segunda-feira, 7 de março de 2016

Quaresma – Dia 24 – Nossa fonte de alegria



“Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lucas 10.20)

Lá estavam os setenta discípulos enviados por Jesus para a missão de precedê-Lo em cada cidade e lugar para onde Jesus estava para ir (v.1), cheios de alegria porque os próprios demônios se submetiam a eles por causa do Nome de Jesus (v.17). Aqueles homem haviam experimentado aquele sobrenatural que só é possível viver quando estamos na missão de Deus e com Deus, vendo-O fazer o impossível acontecer. Esse tipo de experiência que eu sonho tanto em poder viver mais na minha vida. Por isso eu posso imaginar a alegria daqueles homens. Me coloco no lugar deles, olhando para mim mesma e vendo alguém tão pequena, com uma fé tão pequena, com tantos pecados, e Deus, de repente, fazendo coisas grandiosas acontecerem por meio da minha vida, coisas inimagináveis para mim, mas feitas no Nome de Jesus. Eu entendo perfeitamente o entusiasmo, a euforia desses homens chegando com o Mestre e dizendo (como se isso fosse algo incrível também para Jesus): “Mestre, os demônios obedeciam às nossas ordens!”. Mas aí Jesus responde: “alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus" (v.20). E parece que foi um balde de água fria. Eles estavam tão eufóricos! E Jesus vem com uma dessa. Como assim?

Mas o que me chamou a atenção é que, antes de falar disso, Jesus não condenou simplesmente a alegria que os discípulos sentiam. Eles estavam maravilhados por verem o sobrenatural de Deus acontecendo em suas vidas. E Jesus se aproxima deles nessa alegria, compartilhando do sentimento deles e dizendo: “Eu vi coisas maravilhosas acontecerem desde o princípio da criação. Eu vi quando Satanás, que era anjo, tornou-se traidor e foi expulso do céu. E vocês também verão coisas extraordinárias acontecerem. Vocês pisarão cobras e escorpiões e não sofrerão nada, porque Eu tenho compartilhado minha autoridade com vocês – sobre essas coisas e sobre todo o poder do inimigo. Contudo...” (v.18-19). E é quando chega o nosso versículo chave: “Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus". O que Jesus estava dizendo era: Vocês ainda verão coisas maravilhosas demais para seus olhos acontecendo, pelo poder do meu Nome, que concedo a vocês, meus discípulos, porém, não é nestas coisas que deve estar a vossa alegria.

E é o que Jesus precisa falar para cada um de nós tantas e tantas vezes. Passamos a vida toda esperando alguma coisa extraordinária acontecer em nossas vidas para sermos alegres. Estamos sempre aguardando algo de Deus: um agir sobrenatural, uma manifestação, uma graça específica, uma resposta de oração, um casamento, um ministério, um dom, etc, etc, etc. Como se só fôssemos ser realmente alegres, completos, quando estas coisas acontecessem. E Jesus não condena isso. Jesus não condenou a alegria proveniente da experiência sobrenatural que os discípulos viveram. Ele, inclusive, disse que eles poderiam e deveriam esperar que estas coisas lhes acontecessem, porque Ele mesmo partilhava com eles da Sua autoridade. E Jesus não condena nossas alegrias provenientes de outras fontes: de um ministério, de um casamento, de uma conquista, de ter filhos, de realizar um sonho, de ter uma experiência sobrenatural com Ele... não! Ele, inclusive, fala a nós: “Você pode esperar que essas alegrias lhe sejam acrescentadas na vida, meu servo, porque Eu cuido de você!”. Mas, existe um “Contudo”, e ele é muito importante. Contudo, estas coisas, que nos são acrescentadas em nosso caminhar com Deus, não podem nem devem ser nossas fontes primárias de alegria. Não podemos ser dependentes delas para estarmos alegres.

Qual deve ser nossa fonte de alegria, então? Jesus disse: “mas porque seus nomes estão escritos nos céus". Não pelo que Ele FARÁ nas nossas vidas. Mas pelo que Ele JÁ FEZ. Essa deve ser nossa fonte primária de alegria. DEUS JÁ FEZ O MAIOR MILAGRE DE TODOS EM MINHA VIDA. Ele escreveu meu nome no Livro da Vida. Oh, glorioso Deus! Que coisa nessa vida pode se comparar a isso? Um casamento? Um ministério? Uma conquista? Filhos? Um sonho? Que coisa neste mundo ou no porvir poderia se comparar ao fato de que eu, um pecador, fui feito FILHO de DEUS, e meu nome foi escrito no Livro DELE – e nada poderá apaga-Lo de lá? Nada. Não há alegria que este mundo possa nos oferecer que assemelhe-se a isso. Mas nós não entendemos – porque ainda somos feitos da matéria desse mundo. Ainda não conhecemos a matéria do mundo de lá. Os tesouros do mundo do nosso Pai ainda nos são mistério. Apenas os imaginamos. Mas não os conhecemos. Por isso, não conseguimos imaginar a dimensão do seu valor. Enquanto isso, os tesouros deste mundo aqui são feitos da mesma matéria que hoje nós somos feitos, nós conseguimos mensurar o valor que eles tem – e por isso os desejamos. Contudo, basta parar para olhar para esse Eterno, Santo, Poderoso, Cheio de Graça, Soberano, Maravilhoso, Perfeito Deus que se fez nosso Pai para compreendermos que nada neste mundo jamais se assemelhará a Ele. Portanto, Seus tesouros eternos, uma VIDA AO SEU LADO – agora e por toda a eternidade – jamais se comparará com nenhum dos tesouros que conhecemos nesta vida. É incomparável. Incomparavelmente melhor.


Assim, nós momentos em que a figueira não florescer, a videira não der o seu fruto, a safra das azeitonas falhar, as lavouras não produzirem alimento, não houver ovelhas no curral nem bois nos estábulos... nós podemos falar como Habacuque: “ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação.” (Hc. 3.17-18). Porque, ainda que todas as conquistas que temos nesta vida nos tragam alegria – e uma alegria tão grande, um entusiasmo, uma euforia tão intensos – quando elas falharem, quando elas não vierem, quando não houver tesouro nenhum em nossas mãos, há uma conquista, um tesouro que ninguém pode nos roubar. Há uma alegria que nunca falhará. Há uma segurança e um descanso eternos, que garantem FELICIDADE às nossas almas, mesmo quando mais nada nos sobrar: O DEUS DA NOSSA SALVAÇÃO. NEle, estamos ETERNAMENTE seguros – porque Ele mesmo escreveu nosso nome em Seu Livro de Vida. E nada nos poderá tirar essa alegria. Nossa verdadeira fonte de alegria. E que ela seja, de verdade. A alegria que nunca cessará. E que nada nos faça esquecer. E que não haja, em nossos corações, tesouro mais desejável do que este. Nossa perfeita fonte de alegria. Assim seja. Amém.

domingo, 6 de março de 2016

Quaresma – Dia 23 – Para onde quer que for?



“Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores” (Lucas 9.57)

E quantos de nós temos dito isso, não é? Mas nós realmente estamos dispostos a seguir o Cristo AONDE QUER QUE ELE FOR?

E se Ele nos disser: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça" (v.58), nós ainda iremos? Se Ele nos disser: “Sabe aquele sonho da casa própria, do carro próprio, das raízes estabelecidas em algum lugar? Não será possível para você. Porque sua casa será o mundo todo, você não estabelecerá raízes, pois te levarei para os mais diversos lugares, e os bens materiais deste mundo nunca serão realmente seus!”, nós ainda iremos com Ele?

E se Ele nos disser: “Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos; você, porém, vá e proclame o Reino de Deus" (v.60)? E se não tivermos a oportunidade de estar por perto quando nossos pais morrerem para os sepultar, pelo motivo de estarmos em algum lugar deste mundo, proclamando o Reino de Deus? E se o preço a ser pago for viver os melhores e piores momentos longe de nossa própria família? Nós ainda O seguiremos?

E se Ele nos disser: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (v.62), quando pedirmos para ir primeiro nos despedir de nossa família, antes de partirmos para segui-Lo? E se for preciso largar o barco de nossa família, como Pedro, Tiago, João fizeram, deixando para trás pai e mãe, irmãos e irmãs, para seguir a Cristo? E se esse convite for para o resto da vida? Nós ainda iríamos após Ele?

E se Ele nos dissesse que segui-Lo resultaria no permanecer solteiras pelo resto da vida – nunca viver o sonho do casamento, da maternidade biológica, da sua própria família? E se resultasse em nunca ser lembrado, por ter vivido em um local tão isolado que ninguém nunca saberia de seus feitos? E se resultasse em nunca ser reconhecido por ninguém mais além de Deus? Nós ainda O seguiríamos?

Seguir a Jesus é sério. É uma decisão que envolve toda a nossa vida. Não há entrega pela metade – ou é tudo ou é nada. Ele não nos quer pela metade. E, quando entregamos, Ele faz o que quiser. E é assim para ser. Tornar-nos discípulos dEle envolve estar dispostos a pagar o preço – tal qual Ele pagou. Porém, a parte bonita dessa história é que os caminhos dEle sempre serão bons, agradáveis e perfeitos. Mesmo que eles façam nossos pés doerem. Mesmo que eles tragam lágrimas. Mesmo que eles não correspondam às expectativas de vida que tínhamos. Ainda assim. Ainda que tudo saia diferente do que planejávamos – Sua vontade continua sendo boa, agradável e perfeita. E será assim para nossas vidas. Nosso lugar de descanso, alegria e paz. Porque o motivo para a felicidade de nossa alma é ELE. Ele. Onde Ele estiver, ali estará o gozo de nossas vidas. E, se Ele não estiver, ainda que todos os planos e expectativas de nossas vidas tenham se cumprido, nada terá verdadeiro sentido. Porque TUDO, sem Ele, é nada. É vazio. É morto. Ele é a vida. Jesus. Assim, se estivermos com Ele, nós teremos vida – e VIDA EM ABUNDÂNCIA.

E, além de todas as coisas, esse Deus revela-se Pai. Ele cuida de nós. Ele promete que, ainda que uma mãe se esquecesse do filho que amamenta, Ele não se esqueceria de nós. Que, se nós que somos maus, sabemos dar boas coisas a nossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará boas coisas aos que pedirem. Ele não se esquece de nós. Ele não abandona os Seus. Isso é impossível de acontecer. Contudo, não podemos nos esquecer que segui-Lo exigirá um preço. Que os caminhos trilhados por Jesus não foram cheios de rosas. Que os caminhos trilhados por nossos pais na fé, pelos discípulos, pelos apóstolos, pela Igreja Primitiva não foram cheios de rosas. Foram cheios de pedras. Foram duros. E que, muitas e muitas vezes, estes que escolheram seguir o Messias antes, tiveram que pagar estes preços citados por Jesus nesse texto – e muitos outros ainda piores. Segui-Lo exige entrega TOTAL. Custe o que custar. Mas, ainda que nos custe TUDO o que temos neste mundo, podemos ter a certeza, a segurança, de que coisas infinitamente melhores nos estarão reservadas – nesta vida e na por vir.


Ele é nosso maior tesouro. Jesus. E que nossos corações nunca esqueçam disso. E que seja assim para sempre. Amém.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Quaresma – Dia 22: É o discípulo maior que o seu Mestre?



“É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite” (Lucas 9.22)

É necessário. Sofrimento. Rejeição. Morte. Era NECESSÁRIO. Esse era o caminho do Messias. E Jesus estava falando a respeito de si mesmo.

Todos nós queremos a ressurreição. Todos queremos a glória do Messias – ser como Ele é em todo o Seu resplendor e glória, na eternidade de gozo e paz que teremos ao lado do Salvador, que será Rei sobre toda a terra. Ah, todos queremos. Queremos a coroa. Queremos os joelhos dobrados. Queremos ser reconhecidos. Queremos a ressurreição. Mas queremos a MORTE que a antecede? Queremos o sofrimento e a rejeição? Queremos a coroa de espinhos tanto quanto a de ouro? Queremos o abandono tanto quanto a morada celestial? Queremos o peso de uma cruz tanto quanto a ascensão ao céu? Porque, para que o Mestre chegasse ao Seu ponto de glorificação – a ressurreição, primeiro lhe foi necessário sofrer muitas coisas, ser rejeitado por todos os líderes de sua religião e, finalmente, ser morto. Foi-lhe NECESSÁRIO. Acaso é o discípulo maior do que o seu Mestre?

A vida cristã consiste em seguir os passos de Jesus. Isso é ser discípulos. E quando somos chamados para ser como o Cristo, não é apenas no amor, na alegria e no bem para com todos. É também na maneira que reagimos quando somos injustiçados, quando somos abandonados pelos que se juravam nossos melhores amigos, quando somos rejeitados e humilhados, quando sofremos nossas piores dores e nossos amigos dormem ou fogem, quando nos sentimos tão sós a ponto de sentir que o próprio Pai nos abandonou... a forma como carregamos a nossa cruz – ainda estando machucados, ensanguentados, doloridos, cheios de chagas. Isso é ser Cristão. Ser como Cristo em TODAS AS COISAS.

E é exatamente o que Jesus continua falando após esse versículo:

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (v.23)

O caminho para seguir Jesus é de negação. Negar a si mesmo. Não existe outro caminho. A Bíblia Viva diz: “Aquele que quiser Me seguir, deve pôr de lado seus próprios desejos e carregar sua cruz cada dia”. E quando Jesus diz: “tome a sua cruz, dia a dia, e siga-me”, esse convite para seguir Jesus, após tomar a sua cruz, era pra onde? Era para o Gólgota. Seguir Jesus até o monte em que a crucificação ocorreria. Tomar a cruz é aceitar morrer. Dar sua vida. Abrir mão. Entregar tudo. Estar disposto a carregar o fardo e o peso da cruz. A sentir dor. A sentir-se solitário, muitas vezes. A sentir-se humilhado e desprezado. Até mesmo abandonado pelo Pai. Foi assim quando Jesus tomou a Sua cruz. Esse foi Seu caminho de cruz. E é o de todo aquele que resolve tomar cruz também. Compreender que haverá morte. Mas fazer como Abraão – só que o sacrifício, ao invés de ser de seu filho, seria de si mesmo.

Por quê? Porque a lógica de Deus não é a nossa lógica. “Pois quem quiser salvar a sua vida perde-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará” (v.24). Porque, na lógica de Deus, ganha quem perde. Vive quem morre. É o primeiro quem é o último. É o maior quem é o menor. É exaltado quem se humilha. Bem-aventurado é o que chora, o que tem fome e sede, o que é perseguido. Essa é a lógica de Deus. Totalmente oposta à nossa. E se realmente desejamos nos tornar mais parecidos com Jesus, são essas coisas que precisamos começar a ver em nossas vidas. Se o que estamos vivendo se parece com o que Jesus viveu – e se estamos aprendendo a reagir como Ele reagiu. A olhar como Ele olhou. A valorizar as coisas que Ele valoriza.

Esse é o caminho que somos chamados a percorrer. Um caminho que pode parecer tão duro e cinza, às vezes. Mas, lembremos, que é o mesmo caminho que o nosso Mestre trilhou. O mesmo caminho que O conduziu à vida plena e eterna. À verdadeira glória. Portanto, um caminho que terminará em muito, muito gozo, paz e felicidade. Podemos confiar. Não é o discípulo maior do que o seu Mestre. Aquele que partilhar da morte de Cristo, também partilhará de Sua ressurreição. Essa é a promessa que nos foi feita. Mas não há ressurreição sem morte. Portanto, que a morte venha. Que venham os caminhos duros. Porque, no fim, alcançaremos a glória de toda nossa existência – ser como o nosso Mestre.

E eu termino com uma música que amo demais e que fala exatamente sobre isso. Espinhos, Grupo Logos. E que o Nome de Jesus cresça – e o nosso diminua. Toda honra e glória a Ele. Amém.




Senhor Jesus, eu não entendo o espinho
Mas se a cruz é o fim deste caminho
Dá-me mais graça, não sou maior que o meu Senhor
Apenas servo sou, apenas servo e nada mais.

Se as pontas aguçadas da coroa Te feriram, ó Cabeça
Eu que sou corpo, parte do Teu corpo, não devo reclamar.

Dá-me mais graça, Senhor! Dá-me mais graça!
Passa os Teus dedos nos meus olhos, vem me consolar
Dá-me mais graça, Senhor! Dá-me mais graça!
Faze-me em Cristo, outra vez
Ser mais que vencedor

Senhor Jesus, ainda não entendo o espinho
Mas se o mesmo faz parte da Tua cruz
Eu o aceito, não sou maior que o meu Senhor
Apenas servo sou, apenas servo e nada mais.

Senhor, se estou por Ti sendo provado quero aprovado ser agora
Sei o que tens a dizer, e creio nisto também, basta-me a graça.

Dá-me mais graça, Senhor! Dá-me mais graça!
Passa os Teus dedos nos meus olhos, vem me consolar
Dá-me mais graça, Senhor! Dá-me mais graça!
Faze-me em Cristo, outra vez
Ser mais que vencedor

Um vencedor em Cristo

quinta-feira, 3 de março de 2016

Quaresma – Dia 21 – Chamados para ser resposta


“Ele, porém, lhes disse: Dai-lhes vós mesmos de comer.” (Lucas 9.13a)

Ano passado, eu participei de uma conferência em Manaus, chamada Oxigênio, e lembro que uma das principais frases que me marcaram naquela conferência foi: “Esse problema que você está vendo, esse descontentamento que arde em você... talvez seja um chamado de Deus para você ser parte da resposta”. Isso realmente me marcou. Porque eu fui praquela conferência com tantas crises, vivenciando tantos problemas na minha vida cristã, enxergando tantos problemas nessa coisa de ser igreja e tudo, e todas essas coisas estavam minando minha vida espiritual, me tornando amarga, triste, desesperançosa. E quando ouvi aquela frase, ela foi para mim. Esses problemas todos que eu estava enxergando, essas coisas fora do lugar, sem solução, que estavam ardendo no meu coração... talvez fosse o próprio Deus que os estava colocando na minha vida – e talvez Ele estivesse querendo me chamar para ser a resposta que eles precisavam. Porém, não entendendo a voz de Deus, ao invés de me tornar resposta, eu estava me tornando reforço – reclamando, murmurando, julgando, condenando. E ao invés de ajudar a diminuir o problema, eu só o estava aumentando.

E quando eu li esse trecho de Lucas, me lembrei dessa frase. Nesse contexto, Jesus estava com seus apóstolos, falando a uma multidão a respeito do Reino de Deus, havia horas. O dia já estava chegando ao fim, e lá estava Jesus, os apóstolos e a multidão. Sendo que, já no fim do dia, os discípulos se aproximam de Jesus para pedir a Ele que mande aquela multidão embora, para voltar às aldeias e campos vizinhos, a fim de encontrarem abrigo e alimento, pois aquele lugar em que estavam era deserto (v.12). Uma boa ideia, não é? Os discípulos estavam preocupados com aquelas pessoas, não queriam que elas ficassem sem abrigo e sem alimento ali, no meio do deserto. A preocupação deles era genuína e com razão. Como nossas propostas para resolução dos problemas, muitas vezes, também são prudentes e justificáveis.

Porém, Jesus, como sempre, enxerga o mais profundo de nós, de nossas motivações, de nossos pensamentos e sentimentos mais escondidos. E responde: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Porque uma preocupação com um problema, uma proposta de solução que não envolve a MIM é tão fácil de ser oferecida. Por mais “honesta” que seja minha preocupação e minhas propostas, se eu estou me eximindo da RESPONSABILIDADE perante aquele problema, é muito provável que eu também vá ouvir do Senhor Jesus: “Dê você de comer a eles!”. É como se Jesus estivesse falando: “Você está vendo que existe um problema que precisa de solução aqui? Por que você está me pedindo para manda-los embora se virar pra resolver os seus próprios problemas, então? Não é assim que nós fazemos! Vá você mesmo arrumar uma forma de solucionar o problema deles!”. Venha você ser a resposta! Venha você ser a solução! Não passe para o outro, quem quer que ele seja, a responsabilidade de resolver um problema que o Senhor mostrou A VOCÊ! Porque Deus não nos chama para ser “identificadores de problemas”, Ele nos chama a ser “solucionadores de problemas”. Era o que Jesus fazia. É o que Ele nos convoca a fazer.

Estava tão confortável pros discípulos enxergarem a fome e a falta de abrigo daquela multidão, compostas por milhares de pessoas, e pedir que Jesus as mandasse embora para resolver seus problemas. Eles já haviam passado o dia inteiro ali, com aquelas pessoas, compartilhando com elas o “melhor que eles tinham”, a Palavra de Deus – pronto! Já não estava suficiente? Eles já tinham oferecido tanto! Mas, para Jesus, não era o suficiente. Sentar e falar àquelas pessoas, enxergar a dor deles, mas não envolver-se, não tomar para si, não desejar doar-se pelo outro, era uma missão muito distante de estar cumprida. Havia homens, mulheres e crianças ali, e o chamado de Jesus foi: “Venham vocês ser resposta para a dor deles!”.

E o bonito do restante do texto é que o que aqueles homens tinham para oferecer em obediência ao chamado do Mestre era tão pouco! “Não temos mais que cinco pães e dois peixes...”, foi o que eles responderam (v.13b). Mas esse pouco, que aos olhos dos discípulos não era nada, era o suficiente para Jesus. Porque o que Jesus espera de nós não é uma quantidade enorme de coisas que possamos oferecer para resolver os problemas que Ele nos mostra – é que entreguemos aquilo que temos. Só isso. Deus não espera de você mais do que você tem. Aliás, Jesus nem precisava daqueles 5 pães e dois peixes! Ele poderia ter feito o milagre sem eles. No entanto, Ele queria que os discípulos aprendessem a se oferecer, oferecer tudo o que tinham, por mais ínfimo que aquilo pudesse parecer, para ajudar a resolver aquele problema. E é assim conosco. Deus não está preocupado com quantos pães e peixes existem nas nossas mãos, e com quanto o tamanho de nossa oferta se aproxima do tamanho do problema que somos chamados a resolver. O que Ele espera de nós é que haja em nós envolvimento tal na resolução daquela tarefa que Ele nos chama a fazer, a ponto de entregarmos tudo o que temos – ainda que sejam apenas 5 pães e 2 peixes para alimentar 10 mil pessoas. É com a nossa entrega – total – que Ele está preocupado. É com nosso ASSUMIR A RESPONSABILIDADE.

E isso é tão difícil! É tão fácil enxergar que falta gente pra cuidar dos jovens da igreja – mas é tão difícil se oferecer pra ser esse alguém. É tão fácil dizer que a igreja não está arrecadando a oferta que precisava para investir em missões – mas é tão difícil tomar iniciativa para mobilizar essas ofertas e entregar as suas próprias. É tão fácil dizer que a igreja deveria evangelizar mais – mas tão difícil tomar a frente para montar um programa de evangelismo. É tão fácil olhar para a violência na nossa cidade, e colocar a culpa no governo – mas tão difícil desenvolver num projeto para redução de violência. É tão fácil condenar a corrupção e a falta de envolvimento político dos brasileiros – mas tão difícil fazer uma ação de combate real à corrupção. É tão fácil ver gente com fome e sentir pena – mas tão difícil ficar sem comer ou sem fazer as unhas para dar de comer a alguém. É tão fácil se comover com um vídeo que mostra as dificuldades dos campos missionários ao redor do mundo, e dos povos ainda não alcançados por Cristo – mas tão difícil ser aqueles que assumem o compromisso de oração, de sustento ou de doação de toda a sua vida para participar da redução dessas dores. É tão fácil falar e apontar e criticar e condenar... mas tão difícil tomar para nós a responsabilidade, e fazer.


Você está enxergando uma multidão que precisa de abrigo e de comida? Que está correndo o risco de perecer de fome no deserto? Isso está incomodando o seu coração? Está lhe gerando preocupação? Deus está lhe chamando para ser a resposta. “Dai-lhes vós mesmos de comer”. É conosco. O que você pode oferecer para saciar a fome deles? 5 pães e 2 peixes? É tudo o que você tem? Então é o suficiente. Porque o resultado vem de um Deus TODO-PODEROSO, que transforma nossas mais ínfimas ofertas num alimento para multidões. Ele não precisa de nossas “quantidades”. Ele precisa da nossa doação – de vida. Quando nos levantarmos para ser a resposta, Ele fará o milagre acontecer. Que possamos aprender, com a ajuda do Espírito Santo, a transformar problemas menos em reclamações, murmurações, julgamentos, e mais em soluções e respostas. Chamados para ser resposta. E chamados pelo Mestre. Chamados para ser COMO O MESTRE. Para a glória dEle, o Único digno, sobre Quem todas as coisas são. Ele nos ajude. Amém.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Quaresma – Dia 20: Missão Integral



“Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos” (Lucas 9.2)

Que interessante a missão que Jesus, pela primeira vez no Evangelho de Lucas, dá aos doze: pregar o reino de Deus e curar os enfermos. Uma falando, outra fazendo. Uma para mudar o entendimento, outra pra mudar a vida. Uma teórica, outra prática. Uma “espiritual”, outra “física”. E é fantástico parar para observar isso. Quanto temos sido ensinados a separar “espiritual” de “material”, e que somente o primeiro constitui nossa missão designada por Deus. Temos crido que o “espiritual” é o que importa a Deus, e o restante é apenas acompanhamento. Porém, quando esse texto começa, o texto das instruções dadas aos doze para o envio que Jesus faria deles, ele diz: “Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas” (v.1). E, nos relatos bíblicos, nem sempre as curas ou as libertações de endemoninhados vêm acompanhadas por salvação. Portanto, a missão dada por Jesus aos apóstolos, claramente possui não apenas o foco “espiritual” (salvação da condenação eterna), mas também “material” (da nossa vida aqui nessa terra).

Missão integral. Missão de salvar o ser humano aqui e agora, e também amanhã, na eternidade. Missão dada por um Deus que reconhece que nós, seres humanos, possuímos necessidades físicas, emocionais e espirituais, e que nos olha integralmente – e quer nos libertar integralmente. Missão dada por um Cristo que, até então, vinha dando o exemplo de alguém comprometido em salvar o homem em toda a sua existência – em suas dores físicas tanto quanto em suas dores espirituais. Jesus perdeu tanto tempo de seu ministério fazendo milagres físicos: curando cegos, surdos, paralíticos, leprosos e tantas outras doenças, multiplicando comida para saciar fome; e operando também milagres emocionais: a uma mulher adúltera trazida para ser apedrejada, a uma mulher rejeitada por ser mulher, samaritana e adúltera, a publicanos, gentios, pescadores, gente humilde e excluída, pecadores. Se pudéssemos quantificar, quanto será que, de toda a narração dos evangelhos, estaria relatando o tempo gasto por Jesus na realização de curas físicas e emocionais, em comparação com o tempo gasto por ele falando especificamente sobre a necessidade de libertação espiritual do ser humano? Não sei. Mas sei que os relatos sobre as ações de cura física e emocional de Jesus foram muitíssimas. E a missão dada aos doze incluía, antes mesmo de mencionar a pregação, a realização destas curas. Deus se importa com elas. Elas fazem parte da nossa missão. Deus olha para o homem em todas as suas necessidades – é nos chama para também olhar assim, e trabalhar para atender a todas elas.

Outra coisa interessante é que o verso 2, ao falar da missão dada por Jesus aos doze, usa o termo “pregar o reino de Deus”, que é um termo muito menos usado do que o tradicional “pregar o evangelho”, que aparece no verso 6. E, muitas vezes, por nos acostumarmos em ouvir certos termos, em nossas práticas religiosas, vamos perdendo o verdadeiro sentido dele. “Pregar o Reino de Deus” e “Pregar o evangelho” são usados, nesse texto, como sinônimos. Ambos falam da missão dada aos discípulos naquele momento. E eles, de fato, são sinônimos. Essa é nossa missão. Contudo, quando falamos de “reino de Deus” costumamos imaginar algo muito maior do que “evangelho”. Parece que o nosso entendimento a respeito do que é “pregar o evangelho” ficou tão reduzido a algumas verdades bem objetivas acerca do “plano de salvação”, que dificilmente falaríamos que pregar o evangelho e pregar o reino de Deus são a mesma coisas. Mas eles são. Pregar o evangelho é muito mais do que ensinar algumas verdades a respeito da condição espiritual do ser humano e da salvação da alma em Cristo. É mais. É proclamar uma realidade em que quem REINA é Jesus. Como é esta realidade? Qual é o jeito de Deus reinar? E isso começa com a salvação da alma, mas isso continua em muitas outras coisas – em todo o processo de santificação, de renovação da mente e do coração do homem, do aprendizado de um novo jeito de viver. E nós precisamos, urgentemente, dessa compreensão. Pregar o evangelho não é apenas bater de casa em casa, ensinando os 4 passos para a salvação. É pregar uma vida em que o REI É JESUS. E isso se prega com a boca, mas também com a vida – e, muitas vezes, principalmente com a vida.

Jesus nos envia a uma missão que inclui o alcance a toda a vida do ser humano: sua mente, por meio do anúncio das verdades bíblicas; seu espírito, por meio da proclamação do caminho para salvação em Cristo; e também do corpo e das emoções, por meio de uma aproximação de preocupação e amor, e das curas que o Senhor realiza por meio de nós. E continua sendo assim hoje. Chamados para proclamar e também para curar. Para falar, mas também para tocar, abraçar, aconselhar, orar junto e ser canal de libertação. Teoria e prática. Mente, corpo, alma e espírito. A missão inclui tudo isso. E não podemos nos esquecer disso. O Reino de Deus estabelecendo-se na terra: em todos os aspectos que possam envolver a vida do ser humano.


Termino com uma frase de Aristóteles: “Onde as necessidades do mundo se cruzam com as suas possibilidades, aí está sua vocação”. Aí está seu chamado. Quais as necessidades do mundo, das pessoas ao seu redor, que se cruzam com suas possibilidades de ajuda? Espirituais, emocionais, físicas... tudo isso é sua missão. Missão integral. E, assim, o Reino de Jesus se estabelecerá entre nós. Para glória do Nome de Jesus. Amém.

terça-feira, 1 de março de 2016

Quaresma – Dia 19: Toque de Fé



“Mas Jesus disse: Quem me tocou?” (Lucas 8.45a)

Eu tô aqui me perguntando se não tô falando a mesma coisa em todos os textos. Porque o que cada um desses textos bíblicos tem gerado em meu coração está sempre fluindo na mesma direção. E pode ser que isso seja porque eu estou precisando aprender sobre FÉ. Ou pode ser, simplesmente, o exato objetivo de Deus ao colocar todas essas narrações juntas. Nos ensinar, repetir, repetir, repetir novas e novas histórias que nos levem a viver a verdadeira FÉ. Talvez seja sobre isso. Seja esse o objetivo nas nossas vidas.

Que texto fantástico esse! Eu li a primeira parte – “Enquanto ele ia, as multidões o apertavam” (v.42b) – e a primeira coisa que pensei, já conhecendo o restante da história, foi: “Cara, havia uma multidão de gente tocando em Jesus!”. E todas aquelas pessoas que O tocavam não viveram o que AQUELA MULHER viveu. A Bíblia não fala que todos eles experimentaram a cura de Jesus. Mas todos eles O estavam tocando! Por que só AQUELA MULHER recebeu a cura – uma cura tal que fez Jesus parar e perguntar quem O tinha tocado? E a resposta é que não foi o simples “tocar em Jesus” o que curou aquela mulher – como se a roupa de Jesus fosse mágica ou algo assim. Senão, ninguém precisaria pedir que Jesus fizesse milagre nenhum, bastava dar um jeito de tocar nas Suas vestes (P.S.: tem monte de gente achando que funciona assim por aí, hoje em dia, hein?). Não tinha a ver com TOCAR em Jesus. Tinha a ver com QUE TOQUE foi esse. Muitos O tocavam. Mas AQUELA MULHER O tocou de maneira diferente. Porque seu toque foi acompanhado de FÉ. Fé genuína. Intensa. Viva. Real. Aquela de Hebreus 11.1. E foi isso o que fez a diferença entre AQUELA MULHER e a multidão. E é isso o que faz a diferença entre aqueles que estão experimentando dos milagres de Deus e os que não estão. Aquela mulher creu no poder de Jesus – e foi curada. Essa é uma reflexão acerca da nossa fé. Como ela está?

E o outro fato que eu gostaria de destacar nesse texto são os versículos 46 e 47. A pergunta de Jesus foi simples: “Quem me tocou?”. Que pergunta mais sem sentido (pra não dizer outra coisa! :x), não é? Os próprios discípulos se perguntaram isso: “Mestre, as multidões te apertam e te oprimem e dizes: Quem me tocou?” (v.45b). Não fazia sentido nenhum perguntar uma coisa daquelas naquela circunstância! Contudo, o texto diz: “Como todos negassem, Pedro [com seus companheiros] disse...”. Como todos negassem? Como assim? TODOS ESTAVAM TOCANDO EM JESUS. Por que TODOS NEGARAM? E depois, Jesus fala: “Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder” (v.46). Jesus não estava falando simplesmente de “ter sido tocado”. Não era qualquer toque. Foi uma experiência de cura. E, então, é quando aquela mulher SABE que era com ela. COMO ELA PODERIA SABER? Ela estava no meio de uma MULTIDÃO! Aquilo que Jesus estava falando poderia servir PARA QUALQUER UM! Como aquela mulher sabia que era COM ELA?

E a questão aqui é que a gente sabe. A gente sabe quando NÓS tivemos uma experiência real com Cristo. E a gente sabe quando Ele tá falando COM A GENTE. Não tem jeito! Não dá pra negar. A gente simplesmente SABE. Como aquela mulher sabia. E Jesus já até sabia que tinha sido ela, porque Ele é onisciente. Porém, Ele deu àquela mulher a oportunidade de reconhecer para si mesma e mediante aquelas pessoas a experiência que tinha vivido com o Messias! E isso é lindo! Você pode estar no meio de uma multidão e mesmo assim saber quando o Senhor está falando COM VOCÊ. Minha conversão foi assim. Eu estava num encontro com dezenas de jovens. Muitos. E muitos deles estavam como essa multidão – chorando, indo atrás de Jesus, apertando-O, pedindo milagres e etc... mas, naquele dia, no meio daquela multidão, eu consegui apenas “tocas as Suas vestes”, e eu sabia que, dali em diante, minha vida não seria mais a mesma. Foi comigo aquela experiência. A gente sabe. A gente reconhece a voz dEle falando conosco. Porque essa Voz causa em nós o que causou naquela mulher: “Vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se trêmula e, prostrando-se diante dele, declarou, à vista de todo o povo...” (v.47).


Esse é o resultado de um TOQUE DE FÉ. Temor a Deus (“aproximou-se trêmula”). Adoração e rendição (“prostrando-se diante dele”). Confissão e declaração pública de fé (“declarou, à vista de todo o povo”). É isso. A vida que acompanha nossas experiências de fé no Cristo. Esses momentos em que fomos nós que tocamos o Mestre, com nossa fé, e Ele nos muda completamente. Que nossos toques sejam assim. Não como os da multidão, que estavam perto de Jesus, mas não tiveram experiências reais com Ele. Mas como o dessa mulher, que em sua humildade, sem ser vista por ninguém, sem nem conseguir tocar no próprio Jesus, como muitas daquelas pessoas faziam, teve tal fé capaz de parar o Mestre, parar a multidão, ter sua vida totalmente transformada e testemunhar de seu encontro com o Cristo. Que esse seja o nosso encontro com Ele, dia a dia. Um encontro que nos mude e gere em nós temor, rendição, adoração e testemunho. Que assim seja. E o Nome de Jesus seja glorificado. Amém.


Quaresma – Dia 18: Ontem, Hoje e Eternamente PODEROSO



Antes dessa reflexão, gostaria de pedir perdão pela ausência nos últimos 3 dias. Foram dias muito intensos – na obra e no agir de Deus, glórias ao Pai! – e não consegui ter energia para registrar as reflexões de cada dia. Porém, como Deus é misericordioso, estive meditando na Palavra em todos esses dias e estou aqui de volta pra deixar os registros de mais algumas meditações e continuar esse propósito de Quaresma.

Desde sábado, eu estou vivendo um tempo muito precioso de contato com o trabalho missionário mundial. Sábado, durante o dia inteiro, esteve acontecendo o Encontro de Promotores de Missões da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira aqui no meu estado. Esse é um encontro anual em que a Junta batista responsável pelo envio de missionários para o campo fora do Brasil envia seus missionários aos estados brasileiros, para fazer esse vínculo, essa ponte entre a igreja brasileira e os missionários transculturais fora do Brasil. E, esse ano, vieram duas missionárias da África, de diferentes países, compartilhar suas experiências na missão. E domingo e segunda foram dias aproveitando as oportunidades para estar caminhando e aprendendo com elas por aqui também (por isso – assunto que é imbatível na minha vida, né? – não dei conta de fazer muita coisa quando conseguia chegar em casa). E, além disso, nas últimas semanas, Deus tem feito algumas coisas bem loucas/lindas em minha vida. E, continuando a leitura do evangelho de Lucas, ele vem falar de algo que vivi muito nitidamente nesses dias, sobre o qual gostaria de escrever.

“Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?” (Lucas 8.25b)

Este texto vem seguido da narração da cura do endemoninhado geraseno, da cura da mulher com fluxo de sangue e da ressurreição da filha de Jairo. Milagres. Milagres! E quando eu li esse trecho aí em cima (“Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?”, eu parei. Gente, isso é tão forte! Jesus dando ordem aos ventos e às ondas, dando ordens aos demônios, liberando cura por meio de um simples toque à sua roupa, ressuscitando uma pessoa... e, infelizmente, nós já estamos tão ACOSTUMADOS a ouvir e ler essas histórias sobre O PODER DE DEUS, que nós perdemos a capacidade de SENTIR, de ENXERGAR, de CONTEMPLAR a grandiosidade do significado disso! Nosso excesso de “conhecimento” tem nos cauterizado. Como quando nossa pele é exposta a altas temperaturas e, no início dói tanto, estamos tão sensíveis, mas, à medida que ela continua sendo exposta, com o tempo, acostuma e deixa de sentir tanta dor. Como quando começamos a fazer um trabalho pesado e ele machuca nossas mãos, fere, dói. Mas, à medida que vamos repetindo e repetindo aquele trabalho, nossa pele vai engrossando, criando calos, até que deixamos de sentir. Assim tem acontecido com nossa . Temos criado calos em nossas vidas espirituais. Fomos tão expostos, talvez da maneira errada, aos ensinos da Bíblia que fomos perdendo a sensibilidade ao significado ESPIRITUAL deles. Com o tempo, eles vão se transformando em conhecimento. Raciocínio. E perdemos a capacidade de ver a profundidade do que textos como esses de Lucas estão falando.

Nesses dias com as missionárias da África, ouvi tantas coisas! Gente, não tenho como expressar! O agir SOBRENATURAL de Deus em meio a povos totalmente desconhecedores dEle! Essas histórias de milagres que lemos na Bíblia, acontecendo HOJE, diante dos olhos de nossos missionários! O PODER DE DEUS, o PODER DO NOME DE JESUS AGINDO nas vidas de pessoas escravizadas pelo islamismo, pela feitiçaria, pela opressão... milagres acontecendo pela oração de crianças de 4 anos que conhecem a Cristo e vivem em uma família mulçumana e animista. E foi quando eu pude perceber que, aqui deste lado, no nosso Brasil, em nossas denominações cheias de teologia, quanto nós temos nos esquecido de QUEM É O NOSSO DEUS. Nos deixamos abalar pelo menos problema que aparece. Temos dificuldade de crer que Deus tem poder para transformar toda e qualquer realidade. Nos enchemos de medos e dúvidas. Achamos que depende de nós. Acho até que somos ensinados assim. E passamos a olhar pra textos como esses como se fossem apenas fábulas. Passamos a olhar pra JESUS como se fosse apenas uma fábula. Lemos as histórias do Antigo Testamento, ou os milagres do Novo Testamento, e a gente “acredita”, mas com a mente – porque nosso coração continua temeroso.

Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?”. ESTE É O NOSSO DEUS! O Deus que é TOTALMENTE PODEROSO para salvar QUALQUER PECADOR da escravidão do pecado. O Deus que é TOTALMENTE PODEROSO para mudar a história de nações inteiras. O Deus que é TOTALMENTE PODEROSO para tirar todos os impedimentos que existam para o cumprimento de Sua vontade. O Deus que é TOTALMENTE PODEROSO para convencer e transformar pessoas. Para ressuscitar mortos e curar enfermos. Para nos dar o sustento que precisamos. PARA FAZER O IMPOSSÍVEL ACONTECER! Ele não mudou! Ele ainda é o mesmo! Nosso Deus não mudou! Ele não deixou de agir quando completou as coisas que queria falar por meio das Sagradas Escrituras! Ele é o mesmo! Todas essas histórias não são apenas histórias, são lembranças de tudo aquilo que nosso Deus PODE fazer – e ESTÁ fazendo! Ah, como é impactante parar para lembrar disso! O que há de impossível para nosso Deus? Nada! O mundo e tudo o que nele há pertencem ao Senhor! O que nós vamos temer?


E, nesses dias, Deus tem agido com misericórdia, como sempre, comigo, e me ajudado a entender isso. Eu entendo tão pouco! Tenho percebido, nesses dias, quanto minha fé é pequena. Quanto tenho vivido minha vida espiritual com base nos meus raciocínios e entendimentos. Mas Deus quer se revelar a nós COMO ELE É. Com todo Seu poder, Sua majestade, Sua soberania, Sua autoridade. E conhecer ESSE DEUS é fantástico! Provar de Seu agir sobrenatural é indescritivelmente maravilhoso. Lembrar e reconhecer que ELE É O SENHOR DO UNIVERSO! Esse Deus quer se revelar a nós. O Deus que disse que se tivéssemos fé do tamanho de um grão de mostarda, mandaríamos ao monte que mudasse de lugar, e ele mudaria. Porque é o PODER DELE quem age através da nossa fé. E eu quero isso pra minha vida. Raciocinar menos e crer mais. Ver mais do sobrenatural de Deus na minha vida e na minha história. Sair do controle para que Ele possa agir com Seus milagres em minha vida. Eu quero isso! Quero ver os ventos e as ondas acalmando em obediência à voz do meu Mestre! Quero não mais esquecer do TREMENDO PODER que Ele tem. Ele TEM. Ele continua tendo e continua trabalhando. E eu quero ser participante do agir de Cristo nessa terra! E poder exclamar, com temor e admiração, como aqueles discípulos: “Quem é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?”. ALELUIA! Esse é o ÚNICO DEUS VERDADEIRO. Esse é o NOSSO DEUS! A Ele seja toda honra, glória e louvor, para sempre!