tempo ainda não havia chegado (João 2.3,4). Quando Maria e os irmãos de Jesus chegam à casa onde Jesus ensinava ao povo, sem conseguir entrar, e mandam chama-Lo, Jesus não para seu ensino para ir falar com eles, Ele explica que mais importante que sua mãe e seus irmãos terrenos era cumprir a Sua missão, e permanece ensinando (Mateus 12.46-50). Então, sim, houve momentos em que Jesus precisou contrariar as expectativas de seus pais. Porém, a Bíblia nos diz que Ele era-lhes submisso. Poderíamos ler “(tanto quanto possível) era-lhes submisso”. Esse era o seu esforço. Essa era sua dedicação. Honrar os Seus pais, sendo-lhes submisso.

E esse é um grande ensino para nós. Ainda que afirmemos que somos submissos, estamos sempre esperando a menor desculpa para acessar a pasta das “exceções” e deixar de seguir as orientações de nossos pais, ou outras autoridades, quando suas opiniões divergem das nossas. Queremos que nossa vontade seja feita e, então, se temos convicção de ser aquela uma revelação de Deus para nossas vidas, deixamos a submissão de lado. E tentamos tornar esse “tanto quanto for possível” o mais limitado possível, e o “quando não houver outro jeito”, o mais amplo possível. Não é fácil ser submisso quando a vontade de nossos líderes diverge da nossa. Quando o entendimento deles não acompanha o nosso. Até mesmo quando eles não conseguem enxergar a vontade de Deus da forma como nós enxergamos. Dói muito ter que abrir mão de algumas convicções para obedecer. Mas Jesus nos deu o exemplo. E se Ele, sendo DEUS, sabendo tudo o que aconteceria lá na frente, tendo certeza de que aquela era Sua missão, soube obedecer o tempo de “abrir mão e submeter-se”, quem somos nós para não fazê-lo?


Que o Espírito Santo nos ensine. Que possamos crescer “em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”, assim como acontecia com Jesus (v.52), para compreendermos esse tempo de “abrir mão e submeter-se” também em nossas vidas, e para termos a confiança, a fé, a força necessárias para viver a submissão ensinada e cobrada por Deus, tanto quanto nos for possível. E que, assim, honrando os líderes que Deus colocou sobre nossas vidas, possamos honrar Àquele que os escolheu, e mostrar a este mundo que mais importante do que cumprir as nossas vontades, nos é viver em obediência e louvor a nosso Pai, que está nos céus. Que Ele nos ajude a ser boas testemunhas. Para Sua glória. Amém.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Quaresma - Dia 5: Como Simeão...


O vídeo devocional de hoje pulou do texto acerca da revelação do nascimento de Jesus aos pastores, em Lucas 2, para o texto sobre a pregação de João Batista, em Lucas 3. Porém, li o texto de Lucas 2.25-32 – “O Cântico de Simeão” – e não poderia deixar de falar sobre ele.

Simeão. Que grande homem! O que surge em meu coração ao ler sobre este homem de fé é um profundo desejo de ser como ele. Quantas qualidades de um verdadeiro filho de Deus este homem tinha: “homem justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele” (v.25). Que vida bonita ele parece ter tido. Justiça e piedade são duas virtudes tão belas. E cheio do Espírito Santo. E sensível ao Espírito Santo, pois foi por crer na revelação do Espírito que ele esperava o dia de conhecer o Salvador de Israel (v.26), e foi movido pelo Espírito que ele foi ao templo, onde encontraria o menino Jesus (v.27). Homem de fé. Recebeu uma promessa de Deus e perseverou em esperar por ela, vivendo uma vida agradável ao Seu Senhor enquanto o fazia.

Porém, o que mais impacta minha vida na vida de Simeão é o seu cântico (v.29-32). Tendo encontrado Jesus, e tomando-o em seus braços, Simeão louva a Deus, dizendo:

Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra;
porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos:
luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel

Que palavras esplêndidas! Palavras de um homem que entendeu a coisa mais importante desta vida: Cristo é nosso maior tesouro! Simeão entendeu. “Podes levar-me agora, Senhor, pois já recebi o maior tesouro que esta vida poderia me dar. Estou pronto!”. Aleluia! E é, especialmente, nisto que eu gostaria de ser como Simeão. Espero chegar lá. Esse estágio tal de minha vida em que meu coração, minha alma, minha mente tenham, finalmente, compreendido que minha vida já contemplou o que de mais precioso e perfeito ela poderia contemplar: o Messias, Salvador, me alcançou e resgatou! Eu O conheci! Ah, alma minha, que maior tesouro poderias querer do que este?

Quanto de nossas vidas nós gastamos desejando e correndo atrás de felicidade. Achamos que vamos encontra-la em um casamento, em um trabalho, em filhos, em um determinado sonho... achamos que nosso melhor tesouro ainda está por vir. Procuramos em tantos lugares, de tantas formas, pelo tesouro que irá saciar nossa alma, quando ele já nos foi dado e podemos ergue-lo com as nossas mãos, como Simeão fez! Por que demoramos tanto para entender isso? Luz que alcançou a nós, gentios, e glória prometida a nós, que fomos chamados a fazer parte do Israel de Deus! O que poderia haver de mais maravilhoso nesse mundo?

E a minha oração é que o Espírito Santo de Deus nos ajude a ver. Que Ele nos encha de tal forma, que nossa vida ande tão próxima da voz do Espírito, que nossos olhos possam ser abertos e, finalmente, possamos perceber, como Simeão percebeu, o inefável valor que há em contemplar o Salvador do mundo e fazer parte da Sua Salvação! E que a alegria desta revelação seja tão grande em nós a ponto de levar-nos, verdadeiramente, a dizer como Simeão: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo [...] porque os meus olhos já viram a tua salvação”! Ele é o nosso melhor! Que assim seja. Amém e Amém.


Quaresma - Dia 4: Quando Deus fala



“E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo.” (Lucas 2.9-10)

Nosso texto de reflexão de hoje está em Lucas 2, versos 8 a 20, mas foram os versos 9 e 10 que começaram a despertar minha reflexão. Aqueles homens estavam recebendo A GRANDE BOA-NOVA, mas sua primeira reação foi ficar “tomados de grande temor”. A versão King James diz que eles “ficaram apavorados”. E isso me pegou de jeito. Quantas vezes, em nossas vidas, também não é assim? Deus vem falar conosco, vem nos trazer Suas boas-notícias grandiosas, mas, à primeira vista, o que fazemos é nos apavorar. Ficamos cheios de medo.

Fico imaginando como foi para aqueles pastores ver aquela cena: “um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles”. E ainda era de noite! Estavam eles ali, na vida pacata de tomar conta de suas ovelhas, durante a noite, e, de repente, simplesmente aparece um anjo e A GLÓRIA DO SENHOR brilha ao redor deles? Como assim? Eu, provavelmente, teria me apavorado também! Sei lá, somos tão pequenos diante da grandeza de Deus, que presenciar Sua revelação pode parecer motivo para nos enchermos de medo mesmo. Porém, basta uma segunda olhada para percebermos que não há porque temer.

Lembro do texto que fala de quando os discípulos estavam em alto mar, numa certa noite em que Jesus havia ficado para trás para orar, e de repente Jesus vem encontra-los, andando sobre as águas. E eles ficam apavorados, exatamente como nossos pastores, pois pensavam que era um fantasma. E eles eram os discípulos que andavam com Jesus! Porém, passado pouco tempo, eles olham de novo e percebem que eram o Seu Mestre, e percebem que estavam presenciando uma revelação preciosa de Deus.

Às vezes, receber as revelações de Deus, contempla-Lo, ser por Ele visitado em nossos dias pacatos, é algo que pode gerar medo em nós. Ele é tão grande – e nós somos tão pequenos! Seus sonhos são tão grandes, para pessoas tão pouco capazes como nós! Como poderia ser que Ele estivesse se revelando a mim? Poderia ser que o Deus de Israel quisesse se revelar ali, no meio do nada, a simples pastores que cuidavam de suas ovelhas? Seria mesmo Ele? E, então, tememos. Porém, o que precisamos é apenas dar mais uma olhada – e lembrar que esse Grandioso Deus é tão bom, tão cheio de graça e de misericórdia que Ele ESCOLHE amar e se revelar a seres humanos como nós. Não precisamos temer! Que coisa linda o que os anjos disseram aos pastores: “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria”! É uma boa notícia o que Ele tem para nós – que trará grande alegria para todo o povo. Aleluia!

E o anjo continua: “é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada numa manjedoura” (v. 11 e 12). E, para nós que já conhecemos a história, pode parecer algo muito simples ouvir isso. Porém, nos coloquemos no lugar daqueles pastores. Todo israelita era ensinado sobre a promessa que Deus fizera do Salvador de Israel, o Messias. Foram séculos e séculos, geração após geração aguardando aquela promessa se cumprir. É como hoje aguardamos o retorno do nosso Cristo. Porém, segundo os teólogos cristãos costumam ensinar, o Messias que os judeus esperavam era o Messias Rei, Poderoso, Revolucionário-Salvador. Então, o anjo diz àqueles pastores que “o sinal” de que o Messias havia chegado era “uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura”. Fico pensando em como isso soou àqueles pastores. Como assim? Numa manjedoura? Ali, naquele fim de mundo, uma criança deitada no local onde os animais comem? Esse era o Messias tão esperado? Será que essa mensagem não pareceu tão louca aos ouvidos daqueles homens, tão contrária às suas próprias expectativas e crenças?

No entanto, eles creram. Contra tudo que eles poderiam ter aprendido e esperado durante toda a sua vida, aqueles pastores creram. E acredito que eles creram porque quando a voz de Deus soa, não há como não reconhece-la. Ela é inconfundível. Aquele anjo, o brilho da glória do Senhor, a multidão de anjos glorificando a Deus... era o Deus de Israel que estava falando! Não sei quanto tempo eles levaram pensando em tudo aquilo, para então crer. Mas, no fim, eles sabiam. E acredito que é assim com a gente também. Tantas vezes, Deus nos fala coisas que nos parecem tão loucas, tão contrárias a tudo o que esperávamos ouvir, tão sem sentido, tão diferente do que achamos saber... e elas até podem gerar dúvida e medo em nossos corações por um tempo, porém, no fim, nós sabemos quando é a voz do nosso Pastor. Suas ovelhas conhecem a Sua voz. Ela é inconfundível. E é isso que nos leva a crer. É nosso Pai falando, podemos confiar.

E, por fim, aqueles homem não pararam simplesmente no “crer”. O crer exige uma resposta. “E, ausentando-se deles os anjos para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. Foram apressadamente e acharam Maria e José e a criança deitada na manjedoura” (v. 15 e 16). Eles agiram conforme a sua fé. Eles foram atrás da promessa feita por Deus. E é o que nós também precisamos fazer. Não apenas acreditar nas promessas que Deus tem nos feito, mas nos mover em direção a elas. Às vezes, esse movimento acontece em nossas mentes e corações – mudanças internas que Deus deseja gerar em nós, em nossos sentimentos, em nossas motivações, em nossas fontes de segurança, em nosso caráter, no mais íntimo de nós. Passos que não necessariamente nos levarão a mudanças físicas, geográficas, palpáveis. Porém, algumas vezes, o movimento que precisamos fazer é mesmo com nossos pés – para longe de algo, para outro lugar, para uma nova missão, para o lugar que Ele nos mostrará. Contudo, em qualquer que seja a situação, quando nosso Senhor falar conosco e nos revelar Seus planos, caminhos, sonhos, precisamos CRER e também IR. Partir na direção do que nosso Pai falar. E, então, há de cumprir-se em nós o que se cumpriu nas vidas daqueles pastores: “Voltaram, então, os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado” (v.20). Que assim seja também em nossas vidas. Para a glória de nosso Deus fiel, eternamente. Amém.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Quaresma - Dia 3: Superando a tradição

[Breve comentário: hoje eu tive problema com minha internet, o que me impossibilitou de assistir ao vídeo devocional. Porém, continuei a leitura do Evangelho de Lucas mesmo assim, e escrevi a reflexão do dia a partir de meu tempo de leitura. Mas, agora que minha internet voltou e eu pude assistir ao vídeo, percebi que os temas divergem entre si. Então, postarei o texto que já havia escrito para o terceiro dia e, amanhã (que já é hoje! rs) publico o terceiro vídeo e a reflexão a respeito dele (que já começou a brotar no coração.. ^^ Então, vamos lá!]



“Sucedeu que, no oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. [....] Então, pedindo ele uma tabuinha, escreveu: João é o seu nome. E todos se admiraram.” (Lucas 1.59,63)

Em todo o Antigo Testamento, podemos observar que os nomes, na cultura judaica, não eram dados aleatoriamente – eles tinham um significado. Em geral, o significado do nome tinha a ver com a identidade ou o propósito para a vida da pessoa que o recebia. E, na nossa cultura em que nomes não significam nada, talvez não percebamos a importância disso. Duas das grandes crises do ser humano são as de identidade (Quem sou eu?) e propósito (Para que vim ao mundo?). E quando era Deus quem escolhia o nome de alguém e o revelava aos seus pais, boa parte dessa crise já podia ser superada.

Então, me intrigou esse trecho do evangelho de Lucas em que, oito dias após o nascimento de João Batista, os vizinhos e parentes de Zacarias e Isabel participam da escolha de seu nome. E a conclusão imediata deles foi que seu nome deveria ser Zacarias – como o de seu pai. E, quando a mãe do menino discorda e diz que seu nome seria João, eles não aceitam. Contestam: mas não há ninguém em tua parentela com esse nome! (v.61) A pergunta deles era: “por que alguém daria a um filho um nome que não existe entre a sua parentela?”. E aquilo realmente os chocou. Tanto que ignoraram Isabel e foram perguntar ao pai. E, quando Zacarias confirmou a resposta de Isabel, “todos se admiraram” (v.63).

E foi isso que me fez parar. Por que a questão do nome do menino gerou tanta agitação entre o povo? E a resposta que me veio foi: a escolha do nome havia deixado de ter seu foco no propósito de vida ou identidade que Deus queria revelar para cada pessoa, e tornou-se tradição. Era com base nos “nomes que existem entre sua parentela” que se escolhiam os nomes. Meu pai chamava-se assim, então também me chamarei. Meus parentes chamavam-se assim, então é assim que também devo me chamar. Meras repetições. Meras tradições sem sentido, sem reflexão, vazias.

E isso me fez pensar em muitas coisas. Quantas vezes nossa identidade não está sendo construída assim, com base em tradições que são apenas repetições? E eu falo de identidade pessoal, mas também de nossa identidade cristã. Quantas vezes nossa fé tem se tornado apenas repetição da fé de nossos pais ou de nossos “irmãos na fé” – nosso pastor, nosso discipulador, nosso líder? Quantas vezes sequer paramos para refletir sobre qual o chamado particular que Deus tem para nossas vidas, e apenas tomamos para nós os modelos empacotados que todos estão acostumados a ensinar e a seguir? Deus deixa de ser nossa fonte de respostas, e passamos a procura-las e encontra-las nos homens. Na tradição. Na religião. E quão perigoso isso é!

João não era seu pai! João não era seus parentes! João era alguém único. E Deus tinha um chamado especial para sua vida. Talvez tenha havido estranhamento e dúvidas no coração de Zacarias (que passou todo o período de gestação de sua esposa mudo!) em relação a essa mudança na tradição de nomes que sua família e de sua esposa estavam acostumados a seguir. Talvez. Mas Zacarias pôde ver e comprovar, durante as tantas experiências que vivenciou em relação a seu filho – desde as palavras do anjo até o encontro entre Isabel e Maria e a revelação pelo Espírito de que o filho de Maria era o Salvador esperado – que havia um propósito diferente para seu filho. O comentário de minha Bíblia, nesse texto, diz que Zacarias significava “Deus lembra-se de Sua aliança”, Isabel significava “Deus é fiel” – basicamente o mesmo significado. Mas João significava “Deus é misericordioso”. Era a resposta para a promessa que havia nos nomes de seus pais. Deus manifestando Sua misericórdia para com a terra. E João faria parte dessa manifestação. E seus pais entenderam. E, ainda que aquilo ferisse a tradição, ainda que chocasse as pessoas ao redor, eles haviam entendido: aquele nome trazia consigo propósito e identidade para aquele menino.

Que nós possamos estar sensíveis à voz de Deus em nossa busca por respostas. Que não sejam as vozes humanas, os raciocínios humanos, os confortos das tradições humanas, o engessamento dos modelos criados por nós mesmos – por mais bem intencionadas que todas essas coisas possam vir a ser – que sejam nossas fontes de resposta. Que consigamos ir além. Superar as tradições – aquelas que são apenas tradições. Que paremos para refletir sobre nosso propósito e identidade. Para que Deus me criou? Quem sou eu? O que Ele quer fazer em e através da minha vida? E que não sejamos somente imitadores de outros – por melhores que estes outros possam ser. Que descubramos nossos próprios caminhos, em Deus, guiados pelo Seu Espírito Santo e que, como Zacarias e Isabel, tenhamos a fé e a coragem suficientes para quebrar paradigmas, chocar a opinião pública, divergir dos demais, caso seja esse o caminho revelado pelo Pai a nós.

Termino com um trecho de uma música do Padre Zezinho da qual gosto muito e que se chama “Canção Religiosa”, e diz:

“Que a minha fé seja maior que a minha religião
Que a minha religião seja maior que as minhas crenças
Que eu saiba ser irmão de um jeito consequente
Que eu saiba crer em Deus de um jeito inteligente
Que o meu amor seja bem mais que simples afeição
Que eu saiba ir além, bem mais além do sentimento
Que eu saiba Te buscar de um jeito consciente
Nadar sem me afogar nas águas do meu tempo
Sem medo de viver, com medo de matar
Sem medo de morrer, com medo de odiar
Pessoa de alma boa e fé inteligente
Que viva de perguntas e respostas
Mas sabe conviver...”

Uma fé autêntica. Uma vida autêntica. Uma resposta autêntica. De Deus, para nós. Além, muito além das tradições. E que Seu Santo Espírito nos ajude. Amém.